Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Próximo governo do Brasil precisa se livrar da destrutiva ideologia petista

Que venha o novo governo, seja ele qual for, mas venha vocacionado e competente. Que tenha uma equipe econômica de peso, valorizando a responsabilidade fiscal, as metas de inflação e o dólar flutuante

Lula da Silva e Dilma Rousseff: os dois presidentes petistas devastaram a política, a moral e a economia do Brasil

Lula da Silva e Dilma Rousseff: os dois presidentes petistas devastaram a política, a moral e a economia do Brasil

Com a votação pelo “sim” ao impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputa­dos, no domingo, 17, so­pram ventos de mudança.

Perdoe minha insistência, caro leitor. Vou repisar que os males que hoje nos governam são de três naturezas distintas: ética, vocacional e ideológica. Oposição e imprensa, no mais das vezes de má fé, omitem o terceiro mal que partindo do governo nos assola. Tanto que, na votação do impedimento, poucos deputados o mencionaram, acusando apenas os roubos e a incompetência. Mas ele é tão grave quanto os outros dois.

Às vésperas de uma mudança de governo, esperemos que ela atinja, ao menos razoavelmente, essas três áreas que nos afligem. Pouco há mais para falar sobre a questão ética dos governos petistas. Todos os dias há notícia nova sobre um avanço no dinheiro público. De um computador ou documento apreendido pela Polícia Federal, do testemunho de alguém que presenciou um fato desonesto, de uma delação premiada, salta o fato espantoso que chega ao noticiário de cada meia hora nas rádios, aos cadernos dos jornais ou revistas e principalmente aos noticiários de televisão. As quantias surrupiadas chegam à casa dos bilhões de reais.

Que a hora pós-PT traga gente honesta, que tenha aprendido as lições dadas pela Justiça, pela Polícia e pelo Ministério Público, tão divulgadas pela imprensa. Que venha gente para dar fim correto a cada real recolhido ao Tesouro, ciente de que saúde, educação, segurança estão dependendo de cada moeda que pinga na Receita.

Não poderemos esquecer tão cedo esses males, mesmo com nossa pouca memória para as mazelas, pois o preço que a nação paga por eles é muito grande em sofrimento, principalmente a parte da nação mais pobre e desfavorecida, que frequenta as escolas públicas, se socorre (ou tenta se socorrer) do SUS quando lhe falta a saúde e está sujeita aos assaltos por morar na periferia despoliciada, onde chega do trabalho após tomar dois ou três ônibus sacolejantes.

A desonestidade é em grande parte responsável pela falta de leitos hospitalares, de médicos e enfermeiros, de medicamentos nos postos de saúde e de vacinas. Bilhões roubados pela elite das esquerdas brasileiras poderiam estar preenchendo essas lacunas na saúde pública, ou em outras áreas da ação de governo, como educação ou segurança.

Que seja ético, pois, o governo novo que vem aí. Que tenha presente o rumo apontado pela lei, aplicada por um Joaquim Barbosa ou por um Sergio Moro. Quem desvia dinheiro público desvia principalmente o dinheiro que serve aos mais pobres.

O aspecto vocacional ou de competência das ações de governo não é menos importante. Cargos públicos, como quaisquer outros, devem ser ocupados por quem tem vocação e preparo para ocupá-los.
O sistema de governança que o país está afugentando tinha como base uma coalizão em torno de interesses pouco republicanos. O diálogo proposto pelos governos petistas era um diálogo de velhacos: “Eu lhe dou cargos, e você os usa como bem lhe aprouver, desde que me deixe livres as mãos para que eu também faça o que melhor me convém, não como nação, mas como partido e dirigente”.

Não pode existir coalizão de partidos e líderes para governo? Claro que pode, e até deve, mas o diálogo deve ser em outros termos: “Go­vernemos juntos pelo bem da nação. Escolhamos juntos, entre os mais capazes e honestos, os que devem preencher as funções de governo. Planejemos, e vamos eleger prioridades, entre os mais graves problemas a enfrentar. Superemos os obstáculos. Cresçamos”.

Estamos vendo, há treze anos — e anos do “treze” — um desfile de incompetências pela esplanada dos ministérios, presidências e diretorias de agências reguladoras e empresas estatais, e de diretorias de fundos de pensão bilionários — e na Presidência da República. E não só aí.

Nos segundo e terceiro escalões da administração pública, chegaram, exibindo sua pouca disposição para o trabalho, sua má formação de quem era estudante profissional, seu descaso com toda a civilização ocidental, dita por eles, cinicamente, “burguesa”, os portadores de carteirinha partidária.

O resultado está à vista no descalabro econômico, recessão, desemprego e inflação. E no péssimo nível de serviços públicos com que têm os brasileiros que conviver. Sofremos com a burocracia, principalmente os mais pobres, que menos tempo podem perder e que não têm como pagar despachantes.

Ser empresário só com muita paciência e muita resistência, pois quem produz deve estar sempre pedindo autorizações para quem nada produz e vê o empreendedor como “explorador”. Os grandes superávits da balança comercial que ajudaram os governos petistas, inclusive a implantar seus programas sociais, usados desbragadamente como trunfo eleitoreiro, devem-se principalmente ao agronegócio, que petistas e demais assemelhados marxistas odeiam e agridem, até fisicamente, quando enviam, com dinheiro público, o MST para depredar propriedades rurais.
Há uma total falta de vocação, basicamente, para o trabalho eficiente e planejado nestes governos que estamos afugentando.

Que venha o próximo, trazendo em sua bagagem a competência. A incompetência custa demais ao país, ainda mais se aliada ao roubo. Uma medida está no grande número de obras abandonadas pela metade, pelo país afora, deteriorando-se ao sol e à chuva.

Quanto será gasto, por exemplo, na recuperação das obras de desvio do Rio São Francisco, hoje abandonadas, embora se tratasse de uma das vitrines do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), chefiado por Dilma Rousseff?

Quem viaja em Goiás, por rodovia federal, como a BR-158, de Jataí a Caiapônia, não tem como não se compadecer da sorte dos camioneiros que por ali transitam. O estado de abandono da rodovia, com seu leito destruído, a destruir também os caminhões carregados de soja, sem sinalização, sem nenhum tipo de socorro rodoviário, desperta a indignação: quanta falta faz aqui o dinheiro desviado do DNIT nos conchavos políticos e na corrupção! Ou o dinheiro desviado da Ferrovia Norte-Sul, que parece nunca vir a transportar nossa soja por vias mais econômicas!

Que venha o novo governo, seja ele qual for, mas venha vocacionado e competente. Que tenha uma equipe econômica de peso, valorizando a responsabilidade fiscal, as metas de inflação e o dólar flutuante. Que não invente intervencionismos autoritários, como aqueles recentemente feitos no campo da energia elétrica e na economia como um todo, estimulando artificialmente um consumo insustentável.

Por fim, e para isso, principalmente, chamo a atenção do leitor, que venha despido de ideologia fracassada quem vier, depois do malfadado PT e seus fundamentos marxistas.

Que mantenha programas sociais, mas como degrau para uma ascensão na cidadania. Programas sociais que apoiem, mas que ajudem no caminho de uma profissionalização, que apontem uma saída para as algemas da pobreza.

É triste, tanto quanto inegável, que programas sociais na era petista, como o Bolsa Família tenham sido implantados não para libertar, mas para encerrar em currais eleitorais. Não visam elevar cidadãos, mas, como disse o intelectual, militar e cientista político Mario Cesar Flores em recente publicação, criar um enorme contingente de pobreza conformada, de indigência resignada. Conformada, resignada, mas votante.

Venha um novo governo, mas que seja moderado no “politicamente correto” das esquerdas. Não mais pode a sociedade brasileira aceitar uma inversão de conceitos em que policiais são sempre culpados de alguma coisa e bandidos, por mais sanguinários, sejam sempre portadores de muitos direitos e alguma desculpa. São assassinos porque não tiveram oportunidades ou porque são jovens, logo devem ter licença para matar e roubar e ai do policial que for severo com eles — dizem nossos “socialistas”.

Não pode aceitar o governo que chega que o rótulo de “movimentos sociais” se confunda com licença para obstruir rodovias, invadir, roubar, incendiar e mesmo matar, com apoio federal, como fez nos governos Fernando Henrique, Lula e Dilma o famigerado MST. Tem por obrigação tudo fazer — pois hoje nada ou quase nada se faz — para frear os 60 mil assassinatos anuais no Brasil.

O novo governo não pode ser “internacionalista” no mau sentido. Dilma e Lula, para satisfazer seus devaneios marxistas, entregaram bilhões de dólares a tiranias ou semi-tiranias de Cuba, de Angola, do Equador, da Nicarágua, da Bolívia, da Venezuela e outras. Bilhões de dólares que faltam dramaticamente em nossa saúde e educação. Envergonharam nossa tradicionalmente respeitada diplomacia, alinhando-a a tudo que existe de mais atrasado na face da terra, desde que hostil ao “império” americano, numa falta de descortino que toca a estupidez.

Os governos petistas entregaram fugitivos de ditaduras a estas, e deram asilo a criminosos, desde que comunistas. Ajudaram a escravizar os “médicos” cubanos. O governo que aí vem tem que ser diferente. Tem que ser honesto, competente e democrata. E não basta afastar a ideologia do governo. É urgente ao menos amenizar sua influência na educação e na informação. Que nas próximas eleições possamos votar em alguém novo. Que possamos enterrar de vez os carcomidos Fernandos, Lulas, Dilmas, Serras, Aécios, Marinas, Ciros e etc.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.