Euler de França Belém
Euler de França Belém

O que está por trás das 11 demissões da Folha de S. Paulo? Um mercado que jornais ainda não entendem

O acesso na internet é formidável. Todos estão contentes. Mas o faturamentos dos jornais na internet não contribui para manter as estruturas físicas

esfinge-grega

Os jornais estão numa encruzilhada, que pode ser momentânea ou não. Os anúncios da versão impressa são mais caros e mantêm os lucros — pequenos, médios ou grandes — das empresas. Os anúncios da versão online às vezes são até fartos, mas não garantem a manutenção da estrutura. O fato está ocorrendo com todos os jornais, pois ainda não se descobriu a fórmula de os jornais faturaram “muito” dinheiro com seus portais-sites. Não se discute acesso, quase sempre alto (até muito alto) e em expansão. O problema é a sustentabilidade financeira. O “problema” — para o qual não se tem solução a médio prazo — é agravado pela crise econômica do país, que reduz tanto o número de anunciantes quanto os valores dos anúncios. Por trás das palavras “contenção de despesas” e “ajustes à economia real” está o que se disse antes. A tendência é que as empresas de comunicação passem a trabalhar com equipes cada vez menores e passem a comprar material de agências (o que “O Popular” está fazendo, comprando, por sinal, material produzido pela “Folha”) ou de jornalistas free lancers (que, não raro, estão à beira da escravidão ou da servidão voluntária).

A “Folha de S. Paulo” anunciou a demissão de 10 jornalistas e uniu os cadernos de “Esportes e Cotidiano” — as equipes serão as mesmas — e tornou mais enxuta uma de suas sucursais mais valorizadas, a do Rio de Janeiro, que só perdia, se perdia, em estrutura para a de Brasília. Novas demissões estão previstas e, mesmo quando previstas, virão (pelos motivos apresentados no primeiro paragráfo). A decisão foi anunciada na quinta-feira, 8.

Acrescente-se que as demissões de agora fazem fazer parte de um processo. O grupo Folha da Manhã vem demitindo há algum tempo e enxugando a redação. Isto não vai parar, exceto se a empresa conseguir ganhar mais dinheiro com a internet.

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Cristiano Vieira

Num mundo de redes sociais, onde as pessoas estão lendo só títulos, percebemos que o conteúdo realmente pouco tem importado. Vejo publicações de manchetes tendenciosas no facebook, com títulos polêmicos. As pessoas reagem (curtem, amam, odeiam, etc…) e comentam sem ler. A leitura é ignorada. Vejo ainda que muitos portais trazem textos extensos e sem objetividade, o que afasta o leitor. Já os jornais goianos (os dois maiores – DM e O P) publicam notícias superficiais, sem informações suficientes, com excessos de erros de digitação, concordância, gramatical. Isso tudo pode afastar leitor e anunciantes e determinar a morte do meio… Leia mais