Por Euler de França Belém
O primeiro livro alentado sobre o autor de “O Complexo de Pornoy” finalmente chega ao Brasil. “Roth Libertado” (Companhia das Letras, 480 páginas, tradução de Carlos Afonso Malferrari), de Claudia Roth Pierpont, é, por assim dizer, mais uma “biografia” da obra do que de Philip Roth.
O foco do livro de Pierpont é a obra, mas a autora não deixa de examinar o escritor e as relações com seus pares, como Saul Bellow (sua grande influência) e John Updike.
PhD. em história da arte pela Universidade de Nova York, Pierpont trabalha na “New Yorker”. Seu livro ilumina a obra de Philip Roth, esclarecendo pontos aparentemente nebulosos e situando-o na literatura mundial, sobretudo na americana, como um parceiro de jornada, em termos de qualidade, de Bellow e Updike, entre outros.
Marco Antônio da Silva Lemos é uma mistura da malícia do escritor inglês Evelyn Waugh com a pegada certeira do crítico americano H. L. Mencken (vale ler “O Livro dos Insultos”). Numa época (entre as décadas de 1970 e 1980) em que praticamente todos os jornalistas eram de esquerda — quando não eram, fingiam que eram companheiros de jornada, como se buscassem uma forma de proteção —, Marco Antônio da Silva Lemos, com seu nome gigante (jornalistas apreciam nomes menores, duplos, mas ele nunca foi um ortodoxo), era, por assim dizer, um livre atirador, crítico, contundente, divertido e, importante, sério (a seriedade de um Karl Kraus). Seu charme não era exatamente a posição política, o fato de não ser de esquerda, e sim o fato de escrever muito bem, de tornar a Língua Portuguesa mais elástica e corrosiva, cheia de vida e fissuras, nada burocrática. Pense na turma de “O Pasquim”, pois Marco Lemos teria feito imenso sucesso na redação, se de fato havia uma, dos esquerdistas altamente festivos que organizaram o jornal mais debochado da história do país. Pode-se sugerir que seria uma espécie de “Contra-Pasquim”, dada sua proximidade com os libertários — de fato, os liberais são mais libertários do que os indivíduos de esquerda —, mas teria se entrosado com facilidade com a turma mais brilhante, como Millôr Fernandes, Paulo Francis, Ruy Castro e Sérgio Augusto (Ziraldo e Jaguar era da turma do porra-louquismo).
Mais jovem, eu lia Paulo Francis, na mídia nacional, e Marco Lemos na imprensa goiana. Os dois me divertiam sempre, pela crítica inteligente, às vezes ferina. Mais tarde, com Marco Lemos já atuando no Judiciário, li uma resenha que fez das memórias do embaixador Pio Corrêa ("O Mundo Em Que Vivi”), publicada no “Diário da Manhã”. Comprei o livro, em dois volumes, e, de fato, o resenhista estava certo: é uma obra importante, mas fadada ao ostracismo, dado o fato de Pio Corrêa não integrar os quadros da esquerda patropi; antes, era de direita.
Na década de 1980, eu estudava História na Universidade Católica de Goiás e Filosofia na Universidade Federal de Goiás. Meu objetivo — lia com interesse Platão, Aristóteles (quase decorei a “Ética a Nicômaco”) e Espinosa — era seguir carreira acadêmica na área de Filosofia (devido ao meu interesse mesmo e ao incentivo do brilhante professor Jordino). Mas a leitura de jornais, dos textos de Francis, Sérgio Augusto, Ruy Castro, Washington Novaes, José Guilherme Merquior (que li primeiro nas páginas dos jornais) e, sobretudo, Marco Antônio da Silva Lemos (até hoje reluto em diminuir o nome), levou-me para o curso de Jornalismo, em 1983.
Marco Antônio da Silva Lemos escrevia no Jornal Opção e no “Diário da Manhã” — tanto artigos como reportagens. Fico a pensar como uma redação de esquerdistas se comportava em relação a um sábio liberal, com veia satírica, com alta capacidade para o debate de ideias. Depois, alguém (não me lembro quem, talvez uma amiga comum, a jornalista Consuelo Nasser) me disse: “Leia alguns texto do ‘Top News’. São escritos pelo Marco Antônio da Silva Lemos”. Nunca investiguei se eram mesmo dele, mas li todos. Eram bem escritos. Não eram idênticos aos textos de Marco Antônio da Silva Lemos, mas havia alguma identidade.
Não sei exatamente por qual razão Marco Antônio da Silva Lemos “abandonou” o jornalismo, mas é provável que tenha sido devido aos salários baixos e à irregularidade dos jornais (como empresas), com sua dependência extrema dos humores dos governantes. Formado em Direito, prestou concurso no Poder Judiciário, tornou-se juiz e, em seguida, desembargador. Ouvia falar dele, pela Consuelo Nasser. “Está em Brasília”, “mudou-se de Brasília”, “voltou para Brasília”. Depois, um amigo comum, Paulo, me contou que havia prestado novo concurso e trabalhava em Brasília como juiz. Recentemente, Marco Antônio da Silva Lemos reapareceu, no Facebook. Permanece o crítico implacável, mas refinado. Sua ironia é tão sofisticada — às vezes não deixa de ser descarada — que muitos não parecem entendê-la.
Desconsiderando as regras básicas do jornalismo, deixei para publicar a informação essencial, a que interessa, no último parágrafo (felizmente, publiquei-a no título). Marco Lemos assume, no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, o cargo de desembargador no dia 3 de março (terça-feira), em Brasília. Gostaria de ler algumas sentenças do magistrado. Retirada a tecnicidade, a linguagem do meio judicial, deve conter textos de primeira linha.
O leitor Carlos Humberto Costa pergunta: “Procede que há em Goiás jornalista bissexto?” Envio um e-mail e explico que não entendi a pergunta ou brincadeira. O leitor acrescenta: “Quero saber se procede que há jornalista em Goiás que escreve um artigo num ano e passa outro ano sem escrever?” Respondo que, embora não saiba responder à indagação, vou ficar de olho. Outro leitor, Arthur de Lucca, costuma dizer que, no Pop, alguns jornalistas escrevem um artigo por mês. “Estourando.” Noutro e-mails, Carlos Humberto, que se apresenta como professor de inglês, sublinha que, no Pop, os principais articulistas não são de Goiás. Procede. O “Pop” reproduz o provincianismo de avaliar que opiniões sobre a política e a economia nacional só podem ser formuladas por jornalistas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Quem está reinventando o trânsito de Goiânia talvez seja um gênio. Ao final da mexidas é provável que o trânsito flua com mais facilidade e, sobretudo, o transporte coletivo — a essência de uma cidade — se torne mais eficiente. Porém, num país em que o automóvel é o centro da vida dos indivíduos, as mudanças em algumas das avenidas estão contribuindo mais para engessar do que para liberar o trânsito — e sem facilitar o tráfego de ônibus. Na Avenida 85, para citar um exemplo, a prefeitura fechou entradas laterais, o que praticamente impede o acesso rápido à Avenida 136 e outras, o que contribui para engarrafar o trânsito. Se é para melhorar o transporte coletivo, com os corredores exclusivos para ônibus, não há do que reclamar. Mas os especialistas em trânsito têm de pensar também no tráfego dos automóveis. Na Rua 146, no Setor Marista, a prefeitura colocou alguns semáforos, com o objetivo de reduzir acidentes. A intenção é positiva. Mas os acidentes continuam. Motivo: o semáforo, se está aberto ou não, só é visto pelo motorista que está trafegando pela 146 (não há sinais nas paralelas). Os motoristas que estão nas outras ruas e precisam atravessar a 146 não percebem se o sinal está aberto ou não. Claro que o motorista tem de parar e verificar, mas, se for um pouco desatento, pode provocar uma batida.
A modernização da máquina pública, colocada a serviço da sociedade e não da barganha política, vai ser decisiva para que os eleitores percebam o governador de Goiás, o tucano-chefe Marconi Perillo, e seus aliados como porta-vozes da modernidade nas eleições de 2016 e 2018
[Paulo Henrique Amorim e Gilmar Mendes: disputa férrea nos tribunais]
A politização excessiva leva à perda do bom senso? Ou, no caso do jornalista Paulo Henrique Amorim, editor do blog “Conversa Afiada”, a politização é bom senso, quer dizer, racionalidade? Pode ser que a segunda pergunta seja a mais verdadeira. Porém, do ponto de vista estritamente jurídico, Paulo Henrique Amorim, profissional de história respeitável — brilhou na imprensa, na revista “Veja”, e se provou comentarista qualitativo de economia na televisão —, ante algumas derrotas judiciais, pelas quais terá de indenizar seus “oponentes”, deixa a impressão de que faz críticas que comportam uma certa dose de “irracionalidade”, para não dizer “amadorismo”. Nesta semana, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação do jornalista, que terá de pagar 50 mil reais para o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Ele ofendeu a honra do magistrado, no entendimento do STJ, quando, na montagem de uma fotografia de Gilmar Mendes, escreveu a legenda: “Cartão Dantas Diamond. Comprar um dossiê — R$ 25.000,00; Comprar um jornalista — de R$ 7.000,00 a R$ 15.000,00; Comprar um delegado da PF — R$ 1.000.000,00; Ser comparsa do presidente do STF — Não tem preço”. É aquilo que os jornalistas costumam chamar de “batom na cueca”. Indefensável.
Na defesa apresentada no STJ, quando tentava revogar a condenação anterior, Paulo Henrique Amorim postulou a tese de que a decisão cerceava sua liberdade de expressão. O ministro Marco Buzzi, relator do caso, contestou-o: “A liberdade de imprensa não autoriza ninguém a ofender a honra de outra pessoa”.
Gilmar Mendes move um segundo processo contra Paulo Henrique Amorim, que, nos seu blog, escreveu: “Gilmar Mendes instala o golpe de Estado. O Supremo Presidente Gilmar Mendes transformou o Supremo Tribunal Federal num balcão de negócios”. Indefensável, especialmente porque, com a denúncia correspondente, gravíssima, o jornalista não apresentou provas, nem superficiais nem contundentes. Tudo indica que sua “denúncia” é estribada unicamente na sua opinião pessoal.
Se se tratasse de denúncias formuladas por um garoto de 18 anos, em alguma rede social, seria possível dizer que a causa era mais a imaturidade, a falta de percepção do que às vezes se diz, de maneira impensada. No entanto, Paulo Henrique Amorim, 73 anos (em 22 de fevereiro), não é mais um garotinho que está na faculdade de Jornalismo. É, acima de tudo, um grande jornalista e, como tal, tem de repensar suas formulações “críticas”. Não é deixar de fazê-las, e sim de “sustentá-las” com documentação, evidências.
O jornalista do "New York Times" escreveu o livro "A Noite da Arma", vigoroso relato sobre a vida de um viciado em drogas pesadas
Luiz Armando Costa Um cidadão que observasse de fora a administração pública no Tocantins certamente não entenderia nada. Para combater decisões ilegais do governo passado, o Palácio Araguaia praticou outra ilegalidade. Anulou, por decreto, leis que beneficiavam servidores e elevavam as despesas da administração. Diante da situação, o governo parece ter calculado a relação custo/benefício e apostado nas medidas (decreto, como se sabe, não pode anular lei, conforme a CF) para ganhar prazo e possibilitar condições de governabilidade, pois não se imagina que o aparato jurídico de Marcelo Miranda ignore o fato. Vai enfrentar um caminhão de ações na justiça, mas até lá pode ganhar fôlego e colocar as finanças em condições, pelo menos, administráveis e retomar a normalidade administrativa. Foi uma decisão corajosa, não resta dúvida. Em oito decretos, o governo anula praticamente todos os benefícios concedidos aos servidores (bombeiros, militares, policiais, delegados, servidores da Fazenda e outros) em 2014 pelo governo anterior. Uns escandalosos, como mudança de estrutura de cargos por portaria e outros flagrantemente ilegais, pois concedidos contrariamente ao permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (fora do prazo legal), agravado pelo fato de administração ocupar os primeiros lugares no país no comprometimento de mais de 60% da receita corrente líquida com funcionalismo (o limite é 49%). Uma farra com os recursos públicos. E não tem ninguém, até agora, sendo acusado de nada podendo o Tribunal de Contas, pela inércia política, até mesmo aprovar contas tão irresponsavelmente conduzidas (mantidas, estima-se, a administração entraria em colapso na metade do ano), que legaram uma dívida de R$ 4,3 bilhões, sendo mais de R$ 1 bilhão com fornecedores (restos a pagar), ainda que as receitas em 2014 tenham apresentado um crescimento de 15,18% em relação a 2013 (R$ 8 bilhões contra R$ 6,9 bilhões). Além do confronto ideológico e moral (fazer o que condena explicitando que os fins justificariam os meios) — e que pode diminuir-lhe a essência mudancista — o governo não terá facilidades com os servidores que se viram prejudicados mas que podem ser levados a diminuir o ânimo de revolta popular pelo simples uso do bom senso e da razão que os números da administração, indubitavelmente, exigem sejam refletidos. Pode, por outro lado, o governo, obter apoio, entretanto, dos outros 1,3 milhão de pessoas que moram no Tocantins — e que dependem do que o governo lhes proporciona na prática de serviço público na saúde, segurança, educação, transportes e tais —, situação que pode refrear o ânimo da maioria oposicionista no Legislativo em fazer uso do processo como uma disputa político-partidária. O momento é crítico. E, ao contrário de anos anteriores, a população está perfeitamente ciente do grau de irresponsabilidade como a administração foi tratada, fato comprovado pelo próprio resultado eleitoral. Além disso, ir contra medidas tão saneadoras quanto necessárias pode não ser uma boa estratégia política. Não à toa, participaram da apresentação das medidas ontem no Palácio Araguaia os representantes do Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público Estadual e Defensoria Pública. Alguns deles, em tese, quedaram-se inertes quando o Palácio Araguaia praticava as ilegalidades agora anuladas por uma nova ilegalidade que, parece, consentida. Luiz Armando Costa é jornalista e advogado.
Advogado frisa que regras do Grupo Jaime Câmara não valem para o Tocantins. Mas há funcionários sendo pressionados a deixar o segundo emprego
Texto da revista Piauí sobre a JBS-Friboi é de alto nível. Parte parece ter sido escrita por Lombroso. Joesley e Wesley Batista apostam que o grupo vai crescer em 2015 e criticam a ministra Kátia Abreu. Publicidade com Roberto Carlos fracassou porque o público discutia o “rei” e não a carne do frigorífico. Empresa investe R$ 800 mil reais em publicidade por ano
Numa casa da Rua 13, no Setor Marista, ao lado do Restaurante Imperador e nas proximidades da sede do Jornal Opção, vai ser inaugurada brevemente a nova unidade do Restaurante Panela Mágica. No mercado há vários anos, o Panela Mágica consagrou-se por uma das melhores comidas self-service de Goiânia. Hoje tem como principal concorrente, também no Setor Marista, o Restaurante Vitória.
No Facebook, o mestre Felippe Jorge Kopanakis, um intelectual do primeiro time, escreve: “Um repórter da TV Anhanguera disse que as pinturas rupestres da pedra Chapéu do Sol, em Cristalina-Goiás, datam de ‘... mais de 3 milhões de anos’...”! Acaba de ser descoberta a presença do homem mais antigo sobre a Terra!
O cacique Iris Rezende não quer sair do PMDB — é cotado para migrar para o PRP de Jorcelino Braga, para o PTN de Francisco Gedda ou para o DEM de Ronaldo Caiado — e vai lutar para manter o controle do partido. Mas não será surpresa se Michel Temer agir e passar o comando, o mais cedo possível, para o grupo Maguito Vilela-Júnior Friboi. Aos 81 anos, Iris quer continuar conjugando o “verbo” caciquear. Mas Temer, Vilela, Pedro Chaves e Friboi não conjugam os mesmos verbos. Eles querem Iris “gramaticando” noutra freguesia.
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Paulo Garcia, prefeito, e Adriana Accorsi, deputada: o petista pode bancá-la para prefeita ou vice de Iris Rezende Machado[/caption]
O Jornal Opção ouviu cinco petistas que militam basicamente na capital e perguntou: “Qual é a possibilidade de o PT compor com o PMDB na disputa pela Prefeitura de Goiânia em 2016?” Todos deram uma resposta padrão, que pode ser sintetizada assim: “Se Iris Rezende for o candidato do PMDB, o PT dificilmente vai lançar candidato a prefeito de Goiânia”.
Os petistas dizem que têm ouvido que, entre abril e junho de 2016, o PMDB pretende romper a aliança com o PT, para não ser responsabilizado pelo desgaste do prefeito petista Paulo Garcia. “A questão é que um prefeito não tem apenas desgaste, e há a chance de recuperar a imagem, como fez Marconi Perillo em termos de Goiás. Um prefeito de uma capital conta com uma estrutura poderosa e subestimá-lo pode ser um erro tático-político”, afirma um petista.
Um ex-deputado postula: “O PMDB e o PT são uma coisa só em Goiânia. Depois de tanto tempo juntos, quem tentar dissociá-los acabará se ‘queimando’”. Um ex-candidato a deputado frisa: “Não se pode dizer nada com certeza, pois a eleição ocorrerá daqui a um ano e oito meses, mas a chapa dos sonhos dos dois partidos é Iris para prefeito, com uma vice do PT, Adriana Accorsi. Se não for possível, a chapa dos sonhos do petismo, o de Goiânia, é a deputada Adriana Accorsi para prefeita, com um vice do PMDB, Bruno Peixoto ou Agenor Mariano. Ou qualquer um, desde que indicado por Iris”.
Um deputado petista é peremptório: “Sem o PMDB, o PT pode dizer adeus à Prefeitura de Goiânia. Está cristalizando no imaginário do goianiense que o PT administra mal a capital. Porém, sem o PT, o PMDB não será páreo para o candidato do governo do Estado, que vem com força total”. O parlamentar recomenda: “O PMDB, para disputar em igualdade de condições com um candidato consistente como Jayme Rincón, que tem fama de gestor competente, arrojado e antiburocracia, vai precisar da máquina do PT”.
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Iris Rezende e Júnior Friboi: de aliados e amigos a adversários figadais[/caption]
A principal reportagem da revista “Piauí” que está nas bancas, “Boi na linha” (título da capa), relata “a história dos donos da Friboi e sua íntima relação com o BNDES”. Com nove páginas, a matéria, assinada por Consuelo Dieguez, comenta os supostos privilégios da JBS e, na última página, faz um relato sobre a presença política de José Batista Júnior, conhecido como Júnior Friboi, em Goiás.
“Estimulado por Lula e pelo vice-presidente, Michel Temer, Júnior migrou [do PSB] para o PMDB. Antes de se decidir, fez uma visita a Iris Rezende, cacique do partido no Estado. O ex-governador, segundo assessores de Júnior, o incentivou a ir adiante. O primogênito dos Batista chegou a levar o marqueteiro Duda Mendonça a uma das reuniões com a velha raposa da política. Rezende concordava com tudo”, relata a reportagem “O estouro da boiada” (título interno).
A repórter relata que “os políticos do PMDB goiano se alvoraçaram com a movimentação de Júnior Friboi. Ele prometia injetar 100 milhões de reais na campanha dele e dos aliados. Só na pré-campanha, Júnior já havia desembolsado cerca de 30 milhões”. Mas aí “começaram os ataques”. Saiu em “O Popular” uma reportagem na qual se informava que a JBS devia 1,3 bilhão de reais ao governo de Goiás. A revista sugere que as informações foram vazadas pelo staff do governador Marconi Perillo. Está errado, ao menos do ponto de vista de Friboi. Este tem informações, da própria redação do jornal, de que os dados foram repassados por um aliado de Iris Rezende. A Marconi não interessava a divulgação da notícia. “Em setembro [de 2014], o jornalista responsável pela notícia foi contratado como assessor de imprensa da Secretaria de Indústria e Comércio de Goiás”, sustenta, equivocamente, a revista. O repórter não foi contratado.
“Piauí” frisa que, sob bombardeio do irismo, inclusive de uma filha de Iris Rezende, Ana Paula, “os irmãos e os paIs convenceram” Friboi “a desistir da campanha”. Um assessor do empresário confidenciou à repórter: “Tinha ficado claro para a família que, no mundo político, o Júnior tinha se tornado peça a ser abatida. E o calcanhar-de-aquiles deles é empresarial”.
A reportagem da “Piauí” mostra que o sucesso da JBS se deve, em grande parte, aos investimentos do BNDES — cerca de 10 bilhões de reais —, mas admite que os Batistas, Wesley e Joesley, são eficientes como gestores e enfrentam, de igual para igual, capitalistas altamente experimentados dos Estados Unidos e Austrália. Em alguns momentos, a reportagem reforça velhos preconceitos contra pessoas de Estados que não são de São Paulo e Rio de Janeiro — como se o falar acaipirado fosse exclusivo de Goiás — e os Batistas são apresentados como “matutos”. Em certas passagens, fica-se com a impressão de que Consuelo Dieguez é uma discípula retardatária de Lombroso e de Nina Rodrigues, sobretudo quando busca traços “índios” em Joesley, como se quisesse, aparentemente, “diminui-lo”. Embora deboche da fala “errada” dos irmãos Batista, a repórter escreve “frustação”, e não frustração.

