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Descoberta de ossadas de Cervantes não melhora nem piora a qualidade de sua obra literária

1Pesquisadores estão sempre em busca de ossadas de Miguel de Cervantes Saavedra. Agora, depois de estudos intensos, encontraram ossadas que, supostamente, são do escritor. O que isto efetivamente muda na biografia do autor de “Dom Quixote” e outras histórias? Nada, ou quase nada. Em termos da obra, não se fará mudança alguma, exceto se descobrirem algum texto inédito de Cervantes, o que, se não é impossível, é muito difícil. Portanto, entre as ossadas e “Dom Quixote”, os leitores que apreciam boa literatura certamente ficarão com o romance. Há de se perguntar: os pesquisadores estão se comportando, de certo modo, como o personagem Dom Quixote de la Mancha?

A crise de palavras sutis entre Tancredo Neves e Leonel Brizola

Eleito presidente da República, Tancredo Neves escolheu um ministério que contemplou as forças que o apoiaram na vitória no Colégio Eleitoral. Leonel Brizola, governador do Rio de Janeiro, menosprezado a equipe indicada pelo político mineiro, disse: “Com esse ministério...”. Tancredo Neves respondeu na mesma medida, demonstrando impaciência, numa entrevista coletiva: “E ele, com esse secretariado?” A biografia “Tancredo Neves — A Noite do Destino”, de José Augusto Ribeiro, informa: “Ao dar a resposta, Tancredo batera com força a mão esquerda contra a parte de baixo de seu próprio ventre. Já seria a dor dos dias que se seguiriam”.

Conta do apresentador Ratinho na Suíça tem ou tinha 12,5 milhões de dólares. Ele garante: tudo legal

O UOL, por intermédio do repórter Fernando Rodrigues e Bruno Lupion, e “O Globo”, por meio dos repórteres Chico Otávio, Cristina Tardáguila e Ruben Berta, estão fazendo jornalismo de primeira linha com as informações dos vazamentos do chamado SwissLeaks. As informações do HSBC, indicando brasileiros que têm contas na Suíça neste banco, e financiaram campanhas eleitorais no Brasil não foram publicadas de maneira aleatória. Pelo contrário, o UOL e o “O Globo” ouviram as pessoas mencionadas e abriram espaço para suas manifestações. Algumas, como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o empresário Fábio Roberto Chimenti Auriemo, forneceram informações que, de fato, sugerem que que não há irregularidades com suas contas. “Ter uma conta na Suíça ou em qualquer outro país não é ilegal, desde que seja uma operação declarada à Receita Federal e informada ao Banco Central”, sublinhou “O Globo”. Ratinho (Carlos Roberto Massa), da Rede Massa de Rádio e TV, está na lista dos que têm conta no HSBC de Genebra, na Suíça. Fernando Rodrigues e “O Globo” relatam que o apresentador de televisão tem conta na Suíça e é um dos grandes doadores eleitorais — como pessoa física — da campanha de 2014. Ele repassou R$ 254.140 para seu filho Ratinho Júnior, eleito deputado estadual no Paraná pelo PSC. A conta de Ratinho na Suíça tem ou tinha um saldo de 12,5 milhões de dólares. A família de Ratinho garante que “todos os bens e valores de Carlos Roberto Massa e Solange Martinez Massa foram devidamente declarados aos órgãos competentes”. Curiosamente, até onde pude acompanhar, o UOL e “O Globo” não deram grande peso a uma informação, que li no Portal Imprensa: “Nos documentos, constam os nomes de proprietários do Grupo Globo, Grupo Folha, Rede Bandeirantes, Grupo Manchete, Grupo João Santos, Rede Transamérica, Grupo Edson Queiroz, Gazeta Mercantil, Rede CBS, rádios Curitiba e Ouro Verde FM”. O portal deve ter retirado a informação do UOL e de “O Globo” — os únicos que estão dando destaque, numa espécie de pool, às informações do SwissLeaks.

A melhor “reportagem” sobre a queda anunciada do ministro Cid Gomes está num conto de João do Rio

Num texto do início da década de 1920, João do Rio “explica” porque a presidente Dilma Rousseff demitiu o ministro da Educação, Cid Ramos, a pedido de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados

Sai finalmente a biografia do jornalista Carlos Castello Branco. O autor é Carlos Marchi

TODO AQUELE IMENSO MAR DE LIBERDADE A imprensa anunciou e a procura começou, mas só agora a Record coloca nas livrarias “Todo Aquele Imenso Mar de Liberdade — A Dura Vida do Jornalista Carlos Castello Branco” (560 páginas, 60 reais), do jornalista e escritor Carlos Marchi. O livro já pode ser encomendado no site da Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br). Poucos jornalistas compreenderam tão bem o jogo real do poder quanto Carlos Castello Branco. Sua coluna, no “Jornal do Brasil”, era sempre um alento e uma explicação precisa do que ocorria nos bastidores da política. Não era sensacionalista, escrevia de maneira simples e era sempre bem informado.

Biografia de George F. Kennan, que ganhou o Pulitzer em 2012, é lançada pela Editora Globo Livros

A VIDA DE GEORGE F. KENNAN Os críticos literários Marcelo Franco e Iúri Rincón Godinho costumam sugerir que o britânico Winston Churchill e o americano Franklin D. Roosevelt são os principais estadistas do século 20 (liberais, não dão a mínima para Lênin, Stálin e Mao Tsé-tung). No campo da política não há pares para a dupla. Porém, no campo intelectual e da diplomacia — não citando escritores como Marcel Proust, James Joyce, Robert Musil e Thomas Mann (que, claro, não eram diplomatas) —, há poucos pares para o americano George F. Kennan. George Kennan viveu 101 anos — morreu em 2005 — e teve uma vida extremamente produtiva para si e para a humanidade. Ele foi historiador, diplomata, militante antiguerra (criticou acerbamente as guerras do Vietnã e do Iraque; tinha razão nos dois casos), diplomata dos mais hábeis, memorialista (suas memórias saíram no Brasil e são um monumento à inteligência e à civilidade) e estrategista do primeiro time. George Kennan é conhecido como o mais importante teórico da Guerra Fria. Era um dos ídolos do jornalista Paulo Francis. Uma espécie de Adams do século 20, mas sem Adams no sobrenome. Aos 22 anos, George Kennan era vice-cônsul dos Estados Unidos na Suíça (país neutro, em caso de guerra, mas sempre envolvido nas maracutaias financeiras de quase todo o mundo). A história do século 20 deve muito às suas ideias e, mais do que isso, o grande intelectual, de formação enciclopédica, o explicou como poucos. A Globo Livros está enviando para as livrarias um monumento à pesquisa histórica: “A Vida de George F. Kennan”, do pesquisador John Lewis Gaddis (um fino analista da Guerra Fria). Verdadeira bíblia sobre a vida de George Kennan, a biografia ganhou o Prêmio Pulitzer em 2012. Único inconveniente: o preço — R$ 74,90. Vale tanto? Vale, pois George Kennan é um dos grandes intelectuais e, sim, estadistas do século 20 (chegou a discutir o século 21, mas teve pouco tempo para explicá-lo).

TV Globo colocou Patrícia Poeta no freezer ou na geladeira? O que se sabe é que desapareceu

A TV Globo não fala mais de Patrícia Poeta, a ex-apresentadora do “Jornal Nacional”. Por que, exatamente, não se sabe. As publicações do grupo também não mencionam mais o programa que seria apresentado pela jornalista a partir do segundo semestre deste ano. Patrícia Poeta, por ter se recusado a continuar apresentando o “JN”, está na freezer. Talvez não. É provável que esteja sendo empurrada para a geladeira. A Globo estaria desperdiçando o talento de Patrícia Poeta por birra de que algum chefe? É possível. Outro problema: como mexer numa grade de programação tão rígida quanto a da Globo para inserir um programa novo, uma aposta no escuro? Na fotografia, Patrícia Poeta aparece com o marido, Amauri Soares, diretor da Globo.

Band demite Paloma Poeta, irmã de Patrícia Poeta, e mais 24 funcionários

patricia-poeta A Band do Rio Grande do Sul demitiu, segundo o Portal Comunique-se, 25 funcionários. O nome mais conhecido é de Paloma Poeta [foto acima; do arquivo pessoal], de 22, irmã da ex-apresentadora do Jornal Nacional Patrícia Poeta. Haroldo dos Santos, coordenador de Esportes, e Christiane Matos também foram demitidos. O portal não apresentou a lista completa dos que foram afastados. Nos bastidores, comenta-se que o faturamento da Band no Rio Grande do Sul caiu e, por isso, a cúpula decidiu enxugar a redação — quase à beira de extingui-la.

Lúcio Flávio Pinto, um dos mais importantes jornalistas do Brasil, faz radiografia da imprensa do Pará  

IMPRENSA PARAENSE A história em cima da hora Lúcio Flávio Pinto [Introdução de “Uma arma letal — A imprensa do Pará”, de Lúcio Flávio Pinto, 130 páginas, Editora Smith Produções Gráficas] Dez anos atrás, no dia 21 de janeiro de 2005, fui agredido pelo advogado e jornalista Ronaldo Batista Maiorana, um dos donos do grupo Liberal, formado pelo maior complexo de comunicação do norte do Brasil, cujo poder resulta em grande parte de ser afiliado à Rede Globo de Televisão. Segundo Maiorana, a agressão foi motivada por um artigo que escrevi sobre o irmão dele, Romulo Maiorana Júnior, o principal executivo da corporação. O texto não fazia qualquer menção a Ronaldo. Prestei queixa na polícia, que encaminhou o processo ao Ministério Público, que fez a denúncia, que resultou em processo em uma das varas do juizado especial e culminou no pagamento, pelo agressor, de multa equivalente a 50 salários mínimos. Não em dinheiro, mas no fornecimento de cestas básicas a instituições de caridade, uma das quais muito ligada à família. Um dos dois PMs que deram cobertura a Ronaldo, o que participou diretamente da agressão, foi punido com multa de um salário mínimo. Além de me negar a fazer qualquer acordo com meus agressores, nada mais pude fazer senão acompanhar, impotente, as tratativas do representante do MP atrás de um valor para a reparação do crime, já que o réu nada mais pode fazer no processo. Silêncio que lhe é imposto a pretexto de dar celeridade à instrução nas varas do juizado especial. No momento em que fui agredido, dentro de um restaurante, localizado num parque público de Belém, onde também tem sua sede a Secretaria de Cultura do Estado, eu respondia a 16 processos na justiça, cinco dos quais – sendo quatro penais (por calúnia, injúria e difamação, com base na espúria e já extinta lei de imprensa, de 1967) e um cível (para me impedir de voltar a tocar no nome da autora das ações) – ajuizados por Rosângela Maiorana Kzan, diretora administrativa do jornal O Liberal e irmã de Ronaldo. Menos de três meses depois da agressão, para evitar a decadência do direito no foro criminal, os irmãos Romulo e Ronaldo, mais sua empresa, Delta Publicidade, propuseram 14 ações contra mim. Duas delas porque disse que fui espancado quando, na verdade, fui “apenas” agredido. Cometera assim crime de injúria, difamação e calúnia, além de ser passível de indenizar o ofendido, que viu seu punho ser bloqueado na sua livre trajetória pelo meu rosto. O melhor teste Passados 10 anos, quando quatro dessas ações ainda sobrevivem no foro de Belém, continuando a atormentar a minha vida, decidi lançar este livro não para recontar a história da agressão, já suficientemente relatada em dois outros livros. Tento aqui demonstrar ao leitor o que está por trás das circunstâncias desses processos movidos por esses quatro autores, os três irmãos (Romulo, Rosângela e Ronaldo Maiorana) e sua empresa jornalística, 19 do total de 33 que me assolaram e ainda me oneram a partir dos cinco primeiros, os de Rosângela, de 1992:

  1. Apesar de terem ao seu dispor o maior complexo de comunicações da Amazônia, os três nunca o usaram para se contrapor ao que publiquei em meu pequeníssimo jornal, um quinzenário de 16 páginas em formato A4, com tiragem de dois mil exemplares.
  2. Os porta-vozes dos Maioranas alegam que essa atitude se explica facilmente: silenciam em seus veículos para não dar repercussão ao que sai no meu jornaleco, deixando que ele se esgote em si mesmo.
  3. No entanto, podiam aproveitar que publico na íntegra as cartas que são enviadas ao meu Jornal Pessoal e exercer nele o direito de resposta, contraditando o que digo. Ainda mais porque nunca tratei da vida privada dos irmãos. Sempre o que visei foi sua atuação pública, em função exatamente da influência que exercem sobre a sociedade com os seus poderosos veículos.
  4. Em função desse poder, as ações judiciais que interpuseram se tornaram a principal fonte de atenção, energia e tensão na minha vida a partir de 1992. Os Maioranas não se limitaram a dar andamento processual, como um cidadão comum faria: pressionaram nos bastidores, ou mesmo publicamente, aí, sim, usando seu império de comunicação, para conseguir o que queriam, mesmo que o que estavam querendo representasse a violação aos princípios legais, ao direito e à justiça. O objetivo se tornou evidente: usar a justiça para me impedir de continuar a fazer o meu jornal, ou fazê-lo sob tal sacrifício que a tarefa acabaria sendo demasiada. Eu sucumbiria.
Mas não sucumbi. Este livro é uma seleção de artigos que escrevi a partir do ano seguinte à agressão, até 2011 (evitei chegar mais perto de agora). Pouco têm a ver com ela. Minha intenção, ao reuni-los, é mostrar por que meus artigos incomodam tanto os donos da imprensa no Pará, sobretudo aos Maioranas, aqueles que têm o poderoso respaldo da Rede Globo. O incômodo está em que revelo os bastidores do processo jornalístico, a motivação para o que chega à letra de forma, ao som e à imagem dos veículos desse império. É a história real, que não será contada se não a registrar para os contemporâneos e preservar para as gerações que nos seguirem. A história da imprensa é também a história do poder, da atuação das elites, do mal que elas têm feito à região e ao país – sem atenuações, mas também destituída da paixão cega. Tudo fundamentado em fatos, em informações concretas, não desmentidas até hoje – daí o recurso ao confinamento da verdade nos autos dos processos judiciais, para que não chega à praça pública, tornando-se acessível a todas as pessoas que querem ver, não apenas seguir condutores mal-intencionados. Preferi manter a sequência cronológica dos artigos. Sei que o jornalismo é considerado sempre efêmero, circunstancial e limitado. Por isso mesmo, a melhor forma de testá-lo é vê-lo em perspectiva e retrospectiva. Se ele foi capaz de ver a história no cotidiano, na sucessão aparentemente informe dos fatos do dia a dia, então merece a forma mais perene do livro. Se não, que o livro seja entregue à sua própria sorte: o esquecimento. Quero, mais uma vez, me submeter ao teste dos meus caros leitores. Apostando na força e originalidade do jornalismo diante de todas as outras formas de saber e conhecimento humano. Aventura amazônica Resgatei meus textos do site do Observatório da Imprensa, que os tem reproduzido. Mantive a edição que lhes deu um dos editores do Observatório, Luiz Egypto, a quem agradeço pela atenção e o capricho. Torço honestamente para que o leitor veja nestes textos, produzidos no calor da hora, um pouco da sua própria história, a saga do seu tempo e mais além: a incrível (a)ventura de ser contemporânea desta (ainda) nossa Amazônia. [Em Belém do Grão-Pará, 21 de janeiro de 2015] Lúcio Flávio Pinto é jornalista, editor do Jornal Pessoal (Belém, PA).

Direção do Metrô de São Paulo censura publicidade de livro de Rodrigo Constantino

livro-maré-vermelha-rodrigo-constantino O economista Rodrigo Constantino é um crítico incisivo do governo petista, mas não é um panfletário destemperado. Seus textos, mesmo os mais curtos, contêm análises sérias e equilibradas — o que reflete seu preparo intelectual. Mesmo assim, a publicidade de seu livro “Contra a Maré Vermelha” (Editora Record) —  com 80 crônicas políticas — foi censurado pela Companhia do Metrô de São Paulo. Quando denuncia que houve censura — e de fato houve —, não há como discordar. As frases da publicidade dizem: “Oitenta textos que não foram culpa do FHC” e “Cansado do governo? Rodrigo Constantino também”. Os censores, que se julgam acima das leis do país, disseram que não se pode usar nomes de políticos nem mencionar governos no espaço do metrô. Ora, o nome de FHC é mencionado num contexto positivo — não há uma letra negativa. Trata-se de uma ironia com o PT, que culpa o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sempre que se torna alvo de alguma crítica. O governo citado na segunda frase é, evidentemente, o governo de Dilma Rousseff, mas não há referência explícita — o que sugere mais abrangência. A direção do metrô fez “crítica literária” — identificando “alvos” —, interpretando a publicidade e vestindo, quem sabe, a carapuça. O editor-executivo do Grupo Editorial Record, Carlos Andreazza, disse, com razão: “A questão fundamental, porém, é outra — e decorre da simples leitura do que foi censurado, cujo conteúdo, goste-se ou não, não fere qualquer direito ou lei: chegará, como parece, o momento em que nada mais poderá ser dito livremente no Brasil?” O Portal Comunique-se procurou a direção do Metrô de São Paulo, que explicou sem explicar que o anúncio da Editora Record contraria as regras do Regulamento para Exploração de Mídias em Áreas e Equipamentos de Propriedade da Companhia do Metrô. Tais regras tem outro nome na vida real, para além dos tecnicismos habituais: censura pura e simples. A estultice alastrou-se — é o mínimo que se pode concluir. A direção do Metrô de São Paulo se tornou uma instância legislativa, executiva e judiciária.

Biografia reforça homossexualidade de Virginia Woolf e sugere que “omissão” do marido levou-a ao suicídio

Autora das obras-primas “As Ondas, “Mrs. Dalloway” e “Orlando”, Virginia Woolf era depressiva e se matou, em 1941, jogando-se no Rio Ouse. Livro resgata a sua trajetória

Tancredo Neves não foi assassinado. É o que sugerem dois livros

22124523Morte — “Tancredo Neves — A Noite do Destino” (Civilização Brasileira, 866 páginas), de José Augusto Ribeiro, não é a fonte mais rica sobre a morte do presidente que, eleito pelo Colégio Eleitoral, não pôde assumir o governo. O livro mais qualificado persiste sendo “O Paciente — O Caso Tancredo Neves” (Cultura, 381 páginas), de Luís Mir. Os problemas de saúde que levaram à morte do peemedebista são investigados a fundo. Tancredo Neves não foi assassinado. Morreu devido a alguns erros médicos. O que surpreende mesmo é o fato de o exaustivo livro de Luís Mir não ter sido mencionado por José Augusto Ribeiro nenhuma vez.

Sites dão notícia mas não explicam o que faz Fábio Colletti Barbosa nas reuniões de pauta da Veja

A notícia não é nova: Giancarlo Civita, um dos donos, substitui Fábio Colletti Barbosa na presidência executiva da Abril Mídia. Segundo o Portal dos Jornalistas, “Fábio pediu desligamento com o objetivo de ter uma agenda livre para projetos dos quais já faz parte e outros nos quais gostaria de se envolver”. A mesma informação saiu em todos os sites que publicam notícias sobre jornalismo, mas nenhum quis sabe o que ela de fato diz. O Comunique-se informa: “Ele continuará participando das reuniões de pauta da revista ‘Veja’, atendendo a convite de Giancarlo e Victor Civita Neto”. É outra informação interessante que nenhum dos sites ousou esclarecer. O que faz um executivo como Fábio Colletti Barbosa, que não é jornalista, nas reuniões de pauta da principal revista do país? Ele apresenta ou veta pautas? O leitor não fica sabendo.

Jason Tércio sugere que Mário de Andrade era bissexual, não homossexual

Layout 1O “Estadão” publicou que o escritor e pesquisador Jason Tércio disse que Mário de Andrade não era homossexual. Fica-se, pois, a insinuação de que era heterossexual. O jornal não apresentou nenhuma outra nuance. “O Globo” acrescentou outra informação, e do mesmo biógrafo: Mário de Andrade era bissexual. A biografia de Jason Tércio, que pretende ser ampla, sai até o fim deste ano. Dizê-lo “bissexual” — ou melhor, “não homossexual” — seria uma estratégia para impedir a possível publicação da obra? Talvez sim. Mas há indícios de que, embora manifestasse mais interesse por homens, manteve relacionamentos afetivos e sexuais com mulheres. O psicanalista Sigmund Freud não sugeriu que os seres humanos são mais bissexuais do que heterossexuais e homossexuais? Enquanto não sai a biografia “exaustiva” de Jason Tércio, pode-se consultar “Eu Sou Trezentos — Mário de Andrade: Vida e Obra” (Edições de Janeiro, 256 páginas), de Eduardo Jardim. Trata-se de um dos mais importantes estudiosos da obra e da vida do pai da Semana de Arte Moderna de 1922 e espécie de guia espiritual dos avanços modernistas posteriores — tanto os de Carlos Drummond e João Cabral de Melo Neto. Drummond e João Cabral, juntos, talvez sejam mais importantes do que a Semana de 22.

Biografia conta a vida de Pepe, que tinha um canhão no pé e fez 450 gols jogando pelo Santos

A jornalista Gisa Macia lança em maio a biografia “Pepe — O Canhão da Vila” (Realejo). Ela é filha do ex-jogador. Pepe, segundo maior artilheiro do Santos, com 450 gols em 750 jogos, usava o pé como se fosse um canhão, tal a potência de seu chute. Ele jogou durante 15 anos no time “de” Pelé. Uma campanha de crowdfunding pretende arrecadar 25 mil reais para bancar a edição do livro. Quem quiser contribuir — com valores de R$ 15 a R$ 1 mil — deve acessar o site www.kickante.com.br. Os colaboradores poderão se encontrar com o ex-jogador, de 80 anos, ou receber, em sua residência, o livro autografado pela autora e artilheiro. Numa entrevista ao “Estadão”, Pepe lamentou “a pouca aptidão ofensiva “ de técnicos e jogadores. “Você vê jogos naEuropa com muitos gols e aqui a gente fica economizando, 2 a 0 é goleada. Precisa melhorar. Os técnicos ficam satisfeitos em jogar com dois atacantes. A gente jogava com cinco”.