“Não roubei, não matei”, diz Amauri Ribeiro ao defender suspensão de ação penal contra ele
01 junho 2026 às 18h49

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O deputado estadual Amauri Ribeiro (PL) defendeu o pedido de suspensão da ação penal que tramita contra ele na Justiça Eleitoral e negou que a medida represente uma tentativa de escapar de eventual julgamento. Segundo o parlamentar, a solicitação em análise na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) trata de uma prerrogativa constitucional garantida aos membros do Poder Legislativo.
O posicionamento ocorre após críticas da deputada estadual Bia de Lima (PT), que classificou a proposta como uma tentativa de interferência da Assembleia em um processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO).
Amauri afirmou que tem recebido apoio de colegas parlamentares e atribuiu a mobilização ao entendimento que eles têm sobre o caso. “Estou tendo apoio dos deputados que sabem quem eu sou e sabem a realidade do que está acontecendo no país hoje”, declarou.
Em entrevista ao Jornal Opção, o deputado argumentou que as acusações contra ele têm origem em debates políticos travados durante o exercício do mandato parlamentar. Para Amauri, o caso representa uma tentativa de criminalização de posicionamentos ideológicos.
“Eu não cometi crime algum. Não roubei, não matei. O que estão me acusando aqui é de um crime que nunca existiu, de debates dentro do Parlamento”, declarou.
O parlamentar também citou depoimentos prestados no âmbito do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa. Segundo ele, testemunhas ouvidas durante a apuração teriam confirmado que os episódios questionados ocorreram em meio a discussões políticas e ideológicas entre parlamentares.
“A Comissão de Ética ouviu as testemunhas da própria deputada e elas disseram que eram discussões de plenário, discussões ideológicas entre esquerda e direita. Nenhuma citou ataque pessoal”, afirmou.
Leia também: Alego analisa pedido para suspender ação penal contra Amauri Ribeiro; Bia de Lima chama medida de “absurdo”
Amauri ainda criticou o que considera tratamento desigual a políticos de diferentes correntes ideológicas. Na avaliação do deputado, manifestações de parlamentares identificados com a direita têm sido alvo de maior rigor por parte das instituições.
“Não é mais o que você fala, é quem fala. Quando é alguém da direita, qualquer coisa é tratada como crime”, disse.
O deputado também rebateu as críticas de que estaria tentando se esconder atrás das prerrogativas parlamentares. Segundo ele, o pedido de sustação não beneficia apenas sua defesa, mas protege garantias institucionais da própria Assembleia Legislativa.
“Eu tenho uma prerrogativa que não é minha, é da Casa. Está garantida na Constituição Federal e na Constituição Estadual”, afirmou.
Relembre o caso
O líder do União Brasil na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), deputado Lincoln Tejota, protocolou um requerimento solicitando a suspensão da ação penal movida contra o deputado estadual Amauri Ribeiro (PL). O pedido foi apresentado após o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) receber denúncia contra o parlamentar no processo nº 0600913-35.2024.6.09.0000, que trata da suposta prática do crime previsto no artigo 326-B do Código Eleitoral.
No requerimento, Tejota argumenta que os fatos atribuídos a Amauri Ribeiro estariam relacionados a manifestações feitas durante o exercício do mandato parlamentar e em debates políticos, o que, segundo o documento, atrairia as garantias constitucionais asseguradas aos integrantes do Poder Legislativo. A proposta se baseia em dispositivos da Constituição Federal, da Constituição Estadual e do Regimento Interno da Alego que permitem à Casa deliberar sobre a suspensão de ações penais contra parlamentares por fatos ocorridos após a diplomação.
A matéria começou a ser analisada pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Alego nesta segunda-feira, 1º. Durante a discussão, a deputada Bia de Lima (PT) se posicionou contra a proposta e afirmou que a medida representa uma tentativa de interferência da Assembleia em um processo que tramita na Justiça Eleitoral.
A parlamentar classificou a iniciativa como um “absurdo” e argumentou que o Legislativo não deveria criar obstáculos ao andamento da ação penal. Para Bia, o pedido busca impedir que a Justiça analise as acusações feitas contra o deputado.
“O deputado está tentando fugir da Justiça, escondendo-se atrás desse decreto. Mandato não é para cometer crime. A Justiça está fazendo o seu papel e o deputado deve se defender lá”, afirmou durante reunião da CCJ.
Ao final da discussão, a deputada solicitou vista do processo, adiando a votação do parecer na comissão. Após a conclusão da análise na CCJ, a proposta ainda precisará ser apreciada pelo plenário da Assembleia Legislativa, onde dependerá do voto favorável da maioria absoluta dos deputados estaduais para ser aprovada.



