Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livro conta que Hillary agrediu Bill Clinton, que tomou pontos na cabeça

Ao descobrir o caso do marido com Monica Lewinsky, a ex-primeira-dama atacou com um livro

Dois livros contam um pouco das estripulias sexuais do ex-presidente Bill Clinton. O livro de Hillary Clinton é mais moderado, mas mostra sua irritação com as infidelidades do marido. Ele continua mulherendo

Dois livros contam um pouco das estripulias sexuais do ex-presidente Bill Clinton. O livro de Hillary Clinton é mais moderado, mas mostra sua irritação com as infidelidades do marido

Se depender das fanfarronices do pato Donald Trump, Hillary Clinton será a próxima presidente dos Estados Unidos. Seria sua terceira passagem pela Casa Branca, pois seu marido, Bill Clinton, governou o país, por duas vezes, durante oito anos. Mulherengo, dos inveterados, quase sofreu impeachment, e um dos motivos foi suas mentiras envolvendo a estagiária Monica Lewinsky, com quem tinha um caso. No livro “Por Dentro da Casa Branca — As Histórias Privadas da Residência Mais Famosa do Mundo” (Planeta, 335 páginas, tradução de Marcelo Levy), de Kate Andersen Brower, jornalista da Bloomberg News, retoma-se o caso, a partir de depoimentos de funcionários da mansão. Quem tiver tempo, e quiser nuançar a história, pode ler paralelamente o romance “A Marca Humana” (Companhia das Letras, 454 páginas, tradução de Paulo Henriques Britto); a autobiografia de Hillary Clinton, “Vivendo a História” (Globo, 615 páginas, tradução de Cid Knipel e Domingos Demasi); e “Virada no Jogo — Como Obama Chegou à Casa Branca” (Intrínseca, 462 páginas, tradução de Clóvis Marques), dos jornalistas John Heilemann e Mark Halperin. Roth não fala especificamente de Bill Clinton, mas usou o caso como inspiração para expor o moralismo rastaquera dos americanos. “A fantasia da pureza é um horror”, afirma-se no romance.

Na autobiografia, Hillary Clinton conta que, inicialmente, Bill Clinton mentiu e, depois, assumiu que havia mantido um caso com Monica Lewinsky. “A observação de Eleanor Roosevelt de que toda mulher com uma vida política precisa ‘criar uma pele tão dura quanto a de um rinoceronte’ tornara-se um mantra para mim, à medida que enfrentava uma crise após a outra.” Mesmo assim, ao saber do relacionamento do marido, abateu-se. “Eu mal conseguia respirar. Sufocando, comecei a chorar e a gritar com ele: ‘Como assim? O que está dizendo? Por que mentiu para mim?’. Eu estava furiosa e ficava mais a cada segundo. Ele apenas permaneceu parado ali, repetindo: ‘Sinto muito. Estava tentando proteger você e Chelsea’”.

Hillary diz que o caso Bill Clinton e Monica Lewinsky, sobretudo as mentiras do marido, “foi a experiência mais devastadora, chocante e dolorosa de” sua “vida”. Ela conta que só Buddy, o cachorro da família, queria ficar perto do presidente.

O livro de Kate Brower é menos discreto — fala-se, por exemplo, que Bill Clinton “teve quase uma dúzia de relações sexuais” com Monica Lewinsky, “a maioria no Salão Oval” —, apesar da discrição dos funcionários da Casa Branca. Certa vez, os funcionários descobriram “sangue na cama do presidente e da primeira-dama”. A jornalista conta que “o sangue era de Bill Clinton, que teve de levar vários pontos na cabeça. Ele insistia que tinha se machucado ao dar um encontrão na porta do banheiro no meio da noite. Mas ninguém engoliu a versão”. Um funcionário contrapôs: “Estamos convencidos de que ela bateu nele com um livro”. Hillary Clinton mantinha “pelo menos 10 [livros] em seu criado-mudo. Inclusive uma Bíblia”. “Se alguém colocasse na mão dela uma frigideira, ela teria batido com tudo na cabeça dele”, relatou Susan Thomases, amiga íntima e assessora política da ex-primeira-dama. Mas, curiosamente, acrescenta: “Nunca passou pela cabeça dela deixá-lo ou se divorciar dele”. Os dois formavam ou formam um casal alegre, que ria muito, informam funcionários da Casa Branca.

Kate Brower escreve que Bill Clinton autografou um exemplar de “Folhas de Relva”, de Walt Whitman, mas esqueceu de entregá-lo para Monica Lewinsky. Meio desesperado, pediu a um funcionário que fosse buscá-lo no quarto. Uma funcionária ligou para Hillary. “Alguns instantes depois, um livro saiu voando do quarto. Hillary o havia arremessado no correr.”

Dois mordomos da Casa Branca ouviram Hillary xingar o presidente: “Seu maldito desgraçado”. E, aparentemente, ela jogou um abajur no marido. “Durante três ou quatro meses de 1998, o presidente dormiu em um sofá no escritório anexo ao quarto do casal, no segundo andar. A maior parte das funcionárias achou que ele mereceu.”

“Virada no Jogo” relata que, mesmo depois do escândalo com Monica Lewinsky, Bill Clinton continuou saindo com outras mulheres e chegou a ter um caso mais forte com uma delas. E andava junto com um playboy americano.

Os livros sugerem, porém, que, apesar dos romances de Bill Clinton — que seria priápico —, o casal não vive tão mal assim. Na autobiografia, Hillary enfatiza que havia uma conspiração política, que usou o moralismo para tentar derrubá-lo da Presidência, e chega a mencionar um bilionário que a liderava, ou ao menos participava de sua articulação. O ex-presidente apoia firmemente sua carreira política. Mas os assessores de Hillary são utilizados, muitas vezes, para vigiarem os excessos “amorosos” do marido.

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