Imprensa
Relação de Dylan Klebold e Eric Harris, os adolescentes que mataram alunos de uma escola nos Estados Unidos, pode ser definida como uma “loucura a dois”, como sugeriu Jacques Lacan para o caso das irmãs Papin
“Entre a Lagoa e o Mar” relata o rompimento com o Partido Comunista, o trabalho do profissional na redação do Estado e a fúria de um Mesquita contra a ditadura
Racismo do editor do blog Conversa Afiada “esconde” o fato de que se tornou companheiro de jornada do PT contra o PSDB
O jornalista, que não renovou contrato com o canal esportivo, tem outros projetos profissionais na Espanha
“Num universo de 125 cargos relevantes” da equipe do ex-presidente José Sarney, “a taxa de sobrevivência dos quadros do governo de Figueiredo fora de 60%, a maior já registrada”
Pelo menos 30% dos pacientes não buscam os medicamentos que a Justiça obriga o Estado a comprar
Iúri Rincon Godinho
Especial para o Jornal Opção
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Ademar Ferrugem[/caption]
Dezembro de 1944 já ia pela metade quando bateram na porta da casa número 753, da Avenida Paraná, em Campinas, Goiânia, onde morava o casal Teodoro Ferrugem e Nicolina Honório Borges. Uma carta assinada pelo general Canrobert Pereira da Costa, secretário-geral do Ministério da Guerra, seria o assunto de todas as rodas da cidade a partir dali: “Lamento sinceramente ter de vos transmitir essa infausta notícia, mas é oportuno e confortador, principalmente para os parentes mais próximos, saber que o soldado Aldemar Fernandes Ferrugem em terra estrangeira soube honrar as tradições do soldado brasileiro, demonstrando no campo de batalha nobres virtudes morais. Entregue inteiramente ao serviço da pátria, cuja honra defendeu com a própria vida, deu assim um sublime exemplo de amor ao Brasil”.
Era isso. Depois de cinco anos do início da Segunda Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945, um goiano havia morrido no campo de batalha italiano. A carta do general — um texto padrão enviado a todos que pereceram na luta — dava tons mais heroicos do que o que realmente aconteceu. Aldemar morreu de maneira mais prosaica. Ele estava na batalha que ficou conhecida como Monte Cassino, na verdade uma série de fortificações alemãs no norte da Itália. Defendia a Torre di Nerone, também guardada pelos alemães. A torre na realidade era uma montanha e o inimigo ficava a apenas 50 metros dos brasileiros. Da posição alemã saíam até 98 tiros de artilharia a cada 15 minutos. Os soldados ficavam aos pares nas trincheiras e há casos de combatentes que permaneciam até 90 dias sem tomar banho, sem trocar de roupa e sem cortar a barba. De manhã saíam correndo no morro para tomar café e na hora que retornavam os alemães os bombardeavam.
Ferrugem enfrentou, encolhido na trincheira, um frio que chegava a 18 graus negativos, sem contar o vento gelado do inverno europeu. Ele e todos sabiam que ali o menor descuido seria fatal, pois o local estava cheio de franco-atiradores alemães. No dia 12 de dezembro, o militar dividia o frio da trincheira com Jair Dias Ferreira, de Mogi das Cruzes (SP). O que mais faziam era esperar. E temer. Tomavam cuidado para se mover e mal colocavam a cabeça para fora do buraco. Eram 18h30 da tarde. Estava escuro há pelo menos duas horas. Jair perguntou as horas. No movimento para olhar o relógio, Ferrugem foi visto pelo alemão — um franco-atirador, possivelmente — mesmo naquele negror. O tiro foi certeiro. E atingiu também Goiânia. Em 2016 a rua paralela onde morou o expedicionário se chama “Ademar” Ferrugem, sem o “l”, embora o portal da Força Expedicionária Brasileira na internet e os jornais da época grafem seu nome como Aldemar.
A origem humilde de Aldemar em Catalão e a história de luta da família aumentaram o sofrimento na capital. Ele tinha oito irmãos (cinco homens e três mulheres) e ajudava o pai, que era pedreiro. Deixou uma noiva, que trabalhava ali perto, na Avenida Rio Grande do Sul, 509, em uma pequena loja que tingia roupas usadas. Nas cartas, o combatente só falava na saudade de Goiás e na vontade de voltar logo da guerra. Nem a iminência das férias e do reveillon impediu que autoridades, familiares e populares lotassem o “santuário” do Ateneu Dom Bosco em uma sexta-feira, 8 horas da manhã, do dia 29 de dezembro. Os jornais falavam que Ferrugem dera a sua vida “em holocausto pela pátria”. (Texto do livro “Anos 40: Goiânia em Guerra”, com lançamento previsto para outubro.)
Iúri Rincón Godinho é publisher da Contato Comunicação.
O notável historiador, ao se encontrar com jovens integrantes da TFP, perguntou se tinham tradição e patrimônio. Não tinham. O pesquisador contou a história a Florestan Fernandes... rindo muito
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Livro resgata a história de Nem, o traficante barra-pesada da Rocinha[/caption]
O jornalista e historiador Misha Glenny é autor de um livro muito bom, “McMáfia — Crime Sem Fronteiras” (Companhia das Letras, 464 páginas, tradução Lucia Boldrini). Uma das histórias mais espetaculares diz respeito a um golpe aplicado por nigerianos contra o Banco Noroeste, das famílias Simonsen e Cochrane, entre 1995 e 1997. Os africanos lesaram o banco em 242 milhões de dólares. Os banqueiros patropis, torrando uma fortuna com advogados, conseguiram bloquear parte mas não todo o dinheiro.
Misha Glenny volta às livrarias brasileiras com o livro “O Dono do Morro — Um Homem e a Batalha Pelo Rio” (Companhia das Letras, 360 páginas, tradução de Denise Bottmann), sobre o traficante de cocaína Nem da Rocinha, preso pela polícia em 2011.
Num texto publicado no site da Companhia das Letras (ainda não tive acesso ao livro), o jornalista João Moreira Salles assinala que Misha Glenny veio ao Brasil, conversou longamente com Nem e pesquisou sua história e a vida no morro. Nem, quando preso, era o mal encarnado, o homem mais procurado do Rio de Janeiro.
Na versão de Misha Glenny, um homem “subiu o morro como” Antônio Francisco Bonfim Lopes, então uma pessoa de bem, “e desceu como Nem”, o traficante violento e eficiente. As histórias dos traficantes dos morros cariocas são todas parecidas, mas o que o jornalista fixa é a especificidade da história de Nem — o momento de sua conversão à bandidagem.
Darcy Ribeiro, mencionado por João Moreira Sales, disse que o Brasil é uma máquina de moer gente.
Em 1999, numa escola de Columbine, nos Estados Unidos, dois jovens, Eric Harris e Dylan Klebold, mataram várias pessoas e, em seguida, suicidaram. A tragédia, que resultou em filme e documentário de sucesso, provocou comoção no país. Sai agora no Brasil o livro da mãe de Dylan, Sue Klebold, “O Acerto de Conta de uma Mãe — A Vida Após a Tragédia de Columbine” (Verus Editora, 304 páginas, tradução de Ana Paula Doherty).
Não se trata de um livro-lamento, de uma mãe que busca perdão para si, e sim de uma procura dos possíveis motivos que levaram Dylan a se tornar um assassino. O livro é recomendado pela psicanalista Candice Marques de Lima e pelo jornalista Iuri Rincón Godinho.
O pensamento genuíno não admite atalhos. A educação pública requer a coragem de não repetir e a paciência de não encurtar o trabalho do pensamento
Desconfigurar a identidade da criança com uma teoria de gênero que não tem respaldo científico é atentar contra a Humanidade. É por em risco a saúde mental das pessoas. Defende-se até a pedofilia
Jornalista experimentado, narrou jogos de três copas do mundo de futebol e participou da cobertura de olimpíadas
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