O avanço da produção de etanol de milho está transformando Goiás em um dos principais polos de bioenergia do país. Com novos investimentos bilionários, ampliação de usinas e crescimento da demanda por combustíveis renováveis, o estado caminha para assumir a segunda posição nacional na produção de etanol de milho, fortalecendo a industrialização do agronegócio e criando novas oportunidades para produtores rurais.

Atualmente, Goiás é o terceiro maior produtor brasileiro de etanol de milho e vive um momento de forte expansão do setor. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, a tendência é de crescimento acelerado nos próximos anos.

“Nós temos uma produção de cerca de 12 milhões de toneladas de milho, dos quais pouco mais de 2 milhões de toneladas já são destinadas à produção de etanol de milho e seus coprodutos, como o DDG e o óleo. Até o final do ano que vem, esperamos destinar cerca de 6 milhões de toneladas de milho para a produção de etanol, ou seja, devemos triplicar a produção de etanol a partir do milho”, afirmou em entrevista ao Jornal Opção.

O crescimento é impulsionado por uma série de investimentos em diferentes regiões do estado. Entre eles estão a ampliação das operações do Grupo Cerradinho, em Chapadão do Céu, da São Martinho, em Quirinópolis, e da usina de Vicentinópolis. Além disso, a Energética Serranópolis deverá iniciar o processamento de milho ainda este ano.

Outro empreendimento que promete mudar o cenário do setor é a chegada da Inpasa em Rio Verde. Segundo o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ademar Leal, a unidade será a maior indústria de etanol de Goiás.

“A Inpasa está sendo construída em Rio Verde com investimento entre R$ 2,5 bilhões e R$ 2,8 bilhões. Ela já é a maior produtora do país e a instalação dessa unidade vai aumentar muito a nossa produção”, destacou.

Ademar afirma que o principal gargalo no agronegócio ainda é a questão de energia | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Além de Rio Verde, o secretário cita que as principais indústrias do segmento estão localizadas em municípios como Quirinópolis, Chapadão do Céu e Montividiu.

Coprodutos fortalecem a pecuária

Um dos fatores que ajudam a explicar o avanço do etanol de milho é a produção dos chamados coprodutos industriais. Após a retirada do amido utilizado na fabricação do combustível, o restante do grão é transformado em produtos de alto valor nutricional para a alimentação animal.

Entre eles está o DDG (grãos secos de destilaria), utilizado nas cadeias de bovinocultura, suinocultura e avicultura.

“Você tira o amido do milho e o que sobra é um alimento rico em proteína e de excelente qualidade para bovinos, suínos e aves. O que você tira de milho volta para o mercado na forma de DDG. Não na mesma proporção, mas retorna como um alimento extremamente rico”, explicou Ademar Leal.

Segundo o secretário, a expansão das usinas não representa uma ameaça ao abastecimento de milho para a produção de ração. Pelo contrário.

“Não vai impactar porque a produção de milho em Goiás aumenta em volume considerável. Essas indústrias criam um ciclo virtuoso e estão viabilizando vários projetos de confinamento, granjas e outras atividades pecuárias”, afirmou.

André Rocha também avalia que a industrialização do milho gera um estímulo adicional para o produtor rural.

“Quando você começa a industrializar cada vez mais, isso incentiva o produtor, que passa a ter mais uma possibilidade de venda, não apenas para exportação ou comercialização com tradings, mas também para agregar valor ao seu produto por meio da indústria”, disse.

André Rocha, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) | Foto: Divulgação

Alternativa aos combustíveis fósseis

Em meio às discussões globais sobre segurança energética e redução das emissões de carbono, o etanol de milho também ganha espaço como alternativa aos combustíveis fósseis.

Para Ademar Leal, o principal impacto ambiental da atividade é justamente a substituição de fontes não renováveis de energia.

“O impacto é positivo no sentido de ampliar o uso de combustíveis renováveis e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis”, afirmou.

O secretário destaca ainda que a expansão do setor ocorre sobre áreas agrícolas já consolidadas, sem necessidade de abertura de novas fronteiras produtivas.

Além disso, segundo ele, as próprias usinas desempenham papel importante na prevenção e combate a incêndios em áreas rurais, uma vez que queimadas representam prejuízos significativos para a produção agrícola.

Goiás avança na bioenergia

A expansão do etanol de milho reforça uma vocação que Goiás já possui no setor energético. O estado é um dos maiores produtores nacionais de etanol de cana, açúcar e biodiesel, e começa a avançar também na produção de biometano.

“Hoje somos o segundo maior produtor de etanol de cana, o terceiro produtor de açúcar e também temos crescido muito na produção de biodiesel. Estamos começando a produzir biometano, principalmente a partir da vinhaça das usinas. Isso mostra que Goiás tem uma vocação muito forte para a bioenergia”, destacou André Rocha.

Segundo o presidente da Fieg, a expectativa é que Goiás ultrapasse Mato Grosso do Sul ainda este ano e assuma a posição de segundo maior produtor brasileiro de etanol de milho.

Com novos investimentos, aumento da capacidade industrial e crescimento da produção agrícola, o estado consolida sua posição estratégica no setor de combustíveis renováveis e fortalece sua participação na transição energética brasileira.

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