“A grande maioria dos casos está ligada à imprudência”, diz médico após alta de vítimas no Hugol; Goiás já soma mais de 42 mil feridos em acidentes
28 maio 2026 às 15h18

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O Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, alerta, nesta quinta-feira, 28, para o crescimento de 17% nos atendimentos de vítimas de acidentes de trânsito no primeiro quadrimestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior, na unidade.
Segundo dados do Ministério dos Transportes, o Brasil registrou em 2025 mais de 1,1 milhão de acidentes, com 1,6 milhão de pessoas feridas e 21 mil óbitos. Em Goiás, foram contabilizados 109.776 acidentes, vitimando 112.416 pessoas e resultando em 972 mortes.
Já em 2026, até a primeira quinzena de maio, o estado soma 40.974 acidentes, 42.075 vítimas e 334 óbitos. Em Goiânia, os números em 2025 foram de 39.672 acidentes, com 41.403 vítimas e 155 mortes. Neste ano, já são 15.156 acidentes, 15.815 vítimas e 49 óbitos.
Ao Jornal Opção, o cirurgião geral e gerente médico de urgência e emergência do Hugol, Dinoel Cavalcante Guimarães Filho, afirma que a imprudência continua sendo o maior fator de risco.
“A grande maioria desses acidentes são principalmente motociclistas e automobilísticos e, infelizmente, a grande maioria dos casos ainda está relacionada à imprudência, ao não seguimento das leis de trânsito, como a falta do uso de cinto de segurança, capacete e roupas fechadas”, alerta.
Ele acrescenta que há outras combinações perigosas. “Ainda percebemos relatos de uso de álcool na direção. A combinação de álcool e direção continua sendo um fator importante nos acidentes”, diz.
Apesar do aumento, Dinoel lembra que o Hugol já possui estrutura preparada para receber vítimas de politrauma. “O Hugol é referência em pacientes politraumas e acidentes graves”, aponta.
“Um hospital de grande porte. Então, a equipe é preparada. Houve aumento, mas não houve mudança em relação ao hospital, visto que já é preparado para receber essas vítimas. O atendimento segue normal e é feito o segmento terapêutico necessário para cada situação”, completa.
Sobre os motociclistas, o médico reforça que ainda representam a maior quantidade dos acidentes. “O acidente motociclístico sempre aumenta. Ele é um número bem maior do que o automobilístico. É visível. Infelizmente, é muita imprudência relacionada aos motociclistas que, em grande maioria, não respeitam as leis de trânsito e se acidentam mais”, explica.
“Os acidentes tendem a ser mais graves, visto que o impacto é maior. A moto não tem a proteção que o carro traz, a própria estrutura veicular. Basicamente, quando você colide de moto, é você que vai. Ou a própria vítima colide contra o objeto ou o carro”, lembra.
Conscientização
O médico ressalta ainda a importância da prevenção. “A gente trabalha com conscientização, não só o hospital, mas também a população em relação aos cuidados no trânsito, tanto como pedestre ou como condutor de moto ou motorista”, afirma.
“O Hugol faz campanhas relacionadas à conscientização no trânsito e à segurança. É fundamental que cada cidadão adote uma condução segura, pensando não apenas em si, mas em toda a população”, completa.
Ele conclui reforçando os riscos. “São acidentes leves a gravíssimos, inclusive com uma certa porcentagem de óbitos devido ao trauma. Fora que esse tipo de acidente também ocorre todo tipo de mutilação. A conscientização da população em relação a uma condução segura é essencial, tanto para si próprio como para a coletividade”, finaliza.
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