Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

O surrealismo do ministro e da presidente sobre a Operação Lava Jato

José Eduardo Cardozo: o Salvador Dalí da política brasileira (Elza Fiuza /Agência Brasil)

José Eduardo Cardozo: o Salvador Dalí da política brasileira (Elza Fiuza /Agência Brasil)

Surrealista a entrevista coletiva do ministro da Justiça na semana passada. Comentando a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga o esquema, José Eduardo Cardozo mostrava-se muito irritado. Surpreendentemente, não com o que se faz na Petrobrás, e com os ladrões lá refestelados. Irritava-se com a oposição, que estaria tirando proveito do acontecido, politizando-o, e fazendo dele um terceiro turno eleitoral, no seu entender e do governo. É próprio do governo fazer de conta que não é com ele.

Quando não alega desconhecimento (o velho “eu não sabia”), a culpa é sempre alheia, mesmo que não exista quem culpar. Surrealismo.

O próprio ministro da Justiça já havia declarado, tempos atrás, que preferia a morte ao encarceramento nas péssimas prisões brasileiras, como se não fosse ele próprio o responsável pelo estado dessas prisões.

A presidente, ainda mais surrealista, diante do descalabro na Petrobrás, bate no peito, alegando orgulho por ter seu governo descoberto os desvios, como se não fossem a Justiça e a Polícia Federal, agindo independentemente e contra a má vontade do governo os responsáveis pela descoberta. E se os atos criminosos não tivessem sido praticados por elementos do seu governo, e de sua confiança. Sem falar nos indícios veementes de que tudo era de seu conhecimento, e no fato de que ela, ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, era a presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, no auge da roubalheira.

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