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O presidente do PMDB em Goiás, Daniel Vilela, diz que o partido que dirige ganhou em cidades estratégias, “o que será decisivo para o nosso sucesso eleitoral na disputa pelo governo do Estado em 2018”. “É uma questão factual: nós ganhamos em Rio Verde, Formosa, Catalão, Aparecida de Goiânia, Quirinópolis, Goianésia, Mineiros e Santo Antônio do Descoberto. São oito cidades importantes, com vasto eleitorado e economia consolidada e em expansão. Podemos também eleger o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, e eleger um prefeito aliado em Anápolis, João Gomes, do PT, que tem como vice Eli Rosa, do PMDB”, afirma Daniel. O peemedebista diz que, em Goiânia, “o PMDB precisa recuperar o apoio da classe média. Nós precisamos dialogar com ela. Asfalto não é mais a grande demanda dos goianienses”. Quanto a apoios políticos, Daniel frisa que “os votos são dos eleitores, não têm donos. Mas, no caso do delegado Waldir Soares, a tendência é que seus eleitores optem por Iris Rezende”.
As eleições municipais têm importância relativa em relação às disputas de governo estadual, mas é um dos componentes que formam a força de um grupamento
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Palácio das Esmeraldas: a eleição municipal tem um foco lá|Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Afonso Lopes
Partido ou grupamento que vence majoritariamente as eleições municipais torna-se imbatível na disputa pelo governo do Estado dois anos depois? Claro que não. Tampouco as eleições nas cidades são uma prévia do que vai se disputar no Estado. Trata-se, na verdade, da composição dos muitos aspectos que terminam por montar situações favoráveis ou não. É por essa razão que deputados estaduais e federais, senadores e governador fazem o possível para vencer na maioria dos municípios. É a formação da chamada base, o alicerce inicial do que se poderá construir depois.
Isso posto, o resultado das eleições deste ano animaram as forças que compõem a chamada base aliada estadual, esmagadoramente vitoriosa em número de prefeitos e vereadores. Isso abre espaço para a preparação de um cenário bem mais favorável para a disputa de 2018, que deve ser bastante intensa tanto entre os governistas como entre os opositores.
Projeto
Os prefeitos que venceram agora e que vão assumir seus cargos a partir de janeiro devem encontrar “casas”, na maioria das vezes, completamente arruinadas. Há o fator histórico que pesa contra as máquinas administrativas municipais, geralmente paquidérmicas, agravadas pela gravíssima crise econômica que secou fontes importantes de financiamento das cidades, além da estupidez que é o pacto federativo brasileiro, que termina por concentrar quase completamente o bolo tributário em Brasília. Se os Estados sofrem com receitas baixas, as cidades praticamente dependem de oxigênio financeiro externo em tempo integral.
É certo também que esses prefeitos eleitos precisaram prometer mundos e fundos para seduzir seus eleitores. Faz parte do jogo. Os candidatos derrotados também fizeram muitas promessas. A diferença entre eles é que os primeiros é que vão ser cobrados pela população.
Mas essa cobrança não será imediata. Quem chega recebe uma espécie de salvo-conduto que costuma girar entre seis meses e até um ano. Basta que se apresente como um líder realmente confiável e criativo. Mais do que isso, que use a transparência como uma boa e positiva arma para se proteger das críticas iniciais. Fora isso, é torcer para que a crise econômica comece efetivamente a ser superada já no ano que vem, como se acredita. Esse desempenho dos prefeitos é importante para a tal montagem do cenário para a disputa estadual, que no final das contas é considerado como um projeto político de governistas e de opositores.
São os prefeitos e vereadores que formam a base das candidaturas a deputado estadual e federal, fator preponderante na montagem de chapas competitivas tanto para o governo como para o Senado. É possível vencer a disputa pelo Palácio das Esmeraldas sem essa competitividade? Possível, é, como se viu em 1998 quando Marconi Perillo derrotou Iris Rezende tendo o apoio de apenas 20 e poucos prefeitos, mas é extremamente complicado. Aquela foi uma eleição completamente atípica, e que provavelmente não vai se repetir em sua atipicidade tão cedo.
Assim, e tecnicamente, pode-se afirmar que, sem nenhuma dúvida, as forças governistas venceram o primeiro round da grande batalha de 2018. Mais do que isso, mostra que esse eixo político permanece como referencial no Estado. Prova disso é que as vitórias foram colhidas em todos os quadrantes, e não em uma ou duas regiões, e em cidades de todos os portes, das menores às mais densamente povoadas.
Um velho problema dos opositores permanece aparentemente sem qualquer solução: a falta de projeto alternativo. A oposição atua em cima de situações conjunturais, e portanto possíveis de transformação, e não política e administrativamente estruturais. Faz-se oposição ao governo porque não está no governo. Não se formula a alternativa aquilo que aí está.
A oposição precisa desenvolver um projeto que vá além da mera troca de comando do Estado. E isso, obviamente, é ir muito além da fulanização da disputa. Enquanto a base aliada estadual continuar se mostrando viável e a oposição bater apenas na tecla da mudança sem apresentar o que e como mudar, haverá sempre a imensa possibilidade de as bases municipais permanecerem como um dos elementos que formam a vitória na disputa estadual. Para 2018, o jogo começou com a base aliada estadual à frente. Ainda há tempo para os opositores igualarem as possibilidades, mas sem um projeto política e administrativamente alternativo não vai dar. Mais uma vez. l
Cumprindo sua função constitucional, o Supremo Tribunal Federal continua contribuindo com a visão em relação à Constituição Federal. Numa mesma semana o STF decidiu que condenados em segunda instância devem cumprir suas penas logo após o julgamento. E não foi só isso: agora a Suprema Corte entendeu que a polícia pode entrar em residências sem mandado. O STF considerou lícita a invasão de domicílio visando a busca de provas sem mandado judicial pela Polícia Militar, desde que amparada em fundadas razões pelos agentes, justificada a excepcionalidade por escrito, sob punição disciplinar, civil ou penal. Essa foi a decisão do plenário do STF na tarde da quinta-feira, 5. Um caso concreto: o corréu, que confessou o crime, mas não foi quem ingressou com o recurso extraordinário, foi surpreendido pela polícia conduzindo um caminhão cujo interior possuía drogas. Apontou um terceiro, réu recorrente ao Supremo, como aquele que pediu para transportar a droga. A PM entendeu que se o réu havia pedido o transporte, talvez possuísse material no interior da residência. Entraram na casa e descobriram a droga. Ambos foram condenados. No Recurso Extraordinário 603.616, o réu questionou a legitimidade da PM em violar a residência, durante a noite e sem mandado judicial, em busca de provas, vez que o acórdão recorrido entendeu que, na prática de crime permanente, em que a consumação do delito se perpetua no tempo, é prescindível a apresentação de mandado de busca e apreensão, estando autorizadas as buscas efetivadas pela autoridade policial. Por maioria, os ministros estabeleceram a tese de que as buscas sem mandado judicial são lícitas quando amparadas em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, desde que haja flagrante delito no local. Os abusos deverão ser verificados nas audiências de custódia, sob punição disciplinar, civil ou penal dos agentes policiais. O ministro Gilmar Mendes, relator do processo, teve seu voto seguido pelos ministros Luiz Fux, Edson Fachin, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso, Celso de Mello e o presidente Ricardo Lewandowski.
Um dos pilares das prerrogativas dos advogados é “ingressar livremente” em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial ou outro serviço público onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade profissional (Artigo 7º, VI, C do Estatuto da Advocacia). A tentativa da diretoria da OAB-GO de exigir prévio cadastro na Sala da Ordem, no novo prédio das Varas Cíveis da capital, deixou irado o presidente do Sindicato dos Advogados do Estado de Goiás (Saeg), Alexandre Caiado – também ex-presidente da Comissão de Prerrogativas —, tendo sido necessário o protocolo de pedido de suspensão da violação imposta, cujo teor assim nominou. “Vem solicitar a Vossa Senhoria que reveja a posição tomada por essa Seccional no sentido de impossibilitar ou dificultar o acesso de qualquer advogado às dependências da sala de apoio ao advogado no novo Fórum Cível de Goiânia, no Parque Lozandes, bem como de submeter qualquer colega advogado ou estagiário que porventura esteja em situação de inadimplência perante os cofres dessa histórica instituição a vexame ou situação constrangedora”. Contam ainda que, além de impor uma cancela inédita em salas da OAB de todo país, a seccional ainda estava exigindo o cadastro dos clientes dos advogados que ali se encontravam, violando também o sigilo profissional, posto que nem sempre o profissional deseja ou tem autorização para revelar a terceiros quem são seus clientes. Todavia, a boa notícia é que o acesso aos advogados à sua sala foi facilitado. Mas que fiquem atentos, pois, violações de prerrogativas ocorrem diariamente, e não poderia a Ordem se amalgamar nessas situações.
Experiência une negociação política com conhecimento legislativo e técnico para conseguir verba e saber o que fazer para não perder investimentos
Morte do sargento Manoel Raymundo Soares chamou a atenção de Sobral Pinto e Paulo Brossard. O presidente Castello Branco mandou apurar o crime, mas chefes e agentes do Dops foram “inocentados” por falta de provas
Doutor em Filosofia pela Universidade Paris I diz que a filósofa equivoca-se ao rejeitar a autocrítica e ao não criticar os petistas que se tornaram corruptos. A denúncia-acusação da Operação Lava Jato “não é delirante"
Funcionária relatou caso ao Jornal Opção. Ninguém ficou ferido, PM está em busca dos assaltantes, que conseguiram fugir
O autor é o experimentado jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, biógrafo de Leila Diniz e Antônio Maria
Uma História de Orgulho e Vergonha” (Objetiva, 391 páginas), de Roberta Paduan, informa que a corrupção na Petrobrás tornou-se forte no governo Sarney, acelerou no governo Collor e se tornou sistêmica nos governos do PT. No governo de Collor, funcionários graduados lutaram, vencendo algumas vezes, contra os corruptos. O livro relata que o goiano Delúbio Soares queria assumir a presidência do BNDES, mas Lula da Silva, presidente, disse que estava “querendo algo maior que ele”.
O livro mostra que o governo de Fernando Henrique Cardoso modernizou a Petrobrás, com uma gestão moderna e arrojada, atenta ao que se fazia no mundo. Os próprios funcionários da empresa dizem que Henri Philippe Reichstul fez um trabalho competente de modernização e inserção da Petrobrás no mercado externo. Não se pense, porém, que o livro faz uma defesa do tucanato. Não faz, não. É apenas honesto e muito bem feito.
A história do geólogo americano Walter Link, que contribuiu de maneira decisiva para o desenvolvimento da Petrobrás, merecia um livro à parte.
“Link contratou a Universidade Stanford, da Califórnia, para desenvolver um curso de pós-graduação em geologia de petróleo para os engenheiros da companhia. Ele teria um ano e meio de duração e seria dado em período integral, ministrado totalmente em inglês. A primeira turma começou em 1957. Link também determinou que vários funcionários da estatal fossem estudar em universidades americanas, mas só nas mais reputadas e mais rígidas”, relata Roberta Paduan.
Link acabou saindo do Brasil praticamente expulso porque elaborou um projeto estratégico — que, depois, se revelou profético — para o setor de petróleo que foi condenado pelos nacionalistas e pela esquerda, que, a rigor, não entendiam nada do assunto.
As universidades brasileiras só abriram cursos de geologia em 1957.
Professores do ensino superior que se identificam com o pensamento conservador começam a aparecer no meio acadêmico
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Pensamento de direita vem ganhando espaço também nas universidades, local em que essa existência não era tão perceptível | Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Augusto Diniz
É comum ouvir em conversas de amigos, discussões ou na internet que o meio acadêmico é tomado pelo pensamento de esquerda, na sua definição política e filosófica. Chega a ser corriqueiro ver gente na internet e na mesa de bar dizer que se perde muito tempo da formação universitária com estudos de pensadores como o alemão Karl Marx, autor de livros como “O Manifesto Comunista” (1848) e “O Capital” (1867).
Essas pessoas, na maioria das vezes, preferiam não se manifestar demais para não serem tachadas de criadoras de caso ou polemizadoras de plantão. Mas, com a popularização da internet, que tem ampliado o número de usuários no Brasil, e a era das opiniões nas redes sociais, em que as pessoas têm buscado mais informação e tempo em discussões sobre todos os assuntos, essa nova direita começou a se manifestar e encontrar em diversos cantos do Brasil simpatizantes de suas ideias e pensamentos.
Outro ponto que facilitou com que os que se consideram conservadores liberais, na direita brasileira, ganhassem mais voz e espaço foi a derrocada da aceitação do Partido dos Trabalhadores (PT) junto à sociedade a partir dos governos federais de Luiz Inácio Lula da Silva, que em sua quarta eleição para o cargo de presidente da República chegou ao comando da União por duas vezes, entre 2003 e 2010, e sua sucessora, a ex-ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que foi eleita em 2010 e 2014 para o cargo.
A consolidação do processo de impeachment no dia 31 de agosto de Dilma, com o julgamento final pelo Senado, deu voz à direita, que ganhou força nas eleições municipais de 2016. Um desses exemplos é a votação que recebeu o deputado estadual Flávio Bolsonaro, do Partido Social Cristão, que terminou em quarto lugar na disputa pelo cargo de prefeito com 424.307 votos, 14% da votação válida na capital fluminense.
O Rio de Janeiro, inclusive, deu maior votação no primeiro turno a um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, o senador Marcelo Crivella (PRB), que chegou a 842.201 votos. Ele disputará o segundo turno com um candidato da esquerda carioca, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSol), que obteve 553.424 votos.
Para entender esse momento de crescimento da direita na sociedade, o Jornal Opção conversou com professores universitários que se posicionam com identificação ao pensamento conservador e que defendem o liberalismo na economia.
Divisão da direita
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Cláudia Helena defende o conservadorismo nos costumes como base da estruturação da sociedade | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Mestre em Direito na área de Ciências Penais, a professora Cláudia Helena Gomes, da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), diz é preciso dividir bem as duas linhas de pensamento da direita para que não haja confusão. Identificada com a linha conservadora liberal, que valoriza o conservadorismo nos costumes e defende a economia liberal, Cláudia Helena explica que nem toda a direita atual é assim. “Há também os libertários, que também são liberais na economia, mas defendem uma sociedade livre da figura do Estado.”
Na definição entre a direita conservadora e a direita libertária, Cláudia Helena acredita que um dia a direita libertária enxergará que o conservadorismo pode ser o melhor caminho para o mundo. Para ela, o problema ao estudar pensadores de direita é que não se vê muito essa discussão enquanto estudante, quando se passa rapidamente pelos estudos do escocês Adam Smith e perde-se muito tempo dedicado ao pensamento de Karl Marx, por exemplo.
“Há sempre o estigma de que o liberal, que defende a livre iniciativa de mercado, não se importa com os pobres. O socialismo, onde todo mundo trabalha para o Estado, é o modelo mais explorador. É o exemplo dos cubanos que participam do Mais Médicos, que recebem salários mais baixos e são praticamente escravos, enquanto outros profissionais da mesma área ganham mais pelo mesmo serviço.”
Cláudia Helena cita que a prática de uma sociedade em torno de um senhor feudal, como acontecia na Idade Média, ganha sua continuidade em uma ditadura de esquerda, como a cubana, com a figura central representada em Fidel Castro, com toda uma sociedade a serviço de suas ordens.
O pensamento de direita, seja ele libertário ou conservador, tem ganhado espaço na academia. Tanto que na Faculdade de Direito da UFG já existe o Clube Bastiat, que reúne estudantes das duas alas do pensamento de direita. O nome do grupo de estudos homenageia o economista liberal francês Frédéric Bastiat, que defendia a liberdade da pessoa contra qualquer autoridade, entre elas a representada pelo controle estatal na sociedade.
Desencanto com a esquerda
A professora confessa que já foi de esquerda. “Eu não conheço ex-direitista, mas conheço ex-esquerdista”, observa. Cláudia Helena diz que já se sentiu atraída pelo discurso da luta pela redução das desigualdades sociais. “Não dá para pensar à esquerda depois de começar a ler autores de direita”, considera.
Ela afirma que o momento em que vivemos, de insatisfação com modelos carcomidos de governar, tem possibilitado o surgimento de uma leva de pessoas que têm “rompido esse bloqueio” que o pensamento de esquerda coloca sobre o meio acadêmico. “Eu corro o risco de ser tachada de rótulos como direitista, ser xingada ou usarem certas palavras-gatilho para simplesmente ofender quem pensa de forma diferente.”
Ao mesmo tempo que a professora entende que se estuda muito pouco Adam Smith e o francês Alexis de Tocqueville, logo se dedica bastante tempo a um dos principais pensadores anarquistas, o filósofo francês Denis Diderot. Mas Cláudia Helena afirma que reduzir a discussão intelectual a uma divisão entre direita e esquerda chega a ser muito simplista. Ela defende que o correto hoje seria pensar em quem defende uma economia liberal, com menos controle do Estado sobre a regulação do mercado e os que querem ser tutelados a vida inteira pela figura dos detentores do poder.
Mesmo ao considerar que os libertários liberais são bastante utópicos ao compreender como possível uma sociedade sem qualquer participação do Estado, a professora descreve que o governo precisa existir, mas em condições e com um tamanho bem menor do que é hoje. “Desde o século 18, na Revolução Francesa, a intenção da esquerda foi a de derrubar o poder existente e suplantar esse controle com um poder ainda maior do que o anterior.”
Ela cita exemplos de diferenças existentes entre o que era praticado na França durante a monarquia e a partir da queda do rei, como a novidade do alistamento obrigatório, pois antes o monarca precisava pagar pelos serviços de combatentes contratados em momentos de guerra. “Hoje se o Brasil entrar em guerra você não tem como fugir, você é obrigado a ir lutar, não há escolha, é uma ordem”, descreve.
Conservadorismo é marca de acadêmicos
Outro momento histórico utilizado por Cláudia Helena para pontuar sua insatisfação com o controle muito amplo do Estado sobre a vida do cidadão é a Inconfidência Mineira. “A revolta de parte da sociedade era pela cobrança de um quarto (1/4) que era roubado pela Coroa. Hoje o estado leva 40% de quem tem rendimento mais alto.” Para a professora, a presença do Estado na vida das pessoas é tão forte atualmente que muitas vezes o cidadão nem percebe essa atuação em forma de controle. “Uma amiga pagou outro dia pela escrituração de um imóvel de 72 metros quadrados R$ 12 mil. Quem deu esse direito para o Estado? Que contrato social é esse?”, questiona. Essa atitude governamental — que para ela não seria um erro apenas do PT, mas uma política que acompanhou todos os governos desde a redemocratização com José Sarney (PMDB) —, de mostrar uma “sanha controladora”, aponta como o Brasil é governado por burocratas. “Quando houve o impeachment da Dilma, nós nos perguntamos quem são essas pessoas que representam o povo brasileiro. O País é comandado por pessoas que você nem sabe quem são.” Para Cláudia Helena, Dilma não foi eleita por ser mulher ou sofreu o processo de impeachment por ser mulher. “Ela foi eleita duas vezes e não teve nada de misógino, por que agora sua destituição é considerada misógina? Ela foi deposta porque é incompetente mesmo. Esse discurso é parte da dialética do Hegel, que muda o discurso de acordo com a necessidade.” Volta aos costumes É aí que a direita conservadora defende a busca pelos costumes tradicionais, sejam eles pautados pela moral judaico-cristã, pelos valores da família tradicional ou pelo conhecimento erudito construído ao longo de séculos pela humanidade, desde a filosofia, a economia, as artes e a religião. “É alguém que reconhece que existiram milhares de pessoas antes dela e que não sou eu que vou achar que vou ter uma ideia brilhante que vai ser melhor para todo mundo.” A ideia geral, na visão de Cláudia Helena, é dar continuidade ao que já deu certo na história da humanidade, ser a ânsia de ser fazer revolução, de buscar uma ruptura drástica. “Nos anos 60 você tinha a esquerda revolucionária e a esquerda moderada. As duas tinham o mesmo objetivo, que era chegar à revolução socialista”, critica. “Nós nunca tivemos uma experiência de capitalismo de fato no Brasil. O que nós sempre tivemos, desde as capitanias hereditárias, foi um capitalismo de compadrio. No capitalismo de verdade os competentes sobrevivem e quem não é competente não tem espaço.” Essa descrição é baseada no exemplo do fortalecimento econômico dos Estados Unidos, que apostaram no livre mercado, como explica Cláudia Helena. Para o doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e professor da Faculdade Esup, Murilo Resende Ferreira, a importância da liberdade de mercado é a busca pelo desenvolvimento aliada ao conservadorismo. “Só progride quem conserva”, afirma.“Um casamento de dois homens duplica a chance de abuso infantil no caso desse casal adotar uma criança"
Preservação da cultura De acordo com Murilo, pensar o conservadorismo apenas pelo viés da moral é algo muito pequeno, já que essa linha de pensamento se define pela preservação da arte, literatura, filosofia e do conhecimento considerado mais elevado. “A sociedade moderna está brincado com coisas que ela não conhece direito.” [caption id="attachment_77174" align="alignright" width="300"]
Murilo Resende: “Construção com base no conhecimento para evitar a barbárie” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção[/caption]
Murilo defende que o conhecimento pressupõe uma estruturação definida, com base na motivação espiritual, desde a filosofia grega. “A preservação da religião de um povo também se faz importante”, define. Ele vê o momento que vivemos como de perda do simbolismo em todas as representações da sociedade.
“Não existe uma grande civilização sem religião”, diz o doutor em Economia. De acordo com Murilo, quando na Europa o laicismo começou a barrar a religião em qualquer forma de ensino começou o processo que coloca a humanidade “à beira de se autoaniquilar”. “A cultura para se manter forte precisa ser preservada.”
No Brasil, Murilo aponta que o primeiro erro foi a busca pela centralização do país ao transferir a capital para Brasília. “Descentralizar o poder beneficia a população. Um dos exemplos de derrocada é essa necessidade errada do Estado de tentar controlar o porte de arma na sociedade. Desarmar a população e desvalorizar a força das famílias reunidas ameaçam o desenvolvimento.”
Murilo cita o exemplo americano do livre armamento da população como uma prova da menor interferência do Estado na sociedade. “Um erro no pensamento político moderno foi acreditar que o Estado centralizador poderia garantir uma sociedade melhor”, critica. Para ele, o poder absoluto do Estado produziu líderes totalitaristas como Lenin, Stalin e Hitler.
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Jean-Marie Lambert: “Voltar ao que deu certo para sairmos do obscurantismo” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção[/caption]
Pós-doutor em Ciência da Religião, doutor em Direito Internacional e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), o belga Jean-Marie Lambert assume que, em grande parte de sua carreira acadêmica, “equivocadamente” passou uma visão de esquerda do mundo aos seus alunos. “Não se fala mais na contrapartida dos deveres, a pessoa já nasce querendo saber dos seus direitos apenas.”
O resgate defendido por Jean-Marie é do conhecimento, que foge do pensamento mágico, anterior ao pensamento científico, do qual, na visão dele, o mundo passou a caminhar novamente, a passos largos no obscurantismo. “Com toda evolução você vê uma negação de tudo, desde o conceito de família com protetora da cidadania.”
Aborto
Jean-Marie, Cláudia e Murilo condenam o aborto como um crime contra a vida. “É uma pessoa”, defendem os três. Sobre a frase “meu corpo minhas regras”, o pensamento é parecido, de que não se trata da vida das pessoas que defendem a liberdade de decisão sobre o que fazer com a própria vida, mas a existência de outra pessoa a partir da fecundação do óvulo.
“Esse feto, no direito, já tem a proteção na discussão da herança. Como ele não é vida, mas tem direitos? Se trata sim de uma pessoa”, defende Cláudia Helena. De acordo com Murilo, os seres mais frágeis devem ser protegidos. “Pela questão moral, não se deve permitir o aborto para se respeitar a valorização da vida.” Para ele, aprovar o aborto seria uma forma de colocar a sociedade em declínio.
Homossexualidade
Para Cláudia Helena, uma pessoa que segue a doutrina da igreja, de acordo com a moral judaico-cristã, ama o pecador, mas não defende o seu pecado, quando o assunto é a homossexualidade. Ela cita Jean-Jacques Rousseau para criticar a ideia de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. “Um homem que teve vários filhos com a lavadeira e botou todos no orfanato diz isso. Eu peco, eu erro, eu tenho que melhorar todo santo dia. A gente chega pecador e busca a salvação.” Ela explica que gosta da pessoa, mas não aprova o crime que ela comete.
Murilo defende que a sociedade não pode institucionalizar e igualar o casamento e adoção de crianças para casais gays pela justificativa do amor entre duas pessoas. “A família gay nunca foi adotada com algo sistemático. Será como impor algo de cima para baixo.” Ele diz que a perpetuação da espécie, com a produção de filhos, vem da formação de um casal entre homem e mulher.
Na visão de Murilo, a abertura no sistema jurídico para permitir o casamento entre dois homens, por exemplo, pode se estender um dia à aceitação da poligamia na lei. No caso da adoção, ele afirma que a maior parte dos abusos sexuais é cometida por homens e que “isso também tem um viés homossexual”. “Um casamento de dois homens duplica a chance de abuso infantil no caso desse casal adotar uma criança. Chamam isso de arranjo familiar, o próximo passo é discutir a pedofilia como algo natural.”
Retorno ao eixo
Jean-Marie avalia que o pêndulo da liberdade se tornou libertinagem. “Esse conservadorismo é a volta do bom senso. É preciso de gente que bata o pé no chão. Quem sabe com a queda do PT isso não aconteça e gente pare de ver a sociedade sair do controle.”
ARNALDO B. S. NETO Há um aspecto da autodefesa que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez recentemente que merece registro. Trata-se de uma breve consideração sobre nosso presidencialismo de coalizão, no qual um presidente se elege com 50 deputados e depois vai ter de montar a sua base de apoio no Congresso Nacional. Este é o calcanhar de Aquiles de nosso sistema político e ainda vai nos render bons dissabores. Basta ver os possíveis candidatos para 2018, como Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT). Mesmo eleitos, contarão com uma base mínima no Congresso e terão de “negociar” apoio não somente para montar a base aliada, como também a cada votação importante. Acho incrível que este processo de impeachment não tenha levado os brasileiros a nenhuma mudança significativa em nosso sistema político. Somos um povo imprevidente e insensato, mais dado a emoções do que a considerações racionais. Crises de governo como a que tivemos poderão se repetir num futuro próximo. Sem reformas estruturais, vamos patinar neste crescimento medíocre de 1% a 2% ao ano e as instabilidades decorrentes da combinação entre governo ineficaz e economia capenga vão sempre se transformar em instabilidade política. Mas não vou falar em parlamentarismo, pois até pessoas inteligentes no Brasil se comportam de maneira infantil quando escutam esta palavra. Mas alguma mudança significativa precisa ser feita para melhorar a qualidade da nossa democracia e para garantir um relacionamento melhor entre Executivo e Legislativo que não seja pela abertura de “balcões de negócios”. Arnaldo B. S. Neto é doutor em Direito Público pela Universidade Vale dos Sinos (Unisinos-RS) e professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG).
“Parece natural crer que as motivações do crime de Itumbiara foram mesmo políticas”
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Momentos antes o atentado | Foto: reprodução[/caption]
JOÃO PAULO LOPES TITO
O que seria um crime político? E qual a diferença de “crime político” para “crime comum com motivação política” (parece-me que a reportagem utilizou o termo de forma equivocada, a despeito de a fala transcrita do político estar tecnicamente correta). Porque, a não ser que se descubra que a esposa do atirador tinha um caso com o Zé Gomes, me parece natural (e quase obrigatório) crer que as motivações foram mesmo políticas. A principal linha de investigação, sem dúvidas. [“Gugu Nader diz que o assassinato de Zé Gomes foi 100% político”, Jornal Opção 2152, coluna “Bastidores”]
João Paulo Lopes Tito é assessor jurídico no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO).
“Jovens e adolescentes estão faltando com o respeito e com a dignidade”
TÂNIA SOUZA
Tem de mudar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Tem de, na verdade, separar, pois “adolescente” não é “criança”. Essa questão de dizer que quem cometeu o crime foi um menor, por exemplo: ora, o “de menor” já vota em candidato; um “de menor” já engravida uma menina, mesmo tendo todas as formas de prevenção disponíveis.
Os políticos têm de parar de dar Bolsa Família e passar a construir escolas profissionalizantes em período integral, para ocupar a mente desses “de menor”. Os pais têm de se responsabilizar, sim, pelo mal que seus filhos fazem na escola, pois a educação e o limite começam em casa. Eu sou do tempo em que pedia a bênção para os pais e que só após o pai chegar à mesa poderia se servir a refeição, já que ele era o provedor. Tinha castigo severo caso houvesse desobediência a tarefas como lavar a calçada, ler um livro, memorizar a tabuada e os países. Portanto, está faltando o respeito e a dignidade humana a esses jovens e adolescentes. [“Em Goiás, adolescentes torturam e planejam o assassinato de amiga em crime assustador”, Jornal Opção Online]
“Eleição em Goiânia mudou políticos, mas a prática continuará a mesma”
ANDERSON ALVES As eleições municipais em Goiânia revelaram uma falsa renovação. Se nomes conhecidos vão sair da Câmara, vão entrar sobrenomes não menos famosos entre os políticos. Da mesma forma, não alguns vereadores que até domingo passado eram anônimos não podem ser considerados algo novo: eles representam não uma comunidade, um bairro, uma entidade social, mas apenas um grupo religioso. Estão lá por conta da indicação "iluminada" feita por pastores de igrejas. Dessa forma, fica difícil acreditar que, mesmo com 22 pessoas diferentes, tenhamos alguma ideia nova brotando do Legislativo goianiense. Foi uma mudança apenas de políticos, mas não de prática. Essa continua a mesma de sempre e a população logo vai sentir seus piores efeitos. Anderson Alves é professor.“Resta aos impressos ancorar análises e opiniões sobre os fatos”
DONIZETE SANTOS Será que não enxergam que o problema de “O Popular” não é o moderno formato germânico, mas questão de conteúdo mesmo? Nos novos tempos, em que a informação navega na web, dá preguiça ler um “Magazine” [suplemento do diário goiano] que insiste em publicar coisas frias do que acontece no Rio e em São Paulo e quase nada daqui. Como as informações fluem em velocidade na web, resta aos impressos ancorar análises e opiniões sobre os fatos. Este é o destino dos jornais impressos, caso queiram permanecer no mercado. O Jornal Opção já optou por isso há muitos anos, e assim segue firme. [“Cúpula de O Popular discute se vale a pena retomar o formato standard e abandonar o formato germânico”, Jornal Opção 2152, coluna “Imprensa”]“‘O Popular’ acabará se tornando um semanário”
GILBERTO MARINHO A Kodak era uma das maiores empresas do mundo, até que entrou em descompasso com as novas tecnologias. Deu no que deu. Parece-me que “O Popular” também entrou em um descompasso. Essas muitas idas e vindas denotam isso; são sintomáticas. E esses sintomas, para mim, anunciam um desfecho que vou resumir assim: para sobreviver, “O Popular” acabará se tornando um semanário, como o Jornal Opção. Gilberto Marinho é jornalista.“Formato tabloide é muito melhor para ser lido”
LUIZ AUGUSTO PARANHOS SAMPAIO Sou favorável ao formato tabloide, mesmo porque é muito melhor para ser lido. No início, quando implantado, as letras eram minúsculas e ouvi várias reclamações, principalmente de pessoas idosas. Horrível essa maneira de determinar que as pessoas cruzem os braços. Não sei qual o “debiloide” que inventou essa idiotice. Agora, uma coisa boa, mas que ultimamente não tem sido feita: a publicação dos óbitos ocorridos em Goiânia. Como a cidade cresceu demais, acho eu que não custa nada ficar sabendo e publicar diariamente os nomes das pessoas que desencarnaram. Indubitavelmente, prestarão um bom serviço à população. Obrigado. Luiz Augusto Paranhos Sampaio é advogado, ex-consultor da República e ex-procurador-geral da União.“Acho interessante rever o conteúdo”
SONEA STIVAL Como leitora assinante do jornal, gostei do novo formato. A leitura e dinâmica. Acho interessante rever o conteúdo. O factual não pode mais ser destaque de impresso. As redes sociais fazem isso. De análise, repercussão e desdobramento dos fatos, sim, sinto falta. Assim como de notícias do interior do Estado com mais destaque e frequência. Muita coisa importante é interessante estar lá. Ir além dos fatos é o primeiro passo da notícia, nesse caso. Penso e espero como leitora. Sonea Stival é jornalista.
Enquanto a Rússia se impõe no Oriente Médio ao apoiar Bashar al-Assad, a apatia americana na Síria levanta questionamentos mundo afora sobre o verdadeiro comprometimento de Washington com seus aliados
O desafio de mobilizar pessoas por meio do convencimento, participar de uma eleição a vereador percorrendo um caminho bem alternativo e chegar a 1.882 votos gastando muito pouco
Como quer vencer o peemedebista, Vanderlan Cardoso precisa dialogar, de maneira enfática, com os eleitores, notadamente com a classe média, e mostrar se é um agente do presente contra um nome do passado

