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Em 2009, a rede municipal de educação estava com déficit em salas de aulas e professores. Desde então, um trabalho sério foi ralizado. “A cidade não para de crescer. É um desafio muito grande e temos trabalhado bem e alcançado bons resultados”, diz a secretária de Educação, Virgínia Maria Pereira de Melo. “Montamos um planejamento e estamos reestruturando a rede física. São 92 unidades e outras serão construídas, além de reforma e ampliação.” A qualificação dos professores é outra ação. “Aqui o professor também é pago para fazer parte de grupos de estudo e, assim, se aperfeiçoar”, afirma Virgínia. O plano de cargos e salários foi aprovado e, assim, os professores recebem o piso. O uso de notebooks e espaços digitais foi uma conquista e continua em expansão. No cronograma constam três inaugurações de Centros Infantis.
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, inaugurou com o prefeito João Gomes, o Centro de Artes e Esportes Unificados (Ceu) na terça-feira, 29, no Jardim Alvorada. Além de promover a cidadania em locais com alta vulnerabilidade social, políticas de prevenção à violência e inclusão digital são objetivos do centro. Os 3.000 m² construídos reúnem áreas esportivas, culturais e de lazer, além do Centro de Referência de Assistência Social (Cras). “O Ceu tem equipamentos necessários para oferecer às crianças e jovens da região oportunidades de crescimento pessoal e profissional”, disse Gomes. A gestão do centro é compartilhada entre a prefeitura e a comunidade. O Ministério da Cultura (MinC) garante recursos para o funcionamento do espaço, através do edital Funarte de Ocupação dos Ceus das Artes.
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Petista Fernando Pimentel lidera a sucessão no Estado de Minas Gerais. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr[/caption]
No segundo maior colégio eleitoral, Minas, os números da pesquisa do Ibope oferecem ao PSB do presidenciável Eduardo Campos a oportunidade de ser decisivo, com a Rede da vice-presidenciável Marina Silva, no segundo turno para governador. Logo eles, Campos e Marina, que eram os menos pretensiosos quanto à eleição ao governo mineiro.
A dupla desejava não mais do que ter um palanque mineiro à disposição da chapa presidencial do PSB-Rede para marcar presença no Estado. Ocupar o território com candidato próprio, que poderia ser o ambientalista Apolo Heringer, como desejava Marina para colocar holofote sobre um militante da Rede, o partido que gorou no Tribunal Superior Eleitoral. No fim, ficaram com o ex-deputado Tarcísio Delgado.
Agora veio a pesquisa e colocou na liderança Fernando Pimentel (PT), velho amigo da presidente Dilma, com 25% da preferência dos eleitores. A seguir, o tucano Pimenta da Veiga, que representa o presidenciável e ex-governador Aécio Neves, como opção de 21% dos mineiros. Entre os dois favoritos, há um equilíbrio.
Aí, surgiu a incógnita Tarcísio Delgado (PSB). Abaixo deles, em terceiro, com 3% de apoio. Ele que entrou na disputa apenas para garantir o palanque, cedeu-se ao apelo de Campos e de seu próprio filho Júlio Delgado, deputado pelo PSB deles. Agora, todos eles podem decidir a eleição mineira em conjunto com a sucessão presidencial.
A incógnita está na tendência do PSB-Rede quanto aos dois segundos turnos, o de Minas e o presidencial. Campos fez história com o PT de Lula, de quem foi ministro da Ciência e Tecnologia. Depois se afastou do governo para ter vida própria com o PSB. Aproximou-se de Aécio Neves numa inclinação de ambos a aliança no segundo turno federal.
Veio Marina, levou a Rede, aliou-se a Campos e impôs a distância deles a Aécio. A inclinação anterior de Campos era apoiar o PSDB na disputa pelo governo de Minas. Mas Marina insistia na candidatura de Apolo Heringer, sem experiência eleitoral. Então se chegou a Tarcísio Delgado, deputado da antiga ala autêntica do MDB.
O movimento das contradições entre Campos e Marina sugere que, na negociação do segundo turno, eles podem assumir qualquer posição. Tanto apoiar Dilma ou Aécio quanto ter apoio do tucano se ele não chegar lá.
Na opção entre Pimentel e Pimenta, a decisão deve ser uma cláusula do acordo maior, o presidencial. Segundo o Ibope, Aécio tem 41% dos votos em Minas. Dilma, 31. Campos, 5 pontos.
Notícia satírica sobre overdose de maconha, que usou personagens de filmes no texto, foi reproduzida em portal do grupo antidrogas da Polícia Militar e “caiu na rede”. Não é a primeira vez no ano que instituições policiais sofrem com pegadinhas
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Tucano Geraldo Alckmim: pesquisas dão sua vitória no 1º turno em S. Paulo. Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil[/caption]
A mais nova pesquisa do Ibope confirma que a reeleição de Dilma Rousseff ficará mais fácil se a presidente conseguir se colar ao mesmo tempo a dois candidatos ao governo paulista, Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT). Lula ficaria feliz com a possibilidade de levar um os dois governistas ao segundo turno contra a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin.
Há duas semanas, a pesquisa do Datafolha atribuiu a Alckmin a preferência de mais da metade dos eleitores paulistas, 54%. Agora, veio o Ibope e reduziu a opção pelo tucano à metade exata, 50 pontos. A cotação de Skaf também foi desvalorizada: desceu de 16% no Datafolha para 11 no Ibope. Padilha cresceu de 4% no Datafolha para 5 no Ibope.
Nas duas pesquisas, Alckmin seria reeleito em primeiro turno, mas o Ibope ofereceu, na hora certa, um estímulo ao PT-PMDB para trazer Skaf à companhia de Dilma. Se o peemedebista rebelde, em linha de queda ibopiana, se juntar ao PT, teria mais chance de um duelo em segundo turno contra o também decadente Alckmin — ou Padilha em ascensão.
O momento da recomposição entre candidatos teria de ser este, a dois meses do primeiro turno. Para os petistas, está passando da hora de Dilma conquistar Skaf para, pelo menos, reduzir a rejeição que recebe em São Paulo.
A diminuição viria com o apoio de eleitores e empresários que hoje estão com o peemedebista. Os amigos continuariam com Skaf apesar de Dilma ao lado do governadoriável? O Ibope atribuiu 30% dos votos no Estado a Dilma, 25 a Aécio e 6 pontos a Eduardo Campos (PSB).
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Guilherme Boulos, Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino: guerra verborrágica em “debate” com argumentos que mais se assemelham a uma discussão de torcedor na arquibancada[/caption]
“Quando abro o jornal, sintonizo a rádio ou ligo a TV, quero que o jornalista me relate o que aconteceu de fato. Nada mais que isso. A partir do que eu ler, ouvir ou ver, formo minha própria opinião.” A frase vem de um amigo, professor, em uma conversa sobre a função da imprensa. Ele critica a batida expressão “formador de opinião”, muitas vezes atribuída a quem trabalha na imprensa.
Não dá para negar que jornalistas tenham acesso a um volume maior de informações que a média das pessoas sobre determinado assunto e, portanto, boa capacidade potencial de análise, o que não quer dizer que se torne uma fonte incontestável — por exemplo, para falar da minicrise diplomática entre Brasil e Israel será sempre melhor um PhD formado no Instituto Rio Branco que tenha uma comunicabilidade eficiente na mídia do que o melhor dos jornalistas. No melhor dos cenários, um jornalista é o que se convencionou chamar de especialista no genérico.
A expressão vale para a discussão de teorias políticas. Nesse sentido, um “debate” entre três colunistas de grandes veículos de comunicação da mídia nacional chamou a atenção na semana passada: Guilherme Boulos, professor, filósofo, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e colunista da “Folha de S. Paulo” contra Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino, jornalistas e colunistas de “Veja”. Um embate claramente carregado de ideologias, mas de argumentos com a profundidade de um pires.
A baixa qualidade do “debate” foi captada pelo jornalista Rodrigo Hirose, que, em seu perfil no Facebook, comentou: “Guilherme Boulos (MTST e Folha) e Reinaldo Azevedo (dispensa apresentações) protagonizam em dois dos maiores veículos de comunicação um debate de altíssimo nível. Um diz que o outro baba e delira. Outro diz que um é ‘vigarista’ e ‘mau caráter’. Talvez essa seja mais uma pista pra entendermos os motivos da chamada ‘mídia tradicional’ ter cada vez menos leitores/telespectadores
/ouvintes.”
É bom ressaltar que Reinaldo, assim como Constantino — que entrou depois no debate acrescentando o adjetivo “pulha”, para qualificar Boulos — talvez sejam reconhecidos mais por causa da repercussão de seus blogs do que exatamente pelo que sai no papel do jornal. Em um dado momento, passaram a ter fãs. Ter fã é o mais grave dos alertas para qualquer jornalista. Mais sério do que isso, formou-se uma legião de seguidores em torno de suas figuras, o que é um sinal claro de que não restou lauda sobre lauda de jornalismo no que exprimem.
Como eles, há vários outros jornalistas nas redes sociais que também se orgulham de ter um lado. Ter lado é algo que nada tem de ilícito ou condenável. Orgulhar-se disso, entretanto, já deixa sob ressalvas tal profissional. E observar o que fazem na prática comprova que, mais do que “ter lado” e se “orgulhar”, muitos se mostram torcedores fanáticos daquilo que apoiam. Acreditaram, de fato, que devem ser, mais e mais, “formadores de opinião”.
E, assim como Reinaldo e Constantino cooperam para transformar a discussão política em Fla-Flus pelo time da direita, a esquerda também tem seus “artilheiros” nas redes sociais, como Paulo Henrique Amorim e Palmério Dória. Também eles “têm lado”. O que não se sabe — ou melhor, se sabe — é até que ponto isso converge para o bem do que se chama de jornalismo.
É preciso ressaltar que todo veículo tem, mais do que o direito, o dever de mostrar qual é sua linha editorial. Assim, nenhum leitor vai ver um editorial de “Veja” apoiando a estatização nem corre o risco de ver “Carta Capital” destacando os benefícios de incentivar o agronegócio. Mas fazer jornalismo posicionado é bem diferente de “torcer” por meio das informações de que dispõe.
De fato, a resolução dos problemas energéticos do Estado passa pela empresa. Mas é preciso ficar refém dessa questão? Especialistas respondem
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As discussões em torno do problema da energia, que começaram com a venda de Cachoeira Dourada, precisam de solução, não tão distante quanto se imagina[/caption]
Marcos Nunes Carreiro
A discussão da energia em nosso Estado passa, inevitavelmente, pela Companhia Energética de Goiás (Celg). Porém, é necessário haver alternativas, tanto de geração quanto de distribuição, para suprir a crescente demanda do Estado, sobretudo um que tem seu setor industrial em franco crescimento. Visando essa questão, o Jornal Opção ouviu especialistas goianos e de outros Estados para saber: quais são as possibilidades de solucionar o problema de energia em Goiás?
As possibilidades são muitas e, do ponto de visto técnico, todas viáveis. São as chamadas energias alternativas, isto é, aquelas que fogem à mais utilizada no Brasil: o sistema das hidrelétricas. Mas primeiro é necessário entender o sistema energético brasileiro. Há dois tipos de suprimento de energia no Brasil: um diz respeito à energia elétrica e o outro trata de combustíveis fósseis, com ênfase em petróleo e derivados e no gás natural.
Neste último caso, a estatal Petrobras é responsável por distribuir esses energéticos para todos os cantos do país. O exemplo mais usado para entender a questão é o das usinas termelétricas, que estão operando desde o final de 2012 e usam os derivados do petróleo como fonte de geração de energia. Caso da termelétrica de Campina Grande, no interior da Paraíba.
No que diz respeito à energia elétrica, o sistema brasileiro é interligado. Isto é, a rede de transmissão energética cobre quase a totalidade do território brasileiro, inclusive a região Norte, que era isolada, mas foi ligada ao sistema nos últimos anos. De fato, o Brasil é um dos poucos países que têm uma malha de transmissão que cobre um espaço territorial tão grande.
E isso só é possível porque o sistema brasileiro é predominantemente hidrelétrico.
A análise é do secretário nacional de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho. O secretário disse ao Jornal Opção que o sistema foi criado dessa forma, ainda nos anos 1950, justamente para aproveitar a diversidade hidrológica e distribuir a energia pelo país.
Ventura cita um exemplo: “Para esclarecer, pense que agora estamos com cheia no Rio Grande do Sul e com baixa no rio São Francisco, no Nordeste, e na bacia do rio Paraná, no Sudeste. Então, geramos no Sul e mandamos essa energia excedente para abastecer as regiões que precisam. E o inverso também ocorre em algumas épocas do ano.”
De acordo com ele, esse formato favorece o Brasil, pois, em comparação com outros países, consegue suprir — em um cenário cuja crise energética vivida pelo país está fora de questão — parte das demandas de todos os estados. “Os Estados Unidos, por exemplo, que têm um sistema predominantemente térmico, não podem produzir energia em Miami e mandar para Los Angeles. No sistema térmico, coloca-se a usina próximo ao local onde irá se utilizar da produção. É assim na Europa, no Japão e nos Estados Unidos”, diz.
Porém, o sistema energético brasileiro tradicional já não tem conseguido suprir todas as demandas, vide a crise que é falada periodicamente pela imprensa nacional. Assim, há a necessidade de criar novas hidrelétricas e de investir em outras fontes de energia.
Em relação a outras usinas hidráulicas, o secretário afirma que o país ainda possui potencial não aproveitado, em especial nos rios Madeira, Xingu e Tapajós, todos no Centro-Norte brasileiro. “Por isso, estamos dando prioridade às usinas situadas nessa região, como Belo Monte que está distante dos mercados do Nordeste e do Sudeste, mas que terá um sistema de transmissão de grande porte. Estamos fazendo o primeiro bipolo de corrente contínua de 800 kV que ligará a usina ao Sudeste”, explica.
Fontes alternativas
Na fala do secretário Altino Ventura é possível notar que, além de criar novos meios de gerar energia, é necessário também fortalecer as linhas de transmissão. Nesse ínterim, Ventura defende o incentivo à produção de energia oriunda de novas fontes. A energia eólica é a principal aposta do governo federal. A proposta é que, com 140 parques eólicos, o Brasil possa contar com aproximadamente 4 Gigawatts (GW) de produção. Um número deveras considerável. Porém, o governo tem enfrentado problemas na construção das linhas de transmissão. Sem elas, a energia gerada não poderá chegar aos consumidores, logo, não adianta. Ventura garante que grande parte dessas questões já foi ou está sendo resolvida. O investimento em novas fontes visa sanar a demanda de Estados que não são geradores de energia, como o Sergipe, que praticamente não produz energia elétrica, sendo atendido pelo sistema interligado. Isto é, energia gerada pelas hidrelétricas dos outros Estados e distribuída pelas 64 distribuidoras do Brasil. É assim em outros Estados do Nordeste brasileiro. E o Nordeste deverá ser a região mais beneficiada pelos parques eólicos. Isso porque é a região brasileira com maior “vocação” para a energia eólica, pois conta com uma grande quantidade de ventos. O Rio Grande do Sul também tem um potencial razoável, o que já não é o caso de Goiás. Uma região que poderia gerar algo nesse sentido é o Distrito Federal, sobretudo Brasília por ser uma região de planalto. Mesmo assim, a produção eólica não seria muito grande.É impossível que o país se desenvolva apenas com energias alternativas?
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Altino Ventura: “Não se pode contar exclusivamente com energias alternativas, mas isso não significa que elas não possam ajudar”[/caption]
Dados do Ministério de Minas e Energia mostram como a questão energética é distribuída no Brasil: as hidrelétricas ainda são responsáveis por 47% da expansão do sistema de geração brasileiro. Ou seja, é o carro-chefe. 20% são de usinas eólicas com capacidade de crescimento até 2023, visto que o governo federal tem entendido que esse tipo de energia tem grande potencial competitivo. E 14% da expansão energética brasileira vem da cogeração por biomassa, principalmente pelo bagaço da cana; 15% é de gás natural. E as demais fontes, como a nuclear (2%), é puramente complementar no Brasil.
É possível perceber que, embora as hidrelétricas ainda ocupem maioria esmagadora do setor energético brasileiro, as energias chamadas de alternativas — isto é, aquelas que fogem ao meio mais utilizado no Brasil — estão crescendo. Contudo, de acordo com o secretário nacional de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, é primordial que as hidrelétricas continuem atuando.
O argumento é de que as energias alternativas podem representar uma parte interessante no suprimento energético brasileiro, mas não podem ocupar o lugar principal, pois são interrompíveis. “É impossível atender a demanda de energia elétrica do Brasil apenas com essas fontes. O principal motivo é que elas são interruptivas. O vento não é contínuo, à noite não há sol e a biomassa é ligada à safra.”
Porém, a questão principal de incentivar a criação de novos meios de gerar energia diz respeito a auxílio. Afinal, um ponto levantado por muitos é o da extenuação do potencial hidrológico brasileiro, ou seja, o do uso contínuo e desregrado, favorecido ainda pelas mudanças das condições climáticas que o planeta tem sofrido. Assim, seria possível preservar as hidrelétricas utilizando essas novas fontes.
Por exemplo, enquanto os parques eólicos estiverem funcionando, com muito vento, o mercado é atendido com essa energia, resultando em menos geração nas hidrelétricas. Quando a eólica não estiver com o mesmo potencial, utiliza-se da produção que foi economizada na hidrelétrica. Assim, é possível dizer que os reservatórios funcionem como baterias naturais.
O mesmo raciocínio serve para a biomassa. Esse tipo de cogeração é ligado, irremediavelmente, à produção que visa suprir também a demanda por álcool no mercado nacional e açúcar tanto em território brasileiro quanto estrangeiro. Logo, não é possível ter essa energia como principal, pois não se irá produzir cana-de-açúcar apenas para gerar energia. Porém, ela pode saldar uma parte da demanda, o que alivia de certo modo o sistema como um todo.
Das energias alternativas, a solar é a mais cara, embora também possa ser viável, caso haja a atração da indústria de painéis fotovoltaicos para território nacional.
Usinas de biomassa representam nova alternativa em Goiás
O Estado que desponta na utilização de biomassa para cogeração de energia é, indiscutivelmente, São Paulo. Isso acontece porque as maiores usinas de etanol estão em território paulista. Mas Goiás não fica muito atrás. Atualmente, segundo dados da Secretaria de Indústria e Comércio (SIC), das 171 empresas que produzem energia limpa e que estão inseridas nos benefícios oferecidos pelo Produzir/Fomentar, parte esmagadora é formada por usinas produtoras de álcool/etanol, que produzem energia alternativa a partir da biomassa utilizando o bagaço da cana de açúcar. E entre 2013 e o fim do primeiro semestre de 2014, foram assinados mais dois protocolos de intenção com empresas ligadas ao ramo de energia renovável. A primeira é a Nova Geração Bioenergia SPE, que estuda construir uma unidade na cidade de Jandaia para produzir etanol e energia a partir da biomassa da cana. O investimento previsto é de R$ 220 milhões. A segunda é a Eletroima Engenharia de Energias Ltda. A empresa planeja construir uma unidade industrial para fabricação de painéis fotovoltaicos em Gameleira de Goiás com investimentos de R$ 23 milhões. Fora ela, há ainda um pedido de licenciamento na Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) para a construção de um parque solar na cidade de Silvânia. O pedido está sob análise. Segundo o secretário de Indústria e Comércio, William O’Dwyer, a produção de energias alternativas faz parte do plano estratégico desenvolvido pelo Estado, visto que é uma tendência mundial. Por isso, ele aponta que há uma linha de crédito especial voltada para os micro e pequenos empreendedores interessados em investir em energia renovável. De acordo com o secretário, o financiamento, que varia entre R$ 2 mil e R$ 25 mil, inaugura o programa Crédito Produtivo da SIC – Energias Renováveis, criado com base na demanda crescente de energia “renovável, sustentável e inesgotável como, por exemplo, a energia solar. Essas empresas serão beneficiadas por uma redução significativa dos seus custos, além de contar com uma fonte limpa, renovável e ilimitada. Hoje, a empresa que investe em sustentabilidade se diferencia no mercado”, avalia William.A pioneira na cogeração
A sucroalcooleira Jalles Machado, localizada em Goianésia, atualmente não apenas produz toda a energia que consome como produz a mais para vender o excedente. A empresa foi a primeira em Goiás a implantar a cogeração de energia elétrica a partir do bagaço da cana. A central termoelétrica da Jalles Machado tem capacidade para gerar 40 MWh (Megawatt-hora), o suficiente para abastecer uma cidade com 150 mil habitantes. Os gastos com a cogeração não são grandes, visto que a empresa já possui a matéria-prima: o bagaço da cana de açúcar que sobra da produção principal da empresa. A equipe técnica da empresa explica ainda que dos 40 MWh produzidos aproximadamente 12 MWh são utilizados pela Jalles Machado, somando-se indústria, consumo agrícola e administração. O restante é vendido ao sistema, o que gera lucro. Além disso, segundo os técnicos da empresa, as vantagens tanto econômicas quanto ambientais da cogeração são grandes quando comparadas às usinas hidrelétricas, visto que os custos da implantação de uma usina termoelétrica baseada na biomassa são, em média, 50% mais baratos que os de uma central hidrelétrica, além de evitar inundações de terras férteis, a necessidade de desapropriações e ainda contar com a redução dos investimentos em linhas de transmissão.Tudo esbarra em resoluções do governo federal
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Gelson Cruz, da UFG, defende menos burocratização e leis mais claras para que os investimentos sejam feitos | Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Pensando em Goiás, as duas melhores alternativas seriam: pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), visto que o estado não conta com grandes rios, e a cogeração por biomassa. Das duas, entretanto, o caminho da biomassa seria o melhor. A análise é do professor da escola de engenharia elétrica da Universidade Federal de Goiás (UFG) Gelson Cruz Júnior.
Segundo ele, a cana-de-açúcar não é a única matéria-prima utilizada na cogeração de energia elétrica. O farelo de soja — grão cuja produção goiana é terceira no ranking nacional — também pode ser usado. “Além disso, é possível também plantar eucaliptos para usá-los na alimentação da usina”, conta o professor.
Como já foi dito, a questão principal de investir em energias alternativas é aliviar o sistema. O professor lembra que países europeus já têm feito isso, sobretudo no que diz respeito à energia solar. “Na Europa funciona, pois cada casa que fizer investimento em painéis solares deixa de consumir certo quantitativo de energia do sistema”, relata. O problema da energia solar, no Brasil, ainda é o preço. “Mas é possível que o governo interfira na questão, assim como fez com a energia eólica”, declara Cruz.
Contudo, a questão realmente central para o professor são as questões político-administrativas. Segundo ele, as distribuidoras, em geral, estão passando por dificuldades no Brasil, dadas algumas decisões equivocadas do governo federal no que diz respeito às tarifas, por exemplo.
“O governo federal tomou algumas decisões equivocadas. Algumas linhas de alta tensão que viriam para Goiás foram colocadas a leilão, mas não houve interessados e as outras que estavam sendo construídas não foram entregues no prazo. Temos esse problema de acesso às linhas de transmissão. Então, o cenário está um pouco confuso e as empresas têm tido que lidar com isso”, avalia o professor.
Para ele, as questões de licenciamento ambiental, por exemplo, devem ser esclarecidas, pois são burocráticas demais, o que afasta investimentos privados. Gelson conta que tem conhecimento de situações de empresas na região Norte, que, para ter acesso à determinada área para mapear uma usina, precisou da autorização das tribos.
Tudo certo, pois as terras são garantidas por lei aos indígenas. “Contudo, a tribo só aceitou fazer acordo se o contato fosse intermediado por uma pessoa específica, que cobrou um valor pelo serviço. Ou seja, não há regras específicas para isso e a preocupação é justamente essa: investir sem garantias de retorno. E não adianta apresentar políticas de curto, pois elas não resolvem. No setor energético, o planejamento tem que ser feito de 10 a 20 anos antes. Alternativas existem, mas é preciso que elas sejam exploradas”, diz.
Monitoramento
“Smart grid”, palavras em inglês para “rede inteligente”. Essa é uma opção levantada por Gelson Cruz: através de um “smart grid”, é possível monitorar a demanda de cada consumidor para, a partir disso, negociar em valores com os consumidores, apontando seus hábitos de consumo. “Isso melhoria o sistema e faria com que o Estado conseguisse atender melhor a população no que diz respeito à energia.” Contudo, o professor lembra que questões assim também esbarram em resoluções do governo federal. “A Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] precisa regular a questão, pois o sistema funcionaria como o monitoramento que é feito pelos servidores de internet. Seria uma solução para aproveitar melhor a energia e a rede que se tem”, analisa.“Vivemos em um país de dois salários mínimos”
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Especialista Carlos Barreira Martinez: a questão política impede que os problemas de energia sejam solucionados[/caption]
Um dos maiores especialistas na questão energética brasileira é o professor do Centro de Pesquisas Hidráulicas e de Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Barreira Martinez. Ele aponta que, do ponto de vista técnico, não apenas Goiás, como o Brasil, tem plenas condições para resolver seus problemas com o fornecimento de energia elétrica.
Porém, para o professor, a solução dos problemas de energia está nas questões político-administrativas. Martinez apresentou soluções, mas, em todas as respostas relativas aos questionamentos voltados para as soluções dos problemas energéticos, relembrou: “Do ponto de vista técnico, é possível, mas é preciso querer.” Acompanhe:
1) Celg: Martinez, que conhece bem o Estado de Goiás e acompanhou de perto o desenvolver da Celg, começa falando sobre a venda da usina de Cachoeira Dourada, leiloada pelo Estado, em 1997, durante a gestão de Maguito Vilela (PMDB).
“Vou utilizar o exemplo de Minas Gerais, meu Estado. Nós temos um conjunto de usinas. Atualmente, vivemos um problema de vazão, é verdade, mas temos um diferencial importante: a empresa. Quando a Cemig [Companhia Energética de Minas Gerais] e a Celg eram empresas coirmãs e que andavam na mesma linha, tudo estava bem. Porém, em determinado momento, a Celg se transformou em instrumento político. Deu no que deu. Espoliaram o Estado”, lembra.
2) Soluções para Goiás: O especialista afirma que Goiás é rico e que possui muitas possibilidades de energia. Contudo, salienta: é mais importante querer do que ter. “Podem ser pequenas centrais hidrelétricas, ou interligação com redes de transmissão para receber energia de hidrelétricas convencionais, ou centrais térmicas, etc. Goiás é forte em agronegócio e produz mecanismos que tornam isso possível. Mas é preciso querer”, diz o professor.
Acontece que Martinez não acredita na existência de um pacto pela mudança no Brasil. Segundo ele, o pacto feito foi pela conveniência, “em um país de dois salários mínimos, no qual a população abaixo disso sofre muito e quem pretende ganhar mais do que isso paga a conta”. Logo, em sua visão, todos os problemas, e não apenas os da área energética, estão ligados aos acordos políticos costurados nos últimos 40 ou 50 anos.
— Acredito que viveremos uma crise em breve. Não é à-toa que a imprensa internacional vem criticando tanto o Brasil nos últimos tempos. É um alerta, pois estamos fazendo tudo errado. As elites brasileiras firmaram um acordo entre si e fazem o que bem entendem
— Quem são as elites?
Ora, os grupos políticos, os bancos e as empreiteiras. E a população tem achado bom, porque nos últimos 50 anos tem se manifestado pouco. Esse é o pano de fundo dos nossos problemas. E não irá mudar.
— E quais serão as consequências disso?
— Acredito que em 50 anos teremos um padrão de vida muito semelhante ao da Índia. Não que iremos andar para trás, mas porque eles irão avançar e nós ficaremos.
— Por que o senhor acredita nisso?
— No Brasil, demora-se dez anos para tomar uma decisão. Porém, quando tomada, querem fazer a obra em apenas um ano. Assim, o viaduto cai, não é verdade? Observe a Coreia do Sul. Aquele país era um lixo na década de 50 e 60. Olha o que eles viraram.
— E isso se deve a…
— Postura. Algo que nós não temos. Nossa sorte, ou azar, é que somos um país rico. Temos recursos. Por isso, hoje nós vendemos commodities e fazemos pequenos serviços. Ou seja, um país de dois salários mínimos.
Maioria dos candidatos ao governo aposta em novas formas de geração
Como dito no início da matéria, inevitavelmente, a solução da energia em Goiás passa pela Companhia Energética de Goiás (Celg). Contudo, como avaliaram os técnicos ouvidos, é possível criar novas alternativas que ajudem a solucionar o problema energético no Estado. E alguns candidatos enxergam a questão. O Jornal Opção apurou com cada um e utilizando seus respectivos planos de governo, quais são suas propostas para o setor energético.Marconi Perillo (PSDB):
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Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O governador Marconi Perillo começa seu plano de governo falando sobre o que fez durante este mandato, como: investimento de 20% na recuperação do sistema de distribuição de energia; o acordo de federalização da Celg; criação do núcleo de energias renováveis; apoio a projetos de produção de energia renovável a partir da biomassa; e implantação dos sistemas de aquecimento solar e modernização do sistema de energia.
Mas há propostas: a principal delas é “assegurar, em parceria com o governo federal, o suprimento energético necessário ao desenvolvimento socioeconômico de Goiás, com foco na eficiência energética, na produção de energia limpa e renovável e na ampliação da rede de transmissão e distribuição”.
As outras fazem parte do plano de metas para atingir esse objetivo. Entre elas:
- Criar o Programa de Promoção da Eficiência Energética e Energias Renováveis;
- Interagir com o governo federal para que a Celg federalizada tenha garantia de recursos para investimentos em linhas de transmissão e distribuição necessárias no estado, assim como recursos para investimentos no sistema de alta tensão substituindo gradualmente a energia rural monofásica pela trifásica;
- Fortalecer a Celg G&T para geração e transmissão de energia elétrica e a exportação de energia para outras regiões;
- Desenvolver um amplo programa de eficiência energética abrangendo prédios públicos, agricultura, indústria, comércio e residências, além de incentivar a produção industrial em Goiás de componentes utilizados na geração de energia renovável;
- E apoiar projetos de produção de energia limpa e renovável de fontes da biomassa, biogás, eólica, solar e hidroelétrica (pequenas centrais hidroelétricas e centrais geradoras hidroelétricas) e apoiar o programa de florestas plantadas.
Iris Rezende (PMDB):
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Foto: Fernando Leite[/caption]
A principal proposta de Iris Rezende é solucionar o problema da Celg como forma de resolver os problemas de falta de investimentos em capacidade energética. Para isso, o peemedebista propõe:
- Aumentar a geração de energia no Estado, utilizando fontes renováveis, em especial a cogeração através do bagaço da cana e biocombustíveis;
- Garantir a eletrificação para todas as unidades da agricultura familiar, inclusive assentados da reforma agrária;
- Investir na expansão em média tensão e alta tensão, com ampliação de subestações, troca de transformadores e construção de alimentadores;
- Construção de linhas de transmissão, como a Morrinhos-Serra de Caldas-Rio Quente, na região Sul do estado;
- Promoção de melhorias de redes de média tensão em toda a área de concessão, além da automação completa de redes e subestações;
- E atendimento das necessidades energéticas urgentes como, o programa Minha Casa Minha Vida e eletrificação de propriedades rurais, no programa Luz Para Todos, além das demandas do setor produtivo.
Vanderlan Cardoso (PSB):
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Van| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Vanderlan Cardoso tem um plano para o setor de energia baseado na infraestrutura de transmissão e distribuição de energia que, segundo ele, atualmente não atende à crescente demanda. Vanderlan afirma que o fornecimento de energia em Goiás é de baixa qualidade e apresenta alto índice de interrupções. Além disso, o pessebista enxerga que, atualmente não existem políticas para incentivar a produção de energia alternativa renovável. Assim, se eleito, Vanderlan pretende:
- Promover a implantação de sistemas de produção de energia fotovoltaica conectada à rede como política de inserção de fontes alternativas renováveis na matriz energética do Estado;
- Promover a implantação sistema de micro geração de energia elétrica fotovoltaica distribuída com compensação do consumo Energia, por meio da redução de impostos e financiamento do custo de implantação com juros subsidiados;
- E induzir a implantação e utilização de coleta de água pluvial para redução da demanda por água potável por meio da ampliação dos incentivos na implantação da micro geração de energia elétrica fotovoltaica;
Em relação à Celg, Vanderlan diz em seu plano de governo que há um sucateamento da plataforma energética do Estado de Goiás em especial das subestações e linhas de transmissão e distribuição, sendo necessários investimentos para a ampliação da infraestrutura de geração, transmissão e distribuição inferiores aos pactuados com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Antônio Gomide (PT):
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Foto: Fernando Leite[/caption]
A proposta do petista Antônio Gomide, apresentada em seu plano de governo, é recuperar a Celg com uma gestão eficiente e transparente, para gerar e distribuir energia de qualidade no campo e na cidade. Segundo ele, isso deverá ser feito com a retomada dos investimentos. “Goiás tem energia. Todos querem investir no estado e temos potencial para ser a unidade federativa que oferece mais energia. Logo, o que está ocorrendo atualmente é uma anormalidade”, declara.
Contudo, mesmo acreditando no potencial hidrelétrico de Goiás, Gomide não descarta realizar investimentos em fontes de energia alternativa, caso seja eleito. Segundo o petista, opções como energias eólica e solar, além de termelétricas deverão ser viabilizadas por meio de estudos. “Deveremos olhar o custo das alternativas que podem ser instaladas em determinadas regiões, dada a vocação de cada setor geográfico de Goiás. As próprias universidades podem auxiliar o governo nisso”, explica.
Alexandre Magalhães (PSDC):
Alexandre Magalhães vê Goiás como um exportador de energia que, entretanto, não possui segurança no abastecimento de energia por parte da integração nacional do sistema de distribuição. Ele diz: “A Celg encontra-se em situação imprópria para afiançar o ritmo de crescimento vivenciado em Goiás. Assim, é necessário que tanto o tema seja priorizado nas relações do governo estadual com o governo federal, quanto tomar providências locais para aumentar a geração e melhorar a distribuição de energia.”
Dessa forma, segundo o governadoriável, é preciso:
- Melhorar a distribuição de energia rural, evitando perda de matérias-primas e produtos de origem animal e vegetal;
- Garantir a qualidade de energia fornecida ao sistema de irrigação rural;
- Implementar programa de apoio à implantação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs);
- Consolidar o apoio à produção de energia derivada de biomassa de forma mais efetiva;
- E concretizar as negociações de empréstimos quanto ao passivo da Celg e implantar uma gestão profissional focada à sua recuperação e expansão, de forma a contemplar as necessidades do setor produtivo.
Marta Jane (PCB):
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Reprodução[/caption]
A candidata pelo PCB tem sua proposta principal na mudança do atual modelo de geração de energia em Goiás. Ela se refere à questão das hidrelétricas. Para Marta, o sistema de barragens, embora produza energia limpa, traz muitos danos humanos, assim como para o meio ambiente.
“As inundações tornam praticamente irrecuperáveis tanto o sistema ambiental do local como a preservação do bioma cerrado. Fora isso, há a questão da desterritorialização das pessoas que moram à beira dos rios, gerando inclusive o movimento dos desabrigados de barragens”, diz. Assim, a candidata acredita que o governo deve investir no estudo e na implementação de energias alternativas, assim como de biocombustível.
Em relação à Celg, Marta diz que o entende ser necessário resgatar os investimentos, mas primeiro é preciso entender como aconteceu o processo de endividamento da estatal. “Normalmente no âmbito do Estado são produzidos grandes rombos nos patrimônios públicos, o que gera a inoperância e produz uma incompetência em produzir aquilo que a empresa está destinada a produzir. Esse processo de degradação gera os argumentos em defesa da privatização e isso precisa ser averiguado”, conclui.
Weslei Garcia (PSol):
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Weslei Garcia[/caption]
Para Weslei Garcia, o foco é fortalecer e reestruturar a Celg, principalmente no interior, pois “ela não possui a mesma estrutura que tem na capital. No Entorno do Distrito Federal, por exemplo, a situação é lamentável”. Após a reestruturação da Celg, inclusive com concurso público imediato, a principal proposta de Weslei é utilizar um software gratuito para mapear a otimizar as ações da empresa.
“Existe um software gratuito, o gvSIG, que será usado em parceria com a Universidade Estadual de Goiás, para mapear Goiás e criar um banco de dados sobre o consumo da população. A partir desses dados, poderemos planejar melhor e, inclusive, implantar a produção de energias limpas, como a eólica e a solar. O modelo que pretendemos adotar é holandês”, explica.Entrevistar professor universitário não é tarefa fácil. Primeiro, porque a maioria tem restrição a falar algo fora do que considere de sua alçada acadêmica. Ou seja, um antropólogo que trabalhe com etnias indígenas tende a não se supor habilitado para falar de questões de gênero, por exemplo. Para o jornalista que “quer” um entrevistado, antropólogo é antropólogo e isso basta. Pesando os dois lados, o bom senso indica, de fato, que se fale daquilo sobre o qual se tenha domínio. No caso, o melhor que o repórter tem a fazer é pedir à fonte uma indicação mais avalizada para tratar de sua pauta. Um segundo ponto é que mestres e doutores têm, não raramente, alguma queixa sobre as reportagens em que sejam citados. Muitos deles, então, passam a ficar ainda mais arredios à imprensa, por acharem que os jornalistas não confirmam, no papel, aquilo que eles realmente quiseram dizer ao serem entrevistados. Por isso é preciso ressaltar o comentário do professor Dione Antonio de Carvalho de Souza Santibanez, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ele foi fonte da matéria “Morte do garoto Bernardo: quais os limites da crueldade humana?”, do repórter Frederico Vitor, do Jornal Opção. Ao ler a matéria, comentou: “É muito bom ler um texto e ver que o repórter foi cuidadoso para escrever exatamente aquilo que a gente repassou.” Da nova safra de repórteres da área política, Frederico formou-se pelas Faculdades Alves Faria (Alfa) e integra a equipe do jornal há dois anos.
O vice-presidente Michel Temer distribuiu a amigos uma versão severa sobre uma conversa que manteve, por telefone, no começo da semana, com o candidato do PMDB ao governo paulista, empresário Paulo Skaf, O vice teria exigido que Skaf fizesse campanha ao lado de Dilma no Estado. Do contrário, não se justificaria o partido ter Temer na chapa presidencial do PT. Na primeira parte, a ordem de Temer seria uma tentativa de obter tudo do empresário, ou seja, a dominação pelo vice. No outro capítulo, o nada: Skaf acata o chefe ou devolve ao PMDB a candidatura a govenador. Seria um ultimato no sentido do dá ou desce, mas como funcionaria isso? Com toda a experiência de empresário bem sucedido em São Paulo, Skaf se renderia na política? O questionamento começa por Temer. Ele possui autoridade para dar ordem sumária ao PMDB, mesmo que seja o de seu Estado, São Paulo? Uma das razões de sua volta à presidência do partido não foram negócios eleitorais que comandantes petistas no Nordeste começaram a fechar no mercado paralelo com o PT? Além do mais, Skaf, vai sair no grito se tem nas costas dez anos como presidente da poderosa Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo? E se Skaf se retirar da disputa, quem o PMDB colocará na vaga em condições de somar seus votos ao do petista Alexandre Padilha e provocar um segundo turno em que um deles concorreria contra a reeleição do tucano Geraldo Alckmin? A importação de Skaf, vindo das indústrias, por si é uma prova da carência de lideranças do PMDB em São Paulo. Se o partido ainda tivesse poder no Estado, o candidato a governador seria Michel Temer, que no Palácio dos Bandeirantes estaria mais bem servido do que no Palácio do Jaburu, onde dorme em Brasília o vice-presidente da República. A penúria de lideranças no PMDB paulista explica porque o partido não disputa o governo do Estado desde 2002, quando concorreu com o deputado e pastor evangélico Lamartine Posella, a quem restou o quinto lugar. O último peemedebista a governar foi Luiz Antonio Fleury, que se retirou do mandato em janeiro de 1995. O candidato do partido à vaga de Fleury, em 1994, era Barros Munhoz, que ficou em quarto lugar. O governador eleito foi Mário Covas, que inaugurou os 20 anos de domínio do PSDB sobre o Palácio dos Bandeirantes. Em 1998, Orestes Quércia (PMDB) tentou a volta ao governo paulista depois de quatro anos, mas ficou em quinto. Covas foi reeleito. Desde que Fleury saiu, há 20 anos, a melhor chance para o PMDB é agora, com a possibilidade de Paulo Skaf estar no segundo turno. Ele contraria Michel Temer e se recusa a ser o segundo candidato do Planalto, além de Padilha (PT) porque, em seu espírito empresarial, tem noção de que não será governador sem superar o tucano Alckmin e o petista Padilha.
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Imagem do vídeo viral nas redes: jornalista é surpreendida por resposta sincera de menino que preferia jogar videogame a estudar[/caption]
Circula, principalmente por meio do aplicativo WhatsApp, um curto vídeo, de dez segundos, em que uma jornalista fala ao vivo sobre a falta de professores em uma determinada escola. Enquanto caminha com algumas mulheres e uma criança, ela relata o problema e resolve emendar com a fala de um menino de cerca de 5 ou 6 anos, a quem, então, dirige o microfone: “...porque não dá para ficar em casa só jogando videogame, né João?” A criança responde, de bate-pronto: “Dá!”.
Pautas ao vivo são sempre algo que deixa o repórter com um frio na barriga. Mas muitos profissionais, no afã de se mostrarem simpáticos, alinhados com um jornalismo mais “solto” colaboram para fatalidades como essa. Perguntar a uma criança dessa idade se ela quer brincar ou ir para a escola, imaginando que ela responderá que prefere estudar, é algo no mínimo temerário. Na gíria das redes, o menino “trollou legal” a repórter.
Não teria sentido a presidente Dilma Rousseff pensar em medidas pessoais contra o Santander por causa da crítica à deterioração econômica. Até porque, quando se trata de presidente da República, não há como separar a pessoa física da jurídica. Ainda mais a partir de um episódio cercado por tanto simbolismo institucional. Em consequência, a via de resposta teria o mesmo circuito institucional. Há também o fato de que a crítica não se dirigiu ao comportamento pessoal de Dilma, mas a política de governo que prejudica o desempenho econômico. Como empresa a quem os correntistas confiam depósitos e investimentos, cabe ao banco retribuir com orientações de mercado. A circunstância de campanha eleitoral tende a aguçar e não a suavizar a análise. A crítica à condução econômica veio numa espécie de prestação de contas que o Santander distribuiu a 40 mil correntistas com mais de R$ 10 mil de renda mensal. Trata-se de uma análise do ambiente que envolve variáveis políticas à disposição de investidores e governo na definição de negócios e políticas. Convém que se conheçam também as pessoas que captam investimentos. Os espanhóis que comandam o Santander são atrevidos com propensões dominadoras sobre os clientes. Se com o correntista é assim, imagine-se como será com a engrenagem do pessoal interno, de onde viria aquela crítica econômica. O cliente mal atendido pode ir ao Procon, e o funcionário? A chefia suprema do Santander insinua que demitiu uma analista. Mas será que demitiu mesmo? Naquela estrutura de dominação, a subalterna ousaria criticar o governo brasileiro? Ainda mais que as coisas na Espanha vão mal e renderam apenas 7% do lucro do banco no ano passado, o que aumentou mais a dependência ao Brasil, de onde vieram 27% da renda. Os concorrentes, possivelmente, são os que melhor conhecem o modo de atuação do Santander num mercado agressivo. Eles se assustaram com a reação de Dilma e perguntam a si mesmo se precisam ter mais cautela na divulgação de suas orientações a investidores. A boca miúda, como se dizia antigamente, teme-se que o governo intervenha mais e policie as análises financeiras.
Dilma transformou em desafio um recado do Banco Santander a correntistas, enquanto Michel Temer caminha para um impasse com o PMDB de São Paulo
Coordenador da campanha do PMDB admite que a falta do apoio do empresário Júnior Friboi vai pesar para o partido na campanha pela sucessão estadual
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Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Político que amadureceu ainda bastante jovem no ofício, Barbosa Neto hoje está em posição de linha de frente da campanha da coligação Amor por Goiás (PMDB-DEM-SD-PCdoB-PRTB-PTN-PPL), responsável pelo programa de governo. Ele fala do passado, mostrando incômodo ao ser questionado sobre críticas que fazia a Iris Rezende, mas diz que seus cinco mandatos o fizeram amadurecer, razão pela qual hoje reconhece as qualidades do ex-prefeito e ex-governador.
Entre críticas ao governo atual, Barbosa Neto delineia de forma sumária algumas das propostas do PMDB, lembrando que ainda estão em processo de discussão e formatação. Na segurança pública, por exemplo, a meta é reduzir em 50% os índices de criminalidade. Na saúde, é construir hospitais regionais. Sobre ciência e tecnologia, o coordenador diz que com o PMDB todas as áreas do governo terão avanço com o que a tecnologia permite.
Patrícia Moraes Machado – O sr. foi candidato ao governo em 2006 e depois se afastou. O sr. chegou a desistir da política? Por que retornou agora?
A história é mais ampla. Comecei muito novo, como vereador em 1988. Fui deputado estadual, deputado federal por três vezes e candidato a governador. A partir daí fiz uma avaliação do quadro, presidi o PSB por alguns anos e retornei ao PMDB, onde hoje coordeno a campanha. A política tem altos e baixos. Passei por um momento de reflexão sobre participar ou não do processo político. Hoje estou satisfeito, empolgado, contribuindo com toda a experiência que adquiri para ajudar Iris Rezende como candidato a governador, na construção de um projeto que venha ao encontro da que quer a sociedade goiana.
Patrícia Moraes Machado – Por que o sr. deixou o PMDB em 2002?
Pensando em novas alternativas. Quis participar de outra forma, fui a PSB, assumi a presidência, fui pré-candidato a prefeito de Goiânia, e numa famigerada prévia com outro partido, esse projeto não consolidou. Terminei meu mandato de deputado e disputei o governo em 2006, com o PT na vice e o PCdoB na vaga ao Senado.
Elder Dias – Em 1996 o sr. tentou ser candidato a prefeito de Goiânia pelo PMDB, numa disputa interna com Luiz Bittencourt. Foi um processo tumultuado, com suspeita de adulteração na contagem dos votos, etc. Como se diz popularmente, puxaram o seu tapete no PMDB naquele momento?
Em toda disputa há um ganhador e um vencedor. Perdi aquela convenção por um voto. Mas isso faz parte do passado, não há ressentimento, Bittencourt é meu amigo. Importante hoje é contribuir com o momento atual. Todas essas experiências tiveram importância na minha vida, mas estamos em 2014, numa eleição disputadíssima entre as duas maiores lideranças de Goiás. Temos de focar nisso, olhar para frente, que é escolher qual o governo de Goiás nós queremos, qual modelo de governar nós queremos, se é continuidade ao que está aí ou um novo governo.
Patrícia Moraes Machado – Mas o próprio discurso de seu candidato, Iris Rezende, é de que não tem como traçar o futuro sem olhar o passado. Vocês querem o voto da nova geração, que não conhece a história e esses dados são importantes nesse sentido. Por exemplo, houve mesmo aquele “voto fantasma” na convenção em 96, em que eram 70 convencionais e apareceram 71 votos?
Se for para relembrarmos o passado, talvez mais traumática foi a postura do governador Marconi nas prévias do PSDB, ele interferiu no resultado. Em 96, disputei com Bittencourt e perdi por um voto no meu partido...
Patrícia Moraes Machado – Mas houve o tal voto fantasma?
Não , não existiu o voto fantasma. Houve um voto a favor dele (Luiz Bittencourt), que ganhou. Em 2004 houve uma prévia e eu perdi para o deputado Sandes Júnior. São momentos. Mas o meu sonho de ser prefeito é natural, é a cidade onde nasci, cresci, me fiz vereador, deputado estadual, onde fui mais votado em todas as minhas eleições. Na minha candidatura a governador foi aqui onde tive o maior porcentual de votos. Tenho orgulho do meu passado, tenho uma trajetória política ...
Patrícia Moraes Machado – Por isso mesmo rememoramos, porque o sr. tem um trabalho e sempre acreditou que à frente da Prefeitura de Goiânia traria benefícios para a cidade. Antes, o sr. deixou o PMDB com o discurso de que Iris não deixava ninguém crescer no partido. Como o sr. explica isso e o fato de agora estar novamente no PMDB, trabalhando pela eleição de Iris Rezende?
Justifico de forma muito objetiva, existem duas lideranças em Goiás que estão disputando o governo novamente. Nosso passado tem importância e o que aconteceu foi público, a imprensa noticiou. Mas acho que neste momento Iris reúne as melhores condições, tem o oxigênio mais forte para governar Goiás. Os 16 anos do governo atual geraram cansaço na população. O que ocorreu no passado é importante para todos, mas não me cabe buscar no passado qualquer tipo de crítica ao meu candidato, pelo contrário. O meu processo de amadurecimento me fez voltar ao PMDB e dentro deste partido, onde construí uma carreira, procurar ajudar a ganhar a eleição.
Patrícia Moraes Machado - Então a sua opinião de que Iris Rezende não representava mais avanço para Goiás modificou?
Acho que hoje ele representa mais avanço que o atual governo.
Cezar Santos – Mudou Iris Rezende ou mudou Barbosa Neto?
Iris melhorou muito. As experiências nas últimas eleições o fizeram refletir muito, ele hoje é um homem maduro, determinado, com uma vitalidade que todos sabemos.
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Iris Rezende melhorou muito[/caption]
Cezar Santos – Mas ele não era assim antes quando o sr. o criticava? Passou a ser isso agora?
(Em tom irritado) Vocês não vão tirar de mim as críticas do passado. Só não sei por que vocês não fazem as mesmas perguntas ao governador Marconi Perillo.
Cezar Santos – O sr. é importante no contexto, tanto por estar na coordenação da campanha do PMDB quanto pelo passado de destaque que tem. Inevitavelmente, temos de puxar essas contradições, o eleitor pode tê-las como referência. Se fosse um “Zé Mané” sendo entrevistado, certamente não perguntaríamos sobre o passado.
Olha, cabe a mim defender as minhas convicções, que hoje estão focadas para contribuir no caminho de fazer Iris Rezende o governador de Goiás. Independentemente dos erros e acertos que tive na minha trajetória, da qual me orgulho muito. As minhas seis eleições me amadureceram muito e quero contribuir para um projeto. Não tenho dúvida de que a candidatura de Iris hoje é um avanço para Goiás.
Cezar Santos – A Prefeitura de Goiânia ainda está no seu horizonte?
Não está em debate isso, não voltei ao PMDB com esse propósito. Quero participar do processo político eleitoral deste ano. A partir daí o céu é o limite. Sempre fui um político ousado, fui o vereador mais jovem de Goiânia, fui o deputado estadual mais jovem de Goiás, fui deputado federal, presidente da Câmara, fui corregedor e outros cargos porque soube ocupar os espaços, e o espaço que está aberto agora é na contribuição para a alternância de poder em Goiás.
Frederico Vitor – Como presidente do PSB goiano o sr. recebeu o empresário Júnior Friboi, dizia-se até que o sr. era fiel escudeiro dele. Ele foi para o PMDB e tentou ser o candidato ao governo. Friboi seria melhor candidato que Iris neste momento?
Júnior se dedicou ao máximo que pôde em termos de candidatura a governo, não só no PSB, mas também no PMDB. Em determinado momento ele retirou sua candidatura, e o candidato hoje é Iris Rezende. Escrevi sobre isso, tínhamos de um lado um empresário, de uma das maiores empresas do mundo, e do outro lado um homem que foi governador, ministro por duas vezes, prefeito por três vezes, vereador, deputado estadual, senador. Eu defendia que os dois pudessem estar juntos. Propus a ambos que eles estivessem na chapa majoritária ao governo de Goiás. Isso porque um traria a experiência do setor privado, e outro traria toda sua experiência na vida pública, desde vereador até ministro da Justiça.
Cezar Santos – Foi o sr. que convidou Friboi para ingressar no PSB?
Sim, ao PSB sim.
Elder Dias – O sr. teve algum papel na aproximação de Júnior Friboi ao PMDB?
Não.
Patrícia Moraes Machado – Mas, com a ida de Friboi para o PMDB, logo depois, com a chegada de Vanderlan Cardoso, o sr. também deixou o PSB. Por que o sr. deixou o partido e foi para o PMDB?
Estávamos todos envolvidos em um projeto que foi migrado para o PMDB. A nova configuração no PSB gerou a impossibilidade de minha permanência e voltei ao partido no qual comecei minha carreira política.
Cezar Santos – O sr. não recebeu apoio de Vanderlan para continuar e ser candidato a deputado federal?
Nem cheguei a discutir isso, até porque a base do PSB naquele momento não apoiava Vanderlan. Como ocorreu para o PMDB, vários migraram para outros partidos, entre lideranças de Goiânia e do interior. Hoje, a configuração é que o PMDB tem uma candidatura própria, com Iris Rezende, e Vanderlan é o candidato do PSB. Mas, naquele momento, a configuração impossibilitou minha permanência no partido. Eu, por conhecer de perto a política goiana, tomei a decisão de me filiar ao PMDB.
Marcos Nunes Carreiro – Júnior Friboi chegou ao PMDB e conquistou o partido, não só na capital como no interior. Ao desistir de sua candidatura e divulgar uma carta, ele se mostrou magoado. Agora, ele tem dito que vai ficar fora da disputa eleitoral. Ou seja, não vai entrar na campanha de Iris e, segundo consta, tem conversado bastante com o governador Marconi Perillo. A falta do apoio de Júnior Friboi vai pesar para o PMDB?
Eu acredito que sim. Júnior Friboi está fora do Brasil no momento. O que sei é que praticamente todas as lideranças que estavam com Júnior agora estão engajadas na campanha de Iris – assim como eu, também Leandro Vilela [deputado federal], Daniel Vilela [deputado estadual], Eurípedes Pankão [ex-prefeito de Acreúna], o ex-prefeito de Damolândia [Wilson de Lima], Sandro Mabel [deputado federal], Maguito Vilela [prefeito de Aparecida de Goiânia], porque militam no PMDB. Respeito a decisão de Júnior e ele deixou claro que vai participar desta campanha como eleitor. Foi isso que ele publicou e assinou. Em quem ele vai votar, só ele pode dizer.
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Praticamente todas as lideranças que estavam com Júnior Friboi agora se mostram engajadas na campanha de Iris Rezende”[/caption]
Patrícia Moraes Machado – Júnior Friboi foi tripudiado pelo grupo de Iris durante a pré-campanha e isso o fez retirar a pré-candidatura, que o sr. apoiava. Como o sr. avalia esse processo?
A política tem dois eleitores: um eleitor interno e um eleitor externo. Júnior avançou no eleitor interno e Iris manteve o eleitor externo. O ideal era que ambos estivessem juntos: Júnior, com pouco mais de 50 anos e Iris, com sua experiência e um processo político mais avançado, poderiam fazer uma composição. Essa era minha opinião e a manifestei interna e publicamente durante o processo do PMDB. O partido em Goiás tem uma história que se confunde com a história de Iris Rezende. Então, Júnior, em um determinado momento, passou a ser, com Iris, as duas maiores lideranças do partido. Se tivéssemos alguém com o perfil e a história no perfil privado como Júnior e outro com o perfil e a história de Iris no setor público, a chapa seria extremamente competitiva.
Patrícia Moraes Machado – Mas minha questão se refere a como o sr. avalia o processo de desgaste sofrido por Friboi dentro do partido, causado pelo grupo de Iris.
É uma disputa interna e isso é natural. O grupo de Júnior também trabalhava com o desgaste do pré-candidato Iris. Foi assim também quando eu disputei a candidatura à prefeitura com Luiz Bittencourt. As disputas internas têm esse preço.
Patrícia Moraes Machado – Ou seja, mais uma vez se comprova que Iris controla o partido. Seu projeto pessoal se sobrepõe aos demais?
E isso é natural, pela história dele. Quem do PMDB foi governador, prefeito, ministro, e tantas vezes?
Patrícia Moraes Machado – Isso não prejudica o partido?
Não acredito. A prova é que Iris, diante de todo esse quadro e com seu afastamento temporário, ainda se posicionava, pela opinião pública, como o candidato mais competitivo. O ideal seria estarmos ter todos juntos. A maioria, quase a totalidade das pessoas, está envolvida na campanha de Iris, em uma prova de que o compromisso é com o partido.
Patrícia Moraes Machado – Há muito tempo, seu trabalho é pela união da oposição, desde eleições passadas. Em 2006, quando Maguito Vilela disputou a eleição para o governo, o sr. também disputou, com a coligação PSB-PT-PCdoB. Na época, Frederico Jayme, como disse aqui ao jornal, seria o candidato a vice de Maguito. Aconteceram articulações e ele disse que teria a possibilidade de o sr. ser vice naquela chapa. Isso só não aconteceu porque Iris não teria aceitado a coligação com o PT. Houve mesmo essa tentativa de união da oposição em 2006? E se houve, por que não se efetivou?
Houve, não só por parte de Maguito, mas também do governador Alcides Rodrigues [então candidato à reeleição], houve o movimento de me chamar para ser seu vice – um esforço do deputado Sandro Mabel e do ex-prefeito de Aparecida Ademir Menezes. Mas meu propósito era, como se efetivou, ser candidato a governador.
Patrícia Moraes Machado – Mas por que a chapa Maguito–Barbosa não se efetivou?
Por que o PSB quis apresentar uma candidatura própria. Não foi por outro motivo a não ser um propósito nosso de ser candidato. Foi a única que perdi das seis eleições que disputei, mas me senti com o dever cumprido, por poder contribuir com o debate em uma campanha para governador.
Cezar Santos – Em que pese isso, seus números naquela eleição foram sofríveis. Fora de um partido estruturado o sr. acha que há possibilidade de algum candidato ter sucesso?
Creio que, em determinados momentos, o posicionamento de um político não se mostra só com a vitória. Naquela eleição, tive o dobro de votos, por exemplo, de Demóstenes Torres [então ainda senador e candidato ao governo pelo DEM]. Não considero, então, que foi sofrível. Foi um esforço recompensado, com um porcentual que julgamos satisfatório. Mostramos nossas propostas e não é à toa que neste momento estamos contribuindo na área de planejamento da campanha de Iris Rezende, porque perceberam que, apesar de não termos conseguido mais, pela falta de um partido mais estruturado – e nisso você tem razão –, que tínhamos muito a acrescentar ao debate. Hoje eu pego toda aquela experiência e contribuo para que, agora em um partido estruturado, possamos apresentar a Goiás um projeto ousado para que um homem, que é ousado e tem vitalidade, possa chegar ao governo.
Patrícia Moraes Machado – Em uma avaliação pessoal, vejo que, em todos os caminhos que o sr. traçava, tinha alguém que o vetava. Quando parecia ser a sua vez, acontecia alguma coisa. O sr. se viu, nesses momentos, como uma ameaça maior a outros políticos?
Esse é o jogo, não só na política. Em um jornal, a forma com que ocorre uma disputa não é muito diferente do que há na atividade pública. Há sempre apoiadores e não apoiadores. Você tem razão em um aspecto, porque sempre fui um político independente e nem sempre isso é reconhecido como qualidade. Em todos os momentos de minha vida, enquanto estive participando, como estou hoje, tentei ousar. Na Câmara de Goiânia, como o mais novo vereador, me tornei relator da Lei Orgânica e líder do PMDB. Assim também foi na Assembleia e na Câmara dos Deputados, onde fui corregedor e vice-presidente. Perdi a disputa pela liderança do PMDB na Casa por um voto. Então, essa é minha trajetória e é com ela que pretendo contribuir para que possamos ter sucesso de forma efetiva, ao lado de nomes como Sandro Mabel, Samuel Belchior [deputado estadual e presidente do PMDB em Goiás], Mauro Miranda [ex-senador], Luiz Felipe [publicitário] e Filemon Pereira [jornalista e assessor], para que Iris, Armando Vergílio (SD) e Ronaldo Caiado (DEM) sejam, respectivamente, governador, vice-governador e senador por nosso Estado.
Patrícia Moraes Machado – Como está hoje sua relação com o ex-prefeito Nion Albernaz (PSDB)?
É uma pessoa por quem tenho admiração. Fui vereador quando ele era prefeito, mas não tenho mantido contato com ele, ultimamente.
Patrícia Moraes Machado – Ele o apoiou em sua pré-candidatura a prefeito em 2004.
Sim, me apoiou abertamente e, como eu, se sentiu também muito surpreso com os resultados daquela prévia.
Patrícia Moraes Machado – O que aconteceu naquela votação?
A Deus pertence.
Patrícia Moraes Machado – Mas o que aconteceu, de fato?
A Deus pertence.
Patrícia Moraes Machado – Que história foi aquela de uma “mala preta”? Houve isso?
Eu perdi as prévias. Achávamos que ganharíamos e perdemos.
Patrícia Moraes Machado – Houve alguma pressão do deputado Jovair Arantes (PTB), que teria falado nessa história de “mala preta”?
A disputa foi entre Sandes Júnior (PP) e eu. Em toda e qualquer disputa, quem ganha usa os instrumentos que quiser para isso. Eu perdi e Sandes ganhou. Cheguei para a disputa, acompanhado do professor Nion e da professora Raquel Teixeira [então deputada federal pelo PSDB], mas perdemos.
Patrícia Moraes Machado – A verdade é que o sr. dormiu candidato e acordou não candidato. Aí vieram as especulações, segundo as quais o deputado Jovair Arantes teria alertado para essa história da “mala preta” e da compra de correligionários. Com isso, sua candidatura foi retirada e Sandes se consolidou.
Jovair era do mesmo partido de hoje (PTB) e a disputa foi entre eu e Sandes. Essas informações, portanto, não condizem com a realidade daquele momento nem com o resultado.
Elder Dias – Marconi foi o único nome novo na política de uma geração. Hoje temos uma disputa em que, dos quatros nomes, três participaram do pleito em 2010. Como o PMDB está se preparando para viver sem Iris?
Se observado os quadros do PMDB há toda uma preparação. Temos Daniel Vilela, Wagner Siqueira, que é um jovem, um bom quadro e respeitado, o Bruno Peixoto, o próprio Paulo Cezar Martins. Na Câmara Municipal de Goiânia temos os vereadores Denilson Trindade e Mizair Lemes Júnior. São todos de uma geração nova que chega efetivamente no processo político. Muito se cogitou que o atual governador não seria candidato de novo. Foram quatro eleições, será que já não está saturado? Ele não estaria preparando um jovem? Esse é o processo político, é natural. São quatro candidaturas e cada uma está em seu canto. As questões internas de cada são tratadas em determinado momento de forma avançada. O PMDB hoje tem quadros importantes que representam uma geração que tem todas as condições de dar continuidade ao futuro do partido, depois da eleição de Iris Rezende em 2014.
Patrícia Moraes Machado – Na sua candidatura ao governo em 2006 o seu mote era de que o goiano precisava pensar grande. O que seria pensar grande?
Eu queria propor ao povo goiano a possibilidade de embarcar no momento em que o Brasil vive. Nosso País, até décadas atrás, vivia muitas dificuldades sob o aspecto econômico. No final do governo Fernando Henrique (PSDB), o salário era 74 dólares. Hoje é de 360 dólares. A competitividade do País aumentou muito, igualmente a capacidade de arrecadação. Nós não precisávamos mais discutir coisas pequenas, e Goiás precisa se inserir nisso. Eu dizia da Ferrovia Norte-Sul, que está consolidada, o gasoduto Brasil-Bolívia, o alcoolduto Paulínia-Senador Canedo, e tudo isso ainda está em pauta. Governo que não planeja e que não tem visão de futuro acaba se enfronhando no dia a dia e não tem perspectiva macro. Estamos vendo aí o final de governo que demonstra claramente isso. Trago aquela experiência e o Iris tem esse perfil, de um político arrojado, na Prefeitura de Goiânia mostrou isso, foi bom gestor, bom político, um bom executor de obras, um bom executor de políticas públicas, foi um bom prefeito para o funcionalismo público. Em todos os eixos que se queira debater a última gestão de Iris é referência. Temos todas as condições de fazer Goiás avanças mais do que tem avançado nestes últimos anos.
Marcos Nunes Carreiro – Nos protestos do ano passado, o povo saiu às ruas pedindo renovação na política. Mas os candidatos mais experientes lideram a intenção de votos. O povo prefere a experiência à renovação?
Minha leitura sobre as manifestações é que foram por mais eficiência dos serviços públicos: saúde, segurança, houve até um comparativo ao padrão Fifa em todas as áreas. É esse o grande debate, ou seja, qual é o serviço público de saúde que tem sido oferecido ao povo goiano? Qual é o serviço público de segurança pública que está sendo oferecida ao povo goiano? Qual é o planejamento que este atual governo está propondo? Este debate está contemporâneo. Hoje a população está atenta. As redes sociais, e o Jornal Opção está nisso, colocaram a questão de forma diferenciada, horizontalizaram o debate. Hoje as redes sociais possibilitam que o cidadão converse com seus candidatos. Não é mais aquela verticalização de candidato no palanque e ele (eleitor) lá embaixo. O grande instrumento de mobilização das últimas eleições não foram os partidos políticos. Foi a capacidade de interlocução dos cidadãos por meio das redes sociais. A cada minuto, a cada segundo, há informações. Esse é o grande debate, não foi à toa que o governo não conseguiu os R$ 80 milhões no Tribunal de Justiça, as redes sociais tiveram papel nisso. O Ministério Público, e os órgãos reguladores estão atentos. Não foi à toa que muitas coisas que estão acontecendo em Goiás não passaram em branco. O Brasil e o mundo estão avançando. Nos Estados Unidos, Obama foi o símbolo de quem usou isso de forma efetiva no processo político eleitoral. Houve a horizontalização do debate.
Patrícia Moraes Machado - Mas o eleitor vota na renovação ou na experiência?
O eleitor vota de duas formas. Ou ele vota numa renovação com consistência, ou naquilo que ele conhece. Acho que o Iris é uma renovação com consistência.
Frederico Vitor – Iris Rezende, ao longo de seus 50 anos de vida pública, tem condições e facilidade de se comunicar com o cidadão goiano por meio das mídias digitais?
Não tenho dúvida. Todos aqui instrumentalizam o debate por meio das redes sociais. E Iris, por intermédio de todos nós, vai fazer isso. É um processo de renovação. A equipe dele tem feito isso. Apesar de toda a estrutura de governo, a candidatura do PMDB tem ganhado corpo e crescido. E há tem instrumentos de monitoramento que apontam isso. Estamos satisfeitos com o debate nas redes sociais.
Cezar Santos – O sr. exaltou a gestão de Iris na Prefeitura de Goiânia, mas ele a entregou a Paulo Garcia, e depois pediu aos goianos que votassem no petista. A má gestão de Paulo Garcia em Goiânia não será um peso para a candidatura de Iris Rezende, que o patrocinou na prefeitura?
Iris foi um ótimo prefeito e será um extraordinário governador. Ele tem um jeito de administrar e Paulo tem outro, e na política há momento de altos e baixos. É preciso que o governo federal olhe mais atentamente para Goiânia. Os municípios detêm apenas 13% da receita arrecadada. O governo de Goiás, o governo federal e a prefeitura devem ter de forma efetiva ações concretas na busca contínua da qualidade de vida da população. Não será este debate que vai fazer Iris ganhar ou perder votos, as pesquisas mostram isso. Iris tem responsabilidade com Goiânia e irá ajudar a capital muito mais do que o atual governo.
Cezar Santos – Refaço a pergunta: como o sr. avalia a administração do prefeito Paulo Garcia?
Acho que ela vai melhorar muito com a gestão do Iris, porque o Paulo terá um parceiro no governo e não um adversário. Iris é um homem que tem amor por Goiânia, pois já foi prefeito três vezes e vai ajudar de forma efetiva e concreta.
Cezar Santos – O sr. fugiu da pergunta.
Não.
Cezar Santos – A pergunta foi: o que sr. acha da gestão de Goiânia atualmente.
Eu estou respondendo. Acho que ela vai melhorar muito com a eleição do Iris ao governo do Estado.
Marcos Nunes Carreiro – Isso significa, então, que a gestão de Goiânia está ruim?
Não. Independentemente de estar boa ou ruim, ela vai melhorar. Se ela está ruim, não é apenas uma questão de gestão. Agora, tenho certeza de que Iris tem um compromisso forte com Goiânia. Os nossos planos e debates demonstram claramente isso.
Frederico Vitor – Iris Rezende disse que, se eleito, irá dobrar o número de efetivos da Polícia Militar, que é de aproximadamente 13 mil. Como isso será feito?
O problema da segurança pública não pode ser desviado para uma questão nacional, pois outros Estados avançaram muito mais que Goiás nessa área nos últimos anos. Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Ceará, etc. A média nacional é infinitas vezes menor que o crescimento da criminalidade em Goiás. E isso é falta de homens qualificados nas ruas. E o governador Iris tomou a decisão de que, em seu governo, irá dobrar e qualificar o número de efetivos da polícia para melhorar a qualidade de vida dos goianos. Isso gerou um debate e, por isso, de forma irresponsável o governador Marconi anunciou um concurso para 6 mil cargos no governo. No apagar das luzes. Essa é uma demonstração clara de que a população recebeu como boa essa proposta do candidato Iris.
Elder Dias – Mas isso não é bom? Afinal, se Iris Rezende for eleito ele já contará com mais 6 mil servidores.
Não acredito que ninguém ache que faltando três meses para acabar o governo seja o momento adequado para abrir um concurso público.
Elder Dias – Não é o momento adequado para priorizar a segurança pública?
O momento adequado foi há três anos.
Elder Dias – É preciso lembrar que o efetivo ainda é o mesmo de 1998. Ou seja, é preciso aumentar e o concurso visa essa questão.
Olha o elogio para o PMDB. O efetivo é o mesmo de 1998. Isso é uma irresponsabilidade dos governos que assumiram o Estado desde então.
Elder Dias – Mas o sr. participou do governo Alcides Rodrigues entre 2006 e 2010. Marconi foi padrinho da candidatura de Alcides, mas não participou da gestão. Assim, o sr. também não faz parte desse fracasso na segurança pública?
O governador Marconi Perillo não aumentou o quantitativo das polícias no Estado em nenhum dos seus governos. Perdeu a autoridade com o envolvimento com o crime. Essas são as realidades.
Cezar Santos – O sr. diz que o governador se envolveu com o crime. Pode explicar melhor?
Todas as capas de todas as revistas e jornais do Brasil mostraram o envolvimento do governo de Goiás com setores do crime. Isso é público e notório. Essa questão criou dificuldades na gestão do governo estadual e a Justiça há de julgar isso de forma efetiva.
Cezar Santos – Como governador, o histórico de Iris Rezende não é favorável à segurança pública. No período de seu governo, por exemplo, houve investimento de 6,2% no setor. Marconi Perillo investiu 8,6%. Isso não mostra que quando tinha condições de fazer, Iris não fez?
Iris irá fazer em seu governo. Não tenha dúvidas. O atual governo não fez e não tem autoridade sobre as políticas de segurança pública. Fora isso, aumentou a criminalidade em Goiás muito mais do que a média nacional e não aumentou o quantitativo de efetivos nas polícias. E Iris já anunciou, para que não haja dúvidas, de que irá dobrar esse número, qualificar e equipar as polícias, além de utilizar das ferramentas tecnológicas para melhorar a questão.
Cezar Santos – Sobre resolver problemas, Iris Rezende disse uma vez que iria resolver o problema do transporte público em Goiânia em seis meses. O sr. acreditou nisso?
(risos) Eu acho que não se pode dizer que há uma área em Goiânia arrumada. Quando assumiu a prefeitura, Iris colocou centenas de ônibus novos na rua e reformou terminais. Agora, a questão dos transportes é, realmente, uma questão nacional. Transporte precisa ser inserido em políticas públicas. Não pode mais ser deixado no debate iniciativa privada-cidadão. Em todos os lugares do mundo que há transporte público de qualidade, o governo, seja ele municipal, estadual ou federal, está ativa e financeiramente participando.
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Iris colocou centenas de ônibus novos na rua e reformou terminais. Agora, o problema do transporte é, realmente, uma questão nacional”[/caption]
Cezar Santos – Mas dizer que irá resolver em seis meses não é uma bravata?
Não. Foi uma determinação. Todos os eixos em que Iris se propôs a atuar, ele consolidou. Um dos grandes problemas do transporte público é a velocidade dos ônibus. O trânsito é um dos grandes gargalos do transporte público. E Iris foi o primeiro prefeito a criar dois viadutos para resolver o problema do trânsito. Se vocês compararem o Terminal Bandeiras com os que ainda não foram concluídos, verão a diferença. A frota de ônibus de Goiânia passou a ser a mais nova e foi a primeira a dar acessibilidade a deficientes físicos. Agora, o debate é: a segurança pública em Goiás é uma das piores do Brasil. Isso não é bravata. São números. A Secretaria de Segurança Pública chegou a proibir a divulgação de dados à população. Por quê?
Elder Dias – Eu não consigo acreditar quando se diz que resolverá o problema da segurança pública com a contratação de funcionários ou que o transporte coletivo terá solução em seis meses. Gostaria que o sr. apresentasse propostas concretas e dissesse quem está na equipe do PMDB para tratar tecnicamente dessas questões.
Primeiro, a política é exercida por aqueles que querem participar da política. Ser PhD, ou não, em determinada área não resolverá os problemas. Sobre segurança, não podemos desviar o assunto. Outros Estados, independentemente de Sorbonne, Harvard ou PUC, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Mato Grosso, todo eles melhoraram a segurança pública. Goiás não. Piorou muito.
Cezar Santos – Até o Distrito Federal melhorou?
Todos. A média nacional é muito menor do que Goiás. Contra números não há argumento. O número de vagas nos presídios goianos, os índices de criminalidade, seja homicídio doloso ou culposo, qualquer que seja, nós estamos capenga. E, para isso, o PMDB tem um projeto com metas. A modernidade nos propiciou trabalhar com indicadores. Iris reduzirá em 50% a criminalidade em Goiás. Ou seja, fará o inverso do que aconteceu nos últimos anos. A criminalidade aumentou, nós diminuiremos. Aqui, no Jornal Opção, qual a profissão de vocês?
Patrícia Moraes Machado – No Jornal Opção só trabalham jornalistas.
Não tem nenhum sociólogo, para trabalhar determinados assuntos?
Patrícia Moraes Machado – Que argumento é esse?
Hoje, nos reuniremos, para um debate sobre saúde, com 100 pessoas. Entre eles médicos, enfermeiros, biomédicos, usuários, para construir uma proposta efetiva de política pública de saúde. Na semana que vem estaremos com os prefeitos. Há um calendário, distribuído em quatro eixos. Não tenha dúvidas: Iris apresentará a Goiás propostas fundamentadas. A experiência nos diz e as pesquisas demonstram que quando Iris propõe não é de forma irresponsável. Há um histórico de concretizações. Há quatro anos, vocês leram as propostas do governador Marconi?
Elder Dias – Li as propostas de todos os candidatos e aponto as mesmas inconsistências.
Ele cumpriu?
Ele cumpriu parte. Um jornal diário trouxe, no final de fevereiro, uma página inteira (de ação) desastrosa e irresponsável nas áreas de segurança, saúde, educação. Fala de segurança pública, hoje, como se os últimos três anos e sete meses fossem de outro governo. O que existe é uma blindagem por volume de propaganda jamais visto. Não é crítica, é fato. A tecnologia nos permite ter transparência. Quanto o governo gastou? O que daria para fazer, com essa quantia, pela segurança? E ainda saúde, habitação, saneamento? Na Celg.
Cezar Santos – A meta de Iris é reduzir em 50% a criminalidade. Não é pouco ousada? Por que não 55% ou 60%, ou 80%?
Quanto esse governo diminuiu?
Cezar Santos - Estamos tratando do PMDB, cuja campanha o sr. coordena.
Não, estamos tratando do Estado de Goiás.
Cezar Santos – Então por que não 70% de redução nos índices?
Porque é uma meta responsável e ousada, que significa dezenas de vezes mais o que esse governo fez. Eu não direi como, pois em determinado momento nosso candidato dirá. A meta é ousada.
Patrícia Moraes Machado – Como se chegará a esse índice, repetindo a pergunta do Cezar que o sr. ainda não respondeu?
A minha resposta é clara: vamos. E, aí, vem as propostas, com metas e indicadores. Não dá para ficar com discursos vazios. São metas e estão aqui. Meta é redução. Qual a proposta? Aumentar o dobrar o quantitativo, qualificar, armar, usar equipamentos.
Patrícia Moraes Machado – Mas isso é o óbvio.
Mas não foi feito.
Patrícia Moraes Machado – E devido a isso, se chega a 50%?
A grande dificuldade é fazer o óbvio.
Patrícia Moraes Machado – Todos os candidatos, independentemente do nome, falam essas mesmas palavras, frases de efeito. Se a meta é 50% pressupõe-se que foi feito um cálculo. Como se fez esse zcálculo. Dizer vamos aumentar o número de polícias e armamentos e isso vai reduzir a criminalidade?
Não. Existe algo distinto. Qual foi, nesses últimos quatro anos, o porcentual de aumento da criminalidade? Pesquisem, se a Secretaria de Segurança permitir. Portanto, vocês verão que é uma meta ousada e está detalhada no nosso plano. Nos próximos dias o apresentaremos em programas eleitorais, no rádio e na televisão, em entrevistas, nos discursos, na militância, como será feito isso.
Patrícia Moraes Machado – E já se sabe como será feito?
Sabemos, mas estamos aprimorando, pois é preciso envolver a sociedade. Como o Elder bem disse, é preciso envolver mais pessoas.
Patrícia Moraes Machado – Certamente o eleitor quer que esses números, essa metas, venham com propostas. Como vocês justificam esse número ou meta como o sr. diz? O que se vende é que logo quando Iris for eleito governador de Goiás, o Estado será o paraíso. Como?
Quais são os mecanismos? Aumentar o número de celas. Precisamos acabar com a impunidade.
Patrícia Moraes Machado – Impunidade há em todo Brasil.
Ok. Mas em Goiás a impunidade é maior. O que complica é que nós somos a nona economia e estamos muito atrás em segurança pública, em criminalidade, impunidade, números de mandatos de prisão.
Patrícia Moraes Machado – Me desculpe, mas novamente o sr. está apontando e não justificando a proposta de governo de vocês. A ideia de trazer os coordenadores de campanha para entrevistá-los é para que vocês, que estão fundamentando um projeto de governo, nos mostrem e decifrem essas propostas. Está vago.
Não está vago. O número de 50% é objetivo, concreto, um dado. Nos últimos anos, aumentou quanto? Nós diminuiremos 50%. No momento, preciso que você entenda e, experiente no jornalismo, entenderá que as propostas estão sendo aprofundadas, ouvindo pessoas, com todo um cronograma que continua em prática.
Patrícia Moraes Machado – Então não se faz a partir do momento que a pessoa decide se candidatar a governador?
Não, você colhe informações, cria metodologias, apresenta as diretrizes ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Patrícia Moraes Machado – Quem se dispõe a disputar o governo do Estado já não teria que ter esses estudos e experiências em relação ao Estado que ela pretende governar? Ou isso só acontece no momento que é escolhido como candidato?
Não. O PMDB tem todas as informações. Porém, governo nenhum no Brasil e no mundo dá certo se não tiver interatividade, cumplicidade, consentimento com a sociedade, e isso se faz na campanha. Levam-se as diretrizes, consolidam-se algumas, aprimoram-se outras, agregam-se novas. É o que estamos fazendo, um diagnóstico. Nós temos uma proposta de intervenção na realidade atual e estamos em processo de debate até o dia 20 de agosto. Esse debate se faz no sentido de aperfeiçoar e consolidar as informações.
Patrícia Moraes Machado – Portanto, as propostas apresentadas ao TRE podem sofrer alteração?
Com certeza, são diretrizes, como as de todos os partidos. Mas, antes do registro, houve discussões. O PMDB e a Fundação Ulysses Guimarães ouviram todos no processo de segmentação dessas propostas, desses diagnósticos. A partir daí, vieram as diretrizes e em cima delas a consolidação de um plano.
Patrícia Moraes Machado – O PMDB vai fazer essa defesa, mas tinha três deputados federais. Como esses deputados do partido atuaram em benefícios da segurança pública, no Estado de Goiás?
A política de segurança pública é ditada pelo governador. Ele foi atrás ou não dos deputados da sua base? Quantos têm a base do governador? O PMDB só tem três. Ele tem dez e esses dez fizeram o quê pela segurança pública? Não é esse o debate, e sim que está ruim, ineficiente. O governador não fez, e se quer dizer que é culpa dos deputados?
Patrícia Moraes Machado – Não, o sr. está invertendo a pergunta.
Não, a sra. que está mudando o viés.
Patrícia Moraes Machado – O sr. já foi deputado. Deputado de oposição ao governo não trabalha para o Estado?
Quais deputados? E os três senadores, eles apoiam esse governo? Eu estou dizendo que o governador não priorizou a segurança pública na relação com os deputados. Ele tem a maioria dos deputados federais, tem a totalidade dos senadores.
Patrícia Moraes Machado – Sendo assim, os deputados da oposição não existem?
A maioria é da situação. Por que não falar da maioria? Reitero, quem dita a política de segurança pública para Goiás é o governador. Ele em algum momento pediu a sua bancada, que tem a maioria esmagadora da sua base de governo, investimentos na segurança?
Patrícia Moraes Machado – Mas os outros deputados federais não têm ideias, não tomam iniciativa?
Então, a culpa é dos três?
Patrícia Moraes Machado – Não é questão de colocar culpa, e sim de dizer que eles poderiam ter feito.
Se faz aquilo que o governador pediu. Eu fui deputado três vezes e o atual governador foi deputado federal. O gestor reúne com sua bancada e apresenta quais áreas precisa de investimentos.
Patrícia Moraes Machado – Não adianta ser deputado federal de oposição do partido do governo, não se faz nada?
Adianta e muito.
Patrícia Moraes Machado – E o que se faz, então?
Faz aquilo que o deputado julgue ser o mais importante.
Cezar Santos – O deputado Sandro Mabel esteve no Jornal Opção há poucos dias e disse que o programa do PMDB, do qual o sr. é coordenador, é uma maravilha. O sr. já falou sobre a meta de redução em 50% da criminalidade. Qual seria a proposta para a área de saúde?
A proposta básica na saúde é criar unidades hospitalares regionais. Goiânia está congestionada. A política da ambulância impera em Goiás. Qualquer problema de saúde no interior é transferido para capital. Prioritariamente, a construção dessas unidades de forma adequada e para atender, regionalmente, a população em sua origem para que possamos avançar. Esse é o primeiro passo.
Cezar Santos – Isso está sendo feito pelo governo atual.
Que bom. Nós faremos mais.
Marcos Nunes – Há levantamento de quais regiões e quantos hospitais serão necessários?
Nós temos um levantamento prévio. Na segunda-feira nos reuniremos com um grupo de secretários municipais de Saúde e consolidaremos esse número. No planejamento dividimos o Estado em dez regiões. Portanto, essas unidades devem ser adotadas a estimular os consórcios regionais de saúde entre os municípios. Veremos se a média é alta, a complexidade, quais exames laboratoriais que serão implantados nas regiões, por exemplo. Tudo isso faz parte de uma ação integrada de política pública de saúde com as diversas áreas que estamos construindo.
Patrícia Moraes Machado – Mais alguma proposta na saúde?
Vários desdobramentos disso. Mas, basicamente, é isso e precisamos ter mais médicos, mais profissionais.
Elder Dias – O PMDB continuará com o sistema das organizações sociais (OSs) nas unidades hospitalares?
Há muitas dúvidas sobre a lisura dessa relação. O modelo de autonomia das unidades, buscado pelas OSs, o governador Iris adotará. Isso foi feito, recentemente, por esse governo e precisamos comparar, pois são 27 Estados da Federação. Outros já avançaram muito mais, repito. Qual o conceito da OS? É dar autonomia. Porém, essa autonomia foi dada com o espírito privado. Ou seja, o Hugo aumentou o número de pessoas ou diminuiu? Melhorou o atendimento ou piorou? Melhorou para mais pessoas ou para poucas? Esse debate não é sobre manter ou não a OS. Ela não salva nada. A origem é eficiência, transparência, lisura com a universalização do atendimento e proporcionar saúde.
Cezar Santos – Como o programa do PMDB contempla a área de ciência e tecnologia?
Ciência e tecnologia, hoje, é um instrumento extremamente eficiente em todos os setores da vida. Citando apenas dois exemplos, o Iris quando prefeito criou o Teleconsulta e o Telematrícula. Ele eliminou vários problemas e criou uma realidade própria. Existem softwares, por exemplo, que permitem a gerência de hospitais através de vídeos, teleconferências. Todas as áreas do governo terão avanço com o que a tecnologia nos permite. Saúde, segurança, gestão, educação. É possível aprimorar, dar transparência, eficiência a todas as áreas com a política estadual de ciência e tecnologia.
Marcos Nunes Carreiro – Sobre energia, o plano de governo propõe aumentar 30% o nível da capacidade de transmissão e distribuição da energia elétrica do Estado até 2018. Ações que permitem o resgate da capacidade de fornecimento de energia elétrica e saneamento. Como e quais serão essas ações que resultam nessas metas?
O problema, hoje, não é na geração de energia elétrica. Nós estamos com sobra até, na geração. O problema é transmissão e distribuição. Muito pouco ou quase nada foi investido. Isso só tem uma fórmula: um novo modelo de gestão para Celg. A Celg precisa ser dada, de volta, aos goianos. Ou seja, precisamos ter autoridade. Tenho um vínculo forte com Itaberaí, meu pai é de lá, minha mãe mora na cidade. Todos os produtores de Itaberaí precisam de geradores de energia. A energia cai. Muitas indústrias deixam de vir para Goiás por intranquilidade. Não há possibilidade de crescimento econômico sem energia elétrica. Aliás, um dos indicadores do desenvolvimento econômico é geração e consumo de energia. Do ponto de vista de infraestrutura, essa é uma prioridade do governador Iris. Estão detalhados os instrumentos que o setor de energia elétrica exige e qual será o investimento em transmissão e distribuição para enfrentar os problemas existentes. O atual governo, no apagar das luzes, tenta consolidar um acordo que ele mesmo negou há quatro anos.
Cezar Santos – A Celg está com a Eletrobrás. Então, se eleito, a partir de janeiro o PMDB iniciará um processo para desmanchar o acordo com o governo federal?
O atual governo está construindo um acordo muito pior que há quatro anos. No ano passado a Celg pagou 50 milhões em multa.
Cezar Santos – Mas só falta repassar as ações que estão em negociação, o que deve sair nos próximos dias.
É uma gestão compartilhada e cuja gestão que tem o comando de Goiás deveria ter cumprido o plano de metas, mas não cumpriu. Foi uma multa por má gestão e esse descumprimento, tudo isso, poderia ter sido prevenido há quatro anos sem perda do controle. Agora, o porcentual de transferência está aumentando por menos recursos. O candidato Iris defende que não se faça isso no processo político, assim como o atual governador fez há quatro anos, pedindo que esse acordo tivesse uma ampla discussão com a sociedade. Não pode ser feito para resolver um problema de governo. A Celg e energia elétrica são problemas de Estado.
Cezar Santos – Falando em prejuízo, o PMDB articulará uma negociação para reduzir o que a Celg obrigatoriamente paga a Cachoeira Dourada pela energia gerada, num acordo altamente danoso a ela quando a usina foi vendida?
Se isso for importante para o fortalecimento, sim.
Patrícia Moraes Machado – O sr. disse que o problema em Goiás está na transmissão e não na geração. Como assim se, para transmitir você precisa comprar energia?
Ok. Mas como é o processo de energia? Você gera energia, distribui e transmite. Não adianta ter um altíssimo volume de geração se essa energia não chega à ponta. Hoje, estamos gerando energia e ela não chega à ponta.
Patrícia Moraes Machado – Nós não geramos energia.
Gera. Goiás gera e sobra energia.
Patrícia Moraes Machado – Nós compramos.
Goiás, assim como outros Estados, alguns muitos habitados e outros não, gera energia e não distribui. Portanto, não há problema de geração de energia e sim de transmissão e distribuição.
Patrícia Moraes Machado – Barbosa, nós compramos energia mais cara e isso não tem como esconder.
A geração de Goiás pode ser vendida para o Ceará. Esse é um mercado e não é ditado por regras.
Patrícia Moraes Machado – Não estou falando que é ditado por regras.
Você está dizendo que Goiás compra energia mais cara. Goiás pode comprar de outras geradoras e até fora do Estado.
Cezar Santos – Quando Cachoeira Dourada foi vendida por Maguito Vilela, estabeleceu-se um contrato que determinava que Goiás, a Celg, compraria energia acima do preço do mercado. Isso perdura até hoje.
E o atual governo não questionou sobre isso?
Cezar Santos – Minha pergunta é se o PMDB no governo trabalhará para desmanchar um contrato que ele fez, altamente danoso para o Estado?
Iris construiu Cachoeira Dourada. Qual a usina que esse atual governo construiu?
Elder Dias – Mas Cachoeira Dourada é da década de 1950.
Ok. Mas qual usina foi construída?
Patrícia Moraes Machado – Iris construiu Cachoeira Dourada?
Foi, o Iris a construiu.
Patrícia Moraes Machado – Por que vendeu Corumbá?
Ele não vendeu Corumbá. Em determinado momento, construía Corumbá ou Cachoeira e lá tinha um custo menor de investimento com maior geração. Por isso foi construída Cachoeira Dourada.
Marcos Nunes Carreiro – Há proposta para construir novas hidrelétricas?
Não há problema de geração. Não é esse o debate. Goiás tem superávit de fornecimento de energia. O que precisamos é fazê-la chegar a ponta, com redes de transmissão e distribuição.
Marcos Nunes Carreiro – Isso esbarrará em um problema federal, pois as linhas de transmissão são integradas no Brasil. É de responsabilidade do Ministério de Minas e Energia. Nos últimos anos, se contratou um serviço para modernizar e reformar as indústrias do Estado, mas esbarrou em um problema com o governo federal, que é a questão da responsabilidade ambiental, uma questão mais burocrática. O governo do PMDB irá trabalhar em parceria com o governo federal para resolver essas questões?
Eu não disse isso. Se for por esse argumento, todas as políticas estão sob a política federal. Quem dita a política de segurança pública, de saúde, de educação, o modelo de gestão pública é a legislação federal. No caso da energia, a Anel [Agência Nacional de Anergia Elétrica], que também é federal. O nosso problema é que não tivemos investimento. A Celg precisava investir R$ 250 milhões ao ano e não investiu, o que gerou um gargalo enorme, além de multas e reclamações. Ontem, o Jornal Hoje mostrou um casal que ganhou R$ 40 mil em multa, pois no casamento acabou a energia na cidade. Isso é o cotidiano. Goiás é o paraíso da venda de geradores, pois cai a energia. Repito, a legislação é federal, ainda assim outros Estados melhoraram muito, porque investiram, tiveram metas, foram dedicados, com boa gestão. A questão da Celg não foi definida. Está esse debate até hoje, porque há falta de credibilidade e atitude. Procura-se R$ 1,9 bilhão para poder repassar um porcentual para consolidar um modelo de entrega que em três anos e sete meses não foi consolidado. A verdade é essa. Pura, simples e concreta.
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Elder Dias – O sr. avaliaria que a Celg, em algum momento, já foi bem administrada?
Eu avalio. Nós vivemos, sem medo de errar, o pior momento da central elétrica. Qualquer especialista da Celg e dirá isso. Por acúmulos e desvios, eu posso até concordar com o sr. Porém, deixaram chegar a esse patamar que está, efetivamente, preocupante.
Cezar Santos – Estudos mostram que o pior passo foi a venda de Cachoeira Dourada.
Eu não concordo com isso. Estudos de quem?
Cezar Santos – Estudos, inclusive, de uma CPI na Assembleia Legislativa. A própria presidente Dilma Rousseff falou isso, certamente embasada em dados do governo federal. E foi o PMDB, seu partido, que vendeu Cachoeira Dourada.
É muito fácil remeter a 1998 e dizer que esse é o problema de Goiás. De lá para cá, por que não se refez contrato ou não investiu em transmissão, em distribuição? Olhe bem os patrocínios que a Celg fez nos últimos anos, olhe se é política de investimento em geração, transmissão e distribuição?
Patrícia Moraes Machado – O PMDB tem projetos de investimento em energia alternativa?
Vários, até mesmo com bagaço de cana e outros projetos alternativos. Isso dentro do projeto de governo. Por que não tem energia alternativa? É porque não tem energia elétrica na ponta. Setores da mineração reclamam muito, porque não investem e não têm energia suficiente. Olhar pelo retrovisor é importante, mais ainda é olhar no para-brisa. E isso significa retomar a Celg e fazer com que ela seja um instrumento indutor de desenvolvimento econômico em Goiás. Essa é a proposta clara de Iris Rezende Machado.
Elder Dias – O índice do Ideb em Goiás subiu de 16° para o 5° lugar no governo do Marconi. Como o sr. avalia isso e qual será o projeto do PMDB para a educação?
A educação é o eixo central de todas as outras áreas. É necessária uma educação de qualidade com professores qualificados, bem remunerados, respeitados. Há, ainda, um sentido muito mais amplo. A escola de tempo integral é para preparar os jovens para o mercado de trabalho, para conscientizá-los ao não uso de drogas, para induzi-los e estimulá-los à prática de esporte, para fortalecer o processo de aculturamento da sociedade goiana. Daquilo que foi proposto, nada foi feito por esse governo. Os índices de Goiás avançaram, porque a nossa base era muito negativa. Bem como o índice econômico. Se diz que Goiás cresce acima da média nacional, mas cresce menos que a média do Centro-Oeste. Quando bem interessa é a nível nacional, quando não é a nível estadual. A educação profissionalizante é o eixo forte do governo do Iris. A educação contribui com algo que estamos muito preocupados, pois afasta os jovens das drogas, auxilia em outro problema da sociedade goiana. Portanto, educação é a mola disso tudo e preparará o jovem para isso, seja na área profissional, seja na saúde, na segurança, seja no desenvolvimento econômico. Um processo permanente de acompanhamento.
Patrícia Moraes Machado – Objetivamente, qual a proposta de Iris?
A proposta é simples: fazer com que nossas escolas avancem a serem de tempo integral, que sejam, efetivamente, instrumentos para a profissionalização e que possamos remunerar os professores, como Iris fez em Goiânia, 20% acima do piso nacional. Com essas etapas vamos melhorar não só os indicadores, e sim a instrumentalização desse jovem para seu futuro.
Frederico Vitor – O que mais está contemplado no plano do PMDB para governar o Estado?
São quatro eixos de intervenção no plano. O primeiro é o desenvolvimento institucional e reforma do Estado. A última reforma foi na década de 1960 — pequenas reformas feitas depois não atendem o modelo moderno e para isso é preciso autoridade e transparência, não se pode ter compromisso com grupos. Segundo, depois de reformar o modelo, investir em uma política de infraestrutura. Todos os eixos, na verdade, focados no desenvolvimento, seja ele institucional, reforma do Estado, infraestrutura com sustentabilidade. Por fim, os outros dois pontos, que são desenvolvimento econômico e social, com qualidade de vida. Quatro eixos claros de desenvolvimento, para que possamos de forma integrada com esses quatro eixos, ter metas mobilizadoras, indicadores de acompanhamento, para que o Iris demonstre à sociedade, nos próximos quatro anos, que sua experiência e vitalidade, além do apoio dos partidos e sua presença na política nacional, servem e contribuem com instrumentos para consolidarmos essa política. Além, é claro, de alguns princípios como descentralização, transparência, eficiência e outros beneficiando o mais simples cidadão ao mais graduado profissionalmente, de forma a contemplarmos as demandas de Goiás. l
Se o livro é belo, seu significado é terrível. No cosmos de Herman Melville, os homens são quase sempre ilhas e embarcações para si mesmos
Escrito em 1905 e publicado em 1914, no livro de contos “Dublinenses”, o texto narra a história de uma jovem apaixonada vivendo sob o olhar reprovador da mãe

