Imprensa
Laís estava terminando sua tese de mestrado em Processos Sustentáveis
A Laís agora é luz
Nilson Gomes 1 Laís Fernanda Araújo Era brilhante advogada Em breve realizaria O sonho de ser magistrada Mas na linda biografia Encerrou-se a alegria: Laís foi assassinada 2 Ninguém queria crer naquilo: “Ah, está mentindo quem diz” Pois Laís significava Só coisa boa e feliz Não, não podia ser verdade Se há limite na maldade Ela não chega à Laís 3 Laís conquistava a todos E tudo com seu talento Inteligência, persistência Esforço, discernimento Tanta virtude reunida Tanta beleza, tanta vida Não findariam num momento
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Laís estava terminando
Sua tese de mestrado
Em Processos Sustentáveis
Conteúdo elogiado
No Brasil e até no Chile
Tantas ideias em desfile
Pro futuro deste Estado
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Não há futuro sem Laís
Não há lugar que no presente
Suporte assistir quieto
O sofrer de sua gente
No Chile foi que Laís viu
Como desfila no Brasil
Quem faz sofrer o inocente
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Mas Laís era a pureza
No presente e no pretérito
Estava vencendo concursos
Para trabalhar em inquérito
Depois, seria juíza
Com a dedicação precisa
De quem triunfa por mérito
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O mérito nunca foi seu
Era o que Laís dizia:
“Deus dá tudo ao que crê
Ar, água, a luz, o dia”
Deus é bom, nos deu Laís
Deu tudo o que ela quis:
Bondade e sabedoria
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Foi o que Laís inspirou
Nos fiéis de sua igreja
Mandando luz para os povos
De onde quer que esteja
E está junto de Deus
De novo, por méritos seus
De novo, por ser benfazeja
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Bem fazia ao ensinar
Às células, às crianças
O ministério da Palavra
Das palavras de esperanças
De novo, ao novo, ao velho
Levou a luz do Evangelho
Levou a paz nas andanças
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Por onde anda a paz?
Voou como a pomba branca?
“A paz está dentro de nós”
Laís responderia franca
Não duvidaria da fé
Reafirmaria quem é
O Deus que nos alavanca
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Antes de a paz alçar voo
Antes da noite fatídica
Laís estava no Senar
Como assessora jurídica
Respeitada no Direito
Por fazer tudo bem feito
Por fazer tese verídica
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Mas chegou a noite de maio
Dia 10, no Alto da Glória
O bairro de muitos amigos
A moça, marca da vitória
Conseguiu estacionar
E foi mexer no celular
Quando chegou a escória
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O Inimigo tem mil faces
Duas surgiram nas janelas
Do Fit prata de Laís
Como assombração daquelas
De fazer tremer a espinha
“De fazer a mulher sozinha”
Acelerar pelas ruelas
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O bandido se enganou
Laís nunca esteve só
Mas o tempo todo com Deus
Não há companhia melhor –
O diabo é a violência –
Não adianta ter prudência
De ninguém os monstros têm dó
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As faces do Mal assustaram
Laís acelerou sem ver
Os bandidos viram ser fácil
Matar sem que nem por quê
Confiantes na impunidade
Dois menores de idade
E casal de fazer tremer
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Laís não tremeu, assustou-se
No País dos 60 mil
Assassinatos por ano
Quem estava perto ouviu
Um tiro e uma corrida
Pela morte, não pela vida
E quem treme é o Brasil
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Sejam maiores ou menores,
Quatro maiúsculos no crime
Um tiro fatal no tórax
Fatal pra moça tão sublime
Um tiro não só na Laís
Tiro na cara do País
Fatal pra este vil regime
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Regime é sempre fechado
Para as pessoas de bem
Não podem sair de carro
Nem a pé, ônibus ou trem
Ficam presas dentro de casas
O crime roubou-lhes as asas
Liberdade ladrão é que tem
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Quatro bandidos mataram
Um apertou o gatilho
Outro acompanhou do lado
No carro-fuga o caudilho
A quarta vigiou a rua
Desde então, até a Lua
E o Sol perderam o brilho
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As Polícias foram rápidas
Juntas prenderam o quarteto
Civil e PM agindo
Funcionou bem o dueto
Problema é que marginal
Se livra com a lei penal
E o ECA obsoleto
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A Laís é tão querida
Que a tragédia já inspira
Um movimento de juristas
Nos quais as leis dão é ira
Chega de Código vencido
Que só traz razão a bandido
O resto é tudo mentira
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Edemundo de Oliveira
É delegado e pastor
Defende direitos humanos
Mas se cansou desse horror
Quem matou Laís é ladrão
E perpétua é a prisão
Que merece o malfeitor
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Ladrão que mata pra roubar
É chamado de latrocida
Nas raras vezes que vai pego
Sai logo pela lei falida
Menores nem ficam nas celas
Pros que surgiram nas janelas?
Casa, roupa limpa, comida
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As faces do horror nas janelas
13 e 16 anos
Rindo da dor da família
Rindo por estragar planos
Inda dizem ser crueldade
Que reduzir maioridade
Afeta direitos humanos
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A OAB divulgou nota
Saudando os policiais
Centenas de advogados
Usaram redes sociais
Elogiando a polícia
Que por dias foi notícia
Enjaulando os marginais
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Os que a polícia prendeu
Serão soltos pelas leis
Os menores saem em meses
Talvez sete, talvez seis
Os maiores vão ficar
Até a Copa do Catar
Talvez antes, meu Deus!, talvez
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Foi isso o que escreveu
Demóstenes, um procurador
Que tentou mudar as leis
Em seu tempo de senador
Diz que batia de frente
Com quem acha que delinquente
Merece carinho e flor
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Demóstenes lembrou que todos
No latrocínio envolvidos
Haviam matado, roubado
Deveriam estar detidos
Mas a frouxidão das leis
Transforma ladrões em reis
E os cidadãos em bandidos:
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“A família e os amigos
Nunca mais verão Laís.
Já as ruas logo verão
A dupla que porta fuzis
Matar quem estaciona
A criminalidade é dona
Da vida, da paz, do País”
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As leis às quais Laís
Dedicou sua juventude
Precisam mudar com urgência
E pra que algo aqui mude
É preciso mostrar pra Nação
Que Laís não sofreu em vão
Que vamos tomar atitude
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Laís não chegou a juíza
Mas precisamos ter juízo
Laís não reagiu, mas pra
Nós agir logo é preciso
Sua linda biografia
Recomeça com alegria
Começa a cada sorriso
Nilson Gomes é jornalista, escritor e advogado.
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Foto: Reprodução[/caption]
O empreendedor Elon Musk, CEO da Tesla Motors, quer criar um site para avaliar notícias e jornalistas. “Vou criar um site onde o público possa avaliar a verdade básica de qualquer artigo e acompanhar a pontuação de credibilidade ao longo do tempo de cada jornalista, editor e publicação”, publicou no Twitter.
A ideia inicial era chamar a plataforma de Pravda, o principal jornal da extinta União Soviética. Mas o domínio “pravda.com” já está comprado por ucranianos e Musk, conhecido por criticar a mídia, teve que se contentar com “pravduh.com”.
A atriz pode ser a protagonista do filme, representando Lisa Howard
“Toda a cúpula da redação”, como Alberto Dines e Carlos Lemos, seguiu o proprietário da empresa na defesa da derrubada de João Goulart
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Alberto Dines e a capa do livro "Até a ultima página" | Montagem: Reprodução[/caption]
Odylo Costa, Janio de Freitas e Alberto Dines são os três jornalistas que produziram revoluções gráfico-editoriais no “Jornal do Brasil”, que, um dia, foi o melhor e o mais charmoso jornal do país.
Em 1964, quando os militares, com o apoio das tradicionais vivandeiras — Carlos Lacerda e Magalhães Pinto na comissão de frente —, derrubaram o presidente República, João “Jango” Goulart, e se tornaram mandachuvas, a Imprensa, quase toda ela, apoiou o golpe. Não consta que, na cúpula das redações de “O Globo”, de “O Estadão” e do “Jornal do Brasil”, alguém tenha ficado corado. Se ficou, bebericando uísque, foi de satisfação.
O excelente livro “Até a Última Página — Uma História do Jornal do Brasil” (Objetiva, 564 páginas), de Cezar Motta, relata entre as páginas 135 e 136: “Como todos os grandes jornais brasileiros, à exceção do ‘Última Hora’, o ‘JB’ apoiou o golpe desde que começou a ser preparado. Mas o apoio não era restrito à direção da empresa, a Nascimento Brito e à condessa Pereira Carneiro. Toda a cúpula da redação, os jornalistas com responsabilidade pelo produto final, eram favoráveis: o editor-chefe, Alberto Dines, o chefe de redação Carlos Lemos, o editorialista Wilson Figueiredo e o recém-promovido chefe de reportagem, Luiz Orlando Carneiro”.
Pouco mais tarde, jornalistas críticos e posicionados, como Alberto Dines, começaram a ser perseguidos pela ditadura.
Alberto Dines, um dos mais notáveis e decentes jornalistas brasileiros, morreu na terça-feira, 22, em São Paulo, em decorrência de uma pneumonia.
“A Letra Escarlate”, “Moby Dick”, “As Asas da Pomba”, “Herzog”, “O Teatro de Sabbath” e “Meridiano de Sangue” cumprem a missão de “melhorar” a vida dos leitores
Há nos Estados Unidos o “mito” do Grande Romance Americano. Alguém já o escreveu, alguém vai escrevê-lo? Quem? Na verdade, tal romance já foi escrito. Aliás, não se deve falar num romance, e sim em vários romances. E há escritores americanos que são, no geral, bons críticos literários. Entre eles estão Henry James, Saul Bellow (um ensaísta do primeiro time), John Updike e Philip Roth.
Faltou neste micro guia alguém decididamente importante? Sim. Sempre falta. Não há listas completas. Se listas fossem completas seu nome não seria listas... e sim Deus.
Faltou incluir escritores como Edgar Allan Poe (escreveu um romance e contos maravilhosos), Mark Twain (dele deriva a prosa enxuta dos Estados Unidos, segundo Edmund Wilson), Jack London (quem nunca teve prazer lendo seus livros que arranque a primeira página), Edith Wharton, Katherine Anne-Porter (grande contista), Eudora Welty, Thomas Wolfe, John Dos Passos, John Steinbeck (não é de primeira linha, mas sempre o li com prazer; “As Vinhas da Ira” é um romance denso, de cunho social), Paul Bowles, Bernard Malamud, Flannery O'Connor (sugestão do poeta Adalberto Queiroz), Toni Morrison (sugestão do poeta Carlos Willian Leite), Norman Mailer, James Salter (Richard Ford diz que é o escritor das melhores frases; além da prosa, escreveu memórias deliciosas; é um contista extraordinário), Gore Vidal (aprecio sua literatura, sua crítica literária e suas memórias; é um reserva de luxo do time titular), Truman Capote, Tom Wolfe e William Kennedy (sua literatura é de primeira linha).
Por que não Susan Sontag e Edmund Wilson, também prosadores? Porque os vejo muito mais como excelentes críticos literários (Sontag mais na linha do ensaísmo). Wallace Foster? Não sei por quê, mas meu nariz torce quando meus olhos leem algumas páginas de seus livros. Foster, por sinal, não era mau crítico literário. Jonathan Safran Foer (muito bom) e Jonathan Franzen estão construindo uma obra. Paul Auster fica para a próxima lista.
Nathaniel Hawthorne
“A Letra Escarlate”, de Nathaniel Hawthorne, fica em pé ao lado de qualquer outro romance inglês ou francês, por exemplo. Um parceiro para o romance “Madame Bovary”, do francês Flaubert. A história permanece moderna, diria até atual — quiçá feminista. A sensibilidade para perceber o feminino, seus amores e desventuras, mostra um autor adiante, estética e moralmente, de seu tempo. A prosa é primorosa, não derramada nem lacrimosa. O matiz humanista é revigorante. Fica-se com a impressão de que a denúncia comportamental é mais sólida e reverberante quanto mais é ponderada e ampla a sua manifestação.
Herman Melville
“Moby Dick”, de Herman Melville, é um grande romance em qualquer perspectiva. Um diálogo com a cultura da humanidade, inclusive a espiritual (diria que há um pacto de guerra, revestido de ódio e amor, entre a baleia branca e Ahab — um laço inquebrantável entre o sagrado e o profano), e um enfrentamento do homem com a natureza. Quase todos, inclusive Faulkner na composição de seus personagens malditos, beberam na prosa caudalosa-bíblica de Melville (por sinal, bom poeta). Ah, a batalha épica é vencida pelo livro, e não pela baleia e pelo capitão.
Henry James
Henry James escreveu ficções seminais — como “Retrato de uma Senhora”, “As Asas da Pomba” e “A Taça de Ouro”. Poucos escritores são tão refinados — o que alguns confundem com pompa — quanto o prosador americano que se considerava inglês (mas seu tema era o americano na Europa — a redescoberta do velho mundo). Trata-se de um prosador que construiu belas personagens femininas (em geral, são decentes e, apesar de vítimas da codícia masculina, perceptivas). Algumas de suas personagens masculinas são “falhas”, por vezes canalhas. James tem um olhar delicado e preciso para o universo das mulheres. Elas são mais perspicazes do que, à primeira vista, parecem.
Scott Fitzgerald
Scott Fitzgerald comparece com o romance “O Grande Gatsby”. Os contos são, no geral, de primeira linha. Fica-se com a impressão, por vezes, que a vida de Francis ficou maior do que sua literatura. Tornou-se um personagem praticamente literário, como os homens e mulheres de carne e ossos que ele transformava nos seres fugidios de seus livros — caso do extraordinário casal de ricaços Gerald e Sara Murphy. Edmund Wilson o percebia como um dos gênios literários naturais.
William Faulkner
“O Som e a Fúria”, “Enquanto Agonizo”, “Luz em Agosto” e “Absalão, Absalão”, de William Faulkner, merecem figurar em qualquer antologia dos melhores da literatura transnacional. “Enquanto Agonizo” é a joia da coroa — a história é tão extraordinária quanto a forma narrativa (todos os personagens têm voz ativa e contam a história, que, assim, é de fato um mosaico de opiniões e narrativas). Os joycianos ficam, lógico, com “O Som e a Fúria”, filho dileto de “Ulysses”. A literatura de Faulkner é tão forte que influenciou autores díspares como Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Ele chegou a visitar o Brasil, mas permaneceu bêbado quase todo o tempo. Era um borracho... de gênio.
Ernest Hemingway
Ernest Hemingway é tido mais como contista do que como romancista (mesmo respeitando a crítica literária, aprecio a prosa longa, algo frouxa, do autor de “Por Quem Os Sinos Dobram”, um belo romance, assim como “Adeus às Armas” e “O Sol Também se Levanta”). Teria escrito o Grande Conto Americano, como “Os assassinos” (que deu origem a dois bons filmes). José J. Veiga e Enio Silveira traduziram o americano muito bem. Hemingway é praticamente uma personagem — uma estrela —, como Scott Fitzgerald, que escapou da literatura para a vida real. É um ser mítico.
J. D. Salinger
J. D. Salinger publicou poucos livros e escondeu-se, afastando-se do público, mas não da fama e da celebração. Mas quem escreveu “O Apanhador no Campo de Centeio” jamais pode ficar fora de uma lista americana. O romance se tornou icônico, independentemente da qualidade (que tem). Com sua prosa fluente, capta à perfeição a vida de um adolescente (prosa e tema fundem-se, o que assinala a mestria do autor). Seus contos também são de qualidade.
Saul Bellow
Saul Bellow era canadense, mas fez sua vida nos Estados Unidos. Influenciou largamente a prosa de Philip Roth. Seus romances são caudalosos, inteligentes e discursivos — o que pode afastar o leitor apressado. Perde, e muito, aquele que não tiver paciência para ler seus livros, como “O Legado de Humboldt”, “Herzog”, “Henderson, o Rei da Chuva” e “As Aventuras de Augie March”. “Herzog” pode até não ser o mais emblemático, mas é o meu preferido. Roth é diferente de Bellow, mas este é, em parte, sua matiz literária. Os dois são modernistas, sabem tudo de James Joyce e Faulkner, mas caminham por outras searas.
John Updike
John Updike, o Balzac da classe média americana, escreveu uma série de romances, uma espécie de Comédia Humana dos Estados Unidos, seminais. A série “Coelho” é uma história alternativa dos Estados Unidos. Pode um escritor se tornar sociólogo de um povo? É provável. A veia compreensiva — aqui e acolá, compassiva — de Updike lembra até a pegada dos antropólogos. Mesmo quando descreve, de maneira meticulosa, personagens medíocres, com suas vidas insossas, o autor demonstra uma compaixão perceptiva. Os personagens, embora sejam menores, agigantam-se. A vida é grande, apesar de tudo — sugere o autor.
Joyce Carol Oates
Joyce Carol Oates é, seguramente, a maior escritora americana viva, ao lado de Cormac McCarthy. Escreve sobre quase tudo, até boxe, e sempre muito bem. Está a merecer o Nobel de Literatura. Para conhecer sua prosa, vale a pena começar pelo romance “Filha do Coveiro”. Poucos escritores colhem temas reais (no caso de Oates, a história de sua família) e conseguem imaginá-los tão bem quanto a autora (a realidade, recriada, fica mais vívida e, portanto, compreensível). Diria que é a Ian McEwan dos Estados Unidos. Por ser tão macabra quanto? Não. Por escrever tão bem quanto o britânico.
Philip Roth
Philip Roth fez um retrato da América, sua amada e problemática América, para além dos temas judaicos. Porque o mundo dos judeus, por mais que tenha sua especificidade, está integrado ao mundo global, nos e fora dos Estados Unidos. Recomendo como primeira leitura “O Complexo de Portnoy”, para o leitor entrar, de cara, no universo rothiano. Depois, pode seguir em direção a “Lição de Anatomia”. Em seguida, o leitor fica livre para escolher qualquer um de seus romances, desde os mais densos aos mais, se se pode dizer assim, amaneirados. A obra-prima de Roth talvez seja o conjunto de seus romances. Mas considera-se “O Teatro de Sabbath” como sua obra basilar, seguida, quem sabe, de “Pastoral Americana”. “Complô Contra a América”, embora tenha a ver com a Segunda Guerra Mundial, é quase uma biografia indireta de políticos como George W. Bush e Donald Trump. “O Seio”, pouco conhecido no Brasil, é uma mimetização de “A Metamorfose”, de Kafka. Perde, claro, para a novela do tcheco.
Thomas Pynchon
Thomas Pynchon, de 81 anos, é o Jerome David Salinger dos tempos atuais. Recluso, não concede entrevistas, mas persiste escrevendo bons livros. Sua prosa é difícil, dado o congestionamento de informações às vezes científicas e às vezes da cultura popular. Sua leitura fica mais fácil com a internet — o Google e o YouTube (para as referências musicais). Como deve ser o início de sua leitura? Não há uma fórmula. Mas recomendo, por uma questão de facilidade de leitura, que se inicie o contato com sua prosa pelo romance “Vício Inerente”, aliás relativamente bem adaptado pelo cinema. “O Leilão do Lote 49”, romance mignon, é outra porta de entrada. Depois, pode-se fazer uma tentativa com os gigantes “V.”, “O Arco-Íris da Gravidade”, “Vineland” e “O Último Grito”. Com um pouco de paciência, é possível seguir adiante, sem grandes atropelos. Basta pegar o “jeito” de Pynchon narrar e agrupar as informações sobre determinados períodos e assuntos.
Vladimir Nabokov
O leitor certamente vai estranhar a menção a Vladimir Nabokov, se é russo, e não americano. A prosa do escritor deve muito à sua vivência nos Estados Unidos. “Lolita” pode até ter certa ligação com “Anna Kariênina”, de Liev Tolstói — um de seus ídolos literários. Mas o romance deve muito às obsessões e ao puritanismo americanos. Pode-se dizer que, mesmo não tendo deixado de ser russo, Nabokov é, em larga medida, um prosador ianque. “Lolita” serve como uma espécie de Muro de Berlim para a obra extensa e de alta qualidade do caçador de borboletas. “Ada”, “Fogo Pálido” e “A Verdadeira Vida de Sebastian Knight” são livros excepcionais. Há algum tempo, a Alfaguara lançou seus contos no Brasil (“Contos Reunidos”). Há preciosidades nem sempre reconhecidas, porque pouco lidas. Não dá para não ler sua autobiografia, “Fala Memória”. Sua crítica literária é de primeira linha.
Cormac McCarthy
Ao lado de Joyce Carol Oates, Cormac McCarthy, de 84 anos, talvez seja o maior escritor americano vivo. Harold Bloom, que é seu admirador, aponta “Meridiano de Sangue” como um romance shakespeariano. Talvez seja mesmo. O juiz da obra é, de fato, uma personagem que escapou do teatro do bardo britânico e ressurgiu nos Estados Unidos. O livro contém várias formas, inclusive a do western. Mas é, no fundo, uma grande obra literária. O autor escreve prosa de excelente nível, mas nada igual a “Meridiano Sangrento” (o romance recebeu este título noutra tradução). É um dos nobelizáveis dos steites. Com a morte de Philip Roth, que era rejeitado pelos suecos, a Academia de Estocolmo se sentirá livre para premiar McCarthy ou Joyce Carol Oates.
Richard Ford
O leitor desavisado, ao pegar um romance de Richard Ford, de 74 anos, eventualmente pode pensar que está lendo o duplo de John Updike. Mas é um engano. Eles, de fato, são parecidos, na obsessão de contar a vida de um homem e, por meio dela, a história dos americanos de uma determinada época. Mas Ford é mais corrosivo do que Updike e sua prosa é mais límpida (mais direta, quem sabe). “O Cronista Esportivo”, “Independência” e “O Sal da Terra”, a trilogia centrada na personagem Frank Bascombe, dão vislumbres da magnífica prosa do autor. Recomendo vivamente sua literatura.
Don DeLillo
Autor de uma prosa estupenda, Don DeLillo ficou imprensado, quem sabe, entre John Updike e Philip Roth, mais canônicos. Sua literatura, às vezes mais política, é de alta qualidade — e, como Cormac McCarthy, aventura-se em temas que nem sempre figuram nas obras dos escritores consagrados, como a (ou uma quase) “ficção científica”. “Submundo” (tradução de Paulo Henriques Britto) e “Ruído Branco” são dois dos mais importantes romances de DeLillo. Ele enfrentou o 11 de Setembro com “Homem em Queda”. “Cosmópolis”, levado ao cinema, exibe sua literatura inventiva. “Zero K”, sobre a imortalidade, é seu último romance publicado no Brasil. Nove contos podem ser conferidos em “O Anjo Esmeralda”. l
O escritor americano publicou obras-primas como “O Complexo de Portnoy”, “O Teatro de Sabbath” e “Pastoral Americana”
Eduardo Madureira havia sido paciente de Eduardo Guenka
O experimentado jornalista será apresentador do novo jornal da manhã
Um dos romances do escritor americano foi inspirado em livro de Machado de Assis
O humorista e escritor vai participar do programa “Debate Final”
O ex-editor do “Jornal do Brasil” e autor de uma biografia excelente do escritor Stefan Zweig estava se tratando de uma pneumonia
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Foto: Divulgação[/caption]
O comentarista esportivo Paulo Vinícius Coelho vai lançar um livro que conta a história do futebol jogado no Brasil e a sua evolução tática.
Intitulado “Escola Brasileira de Futebol” (Editora Objetiva, 294 páginas), o lançamento acontece na Livraria da Vila, em São Paulo, na terça-feira, 22. PVC, como é conhecido, vai participar de uma mesa redonda durante o evento com o jornalista José Trajano.
Autor de outros oito livros, o comentarista do canal FOX Sports é considerado um dos principais nomes do jornalismo esportivo brasileiro.
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Foto: Reprodução[/caption]
O jornalista russo Kirill Vyshinsky, chefe do portal de notícias RIA Novosti Ukraine, foi preso pelo Serviço de Segurança Ucraniano (SBU, na sigla em ucraniano transliterada para caracteres latinos) na terça-feira, 15, sob a alegação de traição.
O ato foi condenado por profissionais da imprensa mundo afora. Em nota, a Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês) repudiou a prisão e pediu às autoridades que jornalistas possam trabalhar livremente.
A brasileira Maria Carolina Trevisan, colunista do portal UOL, disse à agência de notícias russa Sputnik que o que aconteceu com Vyshinsky “remete às ditaduras”.
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Foto: Divulgação[/caption]
Repórter especial do “Nexo Jornal”, João Paulo Charleaux fez sua estreia no programa “Roda Vida”, da TV Cultura, na segunda-feira, 14.
O entrevistado da vez foi o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e Charleaux se destacou por emparedá-lo.
No Facebook, o jornalista contou uma história de bastidores: “Num dos intervalos de um bloco mais quente, comentei com Jungmann: ‘Tem muito intervalo nesse programa, ministro’. Ele respondeu algo como: ‘Pra mim, tem intervalo de menos’. Era esse o clima”.
Delegado do Dops revela que queimou militantes da esquerda numa usina de açúcar, articulou uma tentativa de assassinar Brizola e Gabeira, afirma que a ditadura usou e matou Sérgio Fleury

