Euler de França Belém
Euler de França Belém

A jornalista americana Claudia Pierpont publicou um vade mecum sobre Philip Roth

Foto: Steve Pyke/ContourPhotos/Getty Images)

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Tudo aquilo que você quer saber sobre o escritor norte-americano Philip Roth e, sobretudo, sua obra, mas não tem tempo de consultar vários livros, inclusive os dele, pode ser pesquisado agora em único livro: “Roth Libertado — O Escritor e Seus Livros” (Companhia das Letras, 479 páginas, tradução de Carlos Afonso Malferrari), de Claudia Roth Pierpont, jornalista da revista “New Yorker”.

Claudia Pierpont escreveu um livro notável. Suas críticas aos principais romances de Philip Roth — “O Complexo de Portnoy” e “O Teatro de Sabbath” — são de primeira linha. Além de apresentar o que outros críticos disseram sobre os livros do escritor, a jornalista apresenta suas próprias críticas, numa leitura direta extraordinária. Trata-se de um livro brilhantíssimo.

Porém, se o leitor acredita que é um livro meio hagiográfico, porque é a favor — a autora não esconde os laços de amizade com o escritor —, está redondamente enganado. Claudia Pierpont aponta a fragilidade literária, a falta de aprofundamento dos temas e a linguagem que não consegue expô-los com brilho, em alguns livros de Philip Roth.

Não deixa de ser curiosa a tese de que Philip Roth cresce, como escritor, quando encontra oposição forte pela frente. As críticas e, até, ataques são transformados em literatura. Uma das principais críticas literárias do “New York Times”, Michiko Kakutani, é transformada em personagem de um seus livros. Uma de suas ex-mulheres, Claire Bloom, que o criticou duramente em suas memórias, também se torna personagem — com nome modificado, é certo — de um de seus romances.

Para Philip Roth, tudo pode ser transformado em literatura e é isto que faz em seus livros. Sua história e a história de parentes e amigos apareceram em seus livros, com nomes modificados, às vezes parecidos. O autor estaria fazendo história? Nada disso.

A imaginação poderosa de Philip Roth colhe histórias reais e as transforma em ficção. Ficcionadas, por assim dizer, as histórias se tornaram patrimônio coletivo da humanidade — uma espécie de história de todos nós —, mas sem perder conexão com as histórias primevas (das quais poucos sabem). As histórias, as reais e as imaginadas, são parecidas, mas não são iguais. Philip Roth não faz biografia, e sim literatura.

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