Por Euler de França Belém
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A diferença entre os candidatos do DEM e do PSDB era de 21,7% e caiu para 10,7%. Se continuar nesse ritmo, Vinicius Luz vira o jogo em poucos dias
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Arquivo/Reprodução[/caption]
O Jornal Opção pediu a líderes partidários e militantes da juventude dos partidos políticos que indicassem nomes de candidatos a vereador que, se eleitos, têm condições de renovar a Câmara Municipal de Goiás, que tem uma imagem negativa, por ser vista como um “balcão de negócios”. Os nomes:
Andrey Salles/PMDB — Aposta de Iris Rezende.
Cristina Lopes/PSDB — Já é vereadora, da bancada ética
Denise Carvalho/PC do B — Há anos na política, nunca se envolveu em escândalo.
Domingos Sávio/PTN — O partido de Alexandre Baldy o tem na conta de grande candidato.
Eduardo Zaratz/PV — Apontado como ético e propositivo.
Elder Dias/PTC — É apontado como um dos candidatos que mais entendem de Goiânia.
Frederico Michel/PP — Sandes Júnior diz que é uma das grandes apostas do PP.
Gustavo Bueno/PT — É um dos elementos da renovação do PT.
José Lopes/PV — No Partido Verde, é o candidato dos jovens.
Lucas Kitão/PSL — É um dos nomes que empolgam a militância jovem.
Priscila Tejota/PSD — Deve disputar com Valério Luiz e Roberto Ricardo o título de a mais votada do partido.
Roberto Ricardo/PSD — Aposta de Francisco Júnior e da Renovação Carismática.
Tales de Castro/PT — Citado até por tucanos como agressivo politicamente e sólido nas suas posições.
Valério Luiz/PSD — É uma das grandes promessas políticas.
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Arquivo[/caption]
Na semana passada, conversando nas ruas de Goiânia ou andando de Uber, repórteres do Jornal Opção colheram aqui e ali, e de maneira nada dispersa, uma opinião do eleitorado que lembra muito o que aconteceu em 1998. Não se está sugerindo que fenômenos políticos se repetem e o que aconteceu em 1998, quando Marconi Perillo derrotou Iris Rezende e se elegeu governador pela primeira vez — as pessoas diziam, em todos os lugares, “Iris Rezende vai ganhar, mas vou votar no Marconi” —, acontecerá, necessariamente, em 2016, com Vanderlan Cardoso (PSB) derrotando Iris Rezende (PMDB) na disputa pela Prefeitura de Goiânia. O que se vai dizer a seguir é que as pessoas estão dizendo, de maneira espontânea, quase sempre o seguinte: “Vou votar em Vanderlan Cardoso, mas Iris Rezende vai ganhar”.
As chamadas ondas, que são produzidas, na falta de uma explicação mais convincente, por uma espécie de inconsciente coletivo, ocorrem em processos eleitorais. Às vezes, quando não são percebidas a tempo, resultam naquilo que se denominam de “surpresas eleitorais”. Mas, desde já, se está anotando, com o devido registro, que as pessoas estão dizendo, em vários lugares e dias diferentes, quase sempre a mesma coisa: “Vou votar em Vanderlan Cardoso, mas Iris Rezende vai ganhar as eleições”. Parece, até, um mantra.
O crescimento de Vanderlan Cardoso nas pesquisas, o que começa a criar aquilo que os cientistas políticos nominam de “expectativa de poder”, pode resultar da onda “vou votar em Vanderlan Cardoso, mas Iris Rezende vai ganhar as eleições”. Não se trata de um crescimento bombástico, é claro. Mas é uma crescimento diferenciado. Percebe-se que, após ganhar digamos um grupo de eleitores, Vanderlan Cardoso não o perde mais — é como se se tornasse cativo. Trata-se do que denominam de “voto consolidado”, que é quando o eleitor define seu candidato e não o troca mais, considerando que é o melhor em definitivo.
No momento, pesquisadores altamente especializados sugerem que há três tipos de eleitores que avaliam como “soltos”, “levemente soltos” e os “casmurros”. As nomenclaturas podem parecer estranhas, até estranhíssimas, e são mesmo. Mas querem dizer coisas simples. Os eleitores soltos são os que, até o momento, estão acompanhando as campanhas e tendem a votar naquele que acreditam que vai ganhar. Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, como orcas em cardumes de sardinhas, começam a “atacá-los”. Os “levemente soltos” ora estão com um candidato, ora estão com outro, mas, na prática, estão de olho na expectativa de poder. São alvos dos líderes do PSB e do PMDB. Os “casmurros” podem ser encontrados tanto entre os indecisos quanto entre os que dizem que não votarão em ninguém, mas na hora agá votam em alguém. As três estirpes são adeptas do voto útil.
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Iris Rezende é o criador de Paulo Garcia e também é o pai de seu desgaste político. Mas foge de suas responsabilidades na capital[/caption]
Aos 82 anos, Iris Rezende, do PMDB, faz parte da história de Goiás, e com certo mérito. Nos seus dois governos, contribuiu para construir uma ampla malha viária no Estado — ainda que não se preocupasse em fazer acostamentos, que representam segurança. Mas, como político, tem um defeito básico: aprecia tentar apagar a história positiva de seus adversários para reescrevê-la negativamente. Fez isto com Henrique Santillo, na década de 1990, quando voltou ao governo do Estado. Agora está tentando fazer o mesmo com o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT.
Depois de exigir que Paulo Garcia fosse seu vice, na eleição de 2008, contrariando inclusive parte do PT, que tinha outras prioridades, e depois de bancá-lo para prefeito em 2012, Iris Rezende virou-se contra a criatura e começou a atacá-la de maneira indireta, usando intermediários, como José Nelto e, sobretudo, Agenor Mariano, o vice-prefeito da capital. Ao ficar calado, talvez por não entender o jogo que Iris Rezende estava montando, o petista cometeu um erro político, tornando-se o novo Henrique Santillo.
Para disputar a Prefeitura de Goiânia pela quarta vez, Iris Rezende queria se apresentar como oposição e, sobretudo, planejava voltar ao poder alegando que Paulo Garcia havia arrasado a cidade. Para tanto, logicamente, precisava romper com o prefeito. Foi o que fez, o que prova que não tem o hábito de ser leal aos que lhe são leais. Com deixou dívidas e maquinário, sobretudo o da coleta de lixo, sucateado, Iris contribuiu para travar a gestão do petista, ao menos por algum tempo. Só agora, depois de um desgaste incontornável, porque se tornou uma segunda pele, é que Paulo Garcia está deslanchando, talvez porque tenha se libertado do peemedebista.
Paulo Garcia tem desgaste. Mas o fato mais verdadeiro, porém submerso, é o seguinte: o desgaste do prefeito do PT tem um pai. Quem é? Sem tirar nem pôr, trata-se de Iris Rezende.
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Iris Rezende e Delegado Waldir: os favoritos do Instituto Paraná | Fotos: Jornal Opção[/caption]
Dois iristas sustentam que Iris Rezende, candidato do PMDB a prefeito de Goiânia, trabalha para liquidar a fatura no primeiro turno, porque sabe que o segundo turno é uma pedreira, sobretudo se a disputa for contra Vanderlan Cardoso, do PSB.
O irismo sugere que, no segundo turno, Vanderlan vai contar com uma aliança ainda mais ampla, incorporando possivelmente o PT de Adriana Accorsi e o PSD de Francisco Júnior. Porém, acreditam que, ao menos no caso do PT, que tem várias correntes — uma delas (a de Luis Cesar Bueno) pode apoiar Iris —, o apoio será mais informal do que formal, quer dizer, poderá ser concedido, mas não se entra de fato na campanha.
Mas o grande trunfo do irismo, ao menos no entendimento de seus integrantes, é o possível apoio do Delegado Waldir. Na opinião dos iristas, o deputado, por ter rompido com o governo do Estado, não terá condições de apoiar Vanderlan. Assim, acabará, de graça, no colo de Iris.
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Arquivo[/caption]
A candidata do PT a prefeita de Goiânia, Adriana Accorsi, é uma política serena e avessa a agressões políticas, sobretudo se houver conotações pessoais. Porém, não lhe resta alternativa: a partir de agora, a militância do PT e ela própria vão partir para cima do Delegado Waldir Soares, postulante do PR. O motivo é prosaico: o candidato do PSB, Vanderlan Cardoso, tende a crescer, descolando-se de Waldir e aproximando de Iris Rezende. Portanto, se não crescer nos próximos dez dias, aproximando-se e superando o delegado-deputado, a petista pode adeus ao pleito. Porém, se conseguir ganhar o terceiro lugar do líder do PR, criando expectativa de poder, terá condições de se aproximar de Vanderlan Cardoso.
Depois de sua prisão no Rio de Janeiro, Carlos Cachoeira, que se intitula a nova Geni da política brasileira — teme que seja preso por crimes cometidos no século 19 —, voltou para sua residência no Residencial Cruzeiro, em Alphaville. Um político goiano conversou demoradamente com o empresário, que alterna dois momentos. Primeiro, quando fala de suas duas paixões, a filha bebê, Clara, e a mulher Andressa Mendonça, é só alegria e contentamento. Segundo, quando comenta sobre sua prisão, permanece magoado. Ele tem dito que nada tem a ver com obras no Rio de Janeiro, seja no Maracanã ou noutro lugar, em sociedade com Fernando Cavendish. O político percebeu que não está pintando o cabelo, está mais magro, mas permanece sereno, dialogando com tranquilidade.

