Notícias
[caption id="attachment_68796" align="alignleft" width="620"]
Foto do canteiro de obras do Nexus no dia 17 de junho | Foto: Renan Accioly[/caption]
O mercado imobiliário não comenta outra coisa: o megainvestimento Nexus, na confluência das avenidas D e 85, no Setor Marista, em Goiânia, até pode sair do papel. Mas os corretores de imóveis informam que está cada vez mais difícil vender suas unidades. Eles apontam dois problemas.
O primeiro e mais grave, na opinião deles, é a crise econômica. Não está sobrando dinheiro para investimentos extras. Quando sobra, os investidores preferem alocá-lo em empreendimentos menos caros e mais seguros.
O segundo problema é que o mercado especula se o Nexus não se tornará uma obra maldita e, como tal, poderá nem ser concluído. Pode até ser finalizado, e comercializado, mas, no momento, a expectativa não é positiva.
[caption id="attachment_82813" align="alignleft" width="620"]
Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Políticos experimentados têm dito que o prefeito de Aparecida de Goiás, Gustavo Mendanha, do PMDB, está surpreendendo pelo arrojo. É apontado como atento e aberto ao diálogo tanto com a sociedade quanto com os políticos.
Seguindo Maguito Vilela, o realista Gustavo Mendanha mantém relacionamento cordial com o governador Marconi Perillo, do PSDB. Os dois estão carne e unha, assim como Maguito e Marconi eram carne, unha e cutícula. Mendanha ainda não é carne, unha e cutícula, mas quase.
O arquiteto Orion Andrade vai assumir uma diretoria no governo de Goiás. O executivo, dos mais eficientes e articulados, integra o grupo político do ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz.
Orion Andrade, além de competente, é articulado politicamente e, como dizem, um cara do bem.
Iris Rezende e Iris Araújo não disfarçam a falta de simpatia pelo deputado federal Daniel Vilela, do PMDB. A dupla até aceita Maguito Vilela disputando o governo de Goiás — a segunda, na verdade, não tem nenhuma por nenhum dos Vilelas —, mas rejeita o jovem parlamentar.
Diplomático, Daniel Vilela está sempre defendendo Iris Rezende das críticas — 34 vereadores apontam-no como “inoperante”, ao menos nos bastidores —, mas sua tolerância não tem dado resultado. O irismo quer retirá-lo do comando do PMDB, alegando que, como candidato em 2018 — seja a governador ou a deputado federal —, não terá como se comportar como magistrado.
PEC aprovada no Senado, já de volta à Câmara dos Deputados, introduz modificações importantes na legislação, como a cláusula de barreira
Após mobilização, ministra Rosa Weber retirou de pauta o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade movida por SP
Deputados goianos avaliam que texto original da Proposta de Emenda à Constituição apresentada pela equipe de Temer está longe do ideal para ter chance de ser aprovado por 308 dos 513 parlamentares no plenário da Câmara
Capital da Fé é o primeiro de 20 municípios a receber fase oficial de debates sobre o Plano de Desenvolvimento Integrado
União entre pessoas do mesmo sexo volta à pauta do Congresso após aprovação de projeto que altera Código Civil
O CD “Rosa Blanca” contém a excelência da voz multifacetada de Fernando Perillo e a poesia sofisticada de Marcos Caiado e Nasr Chaul
Brasil tem um sistema caótico de tributos que precisa ser simplificado e a proposta apresentada pelo governo federal vai ao encontro dessa ideia, porém de maneira rasa. Falta ousadia ao projeto
Alan Rusbridger sugere que relação de jornais com Google e Facebook é um pacto com o diabo, mas inescapável. Nos EUA, os dois ficam com quase 70% dos anúncios digitais
Um dos grandes santos da Igreja Católica ganha biografia alentada no Brasil
Em “Desconstruindo Sofia”, de Solemar Oliveira, testemunhamos a obsessão de um matemático em encontrar a ex-esposa, chamada por ele de Sofia (será mesmo o nome dela?), madrugadas adentro pelas zonas de prostituição de uma cidade não nomeada
Quando criança, dado o caráter autoritário de meu pai, Raul — que queria o meu bem, mas eu não entendia —, pensei em fugir de casa algumas vezes.
Em duas oportunidades, quando circos chegaram na cidade onde nasci, Porangatu, eu me ofereci para fugir. Aos 10 anos, queria sair de casa e, ao mesmo tempo, ser artista. Era fascinado pela arte do mágico e dos trapezistas, que voavam sem asas.
Apresentei-me: “Fiquei sabendo que vocês levam meninos?” De imediato, um homem de barba escura, que parecia o dirigente de um dos circos, perguntou-me: “O quê? Quem te disse isso, menino?” Eu disse que ouvira na rua as pessoas comentando que “o povo do circo roubava crianças”. A minha explicação ingênua assustou-o. “Não roubamos meninos, não. É tudo mentira”.
Irritado, sugeri que um amigo, acho que de nome Zezinho, também se apresentasse para ser “sequestrado”. Ainda que não confortável, meu amigo se apresentou e levou uma bronca.
Mas aí fiquei mais tranquilo. Afinal, o problema não era comigo; o circo não queria levar nenhuma criança.
Mesmo descontente voltei para a arquibancada de madeira, empoeirada, e comecei a ver a luta livre (telequete), que, embora farsesca, era empolgante. Na época, eu achava que era tudo verdade mesmo, que os homens estavam se batendo com violência. Crianças acreditam na fantasia e, por isso, talvez sejam mais felizes ou ao menos mais alegres do que os adultos, que, realistas, raramente dão oportunidade à imaginação.
Como os homens dos circos não quiseram me levar, fiquei esperando o retorno dos ciganos à cidade.
Um belo dia acordei com uma algazarra na porta de nossa casa, na Praça da Matriz, no Bairro Nossa Senhora da Piedade.
Corri para ver o que estava acontecendo. Verifiquei se meu pai havia saído para o trabalho, abri a porta de madeira e saí. Eram os ciganos. Estavam montando as barracas e, alguns, já se preparavam para vender tachos de cobre na parte de “cima” de Porangatu.
Esperei que organizassem suas casas provisórias, barracas de lona, e, no dia seguinte, iniciei uma visita. Dei algumas voltas, como se estivesse a tomar coragem. Perguntaram se eu queria comer alguma coisa e, como todo menino, eu disse que sim. Comi a comida oferecida. Não era uma delícia, mas comi assim mesmo, sem esforço. Aos poucos, fui criando coragem.
Assim que os meninos ciganos saíram de perto, perguntei para uma mulher bonita, de olhos verdes e blusa e saia coloridas: “É verdade que vocês roubam crianças?” A cigana, de uma beleza cativante, olhou-me de maneira firme e, rindo, disse: “Você ficou louco? Não roubamos crianças, não”.
Insisti: “Mas, se eu quiser fugir com vocês, tudo bem?” A cigana contrapôs: “A polícia estaria no nosso pé e nós não queremos saber de polícia, não”.
Desconcertado, ainda tive coragem de dizer: “Mas eu quero fugir de casa”. A cigana replicou: “Bobagem. Fique com seus pais. Nós, os ciganos, não nos fixamos em lugares e isto seria ruim para você”.
Mesmo decepcionado, percebendo que a conversa não fluía, eu ainda disse: “Quero fugir de qualquer maneira”. Aí, nervosa, a cigana ficou séria e me pôs para fora da barraca. “Não volte mais!”
No dia seguinte, retornei. Falei com dois ciganos e eles ficaram bravíssimos. “Não roubamos nem queremos mais crianças. Nós já temos muitas crianças.” Percebi que não havia mesmo jeito, então fiquei por ali, ouvindo os ciganos conversarem e falando sobre a venda de tachos de cobre.
Moral da história: os povos dos circos e os ciganos não roubam crianças.


