Alcolumbre articula barrar CPI do Banco Master e avançar redução de penas do 8 de janeiro
30 abril 2026 às 15h14

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB), deve impedir o avanço da CPI do Banco Master, mesmo diante de requerimentos já protocolados pela oposição. A decisão faz parte de um entendimento político que envolve a análise de outro tema sensível, a redução das penas aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros condenados pelos atos de 8 de janeiro.
A instalação da CPI depende da leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso, marcada para esta quinta-feira, 30. Alcolumbre, porém, sinalizou que não pretende incluir o assunto na pauta. Em troca, acertou com líderes oposicionistas que o veto presidencial ao projeto de dosimetria será apreciado. A expectativa é de que o Congresso derrube o veto, abrindo caminho para a diminuição das penas.
O movimento busca evitar que o caso Master volte ao centro das atenções. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central no escândalo, manteve relações com parlamentares de diferentes partidos, o que torna o tema delicado para a classe política. A avaliação é de que uma CPI poderia ampliar o desgaste e expor ainda mais essas conexões.
Além da questão do Master, a sessão do Congresso também foi marcada pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrida na véspera. O episódio reforçou o clima de tensão entre governo e Legislativo.
No campo das CPIs, há diversos pedidos relacionados ao Master. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) protocolou requerimento para uma comissão mista em fevereiro, com apoio de 281 parlamentares, mirando supostas relações de ministros do STF com Vorcaro.
Em outros pedidos, como o do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e do senador Eduardo Girão (Novo-CE), também aguardam decisão, mas não avançaram. Girão chegou a recorrer ao STF, onde o caso está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.
Sem a instalação de uma CPI específica, parlamentares recorreram a outras comissões já existentes para obter documentos e relatórios sobre o banco. No entanto, as CPIs do INSS e do Crime Organizado foram encerradas sem relatório final, o que limitou a continuidade das investigações. O governo Lula, por sua vez, não deve se empenhar para que a CPI do Master seja aberta.
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