Com aumento médio de 0,75% em maio, itens de limpeza registraram a segunda maior alta do ano na capital. Especialista aponta influência dos juros elevados e das tensões internacionais sobre os custos da cadeia produtiva.

Os consumidores de Goiânia encontraram os produtos de limpeza mais caros em maio. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que os preços dos artigos de higiene e limpeza aumentaram, em média, 0,75% no mês passado na capital goiana.

O reajuste representa a segunda maior alta registrada em 2026 para o segmento, ficando atrás apenas de março, quando os preços avançaram 1,21%. Em abril, os produtos já haviam registrado aumento médio de 0,27%, o que demonstra uma sequência de três meses consecutivos de elevação nos valores cobrados ao consumidor.

Embora a variação pareça pequena à primeira vista, ela afeta diretamente o orçamento doméstico, especialmente em um contexto de inflação persistente e perda do poder de compra das famílias. Itens como detergentes, desinfetantes, água sanitária, sabão em pó e limpadores multiuso fazem parte das compras recorrentes dos consumidores e acabam pesando no orçamento quando acumulam reajustes sucessivos.

Pressão vem de dentro e de fora do país

Para o consultor em produtos de higiene e limpeza Rafael Gonçalves, CEO da Aqualis Soluções, o aumento dos preços não pode ser explicado por um único fator. Segundo ele, o cenário econômico nacional e as incertezas no mercado internacional têm pressionado toda a cadeia produtiva do setor.

De acordo com o especialista, os juros elevados no Brasil continuam impactando empresas e consumidores, enquanto a instabilidade geopolítica no Oriente Médio gera preocupação em relação ao fornecimento global de petróleo, matéria-prima que influencia diversos custos industriais.

“O preço do diesel, por exemplo, mexe em todo o tabuleiro da cadeia produtiva, pelo peso que ele tem na valoração dos fretes. Fretes mais caros significam preços mais elevados nas gôndolas, porque as indústrias, as distribuidoras e os supermercados não conseguem absorver sozinhos essa majoração nos custos de colocar os produtos disponíveis nas prateleiras para o consumidor final”, afirma.

A preocupação do setor aumentou nas últimas semanas diante da escalada das tensões envolvendo o Irã, um dos principais produtores de petróleo do mundo. Embora os reflexos nem sempre sejam imediatos, qualquer instabilidade no mercado internacional pode influenciar o preço dos combustíveis e, consequentemente, elevar os custos logísticos de diferentes segmentos da economia.

Impacto no bolso do consumidor

Os produtos de limpeza estão entre os itens considerados essenciais para o dia a dia das famílias e, por isso, dificilmente deixam de ser comprados mesmo em períodos de aperto financeiro. A consequência é que os consumidores passam a buscar alternativas para equilibrar o orçamento, como substituir marcas tradicionais por opções mais baratas, reduzir quantidades ou aproveitar promoções.

Para especialistas do setor, o comportamento dos preços nos próximos meses dependerá da evolução do cenário econômico brasileiro e das condições internacionais que influenciam o mercado de energia e transporte. Caso o preço dos combustíveis continue pressionado, os reajustes podem permanecer refletindo nos custos de produção e distribuição.

Enquanto isso, os consumidores seguem sentindo os efeitos diretamente no carrinho de compras. Com três meses consecutivos de alta, os produtos de limpeza se somam a outros grupos que vêm pressionando o orçamento das famílias goianienses ao longo de 2026.

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