Euler de França Belém
Euler de França Belém

Queda de qualidade do jornalismo é pior do que queda de audiência da TV Anhanguera

Está prevalecendo a comunicação popularesca, superficial, com ênfase na exploração das sensações

Divulgação

A TV Anhanguera contratou apresentador e repórter e, aqui e ali, mexeu no jornalismo. Mesmo assim, a audiência caiu e, segundo o Ibope, ao menos num dia, ficou em terceiro lugar, atrás da TV Serra Dourada (“Jornal do Meio Dia”) e da TV Record (“Balanço Geral”). Há o que comemorar? Na verdade, não há. O jornalismo das emissoras goianas, apresentado como comunitário, está mais próximo do sensacionalismo.

Na internet, nas redes sociais, houve uma comemoração devido à queda — talvez temporária — da audiência da Anhanguera, no horário do almoço. O “problema” é menos com a emissora local e mais com a TV Globo. Todos, ou quase todos, torcem pelo tombo dos gigantes, como a rede da família Marinho.

Com as classes média e alta escapando para a tevê por assinatura — com sua multifacetada programação (as séries estão substituindo as novelas e, sobretudo, há produtos para todos os gostos — do papo-cabeça ao papo-nada) —, as redes e emissoras abertas pioraram, pois, para segurar o público que lhe restou, o povão, avaliam que é preciso abaixar o nível e aumentar a gritaria. As emissoras estão se apresentando como porta-vozes do povo, de seus clamores básicos, mas raramente ampliam a discussão dos problemas, prevalecendo um jornalismo superficial, com o estímulo das sensações.

A Anhanguera vai “piorar”, possivelmente, para competir e, sobretudo, retomar a liderança de audiência — o que, escudando-se na Globo, não será impossível, talvez a curto prazo. O paradoxo é este: melhorar a audiência significa piorar a programação, o jornalismo. Mas pode ser diferente, é claro.

Comenta-se que o Grupo Zahran, que comprou a Anhanguera, é mais afinado com a Globo. Os dirigentes da empresa de Mato Grosso estariam mais motivados do que a família de Jaime Câmara Júnior, que, por vários anos, administrou um empreendimento vitorioso, sério e de qualidade.

Os mato-grossenses prometem investir mais, tanto em recursos tecnológicos quanto na reformulação da equipe. A contratação de Luciano Cabral, para apresentar o “Jornal Anhanguera”, edição vespertina, sugere que o grupo pretende mesmo investir. O repórter amadureceu, aprendeu muito na Globo News e certamente, para além da mera apresentação, vai colaborar para a renovação do jornalismo da emissora.

Uma coisa é certa: a tevê aberta era “a” a opção do público; agora, é “uma” delas. Ninguém, nem mesmo a Globo, terá mais audiências assombrosas.

Deixe um comentário