Euler de França Belém
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Repórteres de O Popular reclamam dos salários baixos para o consultor Eduardo Tessler

Um dos objetivos de Eduardo Tessler é transformar o “Pop” numa espécie de Correio Braziliense de Goiás, com menos textos e mais fotos

A redação do “Pop” se reuniu na quarta-feira, 4, com o consultor Eduardo Tessler (foto). Este, contratado para modernizar o jornal e deixá-lo com feições de produto nacional — hoje passa uma imagem provinciana, como publicar de maneira excessiva reportagens anódinas de agências de notícias —, ouviu queixas dos repórteres, principalmente da velha guarda (cada vez mais reduzida). Os profissionais disseram que o veículo goiano paga os salários mais baixos do país. “A redação de ‘O Popular’ é parecida com a de uma redação socialista — todos, fora o que trabalham em tempo integral ou estão há muitos anos na equipe, ganham os mesmos salários, independentemente da qualidade do trabalho”, diz um repórter.

Eduardo Tessler informou aos repórteres que conversou com a editora-chefe Cileide Alves e revelou preocupação com o fato de que o jornal continua perdendo seus melhores profissionais para o governo ou para outros jornais, notadamente o “Correio Braziliense”. O motivo é óbvio: o “Pop” paga pouco mais de 2 mil reais para um repórter qualificado e o governo paga 11 mil reais para um gerente setorial de comunicação. Um repórter diz que os colegas pensaram em revelar (mas não tiveram coragem) ao consultor que a editora-chefe é “pouco colaborativa” e “muito contenciosa com os jornalistas”. “Ela praticamente não orienta”, frisa uma repórter.

Ao final da conversa, os repórteres não saíram satisfeitos, pois Eduardo Tessler, embora tenha se mostrado receptivo — o que não ocorre com Cileide Alves, na versão dos profissionais —, não apresentou nenhuma solução. “Nós estamos cansados da história do ‘vamos ver’”, afirma um repórter. “O Fernando Portella [ex-consultor do Grupo Jaime Câmara] falou coisas semelhantes, mas não mudou nada”, frisa um repórter.

O objetivo de Eduardo Tessler é tornar o “Pop” um jornal semelhante — mas não o “genérico” — do “Correio Braziliense”, com menos textos (ressalte-se as matérias especiais do jornal são longas), mais fotos, infográficos e vídeos para o site. Ele teria admitido que o site do jornal, ao contrário do que acredita Cileide Alves, precisa melhorar muito. Há um certo amadorismo “cultivado”.

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Epaminondas

Lembro que um conhecido, paulista, investiu sua poupança no sonho dourado do Avestruz Master. Quando a empresa fechou repentinamente as portas, ele me ligou desesperado querendo saber mais notícias e me pedindo link de jornais locais, para ele acompanhar. Passei vergonha: Nosso maior jornal, na época, era fechado à assinantes. E mesmo que fosse aberto, a cobertura local era inferior à nacional. O Popular quer se modernizar, a primeira coisa que precisa fazer é abrir as matérias. Fechado à assinantes, internautas não tem como prestigiá-lo. Segunda coisa, é procurar independência. Cortando anúncios do governo. O que representa suicídio de todo… Leia mais

Buluca

kkkk. Cada coisa que a gente vê. E a assinatura (mesmo digital) é cara.
Agora, algo que tenho que concordar, é a estrutura do site. Não é dos melhores. Até o Dm, tinha um melhor do o do JC. Mas o Dm, também resolveu imitar o Jc, dai o desastre.
Abraço.