A madrugada deste domingo, 24, registrou uma das mais violentas ofensivas russas desde o início da guerra na Ucrânia. A capital Kiev foi alvo de centenas de drones e dezenas de mísseis, incluindo o hipersônico Oreshnik, capaz de transportar ogivas nucleares, em uma escalada que ampliou o temor internacional de um possível uso de armamento estratégico.

Em comunicado, a Força Aérea da Ucrânia informou que cerca de 600 drones e 90 mísseis foram lançados a partir de plataformas aéreas, marítimas e terrestres. Apesar da interceptação da maioria dos artefatos, os impactos foram devastadores. Foram quatro mortos, 56 feridos e destruição em 40 pontos da cidade. Autoridades locais destacaram que a intensidade do ataque superou todas as ofensivas anteriores.

As explosões atingiram áreas residenciais, escolas e supermercados. No distrito de Shevchenko, um prédio de cinco andares foi destruído, provocando incêndio e a morte de um morador. Sobreviventes relataram momentos de pânico e perdas irreparáveis. “Nunca houve nada parecido em toda a guerra”, disse Svitlana Onofryichuk, que viu o mercado onde trabalhava há mais de duas décadas ser devastado.

A União Europeia condenou o uso do míssil Oreshnik, apontado como projetado para carregar ogivas nucleares. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, classificou os ataques como “atos de terror abomináveis”, acusando Moscou de recorrer à intimidação nuclear diante do impasse militar. Washington também se manifestou, afirmando que o ataque reforça a necessidade de ampliar o apoio militar à Ucrânia.

O Oreshnik, apresentado por Vladimir Putin como “imune a qualquer defesa antimísseis”, já havia sido utilizado em Dnipro e Lviv. Com velocidade de Mach 10, cerca de 13 mil km/h, alcance de até 5.500 km e capacidade para múltiplas ogivas, é considerado uma das armas mais letais do arsenal russo. Putin afirmou que mesmo equipado com cargas convencionais, o míssil pode causar destruição comparável a um ataque nuclear.

Em Kiev, instalações militares e industriais foram os principais alvos, mas a população civil sofreu diretamente os efeitos da ofensiva. Escolas, armazéns e residências ficaram em ruínas. Muitos moradores decidiram deixar a cidade após perderem suas casas. “Meu apartamento foi destruído. Não há mais possibilidade de ficar”, lamentou Yevhen Zosin.

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