Descoberta arqueológica no México revela cidade Maia perdida há mais de mil anos
28 junho 2026 às 18h00

COMPARTILHAR
Uma expedição liderada pelo arqueólogo Ivan Šprajc anunciou a descoberta de uma cidade Maia preservada na Reserva da Biosfera de Calakmul, no estado de Campeche, sul do México. O sítio arqueológico recebeu o nome de Minanbé, termo do Maia iucateque que significa “não há estrada”, em referência ao difícil acesso ao local. A cidade reúne palácios, templos, altares, canais e monumentos esculpidos que oferecem novas pistas sobre o auge e o declínio da civilização Maia nas Terras Baixas.
Para alcançar o sítio, a equipe percorreu quase cinco quilômetros de vegetação densa, já que não existem trilhas de exploração na região. Esse isolamento contribuiu para a preservação das estruturas, que permanecem aparentemente intactas e sem sinais de saque. Segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História do México, trata-se de uma descoberta inédita.
Antes da exploração terrestre, os pesquisadores utilizaram tecnologia LiDAR para identificar construções ocultas sob a floresta. O levantamento aéreo revelou uma área de aproximadamente 16 hectares organizada em praças cercadas por palácios, edifícios cerimoniais, terraços e canais. Entre os elementos mais singulares está uma plataforma de pedra ornamentada com figuras e símbolos, considerada sem paralelo em outros sítios conhecidos.
Uma das peças mais notáveis é uma pedra esculpida com cerca de um metro e meio de diâmetro e mais de dois metros de altura. A cena retrata duas figuras em um possível ritual religioso, aparentemente recebendo um líquido interpretado como água sagrada. O edifício mais alto identificado é uma pirâmide-templo de 12 metros, construída no estilo arquitetônico Río Bec, característico do período Clássico Tardio.
Os arqueólogos localizaram 14 estelas e altares distribuídos pelo sítio. Uma delas traz inscrições intactas e representa uma cena de decapitação datada de 849 d.C., período próximo ao colapso da civilização Maia nas Terras Baixas. Outro altar mostra um governante adornado com cocar de penas e joias, acompanhado de símbolos do calendário Maia, indicando que a peça foi esculpida no final do século 7, tornando-se o monumento mais antigo de Minanbé.
As análises epigráficas estão sendo conduzidas por Octavio Esparza Olguín, que recebeu centenas de imagens registradas pela equipe. Os resultados reforçam a importância de Minanbé durante o período Clássico Tardio, quando as cidades Maias da região reuniam milhões de habitantes. Para Šprajc, a descoberta confirma que a área foi intensamente transformada para atividades agrícolas e desempenhou papel relevante na história Maia.
A cidade antiga de Minanbé integra uma série de cidades reveladas pelas expedições de Šprajc, como Ocomtún. Apesar das dificuldades impostas pela selva, o arqueólogo afirma que o trabalho continua recompensador e que cada nova descoberta amplia o conhecimento sobre a complexa trajetória da civilização Maia.
Leia também:
Nova legislação pode mudar futuro de empresas em crise; entenda o debate sobre recuperação judicial
Pré-venda de GTA VI começa no Brasil; confira quanto custa o jogo



