Imprensa
O “Pop” publicou que Lucas Calil “é” o deputado mais jovem da Assembleia Legislativa. Errou. O mais novo é Diego Sorgatto. Depois, ao se referir a Diego, escreveu “Sargatto”. O Laboratório Biocrima é, segundo o “Pop”, “Biocroma”.
Os jornais de Goiás continuam publicando reportagens nas quais não aparecem os nomes de empresas e indivíduos envolvidos em atividade ilegais. Não se sabe se as empresas de comunicação estão protegendo possíveis aliados financeiros ou se os repórteres estão com preguiça de fazer checagens.
O jornalista e sociólogo Renato Dias lança, em março, o livro “Pequenas Histórias – Cuba, Hoje — Uma Revolução Envelhecida ou a Reinvenção do Socialismo?” [2015]. A obra traz entrevistas exclusivas com o escritor cubano Leonardo Padura, autor de “O Homem que Amava os Cachorros”, e com a blogueira dissidente Yoani Sánchez. Em edição de luxo, o repórter apresenta reportagens exclusivas sobre o País. Mais: avalia o impacto das reformas econômicas executadas pelo primeiro-irmão Raúl Castro, o surto de empreendedorismo em andamento, além de produzir análises sobre o reatamento das relações com os EUA. Plural, mas com um viés de esquerda, a obra, de 2015, inclui ainda entrevistas especiais com personalidades e intelectuais.
“Ano Zero — Uma História de 1945” (472 páginas, tradução de Paulo Geiger), de Ian Buruma, é uma das apostas da Companhia das Letras para o ano em que se comemoram os 70 anos do fim do conflito. Confira um sinopse da editora: “Por toda a Ásia e Europa Continental, governos caíram e novos regimes tomaram o poder. A escala da transformação é difícil de conceber. Ao mesmo tempo, na esteira de perdas irreparáveis, a euforia liberada foi indescritível, os festejos sem precedentes. Os anos de pós-guerra deram origem ao Estado do Bem-Estar na Europa, à ONU, à descolonização, à União Europeia. ‘Ano Zero’ é um trabalho centrado em um drama humano de proporções épicas, capaz de abranger os dilemas da Ásia e da Europa com igual erudição”.
A lista contém obras literárias de qualidade. Mas esquece "Um Defeito de Cor", talvez o romance brasileiro mais importante publicado no século 21
Memórias do neurologista, um dos mais importantes divulgadores da ciência, com sua prosa de escritor consumado, saem em abril
O militar dos Estados Unidos era leitor de Noam Chomsky e Ralph Waldo Emerson e não apreciava a retórica dos políticos
O jornalista Wandell Seixas, uma pessoa pacífica e um profissional sério e competente, foi agredido fisicamente por um homem de prenome Coriolano
Jorge Roberto Tarquini garante que é autor do livro “O Doce Veneno do Escorpião”, mas STJ avalia que a autora é Raquel “Bruna Surfistinha” Pacheco, ex-garota de programa
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Presidente Dilma Rousseff e Lula: governos do PT pagaram mais de 350 mil reais a jornais inexistentes[/caption]
Na edição desta segunda-feira (12/2), o jornal Folha de S. Paulo confirma denúncias publicadas pelo próprio diário em 2012. Um relatório feito pela Presidência em 2013 confirmou os indícios de que o governo federal pagou anúncios a jornais que não existem no ABC paulista.
De acordo com o relatório de auditoria da Secretaria de Controle Interno da Presidência apresentado à Folha, entre 2008 e 2012 (durante os governos do ex-presidente Lula e da atual mandatária petista, Dilma Rousseff), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência pagou R$ 364,6 mil a cinco jornais do Grupo Laujar de Comunicação S/A, de São Bernardo do Campo.
Os auditores concluíram que os jornais "resumemse a quatro páginas cada um", com notícias repetidas, cujas "informações e imagens" são "cópias de reportagens de sites de notícias sem atribuição [de] créditos", aspectos que seriam "indícios de fraude".
Segundo a Folha, no endereço da sede do grupo, os fiscais encontraram um "sobrado residencial". Os vizinhos do suposto parque gráfico desconheciam a existência de atividades no local, afirma o texto.
"Os auditores também visitaram 35 bancas de jornal e contataram outras 21. A única que conhecia um dos títulos investigados, o "Jornal do ABC Paulista", do qual havia recebido dois exemplares para venda naquele dia, fora indicada pelo dono da Laujar", expõe o jornal.
O relatório conclui que "os periódicos entregues como prova à Secom foram forjados". A declaração em cartório sobre a tiragem dos jornais, diz o texto, "é falsa".
Em 2012, a Folha teria divulgado que a Secom gastara, desde 2011, R$ 135,6 mil para anunciar nesses jornais. Em 2014, revelou que, entre 2004 e 2012, estatais federais pagaram R$ 1,3 milhão à empresa. A reportagem, que descrevia os jornais com as mesmas características apontadas no relatório, mostrava que eles não eram vendidos nem tinham registros conhecidos.
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Eneida, na tradução de Carlos Alberto Nunes e na edição caprichada da Editora 34: revalorização da qualidade[/caption]
O poeta, tradutor e crítico Alexei Bueno era um dos poucos a defender a qualidade das traduções de Carlos Alberto Nunes (1897-1990). O médico maranhense, tio do filósofo e crítico literário Benedito Nunes, traduziu Homero (“Ilíada” e “Odisseia”), Platão, Virgílio, Shakespeare (o teatro completo) e Goethe (“Clavigo” e “Ifigênia em Táuride”. No domingo, 8, no suplemento “Ilustríssima”, da “Folha de S. Paulo”, o jornalista, poeta, tradutor e editor Jorge Henrique Bastos publicou um excelente ensaio, “Um tradutor para Eneias”, que finalmente valoriza, sem provincianismo, o significativo trabalho de Carlos Alberto Nunes. O “pretexto” para o artigo é a republicação de “Eneida”, de Virgílio.
O poema “Eneida” narra “o mito fundador do império milenar romano”. O ensaísta alemão Ernst Robert Curtius, citado por Bastos, escreveu que Agostinho (sim, o santo) era fascinado pelo texto de Virgílio. Chorou “ao ler o relato que Eneias faz a Dido de suas aventuras”. Dante preferiu Virgílio a Homero como guia na sua “Divina Comédia”. O escritor austríaco Hermann Broch escreveu o romance “A Morte de Virgílio”, no qual “ficcionou as 18 derradeiras horas do poeta que, imerso em dúvida, queria destruir a ‘Eneida’”.
Depois da breve exposição sobre a tradição derivada de Virgílio, Bastos comenta as primeiras traduções de “Eneida” para o português. A versão do maranhense Odorico Mendes, em decassílabo heroico, é de 1854. Sua tradução saiu pelas editoras Unicamp e Ateliê. A tradução dos portugueses José Victorino Barreto Feio e José Maria da Costa e Silva é de 1845. Tassilo Orpheu Spalding (Cultrix), no Brasil, e Agostinho da Silva (Temas e Debates), em Portugal, também traduziram a obra-prima.
A tradução de Carlos Alberto Nunes foi publicada, em 1981, pela editora A Montanha. “A circulação restrita” impediu a vulgarização de um trabalho de qualidade. Uma edição mais bem cuidada de “Eneida” saiu, no ano passado, pela Editora 34, com a mesma tradução, e organizada por João Ângelo Oliva Neto.
Bastos nota que “dois dos nossos maiores tradutores nasceram no Maranhão, e ambos legaram um rol de traduções cuja relevância aumenta com o passar dos anos”.
Sobre as traduções, Bastos comenta: “A versão de Odorico Mendes, como era típico de seu estilo, utiliza um léxico rebuscado, a sintaxe peculiar e a profusão de neologismos que interrompe a compreensão do leitor a todo instante. (...) Carlos Alberto Nunes explorou o verso de 16 sílabas poéticas, aproximando-se da tendência narrativa dos hexâmetros do original. Essa maneira de traduzir, que os mais precipitados tachariam de conservadora e excessivamente prosaica, investia-se de um aspecto narrativo cujo fim era exprimir com absoluta objetividade o sentido do poema, sem se socorrer de malabarismos vocabulares ou fogos de artifícios estilísticos que vedam, na maior parte das vezes, a expressividade genuína. Desde que suas traduções apareceram, revelaram essa convergência, procurando aproximar-se do original”.
De fato, as traduções de Carlos Alberto Nunes são menos, por assim dizer, “inventivas” ou, como está na moda dizer, “transcriativas”. Porém, ganham em clareza, objetividade e expressividade. Há certa luminosidade clássica nas suas versões. Foram feitas para os leitores, não para o debate acadêmico, sempre dado a filigranas e questiúnculas. Homero e Shakespeare ficam mais precisos e, digamos, límpidos. O que não quer dizer que as versões são mais “pedestres” do que as demais. As traduções de Odorico Mendes têm mesmo certos malabarismos, uma recriação estilizada em Língua Portuguesa — como se estivesse não apenas traduzindo para a Língua Portuguesa, e sim inventando uma nova língua, a partir daquilo que leu em grego ou latim —, que tanto agradaram os concretistas e agradam seus epígonos. Porém, para elevar o ótimo Carlos Alberto Nunes, não é preciso pôr defeitos nos esforços linguísticos de Odorico Mendes. Suas traduções são diferentes, é certo. O mais importante é que são de alta qualidade e inspiradoras para novos tradutores. Odorico Mendes inspirou, por certo, Haroldo de Campos, mais, e Trajano Vieira, menos, nas traduções de Homero. Tenho apreço especial pela arte de “espichar” a Língua Portuguesa, transformando-a numa língua paralela para traduzir o grego Homero e o latino Virgílio — que parece ser a missão a que se impôs Odorico Mendes.
Goiano organizou tradução de Platão
Depois de pôr Homero na Língua Portuguesa dos falantes brasileiros — mas sem coloquialismos forçados, com caipirices brejeiras ou ditas cultas —, Carlos Alberto Nunes decidiu traduzir o filósofo Platão. “Durante uma década”, registra Bastos, cuidou exclusivamente da obra do discípulo de Sócrates.
Como uma editora não quis publicar as traduções, Carlos Alberto Nunes doou 14 volumes para a Universidade Federal do Pará, que decidiu publicá-los numa edição bilíngue. O material foi editado por Plínio Martins Filho — o goiano que dirige a Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) e é proprietário da Ateliê Editorial. Trata-se, seguramente, de um dos mais importantes editores do país. Ousou editar “Finnegans Wake”, de James Joyce.
A hora e a vez do poeta Virgílio
Com Homero e Platão “falando” português, Carlos Alberto Nunes, com o apoio de sua mulher, a latinista Filomena Turelli, decidiu traduzir o poema de Virgílio. “Os hexâmetros que cunhou para reproduzir os dramas, aventuras e errância de Eneias expõem o estilo característico de Carlos Alberto Nunes”, sublinha Bastos. Ao terminar a tradução, em 1981, contava 86 anos.
Embora seja um tradutor do primeiro time, “sobre Carlos Alberto Nunes paira o desconhecimento ou a omissão tácita que só esta recente edição pode alterar”, afirma Bastos.
“Torna-se imperativo reavaliar o seu projeto tradutório, submetê-lo a uma análise lúcida e descomprometida, a fim de acolher a sua elegância expressiva, a narratividade equilibrada e objetiva, o apuro formal do verso que forjou, para receber, sem condicionamentos extemporâneos, o impacto das traduções deste senhor franzino, de olhar vivaz, que nos deixou uma das maiores heranças literárias que se pode cobiçar”, afirma Bastos.
Para além do cânone concretista
Possivelmente para não estabelecer polêmicas, sobretudo com os setores universitários — cada vez mais dominantes no debate tradutório —, embora deixe implícita certas divergências, Bastos não explica os motivos de Carlos Alberto Nunes ter sido colocado em segundo plano, quase folclorizado. Alguns tradutores, que reinventam mestres do passado, como Odorico Mendes, Sousândrade e Pedro Kilkerry, para se criar uma tradição local — por exemplo, para o concretismo de Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Augusto de Campos —, no lugar de admitir diferenças e sugerir confluências, trabalham para “liquidar”, com suas críticas excludentes e contundentes, aquilo que não se encaixa na “tradição recém-criada”. Há, tanto no campo literário quanto no político, uma disputa pela hegemonia. Aquilo que não se encaixa no cânone concretista — o ótimo tradutor Trajano Vieira, em termos de tradição helênica, parece ser o novo guardião do haroldo-campismo — deve ser ignorado e enviado para o limbo.
O fato é que as traduções de Odorico Mendes e de Carlos Alberto Nunes, embora muito diferentes, não são excludentes. Talvez sejam complementares. Os leitores, aqueles que não perdem tempo com disputas paroquiais — embora apresentadas como cosmopolitas —, ganham tanto com a leitura das versões de um quanto de outro. Aquele que busca mais inventividade, a língua como certo ludismo ou jogo, vai sorrir para o texto posto em português por Odorico Mendes. Aquele que busca mais objetividade e luminosidade — um texto mais límpido, mas não pedestre — tende a sorrir para o trabalho de Carlos Alberto Nunes. Uma coisa é certa: nenhum leitor vai chorar ou lamentar se ler as duas traduções. Certamente vai se sentir afortunado de poder ler em português a obra-prima do gênio mantuano.
Jornalista José Augusto Ribeiro pesquisou durante anos para resgatar a história do político mineiro


