Longe dos métodos tradicionais, uma abordagem tem ganhado espaço no CEAP-SOL: o tratamento com a cãoterapia para pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A presença dos animais tem humanizado o suporte terapêutico, unindo estímulos físicos e psicológicos em uma única experiência, de forma totalmente natural.

A prática vai além do convencional, ajudando a quebrar barreiras na comunicação e a fortalecer os laços sociais de crianças, adolescentes e adultos atendidos no CEAP-SOL.

Ao Jornal Opção, a diretora técnica Vivian Furtado disse que os benefícios da cãoterapia são profundos, especialmente no campo emocional. “O contato com os animais traz segurança e um afeto que impacta diretamente na autoestima, reduzindo crises e facilitando a interação verbal e não verbal”, explica.

A iniciativa faz parte de um conjunto de estratégias da unidade para oferecer um acolhimento mais sensível. Entre brincadeiras e estímulos motores, os animais conseguem extrair respostas positivas e espontâneas que, muitas vezes, as terapias tradicionais levariam mais tempo para alcançar.

Diretora técnica da CEAP-SOL, Vivian Furtado | Foto: Mylenna Scheidegger/Jornal Opção

“As crianças costumam reagir muito bem. Elas se aproximam, abraçam, interagem e, a partir desse contato, conseguem desenvolver algo que muitas vezes é um desafio, como o vínculo e o contato físico com outras pessoas”, completa a diretora.

Além da cãoterapia, o atendimento no CEAP-SOL envolve atuação multidisciplinar, com intervenções que consideram as particularidades de cada paciente. A terapeuta ocupacional da unidade, Tainá Póvoa, destaca que o tratamento tem como objetivo desenvolver habilidades e dar mais autonomia aos pacientes.

“Nosso foco é desenvolver habilidades e dar mais autonomia para essas crianças, preparando-as para o convívio social e escolar. Cada atendimento é pensado de forma individual, respeitando as necessidades de cada paciente e envolvendo também a família nesse processo”, afirma.

Terapeuta ocupacional da unidade, Tainá Póvoa e Pedro Eduardo Pinheiro (paciente) | Foto: Mylenna Scheidegger/Jornal Opção

Abril Azul e Projeto C.U.R.A.A

Em alusão ao Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o CEAP-SOL realizou uma ação nesta quinta-feira (30). A atividade contou com a participação do projeto C.U.R.A.A., que atua com cães terapeutas em diferentes contextos.

“A presença dos cães proporciona algo que vai além do cuidado: promove pertencimento, inclusão e ajuda essas crianças a se sentirem vistas. É uma forma de estimular autonomia e mostrar que elas podem ocupar espaços na sociedade com mais confiança”, afirma a coordenadora do projeto, Elaine Bezerra.

Os resultados também são percebidos pelas famílias. Marisa Helena de Andrade, avó da paciente Sofia Quirino Siqueira, de 6 anos, acompanha de perto a evolução da neta.

Elaine Bezerra e Aspher | Foto: Iron Braz

“Antes, ela não falava nada, era não verbal. Hoje já tem um vocabulário melhor e consegue interagir mais. As terapias foram fundamentais para esse desenvolvimento”, relata.

Segundo ela, o contato com os animais também tem despertado novos interesses e contribuído para o comportamento da criança. “Ela criou um vínculo muito grande com os bichinhos, gosta de abraçar, de brincar. Isso ajuda muito”, completa.

Para quem ainda tem dúvidas sobre buscar acompanhamento, Marisa é direta: “É importante aceitar a condição da criança e procurar as terapias o quanto antes, porque são essenciais para o desenvolvimento”.

Entre os pacientes, o entusiasmo com a atividade é evidente. Pedro Eduardo Pinheiro, que realiza acompanhamento na unidade há três anos, resume a experiência: “Eu amei! É muito divertido, ainda mais com os cachorros. Eles são fofinhos!”

Marisa Helena de Andrade, avó da paciente Sophia | Foto: Mylenna Scheidegger/Jornal Opção

Assim, entre brincadeiras, afetos e descobertas, a cãoterapia se consolida como uma ferramenta potente no cuidado e no desenvolvimento dos pacientes do CEAP-SOL. Em cada interação, os cães ajudam a construir pontes para a comunicação, para o vínculo e, principalmente, para uma vida com mais autonomia e inclusão.

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