A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou maioria de votos para condenar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo que apura a tentativa de golpe em 2022. O julgamento ainda não foi concluído, pois falta o voto do ministro Flávio Dino, presidente da Turma.

O relator Alexandre de Moraes abriu a votação defendendo a condenação. Ele foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Para Moraes, há provas de que Eduardo tentou interferir no julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por meio de articulações no exterior. O ministro destacou que o réu buscou apoio junto ao governo dos Estados Unidos para criar instabilidade e pressionar o Supremo.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Eduardo Bolsonaro promoveu ações entre janeiro e setembro de 2025 com o objetivo de constranger ministros e impedir a responsabilização de Jair Bolsonaro. A acusação apresentou mensagens trocadas entre pai e filho, além de publicações em redes sociais, como evidências da tentativa de coação.

Cristiano Zanin afirmou que os atos analisados demonstram de forma clara o crime de coação, enquanto Cármen Lúcia ressaltou que houve uma sucessão de iniciativas que configuraram um percurso criminoso. O subprocurador-geral da República Antônio Edílio Magalhães reforçou que o conjunto de provas confirma a conduta criminosa e que o objetivo era sobrepor interesses pessoais às normas legais.

Na defesa, a Defensoria Pública da União pediu a absolvição por falta de provas. O defensor Esdras dos Santos Carvalho argumentou que as manifestações de Eduardo estavam protegidas pela liberdade de expressão e que o ex-deputado não teria poder de decisão sobre atos do governo americano. A defesa também alegou que o processo deveria ser anulado por questões formais, incluindo a participação de Alexandre de Moraes no julgamento.

Com a maioria já formada, o resultado final dependerá do voto do ministro Flávio Dino. Caso seja confirmada a condenação, Eduardo Bolsonaro será responsabilizado por tentar interferir no julgamento da trama golpista que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Leia também:

Presidente do Novo em Goiás, Alano Queiroz, afirma que falas de Eduardo Bolsonaro não abalam aliança com o PL

Caneta emagrecedora feita no Brasil chega às farmácias nesta segunda; veja quanto custa

Governo de Goiás aponta uso de critérios políticos na distribuição de verbas da saúde pela União