Chiquinho Oliveira é apontado como o favorito do Palácio das Esmeraldas para comandar Assembleia

Chiquinho Oliveira: imagem de chapa branca, longe de enfraquecê-lo, está fortalecendo sua imagem de negociador habilidoso e astuto | Foto: Divulgação

Chiquinho Oliveira: imagem de chapa branca, longe de enfraquecê-lo, está fortalecendo sua imagem de negociador habilidoso e astuto | Foto: Divulgação

O deputado estadual José Vitti (PSDB) está se apresentando como o “candidato” a presidente da Assembleia Legislativa de Goiás que agrada tanto a situação, o marconismo, quanto as oposições petista e peemedebista. Pode até ser positivo para o empresário tucano, para conquistar apoios amplos. Mas não deixa de assustar os luas azuis do tucanato. Acre­dita-se que a próxima legislatura será uma pedreira para o governador Marconi Perillo — dada a presença de três oradores contundentes e posicionados, Adid Elias (“com sangue na boca”, dizem), Ernesto Roller (com uma ferocidade articulada) e José Nelto (paradoxalmente, o mais moderado). Um presidente da Assembleia que queira fazer média com as oposições pode entregá-la, até com facilidade, nas mãos de deputados articulados, como os três citados. Um presidente dúbio pode se tornar presa fácil de políticos hábeis e ágeis na arte de falar e problematizar.

Um deputado afirma que Vitti “faz campanha cerrada contra” Chiquinho Oliveira, do PHS, que estaria sendo considerado como “chapa-branca”, quer dizer, uma espécie de “candidato do Palácio das Esmeraldas”. Agindo assim, o vittismo estaria trabalhando para isolá-lo. Porém, segundo o presidente do PHS, Eduardo Machado, o tiro pode sair pela culatra. “Como Marconi tem uma base imensa na As­sembleia, acabou de ser reeleito e tem uma força política ex­traordinária, revelar que al­guém, como Chiquinho, é ‘chapa branca’, no lugar de atrapalhar, pode até ajudá-lo”, afirma o líder nacional do PHS.

Ao contrário de Vitti, que não é um articulador habilidoso, Chiquinho Oliveira parece que nasceu articulando. Fica-se com a impressão de que nem dorme, pois está sempre em movimento. De manhã, bem cedo, aparece no Tribunal de Contas do Estado, para conversar com os amigos Helder Valin e Kennedy Trin­dade — que, sim, ainda têm influência na Assembleia e são articuladores de primeira linha, notadamente o segundo, de uma astúcia rara e ponderada —, minutos depois está no Palácio Pedro Ludovico, aconselhando-se ora com o governador Mar­coni Perillo (que o havia enviado para conversar com Valin e Trindade), ora com o vice-governador José Eliton. De repente, a formiguinha atômica já está reunida com deputados nos corredores da Assembleia. À noite, dialoga com um grupo de deputados recém-eleitos.

Um publicitário, aliado de Chiquinho Oliveira, apresenta um problema. “Sem Túlio Isac no plenário, para fazer o enfrentamento direto, quem fará a defesa imediata e com agressividade do governador Marconi Perillo? Colocar Chi­quinho na presidência fortalece as votações dos projetos do governo, mas retira do plenário um hábil articulador e que, embora não seja dono de uma grande oratória, é posicionado e não tem pudor de defender o governador.”

Há quem, no governo Marconi, avalie que Helio de Sousa tem a moderação necessária para gerir a Assembleia. Comenta-se, até, que ele aceitaria trocar o DEM pelo PSDB. Alegaria que o DEM mudou sua conduta e formulações políticas, o que pode não convencer tanto o líder Ronaldo Caiado quanto a Justiça Eleitoral. O problema é que a moderação de Helio de Sousa, às vezes confundida com falta de posicionamento, não agrada setores de proa do marconismo.

O tucanato não tem resistência ao nome de Lincoln Tejota (PSD). Mas avalia-se que não tem a experiência necessária para os grandes embates. “Talvez na próxima disputa, em 2017, Tejotinha tenha mais condições de disputar a presidência”, diz um democrata.

Dois oposicionistas disseram ao Jornal Opção que estão apoiando a candidatura de Vitti, mas admitem que Helio de Sousa tem mais estatura para presidir o Poder Legislativo. “O doutor Helio é moderado, não grita, não perde a paciência e segue a liturgia do poder. É o nome ideal, mas tanto a situação quanto a oposição não apreciam sua frieza. Nunca se sabe o que ele está pensando. Não se sabe se é maquiavélico ou se é apenas um parlamentar que segue as regras.”

Henrique Arantes — a força política do pai, Jovair Arantes, às vezes é sua fraqueza — é tido como carta fora do baralho. Comenta-se que estaria apoiando Lincoln Tejota.

Em suma: quem está forte? Ainda não se pode dizer. Mas é possível sugerir que Chiquinho Oliveira e Vitti saíram na frente.

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