O perdão histórico da Igreja Católica pela escravidão
25 maio 2026 às 19h34

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A Encíclica Magnifica Humanitas, publicada pelo Papa Leão XIV, nesta segunda-feira, 25, é marcada por uma coragem rara dentro da Igreja Católica, porque embora o texto se concentre nos desafios da inteligência artificial e da era digital, o pontífice abre espaço para reconhecer as feridas do passado. Em nome da Igreja, ele pede perdão pelo papel que a instituição desempenhou na legitimação e no silêncio diante da escravidão.
“É impossível não sentir profunda dor ao considerar o enorme sofrimento e humilhação que a escravatura significou para tantas pessoas, em contraste com a sua ilimitada dignidade, amada infinitamente pelo Senhor. Assim sendo, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, diz o texto.
Ao recolocar as vítimas da escravidão no centro da narrativa cristã, Leão XIV reconhece que a Igreja falhou ao não proteger sua dignidade. O texto recorda que “as pedras rejeitadas – os pobres, os doentes, os migrantes, os pequenos – tornar-se-ão a pedra angular”. Essa afirmação ganha uma dimensão ainda mais profunda quando aplicada às vítimas da escravidão, que foram descartadas e desumanizadas.
O documento alerta que “evitemos a síndrome de Babel”, porque ela representa a idolatria do poder que sacrifica os mais fracos. A escravidão foi exatamente isso, uma construção de Babel que reduziu pessoas a mercadorias e apagou sua humanidade. O pedido de perdão é uma forma de romper com essa lógica e de afirmar que a Igreja deseja reconstruir Jerusalém, ou seja, uma sociedade fundada na comunhão e na justiça.
A encíclica insiste que “nenhuma mão é tão fraca que não possa dar o seu contributo”. Essa frase é um antídoto contra a exclusão e contra qualquer forma de escravidão que marginalize os pobres e os vulneráveis. Ao pedir perdão, o Papa mostra que a Igreja deseja caminhar ao lado dos que foram feridos. O arrependimento é apresentado como condição para que a Igreja possa ser verdadeiramente fiel ao Evangelho e ao serviço da humanidade.
A mensagem final da carta é que o mundo precisa de construtores de comunhão e não de arquitetos de Babel. O pedido de perdão pela escravidão é um passo essencial para que a Igreja se coloque ao lado dos que foram feridos e para que a humanidade reencontre sua magnífica vocação de liberdade e fraternidade. O Papa Leão XIV mostra que permanecer humanos significa não esconder as falhas do passado, mas transformá-las em sementes de justiça e paz para o futuro.
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