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A radical Marina Silva vai desafiar o coro dos contentes do tucanato e do petismo

Marina Silva, a candidata do PSB a presidente da República — não há ou­tra possibilidade —, é um “problema” e uma “solução” [caption id="attachment_12777" align="alignleft" width="825"]artigo_jose maria e silva.qxd Marina Silva: a candidatura da socialista quase-missionária indica uma radicalização da política nacional e alianças mais conservadores podem ruir nos Estados | Foto: Miguel Baia Bargas[/caption] “Problema” porque “assusta” mais do que Eduardo Campos, falecido na quarta-feira, 13, aos 49 anos. É provável que assusta progressistas e conservadores (principalmente os do agronegócio, que, a rigor, são menos conservadores do que imagina a vã filosofia patropi). Mesmo com certo ar angelical — inclusive é religiosa — e defensora de causas progressistas, como a preservação do meio ambiente, é conservadora, em termos comportamentais. É uma evangélica radical, se se pode formular assim. É contrária ao aborto e não tem qualquer empatia com causas como “casamento” entre ho­mossexuais. Na política nascida no Acre (de 56 anos) coexistem, numa ambiguidade que chamaria a atenção do escritor americano Henry James, uma conservadora e uma progressista. A defesa intransigente do meio ambiente, com o consequente controle do crescimento capitalista no campo — quiçá inevitável, dadas as pressões do agronegócio e, ao mesmo tempo, do crescimento populacional no Brasil e no exterior —, camufla a Marina adepta do conservantismo questões comportamentais. Entretanto, ao contrário de outros políticos, Marina Silva tem posições claras a respeito de alguns assuntos e tende a não tergiversar. A confusão é mais de quem a interpreta, que em geral a vê quase que exclusivamente como uma radical de esquerda, devido à pregação de que a expansão do capitalismo deve ser controlada pelo Estado — deixando de notar outros aspectos de seu pensamento. Fica-se com a impressão de que a provável presidenciável quer construir um mundo para os “escolhidos”, o que é uma ideia político-religiosa — que, sob o socialismo, gerou uma ditadura implacável, responsável por milhões de mortos (cerca de 100 milhões, e exclusivamente no século 20, depois de 1917) —, e por isso antropólogos e sociólogos, mais do que cientistas políticos e estatísticos, deveriam ser convocados para explicá-la. Marina Silva talvez seja mais bem compreendida se for vista como uma radical de esquerda que incorpora certo radicalismo (comportamental) de direita, derivando posições políticas a partir de uma visão religiosa (evangelizadora e quase fundamentalista) do mundo. Então, a ex-mi­nistra, chefe do grupo político co­nhe­cido como Rede Susten­tabilidade, é de esquerda, politicamente, e de direita, em termos comportamentais? É provável que mesmo esta in­terpretação seja redutora e que a líder socialista — quem sabe, uma so­cialista cristã — careça de uma observação mais aguçada e menos simplista. Porém, o que importa, no momento, não é a clareza ideológica sobre o que é Marina Silva. Até porque o que falta na política patropi é transparência ideológica — e não só de Marina, que, aliás, talvez seja mais bem posicionada, com suas contradições, do que a presidente Dilma Rousseff, que, para governar, assenhorou-se de uma aliança política que, por certo, contraria seu ideário, mas não o de Lula, que é um animal político do primeiro time, que percebeu rápido que política se faz na circunstância e com práticas e aliados possíveis, não com ideias revolucionárias, bonitas e futurísticas. O que define a tática (a intervenção na realidade) é a circunstância — não uma ideia. O que importa é o debate, ainda prematuro mas necessário, sobre a viabilidade de Marina Silva. O cientista político e filósofo Marcos Nobre, da Unicamp, concedeu uma entrevista polêmica e instigante à “Folha de S. Paulo”. Aqui e ali, fica parecendo mais oráculo do que cientista, mas não porque queira ser profeta, e sim porque a política, que é construção no momento, é sempre um terreno escorregadio e pantanoso. Ao contrário do historiador, que trabalha com fatos mais ou menos consolidados, o cientista político comete mais erros porque tem de interpretar os fatos no momento em que estão acontecendo. Trabalham, pesquisam, escrevem e dão entrevistas sob pressão. A “Folha” cobra que Marcos Nobre explique por qual razão a aliança Eduardo Campos e Marina Silva, supostamente representante do “novo”, não havia decolado. A explicação talvez não seja lá muito precisa, mas tem sua pertinência: “Não decola porque a campanha foi lançada na entrevista ao ‘Jornal Nacional’, na véspera de sua morte. A exposição nacional começou ontem” (terça-feira, 12). [caption id="attachment_12779" align="alignleft" width="1022"]Eduardo Campos: o líder pernambucano, progressista e modernizador, era muito mais agregador do  que a líder ambientalista Marina Silva. E ele tinha um pé no coronelismo nordestino, na oligarquia Eduardo Campos: o líder pernambucano, progressista e modernizador, era muito mais agregador do que a líder ambientalista Marina Silva. E ele tinha um pé no coronelismo nordestino, na oligarquia | Foto: Nacho Doce/Reuters[/caption] Marcos Nobre avalia que a morte de Eduardo Campos piora a situação da presidente Dilma Rousseff. Na sua opinião, o PSB não tem saída, exceto lançar Marina Silva. “O sistema político, que excluiu a candidatura de Marina, será obrigado a trazê-la de volta com um cacife gigantesco. Isso acontece antes do horário eleitoral. Vai ter um período de confusão, mas acho que a Marina será candidata por causa da pressão sobre o PSB. Isso é ruim para o governo porque Marina tem carisma, cacife, voto e ‘recall’ [lembrança dos eleitores]. O governo não contava com isso.” Entra aí, pois, Marina Silva como “solução”.

Eleitores em campanha

Pode-se dizer que há eleitores que estão em campanha — uns com Dilma Rousseff, outros com Aécio Neves. Alguns estavam com Eduardo Campos. Mas há os eleitores, ainda que devida ou parcialmente politizados, que não estão em (e na) campanha. A rigor, não estão indecisos. Tão-somente não querem votar em quem está no poder e em quem, mesmo na oposição, não parece oferecer uma alternativa de mudança em relação ao status quo. O próprio Eduardo Campos seguiu o governo do PT durante 11 anos e se considerava neolulista, um apadrinhado do ex-presidente Lula da Silva, que chegou a pensar em lançá-lo a vice-presidente de Dilma Rousseff e/ou a presidente em 2018. Porém, por entender que o PT não abre espaço para político de outro partido, o líder pernambucano decidiu romper a aliança e lançar-se candidato já em 2014. Eduardo Campos era oposição, claro, mas ao mesmo tempo era visto como um homem do “establishment” lulopetista. Marina Silva, mesmo tendo pertencido ao PT e ao ministério de Lula da Silva, é vista como avessa aos conchavos, ao sistema político dominante. Embora seja pragmática em certos pontos — sua estrutura logística não é gratuita nem feita de so­nhos —, é, no geral, purista. Às ve­zes, não parece habitar o mundo dos mortais. É uma outsider, quem sabe até mesmo na Re­de Sus­tentabilidade — grupo no qual, tudo indica, predominam po­líticos avessos à religião e ade­ptos de um socialismo possivelmente diverso da ideia socialista da ex-ministra do Meio Ambiente. Os eleitores que não estão em campanha, e que aparentemente não querem estar em campanha, podem perceber em Marina um par, uma irmã, no descontentamento universalizado com os políticos. Trata-se, lógico, de uma hipótese. O que pode “salvar” Dilma Rousseff, no primeiro ou no segundo turno, é o voto dos eleitores mais pobres. A perda de uma figura nordestina no pleito — Marina, ao se tornar uma política nacional, parece ocupar um não-lugar, quer dizer, é de todos os lugares, mas não é de nenhum especificamente, nem mesmo do Acre, sua antiga base (é mais forte em Brasília) — pode contribuir para aumentar o cacife da petista. No Nordeste o governo, com seus programas sociais, será o principal cabo eleitoral de Dilma Rousseff. No Nordeste e nas áreas mais pobres do país. No Sudeste, onde não está bem, dada a força da classe média — que, endividada, quer mais do governo, especialmente recuperar o poder de ir às compras —, a presidente vai precisar de uma energia redobrada de seu principal cabo eleitoral, Lula da Silva. Em suma, Marina Silva complica o jogo, mas não apenas para Dilma Rousseff. O principal ameaçado é mesmo Aécio Neves. Como segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, o tucano de Minas Gerais é o primeiro alvo do PSB. Eduardo Campos tinha algum pudor de criticar o amigo Aécio Neves. Marina Silva não terá pudor algum. Na eventualidade de segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva, o tucanato fica com a segunda, bem recebido ou não. O que o PSDB mais quer é — com Aécio Neves, o preferido óbvio, ou Marina Silva — arrancar o PT do poder. Agora, se a ex-ministra não deslanchar, vai ser difícil, talvez até muito difícil, o PSB segurar alguns de seus aliados. A tendência é que passem, sem nenhum constrangimento, para o lado de Dilma Rousseff, cristianizando Marina Silva, que, a rigor, “está” mas não “é” do PSB (o PSB vai tentar controlá-la, numa missão impossível, e é provável que a ex-ministra vai tentar controlar o partido). Marina Silva, como se disse antes, é uma outsider — uma espécie de Antônio Con­selheiro de saia, ou, no limite, uma Lula da Silva radicalizada, acima de partidos e grupos políticos.

Morte gera consenso

O dramaturgo Nelson Rodri­gues escreveu que “o mineiro só é so­lidário no câncer”. É uma boutade. Mais certo é dizer que o brasileiro é mais solidário na morte. A mor­te reorganiza o consenso, o pacto da civilidade e, assim, elide as contradições. Eduardo Cam­pos, que mal era citado pelas elites políticas e empresariais, de repente se tornou maior do que certamente é. Fica-se com a impressão de que, morto, tornou-se nacional e um político do porte de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva. A verdade é que o momento apropriado para se avaliar uma pessoa, seja político ou não, não é logo após a sua morte, na hora da comoção privada ou coletiva. (Observe-se que a primeira biografia alentada de Getúlio Vargas, de autoria do jornalista e escritor Lira Neto, só foi publicada integralmente 60 anos depois de sua morte.) Mas obituários não devem excluir a contradição, os problemas. Em alguns jornais ingleses, franceses e norte-americanos, os obituários são escritos antecipadamente por dois motivos. Primeiro, porque escrever às pressas, especialmente sobre pessoas complexas, é sempre um risco. Às vezes não se escapa do reducionismo. Segun­do, porque, escritos antecipadamente, tendem a refletir não a comoção, o clima da morte. Como todos sabem, o que define um homem, político ou não, não é sua morte, ainda que trágica, e sim a inteireza de sua vida. Os 49 anos de E­duar­do Campos não podem ser definidos por um único dia. A morte, por assim dizer, faz “parte” da vida — e não o contrário. Morto Eduardo Campos, de repente começou-se o consenso: “era um grande político”, um elemento da “renovação política” do país. Num momento de confrangimento, de tristeza, é difícil dizer o contrário, desafiando o coro dos recém-contentes. Mas é estranho que ninguém tenha dito que, mesmo com a candidatura, ainda não havia se tornado um político nacional. Ainda estava circunscrito ao Nordeste, sobretudo à sua Paságarda, Pernambuco. A morte, por certo, “transformou” Eduardo Campos num político nacional, ainda que momentaneamente. Era jovem, e a morte de jovens, sobretudo daqueles que falam em renovação, choca muito e cria uma espécie de congraçamento coletivo. A morte, se se pode dizer assim, amplia a civilidade — o que não é negativo. O presidente John Kennedy morreu quando tinha 46 anos e teve quatro filhos com Jacqueline Kennedy. E tornou-se um mito internacional. O político brasileiro deixa cinco filhos e uma mulher jovem, de 46 anos. Com seus olhos azuis e porte ereto, era tão bonito quanto Jack Kennedy. Não se trata, numa adesão insensível à realpolitik, de dizer que Eduardo Campos era mau político. Nada disso. Trata-se, pelo contrário, de exibir o homem em sua grandeza e limites apropriados. No governo, por quase oito anos, contribuiu para ampliar a modernização de Pernambuco. Não se pense que governou como socialista, apesar dos investimentos no social, com prioridade para a educação (estudantes pobres ganharam bolsas para estudar no exterior e incentivou-se a escola de tempo integral). Economista, não tinha veleidades românticas. Era um realista. Por isso, criou um planejamento que combinou incentivo maciço ao crescimento com políticas desenvolvimentistas e, mesmo, assistenciais (não há como descartar o assistencialismo nem mesmo em países muito ricos, como os Estados Unidos, Japão e a Ale­manha, pois a pobreza é um fenômeno universal). No seu governo, caíram os índices de homicídio e o PIB de Pernambuco duplicou. “Tocou obras como o Porto de Suape, a Transnordestina, o estaleiro Atlântico Sul.” Com que dinheiro? Seu governo recebeu espantosos 30 bilhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff. O PT foi seu grande parceiro administrativo e político. Lula da Silva era uma espécie de tutor político. Eram amigos, aliados e, claro, pernambucanos. Portanto, Eduardo Campos, como realçaram os obituários, traduzindo opiniões diversas, era mesmo um gestor moderno e, assim, um agente da renovação. Era um desenvolvimentista e, filiado ao Partido Socialista Brasileiro, nada tinha de comunista. Era, acima de tudo, um modernizador. Mais: era um homem de Estado, de extrema vocação para o serviço público. Um dos melhores perfis de Eduardo Campos saiu na “Piauí”, com o título de “Candidato anfíbio” (a revista diz isto porque ele era “capaz de adaptar às mais diversas situações e ambientes”), da lavra da atentíssima repórter Daniela Pinheiro. É um retrato multifacetado, nem laudatório nem ofensivo. Justo, registrando seus sucessos, ambivalências e problemas. Nas suas conversas e discursos, Eduardo Campos dizia com frequência: “O Brasil parou de melhorar e começou a piorar”. É uma frase de marqueteiro (repetir para ver se pega). Porque o país, apesar dos problemas, não piorou. O país, com erros e acertos do governo do PT — e acrescente-se que um país não é construído tão-somente com os atos dos governos, como se não existisse uma sociedade civil vigorosa que, a duras penas, resiste e sobrevive a quaisquer planos econômicos —, tem melhorado. Per­nambuco, apesar da eficiência de seu governo, tem uma pobreza elevada, “a 19ª posição no ranking do Ín­dice de Desenvol­vi­mento Hu­ma­no (IDH)”. Trata-se de um dos piores índices do país. À repórter Daniela Pinheiro, Eduardo Campos disse, depois de conversar com hóspedes de um hotel: “Falaram que não votavam ‘naquela mulé’ de jeito nenhum. Reparou que agora ficam chamando ela de Dilmão, Dilmona? O povo está com abuso demais dela”. As pesquisas indicam que, de fato, há algum distanciamento, porque a presidente Dilma Rousseff não tem 40% das intenções de voto, mas por que um político do porte de Eduardo Campos tem de reforçar preconceitos contra um ser hu­mano, chamando Dilma Rousseff, que não agride pessoas, de Dilmão e Dilmona? Nos seus discursos e entrevistas, Eduardo Campos dizia que, se eleito, a “raposada do PMDB” não teria vez no seu governo. Lula da Silva pensava da mesma maneira e o mensalão, de alguma maneira, foi um instrumento para, controlando outros partidos, contornar o peemedebismo, que se tornou um sistema na política brasileira. O peemedebismo, mesmo não elegendo um presidente de seus quadros, controla e monitora os governos, tanto de centro quanto de esquerda a partir do domínio no e do Parlamento. É um cavalo de Troia encravado no “disco rígido” do Brasil. Se eleger uma bancada forte de deputados e senadores, o PMDB continuará contaminando e mandando na política nacional e mesmo um governo do PSB terá de compor com seus próceres. O PMDB é um vírus que paralisa qualquer governo que não o acolha (mas também é útil ao colaborar para moderar o PT). Eduardo Campos dizia que “aposentaria” José Sarney. O curioso é que praticamente retirou Severino Cavalcante da “aposentadoria” e trabalhou para ter o apoio de Inocêncio de Oliveira. Fica-se com a impressão que “nossos” coronéis são melhores dos que os coronéis dos “outros”. Reduzir impostos quando há um Estado pantagruélico, altamente centralizador e dispendioso, é praticamente impossível. Mas Eduardo Campos dizia, com frequência, que faria uma reforma tributária “imediata” para diminuir impostos. Um dos coordenadores de sua campanha na área de planejamento econômico, o economista Eduardo Giannetti, PhD pela Universidade de Cambridge, aparentemente não acredita que seja tão fácil assim. Eduardo Campos afirmava que, se eleito, derrubaria a inflação para 3%. Giannetti, embora aliado, ressalva: “O próximo governo vai ter que lidar com a verdadeira herança maldita. No Brasil, há uma dificuldade imensa de convencer a população de que há custos que precedem benefícios. O Brasil acumulou distorções e a correção dessas distorções — que inclui aumento das tarifas — vai, necessariamente, fazer com que a inflação suba 1,5% a 2% de cara”. Porém, como se sabe, não se ganha eleição com discurso excessivamente realista. Ganha-se eleição vendendo esperança e sonhos. A crueza da realidade é “embrulhada” pelo marketing para ser apresentada com certa suavidade ao eleitorado. Giannetti assinala que o próximo presidente deve redefinir o papel do BNDES, “redesenhar o modelo do setor elétrico, restabelecer o tripé econômico — geração de superávits primários nas contas públicas, juntamente com o regime de câmbio flutuante e o de metas para a inflação, além da simplificação do sistema tributário para voltar a atrair investimentos”. “Acho que o Armínio [Fraga] nem vai gostar de ouvir isso, mas, do ponto de vista estrito da economia, há pouca diferença entre o que devem ser as propostas de Aécio e as de Eduardo”, frisa Giannetti. Acrescente-se que o economista é mais ligado a Marina Silva. [caption id="attachment_12780" align="alignleft" width="1173"]Aécio Neves: o senador, candidato a presidente da República pelo PSDB, possivelmente será atingido pelo tom mais agressivo do discurso de Marina Silva | Foto: Orlando Brito/ ObritoNews Aécio Neves: o senador, candidato a presidente da República pelo PSDB, possivelmente será atingido pelo tom mais agressivo do discurso de Marina Silva | Foto: Orlando Brito/ ObritoNews[/caption] O vezo autoritário de Eduardo Campos é o mesmo de Dilma Rousseff e Aécio Neves (que sempre controlou a Imprensa de Minas Gerais com mão de ferro). Quando uma pergunta não lhe agradava, o entrevistado logo era desclassificado como um agente de Aécio Neves (no Brasil, a crítica, que é legítima, é confundida com “ataque”). “Quem era essa mocinha do SBT, que foi treinada só para me perguntar sobre o Aécio?”, disse certa vez. As perguntas eram pertinentes e a “mocinha” comportou-se profissionalmente (afinal, durante certo tempo, Eduardo Campos e Aécio Campos eram carne e unha). Jornalista pode até ter simpatia por um ou outro candidato, mas precisa fazer as perguntas apropriadas, que contribuam para que os eleitores compreendam o quê e como pensam os políticos. Uma das jogadas bem-sucedidas de Eduardo Campos foi, com o apoio do PT, a indicação de sua mãe, Ana Arraes, para o Tribunal de Contas da União. No TCU, há ministros que têm méritos, é claro, mas não chegam lá basicamente por isso. A indicação é, no geral, política. Ana Arraes “derrotou” pesos pesados porque seu filho, Eduardo Campos, era o grande “trunfo” da negociação. Por si mesma, não seria indicada. Antônio Campos, o Tonca, irmão de Eduardo, disse à “Piauí”: “Se ele não ajudar a mãe, vai ajudar quem?” Uma lógica irretorquível, sem dúvida. No governo de Pernambuco, Eduardo Campos nomeou mais de 20 parentes (tios, primos, genro, cunhados), sob o argumento de que eram competentes. Ariano Suassuna, falecido recentemente, tio de sua mulher, ganhou um cargo de acomodação, mas com salário de primeira linha. O que fazia, de fato, não se sabe. Mas todo mês o dinheiro era depositado em sua conta bancária. Nepotismo “ruim” é só o dos “outros”. João Grilo e Chicó decerto aprovariam. Um dos projetos de Eduardo Campos era mudar o setor previdenciário, mas alertando, para não perder votos, que não iria mexer em direitos adquiridos. “Não dá para um desembargador deixar pensão para a segunda mulher novinha. O cara contribui 25 anos e a pensão dura sessenta”, disse à “Piauí”. Ora, no caso, não há o que fazer, porque, como disse, não se mexe em direitos adquiridos, ainda que, eventualmente, possam ser injustos. Para enriquecer o perfil de E­duar­do Campos, contraditando a louvação habitual, Daniela Pinheiro re­cor­reu ao professor Michel Zai­dan, da Uni­ver­sidade Fe­deral de Pernam­bu­co e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). O político de matiz róseo, de agenda positiva, é ligeiramente desconstruído pelo mestre. “Ele [Eduardo Campos] aumentou as secretarias de 18 para 28, e cortou sete antes de sair do governo. Colocou dois postes co­mo herdeiros políticos no Estado para continuar no controle. Eduar­do é o imperador e Pernambuco é o reino”, afirma Zaidan, autor do livro “A Honra do Imperador”. “Não há oposição em Per­nam­buco. Isso não é um bom sinal”, afirma Zaidan. O socialista, segundo o professor, governou com o instrumento das nomeações e liberação de verbas para a­lia­dos políticos. A repórter Da­nie­la Pinheiro comprovou na prática o que Zaidan lhe disse: “O único deputado que aceitou falar comigo contra Campos pediu para ficar no anonimato. Recentemente, uma prima do candidato, a vereadora Marília Arraes, chegou a postar uma carta insinuando que Campos tentava emplacar o filho João na presidência da Juventude do PSB com métodos pouco democráticos”. Zaidan admite que Eduardo Campos não era mau gerente. Mas afirma que “até empresas de transporte com ar-condicionado para a Copa ganharam incentivo fiscal”. O professor-doutor discorda dos que apresentam o político como “fato novo”. “Ele é parte de uma oligarquia. Assim como Aécio Neves. Nesse ponto, são idênticos. Nunca tiveram um emprego, viveram da política, da herança política dos avós e dos velhos hábitos de manutenção do poder”, afirma o pesquisador. Eduardo Campos era neto de Miguel Arraes, apontado como coronel de esquerda. O que se disse acima não diminui Eduardo Campos em nada. Tão-somente nuança o político, mas não retira sua grandeza. Sua história foi fatalmente amputada e, com isso, pesquisadores gabaritados terão de cristalizá-lo como um político mais importante para Pernambuco do que para o país. A morte de jovens, como Eduardo Campos, é sempre lamentável. Fica-se com a sensação de que, com sua energia e vontade, poderia ter feito muito para modernizar o país. Uma pena que a Velha Senhora o tenha levado tão cedo, retirando-o da política nacional e de sua família.

Compromissos com empresários

[caption id="attachment_12758" align="alignleft" width="691"]Marcelo Miranda discursa a empresários em Palmas e promete reforma tributária e diminuição de impostos Marcelo Miranda discursa a empresários em Palmas e promete reforma tributária e diminuição de impostos[/caption] O candidato a governador pelo PMDB, Marcelo Miranda, disse a empresários que uma de suas metas é industrializar o Tocantins. Para isso, sustentou que vai implantar uma po­lítica arrojada de incentivos fiscais. Durante encontro com empresários, no dia 12, em Palmas, Marcelo Miranda afirmou que, se for eleito, vai colocar em prática, logo no primeiro ano de governo, uma reforma tributária, com diminuição de impostos, além de investir na agroindústria, aproveitando a vocação natural de cada região. “Vamos estimular a construção civil, dando fim aos calotes públicos, além do compromisso de uma agenda mensal com os empresários”, sustentou o peemedebista. Ele deu a garantia de que quem vai indicar o futuro se­cretário da Indústria e Co­mér­cio será a classe empresarial. No final do encontro com cerca de 100 empresários, o presidente da Associação Co­mercial e Industrial de Pal­mas (Acipa), Fa­biano do Vale, fez a seguinte observação: “Quere­mos uma ges­tão pública enxuta, moderna e propositiva que nos inspire respeito e confiança, pois o setor produtivo é parceiro de todos os bons empreendimentos do Estado”.

A esposa

Melancolicamente pessimista, Tchekhov é considerado um dos maiores contistas da história. O conto “A esposa”, publicado nesta edição, é considerado uma de suas obras-primas

Motoristas revoltados

Os motoristas que trabalham no governo do Estado estão sem receber diárias desde o início do ano, segundo de­núncia do presidente do Sin­dicato dos Motoristas Oficiais do Estado do Tocan­tins (Si­moeto), Cleber Camargo.

Desvalorização

Além da “queda brusca nos salários”, Cleber Camargo reclama ainda das condições de trabalho, porque segundo ele, a frota de carros oficiais está em péssimas condições. Conforme suas contas, o Estado conta com cerca de 1000 motoristas, entre concursados e comissionados.

Encontro casual

O candidato ao governo do Estado Sandoval Cardoso (SD) foi à Romaria do Senhor do Bonfim e participou da Missa Campal, em Natividade, onde esteve também Marcelo Miranda, candidato a governador pelo PMDB.

Marcelo e Kátia na romaria de Natividade

Tocantins_1885.qxd O ministro do Turismo, Vini­cius Nobre Lages, esteve no To­can­tins, na sexta-feira, 15, a convite da senadora e candidata à reeleição Kátia Abreu (PMDB), para conhecer uma das mais tradicionais ma­nifestações religiosas da região Norte do país, a Romaria do Se­nhor do Bonfim. Presente ao evento, o candidato a governador Mar­celo Miranda (PMDB) foi muito assediado por populares. A visita do ministro aconteceu lo­­go após o empenho de re­­cursos da ordem de R$ 1,5 mi­­lhão, no Mi­nistério do Tu­ris­mo, pa­ra pavimentação da via de acesso ao Santuário do Senhor do Bonfim. O pedido foi feito por Kátia Abreu di­re­tamente à presidente Dilma Rou­sseff, em audiência no Palácio do Planalto no dia 7 de maio deste ano. Segundo a senadora, os recursos serão aplicados no asfaltamento da estrada dos romeiros (paralela à rodovia estadual). Ela ainda solicitou infraestrutura para o povoado do Bonfim, onde será construído o novo santuário. As ações para melhoria da infraestrutura aos romeiros seguem planejamento da senadora Kátia Abreu que, por intermédio do Senar/Faet e com o apoio do Sebrae, realizou um diagnóstico socioeconômico, no início deste ano, para detectar os principais problemas daquela tradicional festa religiosa, assim como para identificar o perfil dos romeiros que frequentam o evento. Além disso, desde o ano passado, o sistema Senar/Faet, com o apoio do Sebrae, instalou dois pontos de apoio ao romeiro entre Natividade e o povoado do Bonfim. O primeiro no Km 7 e o segundo no Km 17. Ambos dispõem de banheiros, enfermeiros e fornecem apoio aos romeiros durante o dia e a noite.

Mudança de discurso

Até o início do ano, o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (foto abaixo), do PP, era um dos principais desafetos do Palácio Araguaia. Agora, mudou completamente de discurso ao defender com veemência o governo estadual. No seu entendimento, o governador e candidato à reeleição, Sandoval Cardoso (SD), acabou com o apagão de investimentos do governo estadual em Palmas. “Sandoval é o nosso grande parceiro. Nunca um governador fez tanto por Palmas e nós vamos fazer o possível e o impossível para ele continuar no Palácio Araguaia para continuar trabalhando por Palmas”, apregoou o prefeito, durante acontecimento político-partidário na capital, na semana que passou. Para Amastha, Sandoval representa a mudança com qualidade na política do Tocantins. “Chegou a hora da verdadeira renovação, de oxigenar a política, e Sandoval é a única novidade na política tocantinense nos últimos 20 anos no Estado.” Com essa posição, o prefeito tem pretensões de alçar voos mais altos, mas essa mudança de comportamento pode lhe custar caro, futuramente.

CPI do Igeprev a toque de caixa

A próxima reunião da CPI do Igeprev está prevista para esta terça-feira, 19, às 8 horas. Na semana passada, não houve quórum. Para tentar descobrir o rombo de mais de R$ 500 milhões no instituto, a CPI vai contar com o auxílio do delegado de polícia José Evandro de Amorim e do escrivão Marcos Costa.

Chega de tanto mi-mi-mi. O amor perdeu, parceiro

Nem o mais criativo escritor de romances policiais será capaz de suplantar num livro a crueldade humana desses dias

O prefeito Amastha se diminuiu ao se aliar ao grupo palaciano

Candidato ao Senado pelo PSol não considera a disputa com os seus adversários ao cargo uma luta desigual, mas “diferente”. “O problema está mais com eles, não comigo, porque eles são políticos tradicionais, fazem a política de troca de favores, de dependência” [caption id="attachment_12735" align="alignleft" width="758"]Tocantins_1885.qxd Professor Élvio Quirino, candidato ao Senado: “Estou preparado para o cargo”[/caption] Gilson Cavalcante Para o candidato a senador pelo PSol, professor Élvio Quirino, o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PP), tinha tudo para ser uma nova liderança política; tinha tudo para não se misturar com a velha política. “Aliás, ele deixou isso bem claro durante a sua campanha eleitoral em 2012. Mas quando ele (Amastha) faz aliança com o governo estadual, com o governador Sandoval Cardoso (SD), que tem por trás o grupo siqueirista, que está no poder há mais de 24 anos, revelou-se um político com os mesmo vícios dos velhos políticos.” Na sua avaliação, a população não vai entender isso: “Aliar-se a um governador biônico, que foi eleito numa eleição indireta, na Assembleia Legislativa. O prefeito Amastha, ao aliar-se ao grupo palaciano, se diminuiu. Ele não precisava disso”. Na entrevista exclusiva que concedeu ao Jornal Opção, em seu comitê eleitoral, Élvio não considera a disputa com os seus adversários ao cargo – senadora Kátia Abreu (PMDB), deputado Eduardo Gomes (PSDB) e Sargento Aragão (Pros) – uma luta desigual, mas “diferente”. “O problema está mais com eles, não comigo, porque eles são políticos tradicionais, fazem a política de troca de favores, de dependência, que não gera autonomia ao cidadão. Nós vamos fazer outro modelo de política, em que as pessoas se sentem úteis e grandes ao participar dela.” Élvio Quirino foi diretor do campus da Unitins e professor da Universidade do Tocantins durante 11 anos; foi também secretário de Planejamento da Prefeitura de Palmas, diretor executivo da Fundação Científico e Tecnológico da UFT. É professor da UFT desde 2003. É engenheiro agrônomo, especialista em Educação, mestre, doutor em Sociologia e pós-doutor em Desenvolvimento. [caption id="attachment_12739" align="alignleft" width="2034"]o nosso senador Randolfe Rodrigues é considerado um dos melhores senadores do País. Tem um desempenho extraordinário. Queremos ter também uma oportunidade de representar o Tocantins no Senado Federal  e estamos preparados para isso” | Fábio Rodrigues Pozzebom/Abr o nosso senador Randolfe Rodrigues é considerado um dos melhores senadores do País. Tem um desempenho extraordinário. Queremos ter também uma oportunidade de representar o Tocantins no Senado Federal
e estamos preparados para isso” | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Abr[/caption] Quais os motivos que o levaram a se candidatar ao cargo de senador pelo Psol, praticamente sem estrutura e com parcos recursos, disputando com três políticos com mandato? Na realidade, o Psol é um partido muito especial no Brasil, que tem um senso crítico muito grande sobre sistema político atual. O político hoje está precisando oxigenar-se e o Psol e nós defendemos com veemência uma reforma política. Além disso, o nosso senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP) é considerado um dos melhores senadores do País. Tem um desempenho extraordinário. Então, nós queremos ter também uma oportunidade de representar o Tocantins no Senado Federal e estamos preparados. Eu sou uma pessoa qualificada para exercer o cargo de senador. A ideia é a gente fazer a diferença pela qualidade e pela experiência profissional que tenho. Mas o seu tempo da TV é muito pouco. Qual a estratégia para atingir o maior número de eleitores? Como promover o debate das ideias? Na verdade são 35 segundos o nosso tempo de televisão. Não é pouco, porque dá para sintetizar o resumo das ideias, visto que são vários programas. Além dos programas, vão veicular as pílulas, as inserções em emissoras de rádios e TV, sem contar com as redes sociais, que são um forte instrumento e mecanismo para atingir o eleitorado. Isso terá uma influência muito grande. O sr. acha que as redes sociais atingem o grande eleitorado a ponto de decidir uma eleição? Hoje, em qualquer lugar se acessa a internet. Eu não posso dizer que as redes sociais têm o poder de decidir uma eleição, mas exercem um poder muito grande na hora de escolher os candidatos. E nós temos uma presença muito grande nesse processo. Mas nós vamos fazer também nossas visitas, nossas caminhadas nos municípios, realizando esse corpo a corpo junto ao eleitorado. A nossa candidatura não é uma vaidade, mas uma ocupação de espaço político, para levar as nossas propostas. E a falta de recursos financeiros? A gente tem a estrutura mínima, o partido em nível nacional dá a sua contribuição financeira, na medida que ajuda a pagar os programas eleitorais, na parte de impressão gráfica e para a parte de mobilidade, transporte. Aliás, a nossa candidata a presidente da República, Luciana Genro, uma liderança política muito popular no Brasil, deve vir ao Tocantins para incrementar a nossa campanha. Ela e a Marina Silva devem ser as duas mulheres que vão levar a campanha presidencial para o segundo turno. A Marina deve assumir a candidatura à presidência pelo PSB, com a morte do Eduardo Campos. Marina Silva é mais competitiva que Eduardo, visto que ela obteve mais de 20 milhões de votos nas últimas eleições, sem contar que, antes da definição das candidaturas, ela tinha 20% das intenções de voto, contra apenas 6% de Eduardo Campos. O que o levou a postular a candidatura de senador? Qual a sua experiência política e a sua bandeira? Ao longo de minha experiência profissional, durante os 24 anos que estou no Tocantins, nós aprendemos e percebemos que o Estado precisa captar mais recursos, com a elaboração de projetos bem fundamentados. O sr. sabe o caminho das pedras para conseguir recursos? Temos muita experiência, porque quando diretor-executivo da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico da UFT, captamos muitos recursos para levar para o orçamento da universidade, para implantar os cursos de medicina, implantar a área de saúde e os projetos e pesquisa e extensão da instituição, elevando muito consideravelmente o orçamento da universidade. Nós fizemos e sabemos fazer isso. Trata-se de uma alternativa para melhorar o desenvolvimento econômico e social do nosso Estado. Portanto, estamos bem preparados para essa missão. O sr. não considera uma luta desigual disputar uma eleição de senador com Kátia Abreu, Eduardo Gomes e Sargento Aragão, todos com mandatos e com estrutura financeira de peso? Não acho desigual. Eu diria que é uma luta diferente. O problema está mais com eles, não comigo, porque eles são políticos tradicionais, fazem a política de troca de favores, de dependência, que não gera autonomia ao cidadão. Nós vamos fazer outro modelo de política, em que as pessoas se sentem úteis e grandes ao participar dela. Não tem troca de favores, não tem compra de votos no nosso projeto. Portanto, nesse caso, não vejo a candidatura deles como adequada à sociedade, porque não representam os segmentos sociais. É preciso pessoas como eu e como os demais eleitores do Tocantins, gente de bem e com capacidade de representar o nosso Estado à altura que ele merece. A outra opção era a gente ficar em casa, sentado no sofá, só criticando os políticos. Isso não é correto para quem quer um Tocantins e um Brasil melhores. Então, eu entrei na política partidária para mudar as leis eleitorais e ajudar a promover uma reforma política de peso, o que os políticos que estão hoje no poder não fizeram ou não vão fazer, porque não têm interesse em mudanças, já que o poder econômico fala mais forte, devido à estrutura vigente da legislação eleitoral. Se não houver uma reforma política, o Tocantins e o Brasil vão ao fracasso. No entanto, reconheço que os três candidatos adversários ao Senado são de grande expressão porque detêm mandatos parlamentares. Mas eu quero dizer que, segundo pesquisas, as pessoas querem mudar os políticos que estão no poder. O eleitor vai procurar nas urnas candidatos que se propõem a fazer algo novo e diferente, que sejam éticos. É com esse propósito que apresentamos a nossa candidatura como alternativa ao eleitor. Qual a sua análise sobre o posicionamento do prefeito Carlos Amastha em aliar-se ao candidato a governador do Palácio Ara­guaia, uma vez que, em seu primeiro ano de mandato, não se entendia política e administrativamente com o siqueirismo? O prefeito Carlos Amastha tinha tudo para ser uma nova liderança política. Tinha tudo para não se misturar com a velha política. Aliás, ele deixou isso bem claro durante a sua campanha eleitoral em 2012. Mas quando ele (A­mastha) faz aliança com o governo estadual, com o governador San­doval Cardoso, que tem por trás o grupo siqueirista, que está no poder há mais de 24 anos, revelou-se um político com os mesmo vícios dos velhos políticos. A população não vai entender isso, aliar-se a um governador biônico, que foi eleito numa eleição indireta, na Assembleia Legislativa, devido a uma renúncia de um vice-governador, o que ficou caracterizado como uma grande manobra política. O povo entende isso como uma tramoia, porque fizeram um arranjo político para colocar uma pessoa como go­vernador, sem nenhuma representatividade político-administrativa para o cargo. O prefeito Amastha, ao aliar-se ao grupo palaciano, se diminuiu. Ele não precisava disso. A candidatura do senador Ataídes, do Pros, ao governo seria um blefe? Eu não diria um blefe, mas uma candidatura muito forçada, muito apressada. Ele precisaria ter um desempenho político melhor no Senado nos próximos quatro anos, para ganhar mais visibilidade. Não seria uma jogada política para favorecer o candidato governista? Acaba sendo, porque nesse caso ele quer aparecer na mídia e ser mais conhecido. Por isso ele entrou no processo sucessório, mas não tem muita chance de êxito nas urnas. É uma jogada política para ficar mais conhecido. Acho que o mais indicado seria ele (Ataídes) se dedicar ao exercício de senador nos próximos quatro anos, construir uma identidade e depois ir para uma nova disputa eleitoral. Bem, é uma decisão pessoal dele e, talvez, não caberia a nós fazer qualquer avaliação sobre sua decisão. A sua candidatura ao Senado não seria uma estratégia política para se tornar mais conhecido e, com isso, postular a prefeitura da capital em 2016? Não se trata de uma estratégia, mas o Psol pensa em disputar a Prefeitura de Palmas, futuramente. Mas o Psol está isolado, foi para a disputa eleitoral sem nenhuma composição com outro partido... Aliança se faz mediante um entendimento político. Os outros partidos é que não quiseram fazer coligação conosco, por exemplo, o PCB, o PSTU. Nós procuramos esses partidos, mas não foi possível. Mas para a sucessão municipal em 2016, vamos propor aos partidos de esquerda uma aliança nesse sentido.

Ataídes promete acabar com “sangria” do dinheiro público

Candidato do Pros ao governo afirma que o Tocantins virou refém de repasses federais  [caption id="attachment_12730" align="alignleft" width="918"]Senador Ataídes Oliveira: ”Governo estadual não fez investimento este ano” | Assessoria Senador Ataídes Oliveira: ”Governo estadual não fez investimento este ano” | Foto: Assessoria[/caption] Gilson Cavalcante Crítico contumaz do Sistema “S” e com uma visão empresarial, o senador Ataídes Oli­vei­ra, candidato a governador pelo Pros, pretende administrar o Estado, caso tenha êxito nas urnas, com pulso forte e parcimônia. Para isso, propõe realizar uma ampla reforma administrativa, com enxugamento da máquina estatal. Disse que vai acabar com a corrupção por considerar que os recursos públicos não estão bem aplicados como deveriam ser. A sua ideia é cortar gastos, eliminar o que considera favorecimento político na administração e investir na qualificação profissional dos servidores públicos. “O To­can­tins é um gigante adormecido que ainda não acordou”, disse o candidato a uma plateia de empresários, na quarta-feira, 13, em Palmas. Disse que, em um mês, vai acabar com a sangria do dinheiro público e equilibrar as contas do Estado. Em sua análise, o Tocantins continua refém do governo federal, uma vez que 50% de sua receita, segundo seus cálculos, é proveniente da União. “Se a União – hipótese aventada por ele – deixar de repassar mensalmente os recursos oriundos do Fundo de Participação dos Estados (FPE), apenas os três maiores municípios tocantinenses sobreviveriam”, avaliou. Ataídes assumiu o compromisso com os empresários de resgatar a credibilidade política do Estado e atrair empresários e grandes industriais para o Tocantins. No elenco de propostas apresentadas pelo candidato ao governo, sugeriu a criação de um conselho em­presarial, que teria como premissa total autonomia para decidir sobre a política de investimentos no setor. E citou como necessidade urgentes a execução de obras nas áreas de saneamento, logística e infraestrutura. O senador não poupou críticas ao atual governo. No seu entendimento, não foi feito nenhum investimento no setor de segurança pública este ano. “Não há transparência nas contas públicas”, sustentou ao observar que a dívida do Estado, que era de R$ 600 milhões, há quatro anos, pulou para R$ 4 bilhões.

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