Goiás deve se manter como o maior produtor de sorgo do Brasil pelo oitavo ano consecutivo. De acordo com o 8º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado tem produção estimada em 2,2 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume 40,3% superior ao registrado no ciclo anterior e equivalente a 29,3% de toda a produção nacional.

O crescimento também é observado na área cultivada. A estimativa aponta expansão de 59,9%, passando de 394,7 mil para 631,1 mil hectares, com produtividade média prevista de 3,5 toneladas por hectare. A resistência do sorgo ao déficit hídrico, a adaptação à segunda safra e o uso predominante na nutrição animal estão entre os fatores que impulsionam a expansão da cultura.

Segundo o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ademar Leal, o aumento da produção reflete a capacidade dos produtores goianos de diversificar as lavouras e fortalecer cadeias estratégicas do agronegócio. Ele destaca ainda o potencial do cereal para abastecer a indústria de proteínas animais e ampliar oportunidades para a agroindústria e o setor de bioenergia.

A produção de sorgo está distribuída em 128 municípios goianos, com destaque para as regiões Sul e Entorno do Distrito Federal. Cristalina e Rio Verde lideram o ranking nacional de produção do grão e, juntas, responderam por 28,3% do volume colhido em Goiás na safra passada.

Dados da Plataforma Aroeira também apontam crescimento expressivo em municípios como Montividiu, cuja produção aumentou quase 14 vezes em um ano. A expansão da cultura também foi registrada em cidades como São Domingos e São Miguel do Araguaia. Em produtividade, Itapaci apresentou o melhor rendimento médio do estado, com 4 toneladas por hectare, seguido por Rio Verde e Flores de Goiás.

Além do mercado tradicional, o sorgo vem ganhando espaço como matéria-prima para a produção de etanol. O governo estadual destaca que o desenvolvimento do sorgo sacarino pode complementar a produção durante a entressafra da cana-de-açúcar, aproveitando a infraestrutura já instalada nas usinas.

A integração entre as cadeias de biocombustíveis e de nutrição animal também favorece a geração de coprodutos, como os grãos secos de destilaria (DDGs), utilizados na alimentação de rebanhos. Segundo o governo, esse modelo contribui para tornar o agronegócio goiano mais diversificado, eficiente e sustentável.

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