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Em encontro de empresários, apenas Robson Andrade enalteceu Dilma / Foto: Wilson Dias/ABr[/caption]
Uma multidão envolveu a presidenciável Marina Silva (PSB/Rede) com simpatia quando ela desfilou na feira de agronegócio Expointer na gaúcha Esteio, na quinta-feira. A candidata negou que estivesse ali para “quebrar resistência.” de ruralistas ao seu nome.
Alegou que trabalha para “progressivamente, construir convergências naquilo que interessa, como o fato de que todos desejamos um país socialmente justo, politicamente democrático e ambientalmente sustentável.”
As lideranças do agronegócio foram mais objetivas em Esteio com a confiança que possuem no candidato a vice-presidente de Marina, deputado gaúcho Beto Albuquerque (PSB), com origem no meio. Elas sugerem que, se a presidenciável, por pressão evangélica, recuou quanto aos direitos gays em seu programa de governo, pode mudar novamente quanto à reforma agrária.
O agronegócio não assimilou o item do programa que, para facilitar a desapropriação de terra para reforma agrária, promete a exigência de indicadores de produtividade agrícola. “Essa questão causou espanto porque é ultrapassada”, explicou a reação ruralista o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, Luiz Carlos Carvalho, que a comparou ao bode na sala:
- Parece a história do bode que colocaram na sala para retirar em seguida, quando a situação se tornou insuportável.
Ex-ministro da Agricultura de Lula, Roberto Rodrigues concordou. “O próprio Lula, ao chegar ao governo com essa bandeira do PT, viu que não tinha o menor sentido”, recordou Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas. “Ele viu que o produtor rural quebra quando a produtividade fica abaixo da média. É o mercado que desapropria.”
“Em nenhum outro setor da economia se questiona a propriedade baseada em índice de produtividade”, protestou o presidente da Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel. “Isso gera insegurança jurídica, que combatemos há muito tempo”, lembrou que a exigência de produtividade rural é antiga na fala de Marina.
Também de olho na queda de prestígio do tucano Aécio Neves nas pesquisas presidenciais, o PT da presidente Dilma iniciou a cata de contatos com o agronegócio para advertir sobre os compromissos de Marina com a rigidez do Código Florestal e quanto a inovações da biotecnologia. Mas Lula recomenda ao partido que não maltrate Marina.
Sempre com oportunismo, a presidente aproveita também o desgaste de Marina com a causa gay para entrar na área, só que a favor da comunidade, é clara. A candidata se prepara para lançar nas próximas semanas, em São Paulo, seu programa de governo LGBT. A ideia é propor no papel uma futura programação sobre aquilo que não realizou desde que assumiu o Planalto em janeiro de 2010.
O acidente que matou Eduardo Campos mandou Aécio Neves, do PSDB, para o Inferno, a presidente Dilma Rousseff, do PT, para o Purgatório e Marina Silva, do PSB, para o Paraíso. Não se trata de uma daquelas cartas espíritas que “apimentam” o jornalismo do além-túmulo do “Diário da Manhã”. Mas talvez seja possível invocar Dante Alighieri com sua “Divina Comédia”.
As pesquisas indicam que Marina Silva deve derrotar a presidente Dilma Rousseff no segundo turno. Mas a líder da Rede Sustentabilidade, nome que lembra mais blog do que partido político, vai enfrentar duas máquinas poderosas — a do PT e a do governo federal. Turbinadas durante quase 12 anos, as duas máquinas vão jogar pesado para tentar evitar a derrota da presidente.
Se eleita, Marina Silva terá uma dificuldade imensa para arrancar o PT dos poros do poder. O PT incrustou-se na máquina pública e dará um trabalho de Hércules ao próximo presidente.
Sabe-se que, aos 71 anos, Iris Araújo vai disputar, este ano, sua última eleição para deputada federal. Ela teve problemas pulmonares — motivados pelo ar condicionado e carpete do Congresso Nacional — e chegou a ser internada no Hospital Sírio-Libanês. Iris Araújo aprecia o Parlamento, mas percebe que está chegando a hora de se aposentar para se dedicar ao que mais gosta — culinária.
O deputado federal Sandro Mabel confidenciou a um peemedebista, todo faceiro, que fechou um acordo com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Sandro Mabel será candidato a prefeito de Aparecida de Goiânia, em 2016, com o apoio de Maguito. Em algumas cidades, o peemedebista está apoiando Daniel Vilela para deputado federal. Noutros municípios, o empresário precocemente aposentado arma palanque para Alexandre Baldy, candidato a deputado federal pelo PSDB.
Eloíso Matos
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Ao dizer que o preconceito no futebol é normal, Vanderlei Luxemburgo repete discurso da institucionalização da repressão às minorias no Brasil[/caption]
A maldade, a inveja, os preconceitos, o racismo, a soberba, a arrogância, a injúria racial, a indiferença, o desprezo e tantos outros sentimentos ruins estão presentes na vida das pessoas. No entanto, praticá-los dependerá do caráter, da formação e da educação de cada um de nós.
Todos nós estamos acompanhando um fato lamentável ocorrido em um jogo que criou um clima de constrangimento nacional muito grande para um atleta brasileiro. O jogador Aranha (como carinhosamente é chamado), do Santos, foi ofendido por diversos torcedores do Grêmio, que se sentiram no direito de xingá-lo de “macaco” porque o time deles foi superado por sua equipe.
Mas uma garota em especial, ao perceber a superioridade daquela equipe, não encontrou outra forma para expressar o seu ódio e preconceito e desejo de demonstrar sua supremacia “ariana”. Muitos, neste momento, vão argumentar que foi no calor das emoções ou que “no campo vale tudo”. Mas vale uma indagação: qual é a diferença da vida real? Será que no dia a dia isso também não ocorre? Não existe um racismo e um preconceito institucionalizado que refletem a lei da vadiagem que um dia existiu no Brasil?
No entanto, se formos observar com honestidade, sem hipocrisia e máscaras perceberemos que nossa sociedade tem dados estatísticos que comprovam que aquela reação da torcedora gremista expressa com nitidez como alguns adoecidos nas emoções tratam os afrodescendentes no Brasil, porque se veem no direito de humilhar quem eles considerem inferior.
Essa é uma patologia que aquela jovem assimilou como parte de sua vida, de sua personalidade e caráter, pois na vida sempre teremos pessoas diferentes de nós com características físicas e outras tantas. Mas quando um ser humano tenta se esconder atrás de uma multidão — ou de um cargo, de uma posição — a fim de oprimir, diminuir os outros e praticar o racismo, demonstra realmente qual é seu caráter, pois isso é o meio que os mais frágeis utilizam a fim de esconder sua monstruosidade e mau-caratismo. Afinal, “caráter é aquilo que você é quando ninguém está te olhando, ou pelo menos acreditamos que não estamos sendo observados”, já dizia Epicuro.
Não são poucos os que constantemente se valem de posições, status, cor da pele, “inteligência” e conhecimento a fim de privilegiar alguns e diminuírem outros. Mas isso é apenas uma “brincadeira”.
Mas, por causa desse lamentável fato, muitos deram entrevista. Por isso vamos analisar parte do que o técnico Vanderlei Luxemburgo disse: “Isso é algo comum, pois o Pelé e outros tantos sofreram preconceitos, racismos, mas venceram.” A declaração é uma sandice, porque devemos banir da sociedade qualquer forma de discriminação, preconceito, palavras de baixo calão, que desprezam as pessoas. Mesmo porque o técnico disse que o Pelé sofreu, mas o que causa sofrimento não é bom para ninguém.
Não podemos discriminar por gênero. Mas isso ocorre no Brasil. Será que Vanderlei Luxemburgo defende isso ou aceita como natural? Pois é “normal” considerar a mulher inferior. Basta observarmos a diferença salarial que existe entre os gêneros masculino e feminino. Não podemos aceitar o preconceito e o ódio contra os pobres, os deficientes físicos, mas isso em muitos casos ocorre. Será que por existir devemos aceitar? Esta é a opinião de Luxemburgo?
Não podemos aceitar o preconceito e as discriminações que ocorrem contra as pessoas “velhas”. Será que Vanderlei Luxemburgo também defende isso? Pois são comuns no Brasil essas práticas — vejamos como são os asilos e como muitos tratam os idosos no dia a dia.
Talvez devêssemos entender que gentileza, cordialidade, amabilidade são as formas de linguagem correta que devem prevalecer entre as pessoas civilizadas. Esse argumento frágil de Luxemburgo e tantos outros — de que alguém pode ser humilhado ou desprezado por orientação sexual, gênero, religião, cor da pele, condição socioeconômica, aspecto físico ou cognitivo — não pode existir em nenhuma esfera de nossa Nação, mesmo com o argumento de que é apenas uma “brincadeira” ou quem está ouvindo não deve se importar.
Nossas instituições públicas, religiosas, políticas, econômicas precisam ser repensadas e não aceitar essas práticas, mas combatê-las. Esse argumento de que podemos utilizar de sentimentos e praticas vis para destruir e humilhar os outros não pode existir, apenas com a falácia que vamos vencer o adversário em um jogo ou na vida intimidando-o não pode prevalecer.
Talvez o grande conselho que devêssemos dar a qualquer ser humano que se sentir humilhado, desprezado e vítima de preconceito seria o de não acreditar no que está sendo falado e também recorrer à Justiça, a fim de processar os que ainda estão adoecidos, os que se consideram como a madrasta malvada que olha no espelho e diz “espelho, espelho meu, existe alguém mais bonito do que eu?”, ao descobrir que existe ela abriu seu saco de maldade e tenta destruir a Branca de Neve e envenená-la. Quem estamos tentando envenenar? Quem acreditamos que podemos maltratar? Contra quem praticamos nossos preconceitos e racismos?
Muitos Luxemburgos estão com este conceito deturpado de se considerarem superiores apenas por ter dinheiro, poder, inteligência, profissão, cor da pele, religião, cargo público de destaque e assim, pensam, serem “melhores”. Será que isto é saudável para uma nação? Sejamos sinceros e indaguemos: alguém se sente bem com atitudes que não são respeitosas?
Muitos acreditam que são mais “belos” os homens musculosos, as mulheres saradas, os que ganharam títulos nacionais, internacionais, ou foram eleitos etc. Estes se dão o direito de humilhar e praticar preconceito. Isso é semelhante ao que fez Bruno Fernandes, ex-goleiro do Flamengo que, juntamente com outros, deu cabo à vida de uma “garota de programa”, pois não a consideravam digna de ser feliz e ter uma vida respeitosa.
Quais são os preconceitos que carregamos dentro de nós a fim de nos fazer sentir superiores? Vejamos nos meios de comunicação se todos podem ocupar este espaço. Vamos observar francamente se todos têm oportunidades semelhantes no Brasil? Por que alguns adoecidos têm tanto ódio dos que não são tão semelhantes a eles? Isso é preconceito, arrogância e ódio. Talvez devêssemos observar o que Martin Luther King disse: “A lei pode não dar o coração a ninguém, mas podem coibir as ações dos que não tem.”
Infelizmente, ainda precisaremos de leis duras para alcançar os famosos, poderosos e os que tentam se esconder na multidão para expressar práticas racistas e preconceituosas.
Será que, diante do espelho da vida, você se sente incomodado com o diferente e por isso é tão racista, deseja xingá-lo e não concebe a felicidade e a vitória dele? Mas, se isso é feito somente em campo de futebol, isso vale. Esse é o nosso pensamento?
Em Roma, gladiadores proporcionavam a diversão de muitos com seu próprio sofrimento. César apoiava quem alegrava a população. Será que ao ver tanto o “superior” ou “o inferior” nós conseguimos tratar com dignidade, como cidadãos ou fazemos acepção das pessoas?
Será que você é semelhante a Luxemburgo, que acredita que pode usar termos pejorativos para se referir as pessoas, pois isso é “comum” e já tomou aspecto de paisagem desde a época da escravidão? Ou apenas é uma “brincadeira”?
Eloiso Matos é professor, diretor educacional do Colégio Objetivo Metropolitano e ex-membro do Conselho Estadual de Educação de Goiás.
E-mail: [email protected]
“Um encontro que se repete de quatro em quatro anos”
Márcio Costa Rodrigues É só nas eleições que a gente observa para onde vai o dinheiro dos nossos impostos. Trinta milhões aqui, mil reais acolá. Realmente esta democracia é muito representativa. Pergunto quanto você, eleitor, deu para a campanha dessa figura ilustríssima que agora lhe pede o voto e que você só vê a cada quatro anos? Sua ausência nos quatro anos vindouros é de fácil explicação: ele estará trabalhando para aqueles que lhe financiaram. Enriquecendo-os mais ainda com os privilégios que a máquina estatal lhes dará. Foi um prazer revê-lo, candidato, vá cuidar dos interesses dos tubarões que lhe financiam nos próximos quatro anos. Na próxima eleição, a gente vai se encontrar, ou melhor, você vai vir atrás de mim, porque quando o procurei por quatro anos você nunca “se encontrava”. E-mail: [email protected]“Candidato mostra seu total despreparo para cargo público”
JALLYS MENDES A respeito da nota “Autor de ‘cartilha para ensinar meninos a gostar de meninas’ diz ter sido censurado após ter página deletada do Facebook” (Jornal Opção Online), vejo que este senhor [Matheus Sathler (PSDB), candidato pelo Distrito Federal] demostra sua completa incapacidade de tratar um tema tão sério, o da homossexualidade, e o seu total despreparo para assumir um cargo público de tamanha responsabilidade que é o de deputado federal. Em primeiro lugar, não se refere a um indivíduo humano como macho ou fêmea — somos homens ou mulheres. Em segundo lugar, não se ensina ninguém a ser heterossexual ou homossexual: o indivíduo humano nasce heterossexual ou não, o que torna o seu projeto de criar “kits” completamente desnecessário e um tanto cômico. Não lhe tiro o direito de expressar a sua opinião contrária ao movimento LGBT e suas reivindicações; pelo contrário, ele tem o direito de se posicionar, desde que se atente aos princípio do respeito, da ética e do conhecimento de causa. E, por ser ele um homem público, também é justo que defenda suas bandeiras ideológicas. O que não é admissível, em hipótese alguma, é o desrespeito aos direitos humanos e a propagação do sentimento de ódio que pessoas de orientação conservadora fazem sem se preocuparem com o que isso possa ocasionar. Um ser humano, seja ele heterossexual, homossexual, bissexual ou o que for, merece ser tratado como gente, como a pessoa que de fato é. E-mail: [email protected]“Tomei gosto pela leitura com Harry Potter”
Daniel Mello Em relação à nota da coluna “Imprensa que diz que J. K. Rowling deve publicar mais um livro sobre Harry Potter” (Jornal Opção 2042), ela já havia divulgado outro conto há alguns meses sobre a vida dos personagens centrais hoje em dia. Esses textos são comuns na rede social Pottermore, onde Rowling sempre aprofunda o universo dos personagens. Não significa que ela lançará um livro novo (embora material não falte). É apenas um conto sobre uma personagem secundária. Sou fã de Rowling e tomei verdadeiro gosto pela leitura através de Harry Potter. Sempre gostei de ler, inclusive Monteiro Lobato. Li quase tudo da Coleção Vaga Lume. Mas só depois de Harry Potter a coisa ficou séria. Então me incomodo com textos que tentam desmerecer J.K. Rowling como a autora que ela é. E-mail: [email protected]“Armas em mãos corretas significam menor criminalidade”
Ronaldo Luciano Simões Há sim relação entre nível de criminalidade e número de armas em mãos corretas. E a relação é inversamente proporcional: quanto mais armas nas mãos corretas (pessoas de bem e com o treinamento adequado), menor o nível de criminalidade. E-mail: [email protected]“Desarmar cidadãos é a pior falácia de um governo”
Karion Minussi Bela a matéria de Irapuan Costa Junior “Doutora em Direito diz que não há relação entre nível de criminalidade e número de armas em mãos corretas” (Jornal Opção 2042). Eu, até hoje, estou tentando encontrar uma única nação no mundo, um único exemplo, onde desarmar os cidadãos de bem tenha reduzido os índices de criminalidade. Desarmar cidadãos ordeiros é a pior falácia que um governo pode vender ao seu povo como um recurso para diminuir a criminalidade. E-mail: [email protected]“Quem não combate a ditadura é fascista”
Gabriel Gabbardo Sobre o texto “Crítica a Miriam Leitão leva revista Veja a censurar colunista Rodrigo Constantino” (Jornal Opção 2042), alguém que não condena a tortura não é “liberal de combate”. É fascista, pura e simplesmente. E-mail: [email protected]“Chega de impunidade e tantas leis frouxas”
Carlos Spindula Em relação à nota “Assassino confesso do cartunista Glauco é preso em Goiânia suspeito de latrocínio” (Jornal Opção Online), o que esse cara estava fazendo solto na rua novamente, se ele é, segundo a Justiça, inimputável e doente? Porque soltaram essa ameaça à sociedade? Chega de tanta impunidade e leis frouxas! Email: [email protected]
Quando tudo parecia perdido, a cúpula do PT, que não morre de amores pela presidente Dilma Rousseff, cogitou trocá-la pelo ex-presidente Lula da Silva. Avaliou-se que o ex-presidente seria o único capaz de derrotar o fenômeno Marina Silva, tão teflon quanto o ex-sindicalista.
Lula, que nada tem de bobo, teria encomendado uma pesquisa e teria ficado estupefato com o resultado. Nem mesmo ele, ao menos no momento, tem condições de derrotar Marina Silva. O eleitorado quer retirar o PT do poder — o problema nem é com a presidente Dilma. O motivo? Dois, ao menos. Primeiro, a crise da economia. A classe média está consumindo menos e avalia que chegou a hora de mudar. Segundo, o eleitorado avalia que, no poder, o PT se corrompeu e, por isso, pretende trocá-lo por uma política que acredita decente.
Como os números raramente “mentem”, o petismo, ou o Lulopetismo, decidiu permanecer apoiando Dilma Rousseff, resguardando Lula para a disputa de 2018.
Piada contada por peemedebistas jovens: “Se Iris Rezende for eleito, Lázaro Barbosa será indicado para o cargo de secretário da Juventude”. O ex-senador tem 76 anos. Para os parâmetros do decano peemedebista, é até “muito jovem”. Lázaro Barbosa enfrenta a forte concorrência de Luiz Soyer, de 74 anos.
A divulgação das duas principais pesquisas de opinião, na mesma quarta-feira, permite uma comparação entre os números do Ibope e do Datafolha onde se verifica que a situação de equilíbrio na cotação de votos para a presidente Dilma e a presidenciável Marina Silva (PSB/Rede), se existe, corre por conta da margem de erro de 2% em cada amostra. Quanto ao presidenciável Aécio Neves (PSDB) não há dúvida. A erosão da candidatura é convincente nos números simples, que dispensam a consideração dos limites da margem de desvios estatísticos e com isso dispersa alianças, expele companheiros tucanos e inibe financiadores de ocasião. No Ibope, Aécio, que já vinha em queda, desceu de 19% para 15% numa semana. A primeira pesquisa foi a campo entre 23 e 25 de agosto. A segunda, entre domingo e terça-feira da semana que se encerrou. No Datafolha, Aécio caiu de 20% para 14% em duas semanas e meia, entre 14 e 15 de agosto aos dias primeiro e três de setembro. O tucano, que sofria dificuldade para decolar no meio de quedas e escândalos em torno do governo Dilma despencou, como se sabe, com o surgimento da alternativa Marina na vaga de Eduardo Campos (PSB). A candidata entrou em campo com a vantagem de ser mais conhecida do que Aécio além de oferecer uma opção ao duelo de sempre entre tucanos e petistas. Naturalmente, aqueles dois pontos a favor de Marina realçavam duas desvantagens de Aécio, outra vítima da fatalidade que atingiu Campos. Como se acreditasse que a polarização entre PSDB e PT viria naturalmente pela força da gravidade histórica, a campanha de Aécio corria placidamente, em clima de paz e amor. Quando se tornou agressiva, era tarde. O tucanato também sugou energia de Aécio na medida em que se desgastou para se impor como candidato perante companheiros de São Paulo, que o viam com desconfiança desde a sucessão presidencial em 2010. Agora, quando o mineiro Aécio poderia demonstrar ser uma alternativa competitiva aos tucanos de São Paulo, veio a fatalidade se somar aos pecados. Margem de erro à parte, no Ibope a ascensão de Dilma foi ligeiramente menor à de Marina, cuja entrada em cena como herdeira inesperada de Campos deixa de subir na escala impetuosa de antes porque a comoção social chega ao limite de impacto. Dilma passou de 34% para 37%. Marina subiu um ponto a mais, foi de 29% a 33%. No Datafolha, entre aquelas duas semanas e meia de pesquisas, Dilma perdeu um ponto, desceu de 36% para 35%. Marina ainda subiu de 21% para 34%, patamar onde estacionou durante a metade do período.
O ex-senador Demóstenes Torres conta que, quando surgiu o celular, era promotor de justiça em Anicuns. Certa dia, um homem simples liga no seu celular e diz: “Quero falar com o promotor ‘Demoste’”. Demóstenes Torres responde: “É o próprio”. O caipira não entende e diz: “Sr. Próprio, eu quero falar é com o promotor ‘Demoste’”.
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Donna Tartt, de 51 anos, é autora de “A História Secreta”, “O Amigo de Infância” e “O Pintassilgo”[/caption]
Autores “novos” ou pouco comentados por críticos especializados sofrem com resenhas peremptórias de jornais. Na falta de fortuna crítica categorizada, jornalistas e alguns críticos não têm informações suficientes — e parâmetros — para avaliar novos romances, contos e poesias, deixando escapar a qualidade específica e as influências literárias. O resultado às vezes são críticas rápidas, sem referências precisas à obra “examinada”, destacando-se mais aspectos perfunctórios e externos.
Abordar um autor a “seco”, sem o amparo de leituras anteriores, com críticas sedimentadas, referenciais, é o trabalho do verdadeiro crítico literário. O crítico americano Edmund Wilson publicou um livro, entre o fim da década de 20 e o início da década de 30, no qual examinou, cuidadosa e criteriosamente, a obra de, entre outros, Marcel Proust e James Joyce.
Praticamente não havia crítica consistente na qual basear-se e, por isso, ele fez uma leitura própria, específica, que muito contribuiu com a crítica posterior, ao abrir fronteiras. Publicado há mais de 80 anos, “O Castelo de Axel” (há uma bela tradução, feita pelo poeta José Paulo Paes e publicada pela Cultrix-Companhia das Letras) é a obra-prima de Wilson.
O crítico de jornal quase sempre não tem o tempo adequado para ler cuidadosamente uma obra mais alentada e, depois, não tem espaço para expor seus argumentos. Antônio Gonçalves Filho, um dos críticos mais qualificados do “Estadão”, resenhou o romance “O Pintassilgo” (Companhia das Letras, 719 páginas, tradução de Sara Grünhagen), de Donna Tartt, e nada acrescentou de relevante. De cara, implicou com o fato de Stephen King ter elogiado o romance, mas não mencionou duas críticas mais consistentes — de Michiko Kakutani, do “New York Times”, e do “The Guardian”. A Companhia das Letras recolheu um trecho do comentário de Kakutani e o publicou na contracapa: “Brilhante... Um romance glorioso, no qual todos os talentos narrativos de Tartt convergem numa arrebatadora sinfonia; um livro que nos traz de volta o prazer de passar a noite inteira lendo”. A editora publicou também um trecho da crítica do “Guardian”: “Raymond Chandler é uma presença tão grande nestas páginas quanto Dickens ou Dostoiévski. Falar mais sobre a trama seria privar os leitores do imenso prazer de ser arrebatado por ‘O Pintassilgo’. Se alguém perdeu o amor pelas histórias, este é o livro que certamente o trará de volta”. Os trechos são usados pela editora como publicidade positiva para o livro, mas fazem parte de resenhas mais densas e comparativas que permitem ao leitor uma compreensão mais perceptiva do romance.
O “Estadão” fica devendo uma crítica mais aguda ao belo romance de Donna Tartt — uma autora surpreendente que remete ao século 19, o de Dickens, Thoreau e Dostoiévski, mas também aos séculos 20 e 21 e, às vezes, à literatura de Thomas Pynchon (que ela não cita como influência literária). Não se está propondo uma crítica a favor, e sim uma crítica mais substanciosa à obra da escritora americana e a quaisquer outros romances. Uma crítica, além de apontar defeitos e virtudes, deve “entrar” na obra, escarafunchá-la a fundo. Críticas superficiais, do contra para ser do contra, servem unicamente para espantar leitores desavisados.
Uma das surpresas das eleições para deputado estadual pode ser Eliane Pinheiro (PMN). Ela está forte em Goiânia e, sobretudo, em Anápolis. Eliane Pinheiro é articulada e respeitada no meio político.
Eurípedes Júnior trabalha, em tempo integral, com o objetivo de ser eleito deputado federal. Ele é o comandante nacional do PROS. Joga pesado e comporta-se como um político profissional. Em Brasília, o goiano Eurípedes Júnior surpreende pelo prestígio. Ele fala com a presidente Dilma Rousseff e entra e sai dos ministérios sem nenhuma cerimônia.
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Eduardo Tessler: o consultor teria sugerido um jornalismo mais planejado e interativo ao Pop[/caption]
Contratado pelo presidente do Grupo Jaime Câmara, Cristiano Câmara, o consultor Eduardo Tessler, do blog Mídia Mundo, está preparando um amplo diagnóstico do jornalismo praticado pela redação do “Pop”. Ele é especialista em interatividade e convergência.
O jornalista Eduardo Tessler observou o funcionamento da redação, durante uma semana, e depois conversou com os editores e fez uma série de perguntas sobre as deficiências do jornalismo do “Pop”.
Eduardo Tessler estaria preparando o terreno para a contratação de um novo editor-chefe. O consultor teria ficado “chocado” com o fato de que a redação do “Pop” trabalha de maneira “improvisada”, sem um planejamento eficaz. De fato, fica-se com a impressão de que não há sequência editorial no jornal. Falta ritmo e a qualidade não é mantida de uma edição para outra. O jornal está cada vez mais previsível e chegando “velho” às bancas. Os editores não percebam, ou não querem perceber, que a cobertura da internet — além dos telejornais — solapou o jornalismo dos diários.
Outro problema do “Pop” é a falta de conectividade entre o impresso e o online. O GJC é multimídia apenas no “papel”.
Se os jornais diários não investirem em qualidade, sobretudo em textos que não foram repisados durante o dia em vários portais, blogs e redes sociais, serão abandonados por seus leitores. Sem a internet, o “Pop” seria, todos os dias, um jornal “vivo” e atraente. Com a internet, o “Pop” está se tornando um jornal “morto”, “frio”. Quase tudo que sai no jornal foi divulgado intensamente no dia anterior.
O mais importante jornalista brasileiro não mora em São Paulo e Rio de Janeiro, tampouco é correspondente em Paris, Londres ou Washington e não escreve nos jornais “Folha de S. Paulo”, “O Estado de S. Paulo” e “O Globo” ou nas revistas “Veja”, “Época”, “CartaCapital”, “IstoÉ” e “Piauí”. Lúcio Flávio Pinto, o Izzy Stone dos trópicos, escreve um jornal quinzenal, o “Jornal Pessoal”, absolutamente sozinho, e mora em Belém. Lúcio Flávio Pinto é perseguido por poderosos e, se quisesse, seria um homem rico. Mas recusa-se a servir ao poder — seja o público (os políticos), seja o financeiro (empresários). Durante 18 anos trabalhou no “Estadão” e publicou reportagens brilhantes sobre a Amazônia. É dos mais premiados repórteres brasileiros, no e fora do Brasil. O principal foco de suas reportagens é a Amazônia, que conhece como poucos. Seu conhecimento, pode-se dizer, vai muito além do conhecimento do jornalista tradicional. Ele certamente não aprecia o termo, mas talvez seja possível dizer que tem um conhecimento até acadêmico, na sua precisão e rigor, da Amazônia. Como Lúcio Flávio Pinto produz como se fosse uma redação de 20 repórteres experimentados — num tempo em que os jornalistas ficam “felizes” quando escrevem duas reportagens de 20 linhas por dia, acham muito e ainda reclamam que estão estressados —, o jornal provavelmente estava “pequeno” para suas ideias e textos. Por isso ele criou um blog, com seu nome e o subtítulo de “A agenda amazônica de um jornalismo de combate” O blog, afirma Lúcio Flávio Pinto, “chega assim de súbito, de improviso, como dever e destino, empenhado em fortalecer a agenda do cidadão, do homem comum, da gente simples e de todos aqueles que querem ser personagens ativos da sua vida e da história”. Ele frisa que vai atualizá-lo diariamente, mas “não com ênfase nas novidades, nas informações exclusivas, no ‘furo’. O que mais se tentará aqui será a contextualização dos fatos novos, no exame da mecânica dos acontecimentos, na desmontagem das engrenagens das decisões, na revelação do que está oculto na cena ou é omitido pelos seus narradores”. Sobre a Amazônia, seu tema, Lúcio Flávio Pinto frisa que “o objetivo é combater o ‘destino manifesto’ que se impõe à região, de ser colônia, de não interferir no seu próprio destino. Acredito com firmeza que a história não está escrita nas estrelas, restando-nos contemplá-las, à distância, como acidentes da natureza. Creio que podemos escrever também a história e, nessa escrita, sair da trilha dos colonizadores e da camisa de força em que nos colocaram os dominadores”.
O professor Romualdo Campos Pessoa lançou um livro sobre a Guerrilha do Araguaia e concedeu entrevista ao repórter Rogério Borges, do “Pop”. O doutor da Universidade Federal de Goiás, um dos mais respeitados e citados pesquisadores do assunto, disse, e não foi contestado pelo repórter, que possivelmente não conhece bem a história do período, que o major Curió “não fala” sobre a Guerrilha do Araguaia. Trata-se de uma injustiça. A versão de Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió, está exposta no livro “Mata! O Major Curió e as Guerrilhas do Araguaia” (Companhia das Letras), do jornalista Leonencio Nossa. Pode-se discordar da versão apresentada pelo major Curió, até afirmar que não revelou tudo ao repórter, mas não é possível dizer que “não fala” sobre a Guerrilha do Araguaia. O livro, com 443 páginas, foi publicado em 2012. Rogério Borges deveria lê-lo.

