Cezar Santos
Cezar Santos

Maior programa de Dilma é a inflação de desemprego em todo o país

O Programa de Aceleração do Desemprego (PED) bate recorde com eliminação de mais de 10 milhões de postos de trabalho 

Postos de trabalho, principalmente na indústira, são cortados num País que precisa gerá-los cada vez mais: já são mais de 10 milhões de desempregados no Brasil

Postos de trabalho, principalmente na indústira, são cortados num País que precisa gerá-los cada vez mais: já são mais de 10 milhões de desempregados no Brasil

Para quem acha que a crise política é uma fantasia, os efeitos da inoperância de Dilma Rousseff como gestora são perniciosos no mundo real. Em meio à monumental crise política que pode tirar a petista da cadeira de presidente, e como resultado da inação do governo federal nos últimos cinco anos, mais uma péssima notícia para os brasileiros. A população desocupada no País somou 10,4 milhões de pessoas, o maior número desde que a medição começou a ser feita, em 2012.

Dados divulgados na quarta-feira, 20, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o desemprego ficou em 10,2% no trimestre encerrado em fevereiro. Trata-se do maior índice da série, iniciada em 2012. Pela primeira vez, a taxa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad Contínua) atinge dois dígitos, ficando bem acima do registrado no mesmo período de 2015 (7,4%).

Com 10,4 milhões de brasileiros desocupados — o maior patamar desde o início da Pnad — permite dizer que a ação do governo Dilma Rousseff que é sucesso absoluto é o Programa de Aceleração do Desemprego (PED). O indicador de desemprego mostrou forte alta, principalmente na comparação com o mesmo período de 2015, quando o contingente subiu 40%. Diante do trimestre de setembro a novembro, o avanço foi menor, de 13,8%.

É um cenário terrível para um país emergente das dimensões do Brasil, que precisa criar empregos para um contingente expressivo de jovens que chega ao mercado de trabalho todos os anos. É nesse sentido a declaração do coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, ao G1: “Esse número [10,371 milhões de pessoas desocupadas] é um número recorde, é a maior estimativa já vista na Pnad até hoje. A força de trabalho do Brasil está maior. E está maior porque cresceu o número de desocupados e não porque aumentou o número de ocupados”.

Segundo Azeredo, esse aumento da população desocupada já era esperado, porque há uma questão da sazonalidade [janeiro e fevereiro são meses de dispensa de trabalhadores temporários]. Ele disse que é importante analisar nesse momento o quanto avançou ou quanto caiu em termos de população ocupada. Quantas pessoas perderam emprego em intensidade em relação à série histórica da pesquisa.

Carteira assinada

O coordenador de trabalho e rendimento do IBGE também analisou para o G1 que a população ocupada mostrou queda próximo de 1% nas duas bases de comparação ao chegar a 91,1 milhões. O número de empregos com carteira assinada no setor privado sofreu queda de 1,5% sobre o trimestre de setembro a novembro de 2015 e de 3,8% na comparação com igual trimestre do ano anterior.

Ele lembrou que do final o ano passado para o início deste ano, meio milhão de pessoas deixaram de ter carteira de trabalho, o que é muito negativo, porque perder carteira de trabalho é perder garantia do emprego, contribuição da Previdência, deixar de recolher para fundo de garantia.

O trabalhador perde, lembrou Cimar Azeredo, uma série de benefícios quando o emprego com carteira deixa de existir. “E você vê que o emprego sem carteira também caiu. Então, de certa forma o emprego no país caiu como um todo.”

Os setores que mais cortaram postos de trabalho foram a indústria geral (-5,9%) e o de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (-2,5%).

Renda menor

Os números do IBGE mostram que houve queda também no rendimento médio de quem estava trabalhando. Se no período esse valor foi de R$ 1.934, no trimestre de setembro a novembro não variou, mas em relação ao trimestre de dezembro a fevereiro do ano passado, o rendimento caiu 3,9%.

Na comparação com o trimestre de setembro a novembro de 2015, só o rendimento médio do grupo de serviços domésticos teve aumento, de 1,8%. “Esse aumento do rendimento do trabalhador doméstico pode ser em consequência do aumento do salário mínimo”, disse Azeredo.

Na comparação ao mesmo trimestre do ano anterior, o rendimento médio caiu em grupamentos transporte, armazenagem e correio (-6,3%), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-5,7%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (7,4%).

A reportagem do G1 mostrou que o número de empregadores também diminuiu. Frente ao trimestre de setembro a novembro, a queda foi de 5,8% e, em relação ao mesmo trimestre de 2015, de 5,4%.
Em tempos de desemprego, a quantidade de trabalhadores por conta própria cresceu 3% na comparação com o período de setembro a novembro de 2015 e 7% diante do mesmo período de 2015.

Arrecadação cai

As notícias da área econômica são cada vez pores, reflexo direto da crise política que passa o País, com a presidente Dilma Rousseff sendo de fato uma ex-presidente. Mais uma dessas péssimas notícias é que a arrecadação de março cai quase 7% e é a pior desde 2010.

Não teria como ser diferente com a economia em recessão. A arrecadação de tributos federais registrou uma nova queda real, desta vez de 6,96% em março ante mesmo mês de 2015, totalizando R$ 95,779 bilhões. No trimestre, o recuo real contra o mesmo período do ano passado foi de 8,19%, somando R$ 313,014 bilhões. Tanto o resultado do mês quanto do trimestre são os piores desde 2010, conforme reportagem do “Valor” no início da semana passada.

Sem correção inflacionária, a receita com impostos e contribuições teve alta de 1,77% no mês e de 1,18% no acumulado do ano. O cenário de crise política com a possibilidade cada vez mais real de impeachment de Dilma piora a perspectiva da arrecadação, associado a dificuldades para cortar gastos, o que pode deteriorar ainda mais as contas públicas.

E se considerar apenas as receitas administradas, o recuo real foi de 6,58% em março e de 7,53% no acumulado do ano. A arrecadação de administradas atingiu R$ 94,536 bilhões no mês passado e R$ 307,343 bilhões no acumulado do ano. Em termos nominais, a alta ficou em 2,19% e 1,89%, respectivamente.

Segundo a publicação, a receita própria de outros órgãos federais foi de R$ 1,242 bilhão no mês passado, queda em termos reais de 29,22% na comparação com o mesmo mês de 2015. Em termos nominais, as receitas próprias de outros órgãos recuaram 22,58% em março, em relação ao mesmo mês de 2015.

Em março, quando o governo encaminhou ao Congresso Nacional um pedido de redução de meta de resultado primário, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, já antecipou que a medida era necessária devido à frustração de receitas no primeiro trimestre. A equipe econômica busca na proposta que a atual meta de superávit primário de R$ 24 bilhões seja baixada para R$ 2,8 bilhões. Esse valor poderia ser revertido em um déficit de até R$ 96,65 bilhões, caso sejam utilizados os abatimentos incluídos na mesma proposta.

O jornal lembra que se essa mudança não for aprovada pelo Congresso até 22 de maio, quando o governo terá que editar um novo relatório bimestral de receitas e despesas, um novo contingenciamento precisará ser anunciado, pois na prática o que ainda está em vigor é a meta de primário de R$ 24 bilhões.

Desonerações

O valor de R$ 15,597 bilhões deixou de ser arrecadado pelo governo no primeiro trimestre devido às desonerações promovidas para estimular o crescimento econômico. Esse montante representa queda real de 30,02% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Desse valor que o governo abriu mão no ano, R$ 3,633 bilhões se referem à renúncia de arrecadação gerada pela desoneração da folha de pagamento para vários setores da economia. Apenas no mês passado, o impacto das desonerações na arrecadação foi de R$ 5,199 bilhões, valor 28,93% menor (em termos reais) do que um ano antes.

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