As eleições municipais têm importância relativa em relação às disputas de governo estadual, mas é um dos componentes que formam a força de um grupamento

Após as eleições deste ano, outra pessoa ocupará o Palácio das Esmeraldas e não poderá ser Marconi Perillo ou Iris Rezende|Foto: Fernando Leite/Jornal Opção
Palácio das Esmeraldas: a eleição municipal tem um foco lá|Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Afonso Lopes

Partido ou grupamento que vence majoritariamente as eleições municipais torna-se imbatível na disputa pelo governo do Estado dois anos depois? Claro que não. Tampouco as eleições nas cidades são uma prévia do que vai se disputar no Estado. Trata-se, na verdade, da composição dos muitos aspectos que terminam por montar situações favoráveis ou não. É por essa razão que deputados estaduais e federais, senadores e governador fazem o possível para vencer na maioria dos municípios. É a formação da chamada base, o alicerce inicial do que se poderá construir depois.

Isso posto, o resultado das eleições deste ano animaram as forças que compõem a chamada base aliada estadual, esmagadoramente vitoriosa em número de prefeitos e vereadores. Isso abre espaço para a preparação de um cenário bem mais favorável para a disputa de 2018, que deve ser bastante intensa tanto entre os governistas como entre os opositores.

Projeto
Os prefeitos que venceram agora e que vão assumir seus cargos a partir de janeiro devem encontrar “casas”, na maioria das vezes, completamente arruinadas. Há o fator histórico que pesa contra as máquinas administrativas municipais, geralmente paquidérmicas, agravadas pela gravíssima crise econômica que secou fontes importantes de financiamento das cidades, além da estupidez que é o pacto federativo brasileiro, que termina por concentrar quase completamente o bolo tributário em Brasília. Se os Estados sofrem com receitas baixas, as cidades praticamente dependem de oxigênio financeiro externo em tempo integral.

É certo também que esses prefeitos eleitos precisaram prometer mundos e fundos para seduzir seus eleitores. Faz parte do jogo. Os candidatos derrotados também fizeram muitas promessas. A diferença entre eles é que os primeiros é que vão ser cobrados pela população.
Mas essa cobrança não será imediata. Quem chega recebe uma espécie de salvo-conduto que costuma girar entre seis meses e até um ano. Basta que se apresente como um líder realmente confiável e criativo. Mais do que isso, que use a transparência como uma boa e positiva arma para se proteger das críticas iniciais. Fora isso, é torcer para que a crise econômica comece efetivamente a ser superada já no ano que vem, como se acredita. Esse desempenho dos prefeitos é importante para a tal montagem do cenário para a disputa estadual, que no final das contas é considerado como um projeto político de governistas e de opositores.

São os prefeitos e vereadores que formam a base das candidaturas a deputado estadual e federal, fator preponderante na montagem de chapas competitivas tanto para o governo como para o Senado. É possível vencer a disputa pelo Palácio das Esmeraldas sem essa competitividade? Possível, é, como se viu em 1998 quando Marconi Perillo derrotou Iris Rezende tendo o apoio de apenas 20 e poucos prefeitos, mas é extremamente complicado. Aquela foi uma eleição completamente atípica, e que provavelmente não vai se repetir em sua atipicidade tão cedo.

Assim, e tecnicamente, pode-se afirmar que, sem nenhuma dúvida, as forças governistas venceram o primeiro round da grande batalha de 2018. Mais do que isso, mostra que esse eixo político permanece como referencial no Estado. Prova disso é que as vitórias foram colhidas em todos os quadrantes, e não em uma ou duas regiões, e em cidades de todos os portes, das menores às mais densamente povoadas.

Um velho problema dos opositores permanece aparentemente sem qualquer solução: a falta de projeto alternativo. A oposição atua em cima de situações conjunturais, e portanto possíveis de transformação, e não política e administrativamente estruturais. Faz-se oposição ao governo porque não está no governo. Não se formula a alternativa aquilo que aí está.

A oposição precisa desenvolver um projeto que vá além da mera troca de comando do Estado. E isso, obviamente, é ir muito além da fulanização da disputa. Enquanto a base aliada estadual continuar se mostrando viável e a oposição bater apenas na tecla da mudança sem apresentar o que e como mudar, haverá sempre a imensa possibilidade de as bases municipais permanecerem como um dos elementos que formam a vitória na disputa estadual. Para 2018, o jogo começou com a base aliada estadual à frente. Ainda há tempo para os opositores igualarem as possibilidades, mas sem um projeto política e administrativamente alternativo não vai dar. Mais uma vez. l