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“Norwegian Wood”, uma obra de amadurecimento humano

Ambientado no Japão de 1960, o romance de Haruki Murakami é magistral quanto ao amor, vida e morte

Ministros do STF reagem ao argumento de “golpe”

[caption id="attachment_64324" align="alignright" width="620"]Celso de Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli: ministros do STF criticam a presidente Dilma por não reconhecer a correção do processo de impeachment Celso de Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli: ministros do STF criticam a presidente Dilma por não reconhecer a correção do processo de impeachment[/caption] Os integrantes do governo Dilma Rousseff, incluindo ela própria, adotaram a estratégia de bradar que o processo de impeachment é golpe. O argumento foi adotado desde que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolheu o pedido de impeachment, em dezembro do ano passado. Para Dilma e aliados a petista é alvo de uma tentativa de “golpe” porque, segundo eles, não há caracterização de um crime de responsabilidade. O argumento é falacioso e não passa mesmo de estratégia para tentar “sujar” o processo que provavelmente vai tirar Dilma e o PT do poder. Como pode ser golpe um instrumento incluso na Constituição Federal, que segue todos os trâmites legais e é supervisionado diretamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF)? Por isso mesmo, estava causando estranheza o silêncio dos ministros do STF sobre esse argumento pífio. Felizmente, alguém reagiu. Na quarta-feira, 20, o ministro Celso de Mello reagiu à possibilidade de a presidente usar esse argumento durante discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O embarque dela estava previsto para quinta-feira, 21, para Nova York (EUA) para participar, na sede da ONU, da cerimônia de assinatura do acordo elaborado no ano passado, em Paris, sobre mudança do clima. A agenda prévia de Dilma previa a presença dela apenas na solenidade de assinatura do acordo do clima, na sede da ONU, na sexta-feira, 22. Segundo a imprensa apurou, em seu discurso de cinco minutos diante dos chefes de Estado mundiais, Dilma planejava falar sobre o processo de impeachment que enfrenta no Congresso Nacional e denunciar que é vítima de um “golpe parlamentar”. Observação: Esta edição do Jornal Opção é publicada no domingo, 24, e pode ser que Dilma tenha sido bem aconselhada ou tenha sofrido um raro surto de bom senso e não falou de golpe em seu discurso na ONU, mas vale o registro da reação dos ministros. É mais uma mostra de que as ações atabalhoadas da presidente só complicam mais sua já difícil situação. O decano Celso de Mello Corte disse que a presidente Dilma comete um “gravíssimo equívoco” ao fazer essa avaliação, pois o processo que pede o seu afastamento no Congresso está correndo dentro da normalidade jurídica. “Ainda que a senhora presidente da República veja, a partir de uma perspectiva eminentemente pessoal, a existência de um golpe, na verdade, há um grande e gravíssimo equívoco, porque o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal deixaram muito claro que o procedimento destinado a apurar a responsabilidade política da presidente da República respeitou, até o presente momento, todas as fórmulas estabelecidas na Constituição”, defendeu. Celso de Mello diz também que “é no mínimo estranho” que a presidente faça uma denúncia de golpe no plenário da ONU. "Eu diria que é no mínimo estranho esse comportamento, ainda que a presidente possa em sua defesa alegar aquilo que lhe aprouver. A questão é saber se ela tem razão", afirmou. O decano reconhece, porém, o direito que tem Dilma de viajar para o exterior mesmo após a Câmara decidir aceitar o pedido de impeachment porque ela ainda não foi afastada das suas funções na Presidência. Ele, no entanto, voltou a criticar o tom do discurso que poderá ser adotado pela petista. Um dos maiores críticos ao governo no STF, o ministro Gilmar Mendes foi mais ferino ao ironizar a possibilidade de Dilma fazer um discurso em Nova York nesse sentido. “Eu não sou assessor da presidente e não posso aconselhá-¬la, mas todos nós que temos acompanhado esse complexo procedimento no Brasil podemos avaliar que se trata de procedimentos absolutamente normais, dentro do quadro de institucionalidade”, disse. Também o ministro Dias Toffoli criticou o uso indevido da palavra “golpe” e ressaltou que é preciso cuidado para que isso não prejudique ainda mais a imagem do Brasil no exterior. “Falar que o processo de impeachment é um golpe depõe e contradiz a própria atuação da defesa da presidente, que tem se defendido na Câmara dos De­putados, agora vai se defender no Senado, se socorreu do Supremo Tribunal Federal, que estabeleceu parâmetros e balizas garantindo a ampla defesa.” Para Toffoli, alegar que há um golpe em andamento é uma ofensa às instituições brasileiras, e isso pode ter reflexos ruins inclusive no exterior porque passa uma imagem ruim do Brasil. “Eu penso que uma atuação responsável é fazer a defesa e respeitar as instituições brasileiras e levar uma imagem positiva do Brasil para o mundo todo, que é uma democracia sólida, que funciona e que suas instituições são responsáveis”, afirmou. Cunha O assunto Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sobre quem pesa várias acusações e sofre processo na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, foi evitado pelos dois ministros. Cunha é o maior algoz de Dilma e responsável por conduzir o processo na Casa. Celso de Mello defendeu que o Supremo não está demorando para julgar o pedido, feito em dezembro pela Procuradoria¬-Geral da República, de afastamento do presidente da Câmara do cargo. “Não há atraso, há estrita observância ao que estabelece a lei”, afirmou. Os dois ministros, no entanto, admitiram que o STF poderá discutir se Cunha poderá ou não assumir a Presidência, em caso de impeachment de Dilma, já que ele será o segundo na linha sucessória após o vice¬-presidente, Michel Temer. O peemedebista já réu num processo do Supremo e há um artigo na Constituição que impede alguém denunciado de ocupar o cargo.

Maior programa de Dilma é a inflação de desemprego em todo o país

O Programa de Aceleração do Desemprego (PED) bate recorde com eliminação de mais de 10 milhões de postos de trabalho

Próximo governo do Brasil precisa se livrar da destrutiva ideologia petista

Que venha o novo governo, seja ele qual for, mas venha vocacionado e competente. Que tenha uma equipe econômica de peso, valorizando a responsabilidade fiscal, as metas de inflação e o dólar flutuante

Oswaldo Montenegro apresenta “A Porta da Alegria” no Rio Vermelho

“Que a minha loucura seja perdoada/Pois, metade de mim é amor/E a outra metade também”, diz os versos de “Metade”, uma das canções de maior sucesso de Oswaldo Montenegro. Na noite do sábado, 30 de abril, o palco do Teatro Rio Vermelho recebe o artista, um dos mais importantes nomes da música brasileira. Sucesso de público e crítica, o show “A Porta da Alegria” concentra o que de mais lírico existe no artista. Seus grandes sucessos, é claro, estão garantidos: “A Lista”, “Bandolins”, “Lua e Flor”, “Estrelas” e, entre outras, “Sem Mandamentos”. O show começa às 21h e os ingressos vão de R$ 80, a meia na plateia superior, a R$ 280, a inteira na plateia inferior.

União Brasileira de Escritores de Goiás realiza oficinas de escrita criativa

[caption id="attachment_64430" align="alignnone" width="620"]Marcelo Mirisol | Foto: reprodução / Oitava Arte Serão 11 encontros, nos sábados entre 30 de abril e 16 de julho; e quem abre a série de oficinas é o escritor paulista Marcelo Mirisola | Foto: reprodução / Oitava Arte[/caption] Entre os dias 30 de abril e 16 de julho, a seccional goiana da União Brasileira dos Escritores (UEB-GO) promove diversas oficinas de escrita criativa, a fim de incentivar a produção literária de qualidade em Goiás. São escritores, críticos literários e tradutores reconhecidos nacional e internacionalmente. A programação começa com Marcelo Mirisola no sábado, 30 de abril, ministrando a oficina “Insub­missão, atrito e confronto, literatura de deslocamento”. As inscrições são gratuitas e as vagas limitadas. Os interessados devem se inscrever por meio do site da UBE-GO (www.ubeoficinas.com.br). Todas as oficinas serão realizadas na sede da União, que fica na Rua 21, no Centro, ao lado do Colégio Lyceu de Goiânia.

Renan começa impeachment sem pressa

Devagar, quase parando, Senado dá início à análise do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff

Capital Inicial apresenta NYC

A banda de rock brasileira, formada em Brasília, no Distrito Federal, em 1982, Capital Inicial, volta a Goiânia no sábado, 30 de abril. O grupo, liderado por Dinho Ouro Preto, apresenta o show acústico NYC, que inclui três faixas inéditas e releituras de grandes sucessos; dentre eles, “Tempo Perdido”, em homenagem à Legião Urbana de Renato Russo. O show acontece na Atlanta Music Hall, a partir das 22h. Os ingressos, já de 2ª lote, custam R$ 70, a meia.

Situação política atual é jogo de dados viciados

[caption id="attachment_64312" align="alignright" width="620"]Estudo com dados mostra que o ser humano mente para si, mas precisa de algum consolo Estudo com dados mostra que o ser humano mente para si, mas precisa de algum consolo[/caption] Flávio R. L. Paranhos Especial para o Jornal Opção A edição de 24 de março da revista Nature, um dos periódicos científicos de mais alto impacto do mundo, traz um trabalho interessante, na medida em que apresenta evidências sólidas para algo que já era intuído, a saber, que quanto mais corrupto o governo de um país, mais corruptos tenderão a ser seus cidadãos. Os autores Gächter e Schulz fizeram o seguinte. Conduziram um experimento em 2568 estudantes de vários países por meio do qual procuraram medir sua honestidade. Estes deveriam jogar um dado duas vezes. Receberiam dinheiro proporcionalmente ao número mostrado pelo primeiro dado, exceto o número seis, que faria com que nada ganhassem. A segunda vez em que jogavam o dado aparentemente não serviria para nada. Aparente­mente, pois tem sua utilidade no experimento, como veremos. Sem serem observados, sua tarefa era, após jogar o dado duas vezes, contar o resultado da primeira vez ao pesquisador, e este lhe pagaria por sua participação de acordo com o número informado. Note que o participante realmente não era observado por ninguém. Isso elimina um desconforto ético grande, que seria o pesquisador saber exatamente quem era desonesto. E elimina também que se mate uma curiosidade sem valor científico, justamente saber individualmente quem era desonesto. Por métodos estatísticos, pode-se inferir qual grupo de pessoas (e não cada pessoa) está sendo mais provavelmente desonesto. O próximo passo é fazer uma correlação com um índice de corrupção do país a que pertence aquele grupo, chamado de Prevalência de Violação de Regras (PRV, da sigla em inglês). O resultado foi o esperado. Gru­pos de estudantes de países com PRV mais alto (como Marrocos e Tanzânia, por exemplo), mentiram mais para ganhar mais dinheiro, enquanto os de países com PRV mais baixo (Ingla­terra, Suécia, para citar dois exemplos), mentiram menos e receberam menos (receberam o que se esperaria de dados jogados ao acaso). Quanto ao Brasil, infelizmente, estudantes brasileiros não foram testados, e só podemos imaginar o que daria. Mas há um detalhe metodológico do experimento que acredito valer para o momento pelo qual passamos. Refiro-me ao segundo dado. Por que jogar duas vezes se só a primeira é que vale? Porque há um mecanismo mental de que os seres humanos nos valemos e que é o alvo desse pequeno detalhe. Por uma fria lógica matemática, as pessoas que mentiram diriam todas que o dado deu cinco, certo? Errado. As pessoas, mesmo quando desonestas, precisam se agarrar em algo para justificar sua desonestidade. A racionalização da culpa, que é humana, demasiado humana, precisa de uma ajudinha. O que fazem, então? Não dizem o que deu o primeiro dado, mas, sim, o que deu o número maior. Você, com a distância que o fato de não ter participado do experimento lhe permite, deve estar se perguntando: mas, que diabo, que lógica é esta?! Se a regra é dizer o que deu no primeiro, tanto faz que se jogue zero, um ou um milhão de vezes depois, pois o que vale é o que deu no primeiro. A mentir, que se minta sem precisar do segundo resultado. Mas não é o que acontece. O ser humano precisa ter um bom conceito de si próprio, precisa de ganchos cognitivos (ainda que fajutos) para racionalizar, moer, remoer sua culpa até se perdoar. Para isso serve o segundo dado. O sujeito diz a si mesmo, poxa, não foi o primeiro, mas foi o segundo, foi de fato jogado, mero detalhe que não tenha sido o primeiro etc. E num passe de neurociências, o sujeito se perdoa e fica “em paz com a própria consciência”. Algo assim está acontecendo on line no Brasil hoje. Tanto mortadelas quanto coxinhas têm sistematicamente escolhido o segundo dado, exercitando uma espécie de doutrina do duplo efeito (uma escolha/ação que tem como consequência um efeito bom e um mau). Os primeiros ignoram inacreditavelmente todas as evidências da sangria criminosa da Petrobrás. Os segundos fecham os olhos (e ouvidos e narinas) às constrangedoramente gigantes evidências contra a conduta do maestro do impeachment, o presidente da câmara, e seus aliados. O problema é que para que seja moralmente aceitável, o efeito mau não pode ser instrumento para o efeito bom. Para que se obtenha este, aquele não pode ter sido intencional. Algo a que nem coxinhas nem mortadelas estão dando a mínima. O que nos deixa numa posição absurda, vença quem vencer, no fim todo mundo perde. Este é um jogo de dados viciados. l

Flávio R. L. Paranhos é médico (UFG), mestre em Filosofia (UFG), doutor (UFMG) e postdoc research fellow (Harvard) em Oftalmologia. Doutor em Bioética (UnB).

Rápidas

[caption id="attachment_64305" align="alignright" width="250"]Konka e Uó Foto: Reprodução[/caption]

- Na noite da sexta-feira, 29 de abril, a casa brasiliense Victoria Haus recebe a rapper paranaense Karol Conká e a goiana Banda Uó. O show começa às 22h30 e os ingressos custam R$ 40, na bilheteria. A Victoria Haus fica no Setor de Armazenagem e Abasteci­men­to Norte (SAAN), em Brasília.

- Na tarde do sábado, 30 de abril, o anfiteatro externo do Planetário da UFG vira palco do projeto “Arteria Cultural”, que leva 14 artistas para o local, onde construirão dois painéis de graffiti. A ideia é de um sarau aberto para quem quer se expressar, ser visto e ouvido.

“A política da troca de favores e do aparelhamento tem de morrer com o impeachment”

Senadora diz que todos precisam estar preparados para as ações corretivas que precisarão ser feitas no rumo do Brasil

Lançamentos

LIVRO Livro

Donnie Darko

Com tradução de Antonio Tibau e prefácio de Jake Gyllenhaal, que viveu o personagem principal nos cinemas, “Donnie Darko”, o livro, apresenta na íntegra o roteiro original.

Autor: Richard Kelly Preço: R$ 49,90 Darkside Books

  MÚSICA Música

Coleção

“Coleção” reúne canções de filmes, documentários e duetos   gravados por Marisa Monte ao longo de sua carreira. Dentre elas, listam “Carinhoso”, “Ilusão” e “Esqueça”.

Intérprete: Marisa Monte Preço: R$ 35,90 Universal

  FILME os oito odiados Os Oito Odiados A última obra do aclamado diretor de “Pulp Fiction” e “Kill Bill”, Quentin Tarantino, traz no elenco os atores Samuel L. Jackson, Kurt Russell e Jennifer Jason Leigh. Diretor: Quentin Tarantino Preço: R$ 39,90 Imagem Filmes

“Não é porque Dilma teve 54 milhões de votos que pode cometer crime”

Relator do processo de impeachment na Câmara traça a derrocada da presidente e diz que erros na economia e na articulação política são os motivos para a saída da petista

Fechados contra Dilma, senadores goianos já falam sobre futuro governo Temer

Senado decidirá afastamento da presidente até meados de maio. O trio da bancada goiana — Lúcia Vânia, Ronaldo Caiado e Wilder Morais — vai votar pelo afastamento

Não é missão da OAB pedir cassação do deputado Jair Bolsonaro porque elogia ditadura e torturador

A Ordem dos Advogados do Brasil é uma “casa” de todos, não é um “edifício” ideológico das esquerdas [caption id="attachment_64287" align="alignright" width="620"]Jair Bolsonaro e Brilhante Ustra: o deputado revisa a história e defende o coronel do Exército, que é apontado como torturador Jair Bolsonaro e Brilhante Ustra: o deputado revisa a história e defende o coronel do Exército, que é apontado como torturador[/caption] É consenso entre pesquisadores, ideológicos ou não, que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o doutor Tibiriçá, comandou parte dos grupos de tortura na ditadura civil-militar. Independentemente do fato de que esquerdistas — terroristas, no dizer dos militares — não queriam implantar uma democracia no Brasil, pugnavam por outra ditadura, a do proletariado, portanto havia uma guerra entre forças políticas e militares, a tortura é execrável. Há quem diga que, na guerra, vale tudo — menos perder. Os militares, para combater a guerrilha, que queria derrubar o governo, precisavam de informações rápidas — para prender novos militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN) e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), as maiores organizações da luta armada; daí a lógica da tortura. O presidente-general Ernesto Geisel chegou a dizer: “Acho que a tortura, em certos casos, torna-se necessária para obter confissões”. O capitão esquerdista Carlos Lamarca e seus camaradas mataram um militar friamente, a coronhadas, quando poderiam tê-lo deixado amarrado. Em fuga, temiam ser descobertos.

  1. Livros de história, e se está falando dos mais equilibrados, e depoimentos sugerem que muitos presos foram torturados e, vários, mortos quando não tinham mais nada a revelar que pudesse ajudar no combate à guerrilha. A partir de certo momento, a ordem, de cima, era para torturar e matar. Era cortar o “mal” pela raiz. Fala-se em porões da ditadura, locais onde guerrilheiros eram torturados e não raro mortos, quando, na verdade, não eram bem porões, porque a cúpula do governo sabia o que estava acontecendo nas suas dependências. Os porões eram, por assim dizer, extensões das áreas oficiais — eram para-oficiais. A tortura, por si, é grave. Trata-se de um crime, mesmo na guerra. As mortes em combate, com trocas de tiros de ambos os lados, têm sua justificativa. Fala-se, com alguma propriedade, que chumbo trocado não dói. Mas as mortes nas prisões, oficiais ou não, como na Casa da Morte, em Petrópolis, ferem as próprias convenções dos soldados que se combatem. O preso é um ser indefeso e, como tal, deve ser protegido. Quem diz isto é ingênuo? Pode até ser. Mas precisa-se, mesmo em circunstâncias difíceis, de limites. Sem regras de contenção, os homens, militares ou não, tendem à barbárie. O delegado Sérgio Paranhos Fleury, tido como besta-fera dos porões, era uma espécie de James Bond da ditadura civil-militar. Não se pode esquecer de que um dos chefes da ALN, Carlos Eugênio Sarmento Paz, comandou o assassinato de Márcio Toledo única e exclusivamente porque ele queria deixar a guerrilha. É uma morte que clama por lembrança e, até, condenação.
Se a tortura é um crime, na ou fora da guerra, pode-se e deve-se criticá-la. Alinho-me entre seus críticos, embora condene o projeto da esquerda, que, de fato, planejava destronar os ditadores militares para instituir outra ditadura no país, a de partido único. Na Rússia e em Cuba, para citar dois países, as esquerdas inicialmente eram multifacetadas, com vários grupos políticos. Aos poucos, prevaleceu a hegemonia do Partido Comunista, que absorveu ou, quando não foi possível, massacrou as demais correntes — torturando e matando sem nenhuma contemplação. Curiosa ou sintomaticamente, parte da esquerda que desanca Brilhante Ustra defende (ou defendeu) Stálin, o brutal assassino de mais de 20 milhões de soviéticos. Porém, se condeno a tortura, se a considero uma prática anti-humanista, próxima da barbárie, devo propor censura àqueles que defendem a ditadura civil-militar e até torturadores, como Brilhante Ustra? Não estou entre os que propõem que o deputado federal Jair Bolsonaro, do PSC do Rio de Janeiro, deve perder o mandato porque elogia a ditadura e o coronel Brilhante Ustra. Ele que elogie quem quiser. Entendo, inclusive, que a condenação acerba ao coronel-torturador tem o objetivo de uma condenação geral aos militares, a uma espécie de demonização dos que vestem farda. A sociedade democrática permite que uma pessoa, deputado ou não, possa elogiar o quê e quem quiser. O elogio de Jair Bolsonaro à ditadura e a Brilhante Ustra não afeta em nada a democracia — para melhor ou para pior. Portanto, não deixa de ser risível o propósito de a OAB do Rio de Janeiro propor a cassação de seu mandato. A ação da casa representante dos advogados é uma forma de censura, é uma tentativa descabida de interferência na vida de um indivíduo, de um parlamentar. A ação da OAB é tão despropositada que nem parece ter saído do cérebro de um advogado, quer dizer, de um legalista, e sim da mente de um político que, totalitário, quer excluir o pensamento divergente. No caso, o mais adequado é que o debate circunscreva-se à exposição do pensamento de Jair Bolsonaro e à crítica de seus adversários. O debate pode ser agressivo, com palavras candentes e até cusparadas mal educadas — como a dada pelo deputado federal Jean Wyllys em Jair Bolsonaro —, mas morre aí. O jogo democrático é duro, por vezes, e os contendores não precisam acatar e nem mesmo respeitar as ideias de seus adversários. Mas não devem tentar proibi-las. A OAB, ao propor a cassação do parlamentar carioca, está passando ao largo da questão democrática e apresentando uma faceta autoritária. O que é uma pena, porque o legalismo da OAB é importante para a democracia, para a defesa da liberdade dos indivíduos. Jair Bolsonaro seria preocupante para a OAB se, como deputado federal, estivesse propondo leis, ainda que isto seja absurdo, que contribuíssem para a “volta” da ditadura. Não há notícia de que o parlamentar esteja apresentando projetos que contrariem a tenra democracia do país. Não se tem informação de que está organizando milícias paramilitares com o objetivo de “restaurar” a ditadura civil-militar. Suas palavras, por mais que doam em algumas pessoas, sobretudo na sensível pele dos esquerdistas — muitos, por sinal, apaixonados pelo comunismo de Cuba e pelo híbrido capitalismo-socialismo de Estado da China —, e por mais que sejam ofensivas para seus rivais, no e fora do Congresso Nacional, são inofensivas para a democracia. Na sociedade do espetáculo, em que muitos se tornam midiáticos, mesmo quando não querem, Jean Wyllys e Jair Bolsonaro ganham espaço, por causa de palavrões e cusparada, mas têm menos importância do que às vezes imaginamos. A democracia, com ou sem cuspe, com palavras delicadas ou grosseiras, permanece intocada. É o que importa. O resto é filigrana. A OAB, muito mais importante que os dois deputados, não deve se envolver em questiúnculas sem nenhuma importância. A OAB não pode se tornar uma casa ideológica, ou melhor, não deve ser transformada numa célula da esquerda ou de qualquer outra corrente política. A OAB é a casa da liberdade e, como tal, não deve se tornar instrumento ideológico de alguns de seus integrantes.