Em processo de requalificação do Parque Lago das Rosas, a Agência Municipal do Meio Ambiente de Goiânia (Amma) identificou 48 árvores em condições críticas, com risco iminente de queda. A presidente da Amma, Zilma Percussor Campos Peixoto, afirmou que os laudos técnicos detalham individualmente a situação de cada exemplar.

“No Lago das Rosas, foram identificados 48 exemplares em condições ruins, com risco de queda. Eu mandei esse laudo, são 51 laudas. Todos os 48 exemplares estão fotografados, detalhados, qual é o problema de cada um, inclusive marcados no exemplar que será extirpado”, afirmou.

Um dos casos que mais têm chamado atenção é o de uma barriguda, também conhecida como paineira. Segundo Zilma, apesar da floração, a árvore apresenta graves problemas estruturais e fitossanitários. “Ela tem uma broca gigante, ela tem problema de cupim, e as pessoas inclusive estão dizendo: ‘como é que vocês vão tirar uma árvore dessa se ela está dando flor?’ A árvore, quando ela está em processo de fim de ciclo de vida, a natureza é tão sábia que, ao invés dela florar uma vez, ela passa a florar mais de uma vez. É uma forma dela dizer que quer perpetuar a espécie”, explicou.

A presidente detalhou o chamado “efeito canudo”, que permite que a árvore continue florindo mesmo já debilitada internamente. “Esse efeito canudo ainda vai levando nutrientes enquanto ela der conta para ela florir. Então, se você for lá hoje ver essa barriguda, essa paineira que eu acho que está causando mais chateação das pessoas, você vai ver que ela está florindo”, disse.

Zilma também rebateu informações de que a árvore seria centenária. Segundo ela, o exemplar foi plantado em 2011. “Inclusive ela não é uma árvore centenária. Ela foi plantada em 2011. E ela realmente leva 10, 12 anos para chegar em um porte maior, desde que seja plantada em semente”, afirmou.

Segundo a presidente da Amma, o sistema radicular da árvore já não possui sustentação suficiente, o que aumenta o risco de queda. “Quando ela tiver soltado todas as sementes dela, ela vai florar novamente, até o dia em que realmente não tiver mais vida porque caiu. E por que ela vai cair? Porque o sistema radicular dela não tem mais sustentação”, afirmou.

Ela explicou ainda que exames feitos pela equipe técnica apontaram uma grande deterioração interna no tronco. “Se nós dois formos lá amanhã e pegarmos um equipamento para aprofundar dentro da árvore, você vai ver a dimensão da perfuração. Então é uma árvore que está lá suspensa. Literalmente suspensa”, declarou.

Além da barriguda, outros exemplares também foram condenados pelos técnicos da Amma, entre eles árvores da espécie picos, que apresentam necrose estrutural. “Eles estavam todos já com necrose, prontos para cair. Esse caso é diferente da barriguda. O problema está no meio da árvore, ela vai quebrar do meio para cima. A outra vai cair inteira. Cada situação, cada árvore tem uma situação”, explicou.

Zilma afirmou que o parecer técnico prevê não apenas a retirada das árvores comprometidas, mas também o replantio no mesmo local e a ampliação da arborização em áreas vazias do parque. “O que está no laudo é: vai tirar essa árvore de lá por conta disso e vai plantar no mesmo lugar uma da mesma espécie e mais uma na proximidade dela porque tem lugar vago lá para plantar. E essa árvore será de 3 metros de altura já”, concluiu.

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