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Ele é suspeito de agredir a namorada, dançarina do programa Domingão do Faustão, Ângela Sousa
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Angela Sousa mostra hematoma no olho, causado por suposta agressão do namorado Yuri[/caption]
O ex-BBB goiano Yuri Fernandes, de 28 anos, está "voltando para o aconchego da família", foi o que disse a mãe do brother, Cláudia Fernandes, neste domingo (7/9). O jovem foi preso na última sexta-feira (5), em um hotel na Maceió, capital de Alagoas. Segundo informações da Polícia Militar, ele é suspeito de agredir a namorada, dançarina do programa Domingão do Faustão, Ângela Sousa, dentro do quarto em que estavam hospedados. O jovem foi preso em flagrante após denúncia de funcionários do próprio hotel e foi atuado por violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha
O goiano foi preso e encaminhado algemado para a Delegacia da Mulher, no centro da cidade. No momento, ele se recusou a falar com a imprensa. Mas em nota divulgada por Claudia Fernandes, mãe e assessora do ex-BBB, o caso “foi uma briga de casal como todas” e que não houve agressão. “Os dois saíram juntos e os dois beberam. Quando voltaram para o hotel discutiram. Os dois falavam muito alto. O hotel ouviu os gritos e o segurança, na hora que subiu, chamou a polícia”, explicou.
No entanto, o tenente Araújo, que atendeu a ocorrência, contesta a informação divulgada pela mãe de Yuri Fernandes. “Quando a equipe chegou, a mulher estava com um hematoma no rosto e reclamando de dores na barriga. Ela falou que foi agredida”, afirmou.
Ainda de acordo com Cláudia Fernandes, que mora em Goiânia e é produtora cultural, um advogado da família já está em Maceió para cuidar do caso. “Foi uma briga de casal como todas. Ele não foi criado como um homem que bate em mulher”, disse.
Candidata concedeu entrevista coletiva nesta tarde, na capital paulista, após corpo a corpo no Parque do Ipiranga, na zona sul
Um dos mais complexos e interessantes políticos brasileiros, Francisco Clementino de San Tiago Dantas merece ser mais bem estudado por pesquisadores, jornalistas e biógrafos. Depois de Bilac Pinto, perfilado por uma biografia apenas razoável mas que abre fronteiras, agora chegou a vez de um político que também era intelectual. “San Tiago Dantas – A Razão Vencida” (Singular, 768 páginas, 70 reais), de Pedro Dutra, é uma biografia alentada.
San Tiago Dantas foi ministro das Relações Exteriores e da Fazenda do governo de João Goulart. Era um dos auxiliares mais moderados do presidente e chegou a aconselhá-lo a ser mais conciliador e a observar o quadro real que estava se desenhando. Jango deu mais ouvidos aos radicais de esquerda e às suas próprias “ideias” sobre o que era fazer política.
Na década de 1930, dado o confronto entre comunistas e fascistas em termos locais e internacionais, San Tiago Dantas alinhou-se com o fascismo patropi – representado pela Ação Integralista Brasileira. Na turma do anauê, ao seu lado, estavam Gustavo Barroso, Miguel Reale, dom Helder Câmara e Plínio Salgado, este era o líder máximo do fascismo verde.
Criador de faculdades, professor de Direito, deputado federal, San Tiago Dantas era apontado por todos como um homem dotado de grande inteligência e capacidade intelectual. Era tido como um político perspicaz e um hábil analista das circunstâncias políticas. Porém, numa época de efervescência, os moderados, embora eventualmente ouvidos, não têm suas ideias em geral respeitadas. Em tempos radicais, como o da década de 1960, vozes radicais são as mais acatadas. Os moderados, apontados como reacionários, são escanteados.
San Tiago Dantas morreu aos 53 anos, em 6 de setembro de 1964.
A apresentação do livro pode ser lida no site da editora (link: http://www.editorasingular.com.br/Uploads/APRESENTACOES/Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20PDsantiago.pdf).
José Eliton destacou a alegria de ver a unidade política da região e comemorou o fato desse consenso ser firmado na data da Independência do Brasil
O fóssil de um xenungulado (carodnia Vieirai) - mamífero pré-histórico, semelhante à anta - encontrado em agosto passado no Parque Paleontológico de São José, em Itaboraí, região metropolitana do Rio de Janeiro, já está no Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde será estudado por especialistas da instituição e do Departamento de Geologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A chefe da equipe, paleontóloga Lilian Bergqvist, disse à Agência Brasil que será iniciada agora a separação do material, que está muito incrustado na rocha, visando à retirada de toda a parte óssea do fóssil. Depois, os pesquisadores irão avaliar o que poderá ser pesquisado a partir do material encontrado. “Esse processo deve levar mais ou menos um mês, no mínimo, porque o calcário é muito duro”, explicou. Segundo Lilian, não se trata de uma descoberta, mas de um novo achado do xenungulado, que é um animal já conhecido. Esse é o terceiro fóssil do tipo encontrado naquela bacia, o último em 1980. “Não se trata de um material excepcional. O excepcional foi a gente achar esse material novamente. É importante para a gente ver se há alguma diferença ou uma característica especial”, informou. De formato e tamanho similares aos de uma anta, o xenungulado não é, entretanto, ancestral da anta. Esses mamíferos viveram na época de formação da Bacia de Itaboraí, há cerca de 55 milhões de anos. A paleontóloga da UFRJ esclareceu que esse grupo fez parte da linhagem sul-americana, que surgiu após a extinção dos dinossauros. “Ele fez parte de um experimento evolutivo que não deu certo e logo se extinguiu”. Lilian destacou que Itaboraí foi uma bacia muito rica em fósseis, mas ficou esquecida a partir da década de 1980, quando se pensou que seu potencial havia se esgotado. A descoberta do xenungulado e de duas mandíbulas de outro animal, chamado "Astrapotheria”, mostra que a região ainda tem que ser preservada para pesquisa. “Ela começou a ser invadida pela população em volta, tem vegetação cobrindo todas as rochas. Por isso, a gente tem que fazer um trabalho para tornar a região acessível à pesquisa novamente”.
Em 15 anos de existência da prova, transexuais poderão ser chamados pelo nome com o qual preferem ser identificados e que condizem com sua identidade de gênero
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Formulário que os candidatos transexuais tiveram que responder | Foto: Divulgação[/caption]
As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terão 95 candidatos transexuais que, com autorização do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), usarão seus nomes sociais durante a prova. Segundo o Instituto, houve 95 solicitações deste tipo e todas foram atendidas.
Após a inscrição, os candidatos e candidatas precisaram entrar em contato com o Inep e solicitar um formulário em que deveriam preencher questões como em qual banheiro prefere usar e como queriam que fossem a designação durante a realização do exame.
Durante 15 anos de existência do Enem, esta é a primeira vez que um transexual poderá ser chamado pelo nome social. O Inep informou, por meio de nota, que os nomes sociais constarão no cartão de confirmação do exame, mas que "por uma questão de segurança, a identificação dos candidatos será feita pelo CPF, informado no formulário de inscrição (junto com o nome que consta no documento de identidade) preenchido no site do Enem".
O Enem é uma prova realizada pelo Ministério da Educação sendo utilizada para avaliar o ensino médio no País. Seu resultado serve para acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras, através do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), podendo garantir bolsa integral ou parcial em universidade particulares através do Programa Universidade para Todos (ProUni).
Os avanços, ainda tímidos, para está camada da sociedade estão sendo conquistados. Agora, por exemplo, as escolas de Goiás, segundo a nova resolução do Conselho Estadual de Educação de Goiás, serão obrigadas a utilizar em documentos de uso externo (diários de classe, carteira de identificação estudantil, entre outros) o nome social de travestis e transexuais, ou seja, o nome pelo qual preferem ser identificados e que condizem com sua identidade de gênero. Antes a resolução estabelecia o uso do nome social nos documentos escolares, mas acompanhado do nome civil.
Resultado do Ensino Médio da rede estadual no Ideb também foi um tema comemorado pelos aliados do governador durante inauguração do comitê do candidato a deputado estadual Alfreni Gonçalves
Estão disponíveis no site 23 novos textos teatrais de autores contemporâneos como Rogério Blat, Fátima Valença, Denise Grispun e Guto Grecco
Na capital há cerca de 260 adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa e 230 em internação provisória e definitiva
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O projeto foi implantado em Aparecida de Goiânia há sete anos[/caption]
O Programa Meu Guri deve ser implantado em Goiânia no próximo mês. Na última sexta-feira (5/9), a juíza Maria Socorro de Sousa Afonso, do juizado da Infância e da Juventude de Goiânia, apresentou o projeto para representantes da prefeitura, do governo estadual e órgãos ligados à rede de proteção ao adolescente. Segundo a magistrada, o Programa vai proporcionar aos adolescentes em situação de risco (principalmente os já infratores) a oportunidade de reinserção na sociedade.
Segundo Maria Socorro de Sousa, que é a idealizadora do projeto na capital, a ideia é buscar parcerias para tornar viáveis ações voltadas para os adolescentes e seus familiares. “Queremos transformar a realidade dos adolescentes, criando-lhes oportunidades mais justas, buscando a sua efetiva reinserção social”, frisou, ao dizer que, na capital, há cerca de 260 adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa e 230 em internação provisória e definitiva.
A estratégia consiste em investir na reeducação, por meio de cursos profissionalizantes, fazendo com que eles retornem às escolas e tenham oportunidades de trabalho, para não reincidirem no crime. . Além disso, eles serão inseridos em atividades culturais, de esporte e lazer. “Por isso, a importância dos parceiros. Com cada um fazendo sua parte, aumentamos a atuação da rede de proteção”, pontuou. Os jovens beneficiados com o projeto, juntamente com seus familiares, serão acompanhados e terão orientação educacional, além de apoio psicológico e social
O presidente da Fundação Bancos de Olhos de Goiás, Zander Campos da Silva, elogiou a iniciativa salientou da preocupação que as pessoas devem ter com a responsabilidade social. “Esperamos e queremos contribuir para um mundo melhor”, disse.
O Programa Meu Guri foi lançado no final de 2007, em Aparecida de Goiânia e teve parceiras com a prefeitura da cidade, conselhos tutelares, Organizações Não Governamentais (ONGs) e com o meio empresarial. De acordo com Maria Socorro de Sousa, o nome do projeto faz alusão à canção de Chico Buarque de Holanda, de mesmo nome, que narra a história de uma criança que furtava para ajudar a mãe, sem que ela soubesse, e foi morto em uma de suas empreitadas.
Tucano lidera com 42,3% das intenções de voto na estimulada. Iris Rezende (PMDB) é o segundo colocado, com 25,2%
"Todo o Brasil e todos nós aguardamos as investigações feitas dos desmandos da Petrobras, que estão ameaçando o futuro da empresa, o futuro do pré-sal", disse Marina Silva
Justiça Eleitoral publicou as informações com a discriminação dos recursos financeiros e/ou estimáveis em dinheiro arrecadados para financiamento da campanha eleitoral e dos gastos realizados O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou neste sábado (6/9) a prestação de contas dos candidatos nas eleições deste ano (presidente, governador, senador, deputado federal e deputado distrital). Esta segunda parcial mostra os valores arrecadados, detalhando doadores, partido político e comitê financeiro e despesas. Na disputa presidencial, o candidato Aécio Neves (PSDB) registrou receitas de R$ 40,6 milhões e despesas de R$ 40,4 milhões. A candidata petista Dilma Rousseff tem receitas de R$ 123,3 milhões e despesas de R$ 56,1 milhões. No caso de Marina Silva (PSB-REDE), que substituiu Eduardo Campos na chapa, a segunda parcial de prestação de contas foi entregue sem os lançamentos. O nome de Eduardo Campos, que morreu vitima de um acidente aéreo no mês passado, ainda aparece no levantamento, com R$ 17,4 milhões em receitas e o mesmo valor para despesas. A candidata Luciana Genro (PSOL) declarou R$ 212,8 mil em receitas e R$ 202,4 mil, com despesas. O eleitor pode acessar as informações dos outros candidatos pelo site do TSE.
A exemplo de Marconi Perillo, as candidatas à presidência também passaram a defender a participação do governo federal na área Em pouco mais de um mês antes do pleito eleitoral, os índices de criminalidade e a segurança pública pautam os debates dos candidatos ao governo de Goiás. O governador e candidato à reeleição Marconi Perillo tem repetido que é necessário que o governo federal divida com os estados a responsabilidades pelos investimentos na área. Em recente debate na televisão com os presidenciáveis, a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e a Marina Silva (PSB-REDE) também passaram a defender a participação do governo federal na viabilização de recursos para investimento em segurança pública. [relacionadas artigos="14154"] Na ocasião, Dilma Rousseff propôs mudar a Constituição para que o governo federal possa, junto com os governos estaduais, atuar na garantia da segurança pública. “Uma segurança pública fragmentada só interessa ao crime organizado, que atua coordenadamente em todo o território nacional”, disse. Marina Silva, que têm crescido nas pesquisas eleitorais, salienta, em seu programa eleitoral, que construirá um Pacto Federativo na área, que determine as competências da União, dos estados e dos municípios, e que atribuirá à Polícia Federal a responsabilidade pela proteção das fronteiras, ao lado das Forças Armadas. Ambas as candidatas apontam as mesmas intervenções elencadas e defendidas pelo governador de Goiás, a partir da percepção de que somente “ações contundentes garantem a resolução dos problema da segurança pública”. O tucano tem criticado recorrentemente o discurso de seus adversários políticos, que, segundo ele, passaram a apresentar intervenções simplórias para o setor. Durante encontro com estudantes da Região Noroeste de Goiânia, no dia 29 do mês passado, Marconi Perillo afirmou que a oposição tem usado o assunto de forma demagógica. “Temos ouvido por aí promessas mirabolantes, como a de dobrar o efetivo da Polícia Militar logo nas primeiras semanas de mandato. Mas quem diz isso já foi governador de Goiás e não fez o que devia ter feito, uma vez que o armamento e as viaturas eram da pior qualidade possível e os profissionais eram desvalorizados”, disse ele, se referindo ao decano peemedebista Iris Rezende.
Na comemoração dos 94 anos do município, prefeito faz balanço de seus 20 meses à frente da Prefeitura e destaca conquistas
O sistema jurídico-penal brasileiro – com a cumplicidade da psiquiatria e da psicologia – insiste em transformar o cidadão comum em cobaia de criminosos tido como loucos, que deviam ser afastados definitivamente do convívio social
José Maria e Silva
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Glauco Villas-Boas, cartunista: brutalmente assassinado, seu algoz foi solto para praticar mais crimes / Reprodução/Estadao[/caption]
“A medicina não cura drogado: ela cria bombas humanas, ao transformar o viciado num duplo dependente químico – das drogas e das medicações, misturadas indiscriminadamente no seu organismo.” Essa minha afirmação, que consta de um artigo sobre menores assassinos publicado em 21 de abril de 2013, revelou-se premonitória. Na semana passada, uma dessas bombas humanas – criadas por uma legislação criminosa e uma ciência cínica – voltou a fazer mais duas vítimas: o estudante Mateus Pinheiro de Morais, de 21 anos, cruelmente assassinado no domingo, 31, em Goiânia, quando deixava a namorada em casa no Setor Bueno, e o agente prisional Marcos Vinícius Lemes D’Abadia, que sofreu uma tentativa de latrocínio na quinta-feira, 28.
O suspeito do latrocínio e da tentativa de latrocínio é Carlos Eduardo Sundfel Nunes, conhecido como Cadu, hoje com 29 anos. Não se trata de seu primeiro crime e, se depender da hedionda Justiça brasileira, não será o último. Em 12 de março de 2010, Carlos Eduardo assassinou o cartunista Glauco Villas-Boas e seu filho Raoni, na cidade de Osasco, na Grande São Paulo. Antes de abatê-los com vários tiros, torturou o cartunista e sua esposa. A despeito de tamanha violência, praticamente não ficou preso, uma vez que foi considerado louco pela Justiça. Aliás, um estranho modo de ser louco, pois a loucura é uma forma de solidão, mas, tanto naquele crime quanto no de agora, Carlos Eduardo não agiu sozinho e contou com a ajuda de um comparsa.
Em nenhum país decente um assassino com esse grau de periculosidade seria posto na rua. Um crime dessa natureza só é possível no Brasil, onde diploma de curso superior é sinônimo de salvo-conduto e os especialistas, responsáveis pelo funcionamento do aparato estatal, não têm satisfações a dar à sociedade: se os fatos contrariam suas teses de que todo criminoso tem recuperação, danem-se os fatos – e as vítimas continuarão sendo imoladas. Carlos Eduardo não matou sozinho: apertaram o gatilho com ele todos os operadores do direito e profissionais de saúde que, por ação ou omissão, arrogância ou covardia, acatam ou promovem a abjeta legislação penal brasileira, responsável direta pelos mais de 60 mil homicídios anuais no País, conforme estudo técnico do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Juristas viciados em Michel Foucault
O assassino de Glauco, quando mata, sempre foge – sinal de que sabe que fez coisa errada. A Justiça é que perdeu o juízo ao achar que ele é completamente louco a ponto de não ter noção dos crimes que comete. Segundo noticiou a imprensa, a juíza Telma Aparecida Alves Marques, da 1.ª Vara de Execução Penal de Goiânia, diz que não se arrepende de ter posto fim à internação psiquiátrica do assassino, permitindo que ele voltasse às ruas em agosto do ano passado. Em entrevista à repórter Marília Assunção, correspondente do “Estadão”, a juíza afirmou ter sido cuidadosa e tomado sua decisão com base em laudos psiquiátricos que comprovaram a esquizofrenia de Cadu. Desde sua soltura, diz, ele vinha sendo acompanhado por um psiquiatra e um psicólogo que elaboravam relatórios mensais sobre seu estado mental.
“Ele é inimputável. Com tratamento, deve voltar às ruas em um prazo de três anos”, afirmou a juíza, segundo o “Estadão”. Questionada pela repórter sobre a possibilidade de Cadu matar outra vez, caso seja solto novamente, a juíza respondeu que “quem deve responder são os deputados que fazem a legislação”. E acrescentou: “O Poder Judiciário toma atitudes conforme as leis, que não são feitas por nós, juízes”. Ocorre que um juiz, como operador de alto nível do direito, ainda por cima, muito bem remunerado, pode e deve ter opinião sobre as leis, pois a sua experiência, uma vez explicitada, enriquece o debate público. Inclusive, é para isso que servem, ou deveriam servir, as conferências jurídicas, geralmente custeadas pelo contribuinte, de forma direta ou indireta.
A juíza Telma Marques foi injusta com o Legislativo. Se dependesse apenas da maioria do Congresso Nacional, as leis penais seriam muito mais duras, inclusive incorporando a proposta de redução da maioridade penal, um antigo anseio da quase totalidade da população brasileira, que já não suporta mais a impunidade dos criminosos mirins. Mas são justamente os operadores do direito, viciados em Michel Foucault, que transformam o criminoso em vítima da sociedade e não permitem que isso aconteça. Toda proposta de endurecimento das leis penais é bombardeada por dezenas de juízes, promotores e representantes da OAB, com o apoio da imprensa e das universidades. Com isso, os membros das mesas diretoras do Congresso e os líderes das bancadas, temendo o poder difamatório desses formadores de opinião, acabam obstruindo tecnicamente, ainda nas comissões legislativas, quaisquer propostas de moralização do Código Penal, impedindo que sejam votadas em plenário, onde, sem dúvida, seriam aprovadas por grande maioria, se os congressistas pudessem votar com liberdade, sem pressões do Planalto e de poderosas ONGs.
Lei antimanicomial causa danos à sociedade
A imprensa costuma ser dura com os políticos, mas comporta-se com extrema passividade diante dos operadores do direito, sejam eles juízes, promotores, defensores públicos ou conselheiros da OAB. Isso faz com que as contradições do Judiciário muitas vezes passem despercebidas. A juíza Telma Marques, pelo tom de sua entrevista à Rádio Bandeirantes, de São Paulo, parece favorável à lei que instituiu a política antimanicomial, inclusive para doentes mentais que cometeram crime. Nas entrevistas que concedeu à imprensa, ela não criticou diretamente a Lei 10.216, de 6 de abril de 2001, que oficializou, na prática, a ideológica luta antimanicomial. Essa lei tem causado sérios danos à sociedade e aos verdadeiros doentes mentais, hoje colocados em segundo plano devido à prioridade absoluta que é dada aos viciados em drogas.
A juíza Telma Marques afirmou a respeito de Cadu: “Estava indo perfeitamente (em outro trabalho), com nada que desabonasse a conduta. Às 23 horas, no máximo, estava em casa. Temos relatório da família, informando isto. Ele não ficava na rua e fazia como determina a Justiça. A vida estava controlada, como pessoa comum”. Vejam o imediatismo na fala da magistrada: o sujeito cometeu dois homicídios em 2010 e, depois de apenas quatro anos, já é considerado uma “pessoa comum”, “controlada”, “perfeitamente bem”. Ora, se nem do primeiro sutiã é possível esquecer, como diz a publicidade, como imaginar que no caráter de um indivíduo não ficará para sempre gravado o assassinato que cometeu? Uma pessoa que mata o próximo jamais voltará a ser uma pessoa comum. O próprio assassino sabe que, ao matar uma pessoa, ele salta as fronteiras do humano, num caminho sem volta. Não é à toa que o verdadeiro batismo dos novatos nas quadrilhas se faz com o sangue de seu primeiro assassinato.
Outro aspecto chama a atenção na entrevista da magistrada. Que importância tem se Cadu estava em casa no máximo às 23 horas, segundo enfatiza a juíza fervorosamente, como se essa fosse uma prova eloquente do acerto de sua decisão? Ela nem se deu conta de que Cadu cometeu um dos latrocínios às 21h30. Talvez a juíza esteja confundindo criminoso ou insano com o vampiro da lenda, que espera a meia-noite para atacar. Além disso, a juíza parece acreditar piamente nos relatórios da família, dando conta de que o assassino de Glauco não ficava na rua. Quem garante? Por força de querer acreditar na recuperação do filho, os pais tendem a fingir que não estão vendo nenhum problema até que as coisas fujam totalmente ao seu controle.
Criminosos desfrutam da confiança do Estado
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Carlos Eduardo Nunes: cursando faculdade de psicologia apesar dos dois assassinos que cometeu / Reprodução[/caption]
No afã de inocentar o assassino e, talvez, a si mesma, a juíza destacou ainda, segundo a reportagem do “Estadão”, que “é preciso aprofundar a investigação para verificar se Cadu não estava sendo usado por criminosos, que tinham noção da sua doença mental e da condição de inimputável”. Ora, mas a juíza não disse que ele levava a vida de um homem comum, trabalhador e caseiro? Como foi, então, que ele teve contato com a quadrilha? Evidentemente, não pode ter sido em casa nem no trabalho. Isso significa que Carlos Eduardo não foi devidamente monitorado pelas autoridades judiciárias e médicas, que deixaram seu real controle a cargo da própria família. E é claro que a família não tem controle sobre ele, ou o cartunista Glauco e seu filho não estariam mortos.
Repito: só num País moralmente doente e mentalmente insano se confia tanto num sujeito tido com louco que matou duas pessoas com crueldade e, agora, mata e fere mais duas. Isso é tanto mais absurdo quando se sabe que vivemos numa sociedade de desconfiança (o avesso da “sociedade de confiança” de Alain Peyrefitte), em que o cidadão de bem, para dar um passo, é vigiado por câmaras, carimbado por documentos e burocratizado por cartórios. Quando vamos à praça de alimentação de um shopping, ninguém confia que iremos pagar o que consumimos e a esmagadora maioria de honestos, arcando com a culpa da minoria de caloteiros, tem que tirar dinheiro do bolso adiantado. Ou seja, enquanto o cidadão honesto é tratado cotidianamente como um ladrão em potencial, os assassinos ficam soltos na rua, gozando da plena confiança das instituições.
Como se vê, não é a quadrilha que precisa ser investigada, mas as autoridades. São elas que, por um misto de incompetência, soberba e má consciência, recusam-se a enxergar os fatos e tratam todo bandido como coitadinho, deixando que tomem conta do País. Senão vejamos. A se crer na reprodução que o “Estadão” faz de suas palavras, a juíza parece acreditar que é vantajoso para as quadrilhas disporem de um louco inimputável para arcar com as responsabilidades de seus crimes. Ora, se fosse assim não haveria doentes mentais comendo lixo pelas ruas – todos estariam empregados em quadrilhas de assaltantes de carro e de banco. O que ocorre é o contrário: o PCC, por exemplo, expulsa das áreas sob seu controle, sob ameaça de morte, os “nóias” do crack, por saber que, em sua insanidade, eles colocam em risco todo o crime organizado. Quando muito servem para atacar policiais em ações extremas, de caráter quase suicida, onde impera somente a força bruta.
A fala da juíza depõe contra o sistema penal brasileiro: se ela estiver certa e a quadrilha tiver recrutado Cadu por sabê-lo inimputável, então os bandidos são mais racionais do que as autoridades – eles sabem que o assassino de Glauco é um louco de conveniência, como bem observou o delegado Tiago Damaceno, ao afirmar que ele “parece ser mais dissimulado do que propriamente deficiente mental”. Porque não é razoável supor que uma quadrilha que se dedica ao roubo de veículos – um tipo de crime que exige um mínimo de organização – vá buscar loucos de pedra para fazer parte de seus quadros. Se essa quadrilha confia em ter Cadu como membro é porque sabe que ele não é tão louco como a Justiça pensa que é – ou seja, ele só é útil para a quadrilha porque sua inimputabilidade decorre de um erro de avaliação do sistema jurídico-penal.
Que tal um psicólogo e assassino nas horas vagas?
Segundo o “Estadão”, a juíza Telma Marques “disse que Cadu estava fazendo Faculdade de Psicologia e tinha arrumado um emprego no ‘call center’ de uma companhia telefônica, mas foi dispensado quando a empresa soube que cumpria medida de segurança”. Ora, se Carlos Eduardo era louco de pedra a ponto de não ter consciência de que matar um ser humano é errado, o que ele estava fazendo num curso de psicologia, como aluno, e não como cobaia? Vivemos, de fato, tempos esquizofrênicos, em que as pessoas já não são capazes de perceber os absurdos criados e impostos à sociedade por uma elite acadêmica completamente alheia à realidade. Uma faculdade de psicologia que aceita em seu quadro discente um sujeito diagnosticado como assassino e louco de pedra teria quer ser imediatamente fechada pelo MEC.
E não me venham falar em John Nash, o genial matemático esquizofrênico norte-americano, responsável pelo desenvolvimento da “teoria dos jogos”, que lhe valeu o Prêmio Nobel de Economia e, segundo consta, foi utilizada com sucesso nos leilões de privatização de estatais pelo mundo afora, inclusive no Brasil de Fernando Henrique Cardoso. Quando se tornou esquizofrênico, lutando contra alienígenas pelos corredores do MIT, Nash já era considerado um gênio da matemática, mesmo assim não escapou de internações e eletrochoques, como mostra sua biógrafa Sylvia Nasar. De qualquer modo, matemática é conhecimento puro, que dispensa interações humanas e pode conviver sem problema com alguma dose de loucura. Mas o que dizer de um psicólogo que, nas horas de surto, é um assassino inimputável?
Outra coisa que chama a atenção na entrevista da juíza é o quanto nós, cidadãos normais, somos obrigados a servir de cobaia para experimentos estatais com toda sorte de criminosos e desajustados. A empresa telefônica onde Cadu arrumou emprego só soube que ele cumpria medida de segurança depois de tê-lo contratado. Pelo visto, o próprio Judiciário esconde essa informação dos empregadores, colocando em risco a segurança dos futuros colegas de um assassino tido como louco, isto é, uma bomba humana sempre passível de explosão. Como se vê, as autoridades não pensam nos demais empregados dessas empresas, que trabalham, estudam, tomam ônibus, sonham, sofrem e, como incentivo por todo esse esforço, recebem a missão de conviver com assassinos, drogados, estupradores e toda sorte de criminosos que estão cumprindo pena em regime aberto a pretexto de inclusão social.
Por fim, a juíza Telma Marques elogia o Programa de Atenção ao Louco Infrator, que já atendeu 425 pacientes, dos quais 88 tiveram medidas extintas e apenas dois, segundo ela, cometeram assassinato. “É menos de 1%”, disse a juíza. Data vênia, magistrada, mas a senhora, olhando nos olhos dos pais do estudante Mateus, diria que o filho deles não passa de mera porcentagem no programa estatal que patrocina assassinatos em série praticados por um criminoso paulista, importado por Goiás, até como forma de divulgar no País seu festejado programa de inclusão social de loucos criminosos, que já ganhou até prêmio, para orgulho do Ministério Público, seu principal idealizador? A pretexto de recuperar bandidos, o Estado brasileiro se tornou um assassino serial.
Por isso, a juíza Telma Aparecida Marques não pode ser responsabilizada sozinha pela crônica dos homicídios anunciados de Cadu. Ela é apenas uma peça da engrenagem ideológica muito mais complexa, que envolve desde o calouro de psicologia e direito até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, patrono internacional da legalização das drogas, entre outros intelectuais universitários e formadores de opinião. Para toda essa gente, o crime e a loucura são uma decorrência das mazelas capitalistas e a cadeia e o hospício devem ser extintos para dar lugar à política de redução de danos em ambiente ambulatorial, mesmo que isso signifique filho drogado espancando e assassinando a mãe, como se vê diariamente pelo país afora. O próprio pai de Cadu, segundo o delegado do caso, contou que ele misturava às drogas os medicamentos que recebia no CAPS. Como se vê, o fim do manicômio e a popularização das drogas transformaram o louco numa bomba caseira.

