O pagamento do chamado “cashback” do Imposto de Renda (IR) está próximo e deve contemplar cerca de 120 mil contribuintes em Goiás. A Receita Federal abrirá a consulta nesta quinta-feira, 8, às 9h, e o crédito será depositado automaticamente no dia 15 deste mês, exclusivamente em conta vinculada à chave Pix do tipo CPF.

A iniciativa é voltada para brasileiros que tiveram Imposto de Renda retido na fonte em 2024, mas não estavam obrigados a entregar a declaração em 2025 e também não realizaram o envio voluntário. O projeto piloto da Receita Federal prevê beneficiar aproximadamente 4 milhões de pessoas em todo o país, com devolução estimada em R$ 500 milhões.

Ao Jornal Opção, o presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRC-GO), Marcelo Cordeiro, explicou os critérios para ter direito ao recebimento. “Basicamente, ele precisa estar com o CPF regular e também ter um Pix vinculado ao CPF dele”, afirmou.

Presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRC-GO), Marcelo Cordeiro | Foto: Acervo Pessoal

Marcelo detalhou como será feita a consulta. “Tem um aplicativo que chama Receita Federal. Nesse aplicativo, o contribuinte, com a conta Gov dele, consegue saber se está nesse lote que vai receber o ‘cashback’. A outra forma de consulta é também pelo e-CAC, com os dados do acesso Gov. Pelo e-CAC é um caminho mais trabalhoso. Nesse caso, se o contribuinte quiser consultar, é bom ele trocar uma ideia com seu contador de confiança”, disse.

O presidente alertou para os cuidados com golpes. “Como a gente está falando que é uma modalidade nova, esse que eles estão chamando de ‘cashback’, então as pessoas devem tomar cuidado com relação a golpes. Sempre que falar em nome da Receita Federal, receber uma mensagem de WhatsApp, uma ligação, alguém pedir algum pagamento ou falar que vai estar liberado o dinheiro do Imposto de Renda, o contribuinte deve desconfiar. Confie nos canais da Receita Federal. O contribuinte não tem nenhum custo, ele não precisa pagar para ter essa informação”, destacou.

Sobre o pagamento exclusivo por chave Pix do tipo CPF, Cordeiro explicou. “É porque tudo o que a Receita faz, ela faz vinculado ao CPF. Então, logicamente, quando se tem um Pix já com o CPF, quer dizer que é daquela própria pessoa, do próprio contribuinte. Isso é uma vantagem e a Receita Federal centraliza nesse canal”, disse.

“Quem tem Pix vinculado ao CPF tem prioridade para receber as restituições. Imagine, esse grupo de pessoas não era obrigado a fazer Imposto de Renda e teve imposto retido em 2024. Agora vai poder pegar esse recurso. Nos outros anos não existia essa possibilidade e esse dinheiro ficava perdido. Boa iniciativa da Receita fazer essa devolução”, avaliou.

Ele reforçou a necessidade de regularizar a situação cadastral. “É fazer a chave Pix CPF e também ter o CPF regular, porque se não tiver o CPF regular também não vai conseguir receber. Caso tenha algum problema relacionado ao CPF, um contador é a pessoa de confiança que vai poder organizar e deixar esse CPF em dia para poder receber o ‘cashback’”, disse.

Cordeiro também comentou sobre situações em que pode ser mais vantajoso entregar a declaração tradicional. “Nesse ano de 2026, vamos supor que uma pessoa teve imposto retido em 2025, reteve R$ 800. Mesmo não estando na condição de obrigado a fazer o Imposto de Renda, se ele fez a declaração, recebe mais rápido. Senão, vai ter que esperar um ano para receber o ‘cashback’”, explicou.

“No momento da declaração, o contribuinte pode ver se é mais vantajoso utilizar o modelo simplificado ou o completo, onde apresenta despesas com educação e saúde. Nesse caso, o grupo que está recebendo o ‘cashback’ teve que esperar dois anos para receber o valor do imposto retido. Quem fez a declaração mesmo não sendo obrigado recebe mais rápido”, acrecentou.

O presidente reforçou os sinais de alerta contra fraude. “A Receita Federal nunca manda e-mails, nunca manda WhatsApp, nunca manda mensagem SMS. O contribuinte pode consultar pelo aplicativo Receita Federal usando a conta Gov. Se alguém entrar em contato pedindo a conta Gov, não passe. Acesse os canais de comunicação da própria Receita Federal”, alertou.

“Não confie em informações que solicitem dados, CPF ou conta Gov se passando pela Receita. Isso minimiza muito os golpes. O contribuinte pode consultar por esses canais ou pedir ajuda de um contador, mas nunca confie em mensagens de desconhecidos”, completou.

Questionado sobre o impacto esperado para os 120 mil contribuintes de Goiás, Cordeiro avaliou. “Estamos falando de um grupo que vai receber de R$ 125 até R$ 1.000, que é o valor máximo desse ‘cashback’. Isso vai para a economia e também vai ajudar pessoas que estão com dívidas. Receber um dinheiro inesperado pode permitir o pagamento de dívidas e diminuir juros. É uma forma positiva da Receita devolver aquilo que foi retido em situações em que o contribuinte não era obrigado a fazer Imposto de Renda”, disse.

Ele lembrou que boa parte do endividamento da população não se trata de dívidas muito altas. “Orientamos que o contribuinte que recebeu, se tem alguma dívida, faça o pagamento e não prolongue. Algumas dívidas estão com juros de 10% a 12% por mês e comprometem a renda. Qualquer valor que receba a mais e puder quitar a dívida vai melhorar futuramente no salário dele”, concluiu.

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