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José Eduardo Cardozo: o Salvador Dalí da política brasileira (Elza Fiuza /Agência Brasil)[/caption]
Surrealista a entrevista coletiva do ministro da Justiça na semana passada. Comentando a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga o esquema, José Eduardo Cardozo mostrava-se muito irritado. Surpreendentemente, não com o que se faz na Petrobrás, e com os ladrões lá refestelados. Irritava-se com a oposição, que estaria tirando proveito do acontecido, politizando-o, e fazendo dele um terceiro turno eleitoral, no seu entender e do governo. É próprio do governo fazer de conta que não é com ele.
Quando não alega desconhecimento (o velho “eu não sabia”), a culpa é sempre alheia, mesmo que não exista quem culpar. Surrealismo.
O próprio ministro da Justiça já havia declarado, tempos atrás, que preferia a morte ao encarceramento nas péssimas prisões brasileiras, como se não fosse ele próprio o responsável pelo estado dessas prisões.
A presidente, ainda mais surrealista, diante do descalabro na Petrobrás, bate no peito, alegando orgulho por ter seu governo descoberto os desvios, como se não fossem a Justiça e a Polícia Federal, agindo independentemente e contra a má vontade do governo os responsáveis pela descoberta. E se os atos criminosos não tivessem sido praticados por elementos do seu governo, e de sua confiança. Sem falar nos indícios veementes de que tudo era de seu conhecimento, e no fato de que ela, ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, era a presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, no auge da roubalheira.
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Janio de Freitas escreveu artigo antidemocrático contra policiais federais[/caption]
Todos precisamos da boa informação. Afinal, é ela que nos dá elementos para fazermos nossas escolhas políticas, econômicas e sociais. Não ter informação nos faz votar mal, buscar o trabalho errado, aplicar mal nosso dinheiro e até comprar algo inútil ou buscar a diversão diferente da que queríamos. No universo do jornalismo político, tenho um critério para bem me informar: procuro o jornalista isento na informação, aquele que não dá pistas de sua preferência pessoal, aquele que o espectador não sabe em quem votará.
Exemplos televisivos: Renata Lo Prete e Gerson Camarotti. Eliane Cantanhede, no passado algo encantada com alguns petistas não lá muito recomendáveis, como José Dirceu e Celso Amorim, tem se mostrado uma profissional amadurecida, além de sempre ter sido uma articulista arguta e inteligente. Pena que foi demitida da “Folha de S. Paulo”, por razões econômicas, segundo o jornal. Melhor para a “Folha” teria sido demitir Janio de Freitas, que mais desinforma que informa. Mas ao que parece o salário de Eliane e de Fernando Rodrigues, outro bom jornalista demitido, seriam naturalmente bem maiores que os ganhos de Janio.
Janio de Freitas no dia 19 do mês passado criticava o Tribunal Superior Eleitoral pela proibição na campanha passada da exibição de entrevistados apoiando afirmações críticas feitas por candidatos. Julgava antidemocrático, e estava certo. Já no dia 16 de novembro último, investia contra delegados da Polícia Federal que haviam, em suas redes sociais privadas, manifestado sua preferência contra o PT. Defendia a investigação que o ministro da Justiça abrira contra eles. Antidemocrático e contraditório, por parte do jornalista, que não consegue esconder em quem vota.
Uma das (poucas) vantagens que adquirimos atingindo a senectude, digamos assim, é a de conferir aos acontecimentos uma certa previsibilidade. As coisas acontecidas, testemunhadas ou de alguma forma remota conhecidas, vão se acumulando, até restar, para acontecer, não muita coisa absolutamente nova ou espantosa no universo humano. Fora o que é tecnológico, logo de alguma forma descartável, pouca coisa tida como novidade costuma ocorrer sob o sol ou nas caladas. Uma sonda espacial que pousa em um cometa é um feito, um acontecimento. Mas as paixões humanas não mudam. Uma de minhas mais remotas lembranças é de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Meu pai mostrava a um amigo uma fotografia, numa revista ou jornal, não me lembro bem, de um homem muito magro, que parecia dormir, sentado em uma cadeira. Meu pai falava revoltado sobre o castigo que merecia quem fazia aquilo. Perguntei se o homem estava dormindo e ele me respondeu que não. Estava morto. De fome. Tinham deixado que ele morresse de fome. “Quem deixou?”, perguntei. “Hitler”, respondeu meu pai, embora esse nome nada dissesse a um garoto de 8 anos, que eu era então. Mas foi um impacto saber que alguém faria outro morrer de fome, e logo de fome, algo tão ruim, que as mães evitavam que nós experimentássemos por uma hora sequer. Só tempos depois fui saber que se tratava de foto de um prisioneiro, judeu provavelmente, morto de inanição num dos campos de concentração tomados pelos aliados. Nada há de novidade, nas guerras que hoje fazem tremer o Oriente Médio: se não fazem morrer de fome alguns inimigos, hoje podem degolá-los em público. Pouco ou nada muda, nas relações humanas. Apenas o retrato no jornal, impresso meses após ter sido revelado, é substituído hoje pela imagem quase instantânea que o satélite transmite para nosso computador. A Alemanha, com enorme capacidade de soerguimento, construiu, depois da destruição da Segunda Guerra, uma das democracias mais ricas e socialmente justas da Terra. E não foi fácil, pois apenas um quarto de século atrás ainda estava dividida, e a metáfora da divisão era o Muro de Berlim, atrás do qual outros Hitlers ainda subjugavam e infligiam sofrimento a boa parte dos alemães. Se a Alemanha deve a si mesma a reconstrução e o alto padrão econômico e social que seu povo hoje ostenta, o mundo deve a ela a mais cabal demonstração de fracasso do sistema comunista de governo, que provocou não só a liberdade alemã, mas o efeito dominó em todo o Leste Europeu e a desmoralização comunista no mundo. Nada mais devastador para o comunismo do que comparar a marcha das duas Alemanhas: a Ocidental, saída da ditadura nazista para a democracia, pujante, cada vez mais próspera e livre, proporcionando à sua população bens materiais em abundância, educação e saúde no mais alto grau. A Oriental, que havia apenas trocado a ditadura hitlerista por sua irmã stalinista, autoritária, estagnada, desabastecida, coagida pelos órgãos de espionagem interna, policialesca, cada vez mais atrasada e soturna. Dois modelos. E ainda existe quem prefira o segundo. A queda do Muro de Berlim, que completou 25 anos, deveria ser comemorada mundialmente.
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Júnior Friboi e Iris Rezende: o comando do PMDB é pequeno demais para as duas estrelas políticas. Pelo menos um deve ficar escanteado | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Na segunda-feira, 24, Júnior Friboi deve se reunir na Churrascaria Lancaster Grill, em Goiânia, com pelo menos 27 prefeitos que defendem sua permanência no PMDB (que tem 48 gestores municipais). Eles vão divulgar uma moção de apoio ao empresário, que, recentemente, contribuiu para a reorganização do partido em praticamente todo o Estado. O presidente da Comissão de Ética, o advogado Leon Deniz, também estaria defendendo que Friboi continue na legenda, segundo um friboizista.
Se Friboi ficar no PMDB, sobretudo se assumir sua presidência em março de 2015, dificilmente Iris Rezende terá condições de ser candidato a prefeito de Goiânia, em 2016. “Não se trata de revanchismo, e sim de estabelecer uma política de renovação que sirva ao partido, não a um indivíduo isolado. Ademais, será que o partido não se cansou de apoiar um político que, além de superado, é um perdedor inveterado? Por que não começar a renovação a partir da capital?”, pergunta o friboizista.
Depois de uma temporada na sua fazenda, no Xingu, o peemedebista-sênior esteve em Goiânia na semana passada — até cortou o cabelo com Ruimar Ferreira, de quem é amigo — e conversou demoradamente com vários peemedebistas, da velha e da jovem guarda. Não disse, com todas as letras, que será candidato a prefeito de Goiânia. Porém, como sempre, deixou implícito que não sairá da política e que, sim, seu nome está à disposição do partido. As táticas enviesadas de Iris Rezende são “manjadas” por todos peemedebistas, dos veteranos aos neófitos.
Numa conversa com dois políticos, Friboi sublinhou que, mesmo se assumir a presidência do PMDB (talvez não assuma), não planeja comandar sozinho a operação de renovação partidária. Ele não quer ficar muito em evidência e há entre seus aliados quem defenda que o deputado federal eleito Daniel Vilela deva ser o novo presidente. Ele e Friboi são aliados.
Os aliados de Friboi garantem que, no momento, o empresário não está muito preocupado com Iris Rezende ou Iris Araújo (quem, de fato, quer expulsá-lo do partido). “Júnior está mais interessado em iniciar um processo orgânico e planejado para eleger prefeitos e vereadores em 2016. Seu objetivo, a partir de agora, é constituir uma base sólida para o partido”, afirma um friboizista. Por quê? “Porque pretende disputar o governo em 2018.”
José PX Silveira Jr.
Parabéns ao Jornal Opção pelo editorial “Reforma de Marconi quer Estado mais útil pra sociedade. Cerebraço é mais inteligente do que bundaço” (edição 2054). O texto é um passeio sobre diferentes visões de governança para chegar ao exemplo mais vigoroso da atualidade, que é a reforma proposta por Marconi Perillo. O governador goiano se antecipou ao que deve ser uma tendência nacional, sobretudo tendo em vista a magra expectativa de mais um governo federal petista. Na área da cultura, que sigo de perto, podemos tecer uma narrativa tanto real quanto fortemente simbólica para outros setores: a saída de Marta Suplicy [ex-ministra da pasta, deixou o cargo no início do mês] fez o Brasil acordar para o fato de que ficamos 12 anos com a gestão cultural no Brasil derrapando na mesma trilha, com idas e vindas, avanços anulados por recuos. Derrapar nem seria tanto o problema, já que o esforço de acertar é sempre bem visto. O problema é que não se sabe que trilha é essa. As atualizações dos ministros Gilberto Gil, os esforços de Juca Ferreira, as reticências de Ana Buarque e o mergulho de Marta Suplicy, convenhamos, nos embrulharam neste 12 anos de “viva a cultura”, cujos principais legados foram antagonismos e vaidades. A paralisia da reformulação dos benefícios fiscais (Lei Rouanet), as prioridades invertidas nos investimentos diretos (Fundo Nacional de Cultura), os editais segmentados e etnocentrados, tudo parece caso de esquizofrenia oficial, em que se aponta para lá e para cá, sem saber onde está o alvo.
O vale-cultura, saudado como a panaceia da década, gorou e ninguém sabe onde está. A criação do Sistema Nacional de Cultura (SNC) forçou os Estados a criarem suas secretarias de Cultura, pois, caso contrário, não estariam aptos aos repasses financeiros. E que repasses foram estes? Estados, como o de Goiás — que transformou sua Agência de Cultura em secretaria em 2012 —, se alinharam, mas não viram avanços nas contrapartidas e agora, como propõe o governador Marconi, é hora de buscar novos caminhos, libertar-se das amarras e expectativas frustrantes para se lançar na “gestão necessária”. Creio que Goiás pode dar exemplos criativos e fascinantes. Podemos fazer aqui “a melhor gestão cultural do Brasil”, como quer Marconi nesta e em outras áreas. É claro que, para que isso aconteça, é preciso mostrar não as ancas, mas os neurônios.
E-mail: [email protected]
“Um Editorial que deve servir para ampla discussão”
Jales Naves Parabéns ao Jornal Opção pelo Editorial. Como sempre, uma lição, para leitores e administradores. Ao situar a proposta de reforma administrativa que o governador Marconi Perillo encaminhou à Assembleia Legislativa do Estado nos modelos da moderna gestão pública, de redução de custos para ter mais recursos para investir, o jornal oferece uma nova visão de governantes que ousam e promovem mudanças importantes, que se refletem na vida dos cidadãos. Um Editorial para ser lido e servir para ampla discussão sobre o papel do Estado e sua relação com a economia. Jales Naves é jornalista.“Da necessidade surge o necessário”
Abadia Lima Editorial muito esclarecedor. Precisamos mesmo analisar com cuidado o que se passa no Brasil, o desmantelamento da política econômica brasileira e o significado do Estado necessário de Marconi Perillo. Uma reforma como a enviada pelo governador à Assembleia pode significar mais um salto rumo ao desenvolvimento econômico de Goiás e de seus mais de 6 milhões de habitantes. É preciso muita coragem e sabedoria para lançar mão de uma profunda reforma, que pode inclusive desagradar a alguns. Mas da necessidade é que surge o necessário. E Marconi sabe disso. Abadia Lima é jornalista.“Admiro a coragem política, mas discordo”
Miguel Ivan Lacerda Discordo desse modelo de Estado mínimo [referido no editorial do Jornal Opção] como propulsor do desenvolvimento, mas admiro a coragem política de pôr em prática o que se acredita (e bom timing político). Acho que os economistas da inovação, diferentemente do artigo, iriam discordar dessa redução estatal. Concordo em parte com Edmund Phelps, do livro “Mass Flourishing”, que sustenta ser preciso promover “uma cultura protetora e inspiradora da individualidade, imaginação, compreensão e autoexpressão que propulsione a inovação nativa de uma nação” ou Estado. Essa filosofia reducionista do papel do governo, de que apenas por meio de uma total reforma (corte) de suas instituições o dinamismo poderá ser recuperado, simplifica as políticas anticíclicas e podem ter um efeito perverso na prosperidade futura. Mas acredito que o efeito no PIB em Goiás vai ser positivo não por causa da reforma (que eu acho negativa), mas por causa do ajuste cambial, que vai favorecer commodities e por causa do problema da seca em 2015, que vai valorizar os produtos produzidos em Goiás. Entretanto, os efeitos distributivos desse crescimento não serão sentidos pela população, por causa do desmonte das instituições repassadores da política distributiva. Se o problema é fiscal, o impacto de uma redução dos subsídios a grandes empresas do Estado seria melhor — o mesmo serve para o governo federal. Miguel Ivan Lacerda é economista e ex-secretário nacional de Irrigação do Ministério da Integração Nacional.“Necessitamos mudar a rota sem perder o leme”
Dolly Soares Parabéns pelo Editorial. Sei que necessitamos mudar a rota, mas não podemos perder o leme. Tenho medo de propostas de mudanças elaboradas por cabeças brilhantes, poucas mãos e que brotam da noite para o dia. Em plena democracia, o diálogo passou longe. Como diz uma grande amiga, “assistimos a noite escura do silêncio e do desrespeito deixar de ser lenço, para se arvorar em cobertor. Indignação e muitíssima preocupação, pois moramos em um Estado em que valores estamentais querem sacramentar a desigualdade de gêneros e minimizar as lutas por igualdade de gênero, raça e opção sexual”. Acredito que está reengenharia não dará liga , os novos mesmos ainda não tomaram Biotônico Fontoura. Dolly Soares é diretora financeira do Centro de Valorização da Mulher (Cevam).
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Chiquinho Oliveira: imagem de chapa branca, longe de enfraquecê-lo, está fortalecendo sua imagem de negociador habilidoso e astuto | Foto: Divulgação[/caption]
O deputado estadual José Vitti (PSDB) está se apresentando como o “candidato” a presidente da Assembleia Legislativa de Goiás que agrada tanto a situação, o marconismo, quanto as oposições petista e peemedebista. Pode até ser positivo para o empresário tucano, para conquistar apoios amplos. Mas não deixa de assustar os luas azuis do tucanato. Acredita-se que a próxima legislatura será uma pedreira para o governador Marconi Perillo — dada a presença de três oradores contundentes e posicionados, Adid Elias (“com sangue na boca”, dizem), Ernesto Roller (com uma ferocidade articulada) e José Nelto (paradoxalmente, o mais moderado). Um presidente da Assembleia que queira fazer média com as oposições pode entregá-la, até com facilidade, nas mãos de deputados articulados, como os três citados. Um presidente dúbio pode se tornar presa fácil de políticos hábeis e ágeis na arte de falar e problematizar.
Um deputado afirma que Vitti “faz campanha cerrada contra” Chiquinho Oliveira, do PHS, que estaria sendo considerado como “chapa-branca”, quer dizer, uma espécie de “candidato do Palácio das Esmeraldas”. Agindo assim, o vittismo estaria trabalhando para isolá-lo. Porém, segundo o presidente do PHS, Eduardo Machado, o tiro pode sair pela culatra. “Como Marconi tem uma base imensa na Assembleia, acabou de ser reeleito e tem uma força política extraordinária, revelar que alguém, como Chiquinho, é ‘chapa branca’, no lugar de atrapalhar, pode até ajudá-lo”, afirma o líder nacional do PHS.
Ao contrário de Vitti, que não é um articulador habilidoso, Chiquinho Oliveira parece que nasceu articulando. Fica-se com a impressão de que nem dorme, pois está sempre em movimento. De manhã, bem cedo, aparece no Tribunal de Contas do Estado, para conversar com os amigos Helder Valin e Kennedy Trindade — que, sim, ainda têm influência na Assembleia e são articuladores de primeira linha, notadamente o segundo, de uma astúcia rara e ponderada —, minutos depois está no Palácio Pedro Ludovico, aconselhando-se ora com o governador Marconi Perillo (que o havia enviado para conversar com Valin e Trindade), ora com o vice-governador José Eliton. De repente, a formiguinha atômica já está reunida com deputados nos corredores da Assembleia. À noite, dialoga com um grupo de deputados recém-eleitos.
Um publicitário, aliado de Chiquinho Oliveira, apresenta um problema. “Sem Túlio Isac no plenário, para fazer o enfrentamento direto, quem fará a defesa imediata e com agressividade do governador Marconi Perillo? Colocar Chiquinho na presidência fortalece as votações dos projetos do governo, mas retira do plenário um hábil articulador e que, embora não seja dono de uma grande oratória, é posicionado e não tem pudor de defender o governador.”
Há quem, no governo Marconi, avalie que Helio de Sousa tem a moderação necessária para gerir a Assembleia. Comenta-se, até, que ele aceitaria trocar o DEM pelo PSDB. Alegaria que o DEM mudou sua conduta e formulações políticas, o que pode não convencer tanto o líder Ronaldo Caiado quanto a Justiça Eleitoral. O problema é que a moderação de Helio de Sousa, às vezes confundida com falta de posicionamento, não agrada setores de proa do marconismo.
O tucanato não tem resistência ao nome de Lincoln Tejota (PSD). Mas avalia-se que não tem a experiência necessária para os grandes embates. “Talvez na próxima disputa, em 2017, Tejotinha tenha mais condições de disputar a presidência”, diz um democrata.
Dois oposicionistas disseram ao Jornal Opção que estão apoiando a candidatura de Vitti, mas admitem que Helio de Sousa tem mais estatura para presidir o Poder Legislativo. “O doutor Helio é moderado, não grita, não perde a paciência e segue a liturgia do poder. É o nome ideal, mas tanto a situação quanto a oposição não apreciam sua frieza. Nunca se sabe o que ele está pensando. Não se sabe se é maquiavélico ou se é apenas um parlamentar que segue as regras.”
Henrique Arantes — a força política do pai, Jovair Arantes, às vezes é sua fraqueza — é tido como carta fora do baralho. Comenta-se que estaria apoiando Lincoln Tejota.
Em suma: quem está forte? Ainda não se pode dizer. Mas é possível sugerir que Chiquinho Oliveira e Vitti saíram na frente.
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Jayme Rincon: presidente da Agetop| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O governador Marconi Perillo está mais preocupado com seus próximos quatro anos no poder. Porém, como segue a máxima de Tancredo Neves, de que, “em política, só existe tarde, nunca cedo”, começa a investir em gestores e políticos novos (alguns nem tão novos, mas novos na política). A seguir uma lista mínima:
Alexandre Baldy — O deputado federal eleito parece um playboy. Mas não é. Trata-se de um executivo atilado e moderno.
Giuseppe Vecci — Se depender de Marconi, será o candidato a governador em 2018.
Jayme Rincon — O presidente da Agetop tomou gosto pela política e deve ser candidato a prefeito de Goiânia. Auxiliar full time e hors concours, é o cara.
Thiago Peixoto — O deputado federal fez um trabalho excelente na Secretaria da Educação, mas teve uma votação pífia. Ainda assim, é uma das apostas, por ser articulado e preparado.
Waldir Soares — O delegado se impôs pela força do voto. Não era da corte marconista, porém não dá mais para ignorá-lo. (Leia mais na internet)
Cristina Lopes — Teve uma votação pífia para deputada estadual. Mas tem atuação consistente na Câmara Municipal de Goiânia e é respeitada pela corte tucana.
Fábio Sousa — Eleito deputado federal, numa campanha solo, não dá mais para ignorá-lo nem chamá-lo de fundamentalista. Não há nada de errado com um político só porque é evangélico. É agressivo e firme.
Henrique Tibúrcio — É uma espécie de golden boy da corte marconista. Respeitado pela competência e integridade.
Jean Carlo — Eleito deputado estadual, é muito ligado ao empresário José Garrote e está se aproximando de Marconi. Tem futuro se conseguir se qualificar.
José Eliton — O vice-governador é apontado por Marconi como leal, preparado e um aliado sempre presente.
José Paulo Loureiro — É um caso ímpar. Marconi já quis transformá-lo em político, mas, executivo extremamente capacitado, sempre fugiu de disputas eleitorais.
Lincoln Tejota — Há quem acredite que ganha eleições unicamente devido ao apoio do pai, Sebastião Tejota. É um equívoco. Ele trabalha em tempo integral e dialoga com firmeza com suas bases.
Thiago Albernaz — É muito jovem, mas posiciona-se bem na Câmara Municipal. Falta-lhe um pouco mais de preparo intelectual. Mas tem tutano.
Virmondes Cruvinel — Se for um pouco mais agressivo, vai crescer na política. Marconi o respeita.
Eduardo Machado — O presidente nacional do PHS se revelou um articulador do primeiro time. Marconi gosta muito disso.
Eurípedes Júnior — Ele tem brilho próprio na política nacional, pois preside o Pros. Marconi aprecia sua capacidade de articulação.
Gustavo Sebba — Eleito deputado estadual, o médico é consistente e não quer ficar na sombra do pai, Jardel Sebba.
Rodrigo Zani — O líder da juventude do PSDB não tem mandato, mas é uma das apostas do tucanato.
Marcos Abrão — Ele era apresentado por Marconi como uma revelação administrativa. Eleito deputado federal, se tornou uma revelação política.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Roberto Barroso suspendeu a autorização dada pelo juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal Nelson Ferreira Junior, ao pedido de viagem do ex-ministro da Casa Civil e condenado no processo do mensalão José Dirceu. Ele solicitou autorização para viajar entre os dias 21 de dezembro e 4 de janeiro para passar o período natalino na cidade de Passa Quatro, em Minas Gerais, com a família, bem como ir, entre 7 e 21 de dezembro, para a cidade de São Paulo e Vinhedo, em São Paulo, a fim de tratar de assuntos relativos à sua empresa. Publicada neste sábado (22), a decisão do ministro do STF aponta que não houve qualquer comunicação oficial sobre a liberação ao Supremo, que tomou conhecimento dos fatos por meio da página do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Relator da Ação Penal 470, Barroso pede ao Juízo da Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas, “com a máxima urgência, informações acerca do pedido, da manifestação do Ministério Público e dos fundamentos da decisão”. A solicitação de Dirceu havia recebido parecer contrário do Ministério Público, que considerou que viagem a passeio não condiz com o cumprimento da pena privativa de liberdade. Já o juiz Nelson Ferreira Junior acatou parcialmente o pedido, permitindo a movimentação de Dirceu, por tratar-se de viagem a trabalho. Estabeleceu, contudo, que ele deveria se apresentar à autoridade policial tanto ao chegar quanto ao sair das cidades. Já a análise do pedido de saída no Natal foi adiada, "seja pela distância da data referida pela Defesa, seja pela necessidade de se aferir a responsabilidade e o senso de autodisciplina do Condenado, mediante a sua experimentação com a viagem a São Paulo-SP", conforme a decisão. Condenado como mentor do esquema de compra de parlamentares que ficou conhecido como mensalão, Dirceu começou a cumprir pena em prisão domiciliar no início deste mês. Ele obteve o direito à progressão do regime semiaberto para o aberto no dia 20 de outubro, ao completar 11 meses e 14 dias de prisão, um sexto da pena, requisito exigido pela Lei de Execução Penal. Ele foi condenado a sete anos e 11 meses por corrupção ativa no processo do mensalão.
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Vanderlan Cardoso quer o apoio de Júnior Friboi mas
não pretende sair do conforto que lhe oferece o PSB | Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O friboizismo pretendia lançar o deputado federal eleito Daniel Vilela para a Prefeitura de Goiânia, em 2016. O objetivo era retirar um possível adversário na convenção do PMDB, em 2018, da disputa pelo governo do Estado. Porém, alegando que pretende adquirir vivência na política de Brasília e que tende a disputar o governo em 2018, Daniel Vilela disse “não” à “boa intenção” de Júnior Friboi.
Para tentar barrar a candidatura de Iris Rezende — que está em campanha quase aberta, mais uma vez, fazendo reuniões em seu escritório e acreditando que terá o apoio do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT —, Friboi abriu conversações com o presidente do PSB, Vanderlan Cardoso. Primeiro, convidou-o para voltar para o PMDB. Vanderlan rejeitou a oferta, alegando que nem mesmo Friboi está garantido no partido. Segundo, mudando a tática, sugeriu que pode apoiá-lo para prefeito de Goiânia.
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O ex-prefeito, com a filha Adriana Accorsi: “Darci tinha um poder infalível de fazer as pessoas se sentirem felizes”, escreve o professor Marcelo Brice[/caption]
Marcelo Brice Assis Noronha
Eu nunca soube definir a imagem certa que Darci Accorsi ocupava no meu imaginário. Sempre tive com ele uma relação ambígua. E hoje sei um pouco mais do que se tratava, pelo que diz respeito ao pessoal e ao político. Não porque ele se foi fisicamente. Talvez por uma busca própria em reconhecer a figura que ele era e representa. Darci sempre foi uma figura amável, inteligente como poucos, rápido nas ideias, de uma sedução absoluta, rodeado por todos, atraía as energias para si. Tem uma música de Adoniran Barbosa que diz: “Eu sou a ‘lâmpida’, elas são ‘as mariposa’!”; Darci era essa luz, tinha um poder infalível de fazer as pessoas perto dele se sentirem felizes e animadas.
Não tinha tempo ruim com ele. Eu nutria uma admiração juvenil pelo filósofo, professor, líder político, de voz marcante e poderosa, que levava a plateia com a capacidade do político de conduzir pela palavra e pelos rumos mais apropriados para as decisões. Estou aqui misturando a figura pública e a privada, deliberadamente. De algum modo, era assim que eu via o ex-prefeito, que chegou a Goiás no começo da década de 70, em Itapuranga, para fazer sua história como professor.
Nossas famílias já tinham muita história juntas quando eu entrei nisso tudo. Meu pai, o professor Reinaldo Pantaleão, e minha mãe, Marilene, participaram ativamente da formação do PT em Goiás. Nessa, estavam Darci Accorsi e Lucide Sauthier Accorsi, na bravura própria dos gaúchos em suas farroupilhas, que, depois da estadia no interior e do nascimento de Adriana Accorsi, migraram para Goiânia.
Na capital, marcaram seus nomes entre as grandes personalidades públicas do Estado. Anos depois, tive a oportunidade de conhecer Luiz Pedro, o filho mais novo, que, coleguinha de sala, se tornou meu grande amigo, um irmão que amo e admiro. Aí já sabíamos que meu pai havia sido professor da Adriana e naquele momento era do Sérgio, o filho do meio, o roqueiro mais metal que eu conheci até os 16 anos, sempre acompanhado de sua Aurilene.
Pronto, eu já era parte dessa família. E assim os tenho hoje e sempre. Aos 13 anos, viajei com a família Accorsi. Ele, prefeito, dirigindo uma caminhonete, numa volta pelo sul da América do Sul. A certa altura, descíamos uma serra no Rio Grande do Sul, estrada de chão, rodeada por precipícios; no fim da serra, o freio acabou. Foi o momento mais emocionante da minha adolescência. Ele disse: “Meu Deus, acabou o freio!”, e bombeava o pedal; todos procuravam, incessantemente, um cinto de segurança a mais, a Adriana abraçava a filha, o Sérgio dizia (completamente desesperado) “calma, pai!”, o Luiz me olhou e tentou fechar o vidro, não sei por quê; a Lucide pegou na mão dele e disse: “Dinho (assim ela o chamava), calma, vai dar certo, desacelera na marcha...”. E paramos, a poucos metros de um paredão. Daquele dia em diante, eu me senti para sempre parte da família e concordei em rezar no começo do dia, antes de pegar estrada.
Tive, com o Luiz, a responsabilidade de pajear a Verônica, filha da Adriana, com alguns meses de vida, e depois a vi crescer, tentando pronunciar meu nome e o adaptando para “Meleco”, o que não deve ser de todo errado. Eu fui acolhido pelos Accorsi como um filho, o que fazia bem a eles e eles a mim. Minha mãe sofria com uma doença grave e Lucide, sem saber, me ensinava, com seu carinho e estima, como as mães são amor. Darci nunca me cerceou. Eu com 15 anos, metido a saber de política e filosofias, queria escutá-lo e, se possível, dar uma opinião.
Minha mãe os adorava, porque cuidavam de mim. Meu pai, um humanista, sabia que a formação sadia que eu encontrava naquela relação era inquebrantável. Em um desses domingos de pizza na casa dos Accorsi, Darci me disse: “Fala pro seu pai vir aqui, uai! Pra gente relembrar quando eu era trotskista. Diz pra ele que o velho Brice [Francisco Brice Cordeiro, de onde vem uma parte do meu nome] era porreta, que a homenagem de seu nome é corajosa. Certa vez o Brice falou: ‘Darci, só temos uma solução! Matar o Dom Fernando (bispo progressista) e colocar a culpa na direita! Hahaha!’”.
E Darci sorria, o que ele fazia com maestria. E quando íamos, os amigos, almoçar aos domingos na chácara deles, era assim: “Uai, sô! Cêis demoraram demais!”. Escutava o Vila perder no rádio e fumava, pensando em política. No ano em que entrei para o curso de Ciências Sociais, fui dar uma olhada na biblioteca dele, o que eu sempre fazia, enquanto a outra parte da garotada jogava videogame, já que eu sempre perdia; lá, afanei um volume da coleção “Os Pensadores”, o de Durkheim, com a justificativa de que precisaria no curso; ele autorizou, mas todo ano fazia o Luiz me pedir o livro de volta. A casa tem livros, eles gostam de jornais, de filmes, literatura e música, de bebida e comida boa.
Eu não entendia como Darci não havia sido governador. Hoje compreendo melhor que não são simplesmente, para o bem ou para o mal, os atributos pessoais de um homem que selam o destino de um político. As circunstâncias não eram propícias e Darci cometeu inúmeros erros de estratégia. Seus companheiros não cessaram de sugar o que havia de resplandecente em sua figura, lhe boicotando, e alguma vaidade o impediu de agir com precisão.
Particularmente, meu ímpeto divergia das posições e aproximações que ele fazia. Mas, 20 anos, depois o PT fez um caminho de agregação que ele sabia ser necessário, para fins de força política. Infelizmente, na hora errada e sem mea-culpa, o deixando longe de cena, propositadamente, com medo da grandeza política dele, de seu brilho próprio. Foi dos melhores prefeitos da capital. Na época não tinha reeleição, senão estaria reeleito, pois sempre foi aprovado e reconhecido. Homem aberto, envolvente, carismático, gente boa, “o professor”.
A última vez que o vi pessoalmente foi no aniversário do Luiz de 31 anos, no ano passado, se recuperando da cirurgia que havia feito para retirada do tumor na coluna. Dias antes havia sido o casamento do meu grande amigo com sua querida companheira Cynthia. Com menos de 20 dias de cirurgia Darci entrou na igreja para acompanhar a cerimônia e me fez chorar, pela vontade de ser forte e pelo carinho com os seus.
Neste ano de 2014, mesmo debilitado, ele participou ativamente da caminhada da sua filha à Assembleia. Sua vivacidade foi fundamental para a vitória dela. Sem dúvida, futura deputada progressista, preparada no seio dessa família que eu adoro!
Algumas pequenas lembranças, de várias... Darci vai passear seu brilhantismo por outras bandas.
Marcelo Brice Assis Noronha é professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e doutorando em Sociologia pela UFG.
O governador Marconi Perillo traçou uma estratégia para 2016: vai bancar candidatos competitivos em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis. Em Goiânia, o tucano-chefe vai lançar o presidente da Agetop, Jayme Rincón. Sua tese: dado o desgaste do prefeito Paulo Garcia, o eleitor goianiense vai votar no candidato que se apresentar como gestor, sobretudo se tiver o que mostrar como gestor. A ação de Jayme Rincón na Agetop o credencia como gestor experimentado. Cristalizou-se a imagem de que é o homem que faz e acontece e tem coragem de enfrentar e derrotar a burocracia. Para Aparecida de Goiânia, Marconi arrola três nomes, pela ordem: o Delegado Waldir Soares, eleito o deputado federal mais votado da história de Goiás, em outubro deste ano, o deputado federal João Campos e o comandante da Polícia Militar, coronel Sílvio Benedito. Em Anápolis, o PSDB de Marconi Perillo não tem alternativa: vai bancar, sem recuos, o deputado federal eleito Alexandre Baldy.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás, Henrique Tibúrcio (PSDB), tende a renunciar em dezembro (e uma eleição indireta será convocada para a escolha do novo presidente), pois deve assumir, em janeiro, uma secretaria do quarto governo do tucano Marconi Perillo. Uma fonte do governo sugere que, inicialmente, o nome de Henrique Tibúrcio estava cotado para assumir a Secretaria de Segurança Pública. Porém, como Joaquim Mesquita deve permanecer no cargo, o presidente da OAB deve ser indicado, possivelmente, para a Casa Civil, área que demanda certo conhecimento jurídico e habilidade diplomática, duas qualidades que sobram em Henrique Tibúrcio. Detalhe: se efetivamente indicado, Henrique Tibúrcio o será na cota do governador Marconi Perillo.
Conhecido como “Fouché dos trópicos”, o conselheiro Kennedy Trindade chegou há pouco tempo ao Tribunal de Contas do Estado, mas já está se tornando mandachuva. “Ele será o eminência parda, como José de Paris foi do cardeal Richelieu, da gestão da presidente Carla Santillo”, afirma um deputado estadual. José de Paris, que pensava para (e com) o cardeal Richelieu, usava uma batina “parda” (meio puída), daí a expressão “eminência parda” (título de um livro de Aldous Huxley sobre o fascinante religioso-político).
Em 2012, ano em que o Brasil cresceu menos de 1%, o PIB do Estado subiu 5,4%, chegando a R$ 123,9 bi
Sempre discreto, qualidade que o governador Marconi Perillo aprecia, Henrique Tibúrcio, quando perguntado, nada discute sobre cargos. Mas um aliado, da advocacia, garante que seu verdadeiro sonho político é disputar a Prefeitura de Goiânia. “Porém, até por não ser político profissional, Henrique Tibúrcio não põe a faca no pescoço de ninguém”, afirma o aliado. “Como é ético, não avança o sinal, o que, em política, não é muito produtivo.”

