Bastidores
Nenhum membro da cúpula do PMDB, sobretudo os deputados federais, quer falar sobre o assunto, mas começa a se desenhar uma explicação sobre os motivos que levaram Iris Rezende a tecer severas críticas à presidente Dilma Rousseff (PT), dias atrás. Acontece que Iris, que não costuma colocar dinheiro próprio em suas campanhas, estava esperando um repasse do PMDB nacional para usar na campanha. Esse dinheiro viria do PT nacional, visto que os partidos compõem a chapa que disputa a reeleição à Presidência. Acontece que Renan Calheiros (PMDB-AL), por conta própria, fez a distribuição da verba — aproximadamente R$ 35 milhões — e dividiu o dinheiro entre os Estados em que o PMDB tem candidato ao governo com o apoio do PT — Rondônia, Amazonas, Paraíba, Pará e Alagoas. Para Goiás, que tem candidatos dos dois partidos disputando o governo, não sobrou dinheiro. O que corre nos bastidores é que Iris ficou tão nervoso, visto que contava com o repasse, que disparou contra Dilma.
A dobradinha do PSD para deputado estadual e federal em Rio Verde parece dar sinais de ruptura. Comenta-se que Lissauer Vieira (PSD) e Heuler Cruvinel (PSD) não têm se dado muito bem ultimamente. O que está em jogo é a disputa pela Prefeitura de Rio Verde em 2016. Cruvinel tem a preferência. Porém, caso seja eleito, Lissauer se cacifa a ocupar a vaga nas eleições. Devido a isso, Cruvinel tem “financiado” a campanha da candidata tucana a deputada estadual Maria José Guimarães. Essa situação pode acabar atrapalhando a eleição do deputado federal e ajudando seus dois concorrentes: Paulo do Vale (PMDB) e sua ex-mulher, Nayara Barcelos (PSB). Paulo é o concorrente mais forte, mas Nayara pode surpreender. Especula-se que a pessebista possa conquistar 10% dos votos da cidade, algo em torno de 19 mil votos.
O indeferimento da “chapinha” de deputados federais formada por PHS, PSL, PEN, PTC, PMN e PV abalou os ânimos de alguns candidatos. A questão está sendo resolvida e há chances reais de que a situação seja revertida a favor dos 50 candidatos, embora a questão seja complicada, juridicamente falando, uma vez que a chapa perdeu o prazo do recurso. O advogado que está cuidando do caso é Ismerim Medina, chefe do jurídico da campanha do governador Marconi Perillo (PSDB). Por isso, segundo o presidente do PSL e candidato a deputado federal Dário Paiva, o indeferimento atrasou um pouco algumas ações, pois os candidatos perderam o “clima” em que estavam. Dos 50 candidatos, a chapa espera, caso possa disputar as eleições, eleger um ou dois. O favorito é Walter Paulo (PMN), dono das Faculdades Padrão. Ele já investiu R$ 2 milhões na campanha.
Falando no DF, Euripedes Júnior, presidente do Pros e candidato a deputado federal, inaugurou escritório em Novo Gama acompanhado do prefeito Everaldo Vidal (PPL). Eis a questão: Euripedes apoia Marconi, o PPL está na coligação de Iris e Everaldo chegou a dizer que estaria com Gomide. Desse bacanal até o próprio Baco quereria participar.
Um médico do HDT diz que irá votar em Vanderlan Cardoso (PSB). Porém, afirma que estão de dar dó as chamadas “curriatas” do pessebista. Pelo menos a que ocorreu na quinta-feira, 31, na entrada do Parque das Laranjeiras, em frente ao HDT. Um jornalista também passou por lá e afirma que viu o socialista comandando uma comitiva com cinco carros. O vice de Vanderlan, professor Alcides Ribeiro, admite dificuldades e confessa que não tem participado da campanha. Professor Alcides é do PSC e diz que, para a Presidência, não vai pedir votos para Eduardo Campos, o aliado de Vanderlan, mas sim para o Pastor Everaldo, candidato do seu partido.
Barbosa Neto diz que tem conversado com os aliados no interior e estão todos impressionados com a receptividade que Iris Rezende (PMDB) tem tido nos municípios que tem passado. E torce para que continue assim em Goiânia. Depois que o ex-prefeito disparou contra a presidente Dilma por não mandar recursos para Goiânia, estão todos de olho nas verbas recebidas pela capital. Na semana passada, por exemplo, a Prefeitura de Goiânia recebeu pouco mais de R$ 600 mil de convênios com o governo federal. As verbas dizem respeito a: reforma do Jardim Zoológico de Goiânia; e implantação do Centro de Formação e Apoio a Assessoria Técnica em Economia Solidária. O outro convênio com cidades de Goiás foi relacionado a Caldas Novas, cidade de Evandro Magal (PP), para construção do pórtico de entrada da cidade. Foram repassados para a Goiás Turismo R$ 22.717,50. Parcela de um total de R$ 915 mil.
Alguns petistas não acreditam na vinda da presidente Dilma Rousseff (PT) a Goiás para a campanha. Em Goiás, a aprovação da presidente não é essa “Coca-Cola toda”, e talvez seja até melhor para o candidato ao governo Antônio Gomide (PT). Lula sim, quer vir. Como se sabe, o ex-presidente “cai de amores” pelo governador Marconi Perillo (PSDB). Até agora, Gomide tem feito críticas ao governo, mas pega mais leve, sem o exagero de outros candidatos. Dizem que é porque ele não se esquece de que o governador o ajudou muito na Prefeitura de Anápolis. Mas, na verdade, Gomide não tem o perfil de um crítico feroz. Prefere seguir apresentando propostas.
Na semana passada, Iris Rezende (PMDB) prometeu asfaltar a estrada de Bonópolis à GO-353, na região Norte. O problema, segundo lembra o deputado tucano Júlio da Retífica, de Porangatu, é que o edital para a licitação da obra já tinha sido publicado no Diário Oficial do Estado.
Elias Vaz (PSB), conhecido por muitos como “o polêmico”, é candidato a deputado estadual. Ele, que se considera um homem dedicado à fiscalização do poder público, quer ser deputado para ampliar sua atuação. Porém, compreende que a tarefa é difícil. “Sei das dificuldades que vou enfrentar. Muitos candidatos realizam campanhas milionárias, financiadas por práticas lesivas ao patrimônio público. Espero contar a com a colaboração das pessoas de bem”, diz. Agora, é esperar para ver.
No site de acompanhamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a única candidatura que ainda não havia sido deferida na última sexta-feira, 1º, era a de Marta Jane (PCB). Porém, ao que consta, não há nada errado. É que os trâmites burocráticos para deferimento de candidaturas são, realmente, demorados. Falando em Marta Jane, a candidata tem se dedicado bastante a reuniões internas, principalmente na região metropolitana e "com grupos específicos de trabalhadores". Os trabalhadores são os principais apoiadores da candidatura de Marta. Segundo ela, parcerias com agentes políticos não são bem-vindas. Motivo: “Para que não haja amarras políticas”, caso ela vença as eleições de outubro.
A estratégia do governadoriável José Roberto Arruda (PR) é fazer colar em seu adversário Agnelo Queiroz (PT) a imagem de quem não fez nenhuma obra no DF. Isto é, a imagem de um político incompetente. Em contrapartida, Agnelo quer usar a condenação de Arruda para grudar nele a imagem de corrupto. Poderia ser mais fácil, uma vez que, de fato, Arruda luta para conseguir continuar como candidato. A briga deverá ser decidida no STF. Porém, a rejeição de Agnelo é grande demais. Até os petistas estão começando a duvidar de que consiga vencer essa.
É possível perceber algo sobre a campanha até o momento, além do esvaziamento financeiro, sobretudo dos candidatos a deputado federal e estadual: há pouca movimentação. Por todo o Estado, percebe-se que os candidatos ainda estão trabalhando na estruturação de seus comitês de campanha. A questão é que estão todos esperando o início da propaganda eleitoral nas emissoras de rádio e TV. As propagandas começarão a ser veiculadas no dia 19 de agosto. Até lá, pode-se afirmar que a campanha está em “banho-maria”, nem fria nem quente. A questão deverá ferver mesmo no início de setembro, quando faltará apenas um mês para as eleições do dia 5 de outubro.
A ideia de Vanderlan Cardoso (PSB) em atrair o público jovem para sua campanha foi muito boa. Ao propor ao eleitor que gravasse uma mensagem de vídeo em seu site, com a promessa de que cada um de seus programas eleitorais teria a veiculação de um vídeo, Vanderlan ganhou mídia e alcançou o público mais ligado em novas tecnologias. Mas esqueceram de orientar. Mais de 60 vídeos já foram enviados. Muitos deles de qualidade, tanto que 13 já foram escolhidos. Já os outros...
Em época de eleições, o caminho dos candidatos não é tão fácil quanto se imagina. E o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tem trabalhado muito julgando situações consideradas irregulares. Porém, nenhum caso foi tão grande quanto o da coligação encabeçada pelo PHS e pelo PSL. A chapinha de deputados federais formada por PHS, PSL, PEN, PTC, PMN e PV foi indeferida pelo TRE, no fim da semana passada. Com isso, os 51 candidatos à Câmara Federal ficam, até o momento, impedidos de disputar o pleito do dia 5 de outubro. A situação é a seguinte: o TRE indeferiu, na última quinta-feira 24, a chapa devido ao "desrespeito à reserva mínima de candidaturas por sexo, tendo em vista o número de registros efetivamente requeridos", o que "implica no indeferimento do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP)". A lei determina que 30% da chapa deve ser reservado e preenchido por mulheres. Assim, a chapa, que era formada por 36 homens e 15 mulheres, ficava com 29,41% de candidatas do sexo feminino. Isto é, abaixo do estipulado pela legislação. A setença foi assinada pelos desembargadores do TRE-GO, Walter Carlos Lemes (presidente do TRE) e Airton Fernandes de Campos (relator do caso) e pelo procurador regional eleitoral Marcello Santiago Wolff. A chapa tinha até o domingo 27 para entrar com o recurso. A simples desistência de um dos candidatos adequaria a chapa à lei, pois faria com que a chapa tivesse 35 homens e 15 mulheres, que representariam exatamente 30% dos candidatos. Acontece que a chapa perdeu o prazo do recurso, o que fez a setença ficar transitada em julgado, isto é, ser definitiva. O representante da coligação é José Carlos da Silva, secretário do PSL. A explicação dada por ele é a seguinte: "Houve erro do TRE, porque não nos comunicaram sobre a setença. Deveriam ter nos mandado via fax, mas não mandaram. Então, fiquei sabendo, por acaso, na segunda-feira. Aí o prazo do recurso já havia passado." A situação toda, segunda consta, foi causada pelo candidato do PHS, Imbrain Lopes Dias, que apresentou candidatura individual, mas se juntou à coligação "de última hora". Provém daí o candidato "sobressalente". Contudo, a chapa já está se preparando para entrar com processo para barrar a decisão. Quem está à frente da questão é Ismerim Medina, chefe da equipe jurídica da campanha do governador Marconi Perillo (PSDB). A chapa irá apresentar recursos individuais e um coletivo. Os candidatos já estão, inclusive, assinando as procurações. É certo que os presidentes de partido estão animados com a possibilidade e já se reuniram com uma equipe jurídica e com o juiz.
Foram muitos os candidatos a desistir de disputar eleições neste ano. Em grande parte, candidatos a deputado estadual e federal. Os motivos são vários e variam com os planos de cada um, mas há um ponto em comum: a tabela de apoios. Segundo consta, as lideranças têm cobrado dos candidatos certos valores para apoiar ou não suas candidaturas. E os valores foram até, informalmente, tabelados. A tabela informada ao Jornal Opção por um candidato é a seguinte, em valores mínimos: R$ 20 mil por prefeitos; R$ 7 mil por vereadores; R$ 3 mil por lideranças (presidentes de associação de bairros, titulares de conselhos tutelares, etc.); e R$ 1 mil por cabos eleitorais diversos. É claro que nem todos os prefeitos, vereadores, líderes de entidades ou pessoas sem cargos entraram no comércio de apoios. Mas o número é expressivo, apontam alguns dos candidatos desistentes. Tudo isso gera o aumento do valor das campanhas e certo desespero por parte de neófitos, que não têm dinheiro ou estrutura partidária para fazer suas campanhas.


