Bastidores
A deputada federal Flávia Morais procurou políticos do PDT, como o prefeito de Inhumas, Dioji Ikeda, e confirmou que vai participar da coligação do governador Marconi Perillo. A aliança, já oficializada, vai ser anunciada brevemente. O acordo da pedetista Flávia Morais não inclui aliança em Trindade. O prefeito do município, Jânio Darrot, do PSDB, vai apoiar Sandes Júnior, do PP, e Giuseppe Vecci, do PSDB, para deputado federal. Dioji Ikeda, mesmo filiado ao PDT, deve apoiar o pré-candidato do PT a governador, Antônio Gomide.
Um líder do DEM sustenta: “O deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) vai fechar mesmo com Iris Rezende (PMDB). Primeiro, porque tem simpatia pessoal pelo peemedebista. Segundo, e talvez mais importante, não há como compor com o governador Marconi Perillo dada a imensa resistência de sua base política”. O democrata afirma que, “pela primeira vez, há quase um acordo formal entre Iris e Ronaldo Caiado. Eles se reuniram e se entenderam. Houve um convite formal de Iris e caminha mesmo para um acordo. As negociações estão sendo bem amarradas. E Iris não desistiu de Vanderlan Cardoso, do PSB. O PMDB vai jogar pesado para atrair o aliado do presidenciável Eduardo Campos”. Marcos Cabral, aliado de Caiado, diz que “não tem informações objetivas” sobre o acordo.
Uma fonte do Partido Democratas insiste que o deputado federal Ronaldo Caiado ainda não fechou com o pré-candidato do PMDB a governador de Goiás, Iris Rezende. O presidente do DEM no Estado seria candidato a senador. “Caiado ‘ainda’ [ele frisa a palavra “ainda”] não está fechado com nenhum grupo. Sua aliança política não descarta os grupos em jogo, exceto o PT de Antônio Gomide, por motivos óbvios. Na verdade, todas as correntes políticas, não apenas o DEM, estão articulando em várias frentes. Os deputados federais Armando Vergílio, do Solidariedade, e Flávia Morais, do PDT, estão articulando em tempo integral tanto com o governador Marconi Perillo quanto com Iris Rezende, Antônio Gomide (PT) e Vanderlan Cardoso.” A fonte democrata diz que, em termos de chapa majoritária, o DEM não deve fechar aliança neste momento. “Nós vamos esperar mais.” E acrescenta: “Estou com Caiado, mas, se ‘levar’ o deputado, Iris não ‘leva’ a maioria dos integrantes do DEM, que, ao menos no momento, prefere apoiar a reeleição de Marconi”. Sobre o encontro de Caiado com Iris e Michel Temer, vice-presidente da República, a fonte é categórica: “É invenção de um jornalista de um diário”. Por que o “Giro”, do “Pop”, insiste que Caiado está fora da base de Marconi Perillo? “Interesses inconfessáveis de um jornalista”, afirma a fonte. O fato é que a composição com Iris não é impossível. Se fechar com Iris, Caiado enfrenta um problema: vai subir no palanque da presidente Dilma Rousseff? Tudo indica que vai subir no palanque de Aécio Neves, o pré-candidato tucano a presidente da República. Outro fato verdadeiro é que há resistência ao nome de Caiado como candidato a senador na base governista. O vice-governador José Eliton (que quer continuar como vice), o deputado federal Vilmar Rocha (que planeja ser candidato a senador) e o prefeito de Goianésia, Jalles Fontoura, são totalmente contrários a uma composição com Ronaldo Caiado, exceto se o democrata optar por disputar a reeleição.
Tecnicamente, o tucano e a petista estão empatados. Mas o dado novo é a queda da presidente
Vanderlan Cardoso aparece em terceiro lugar e Antônio Gomide é o quarto colocado
O empresário veta qualquer apoio a Iris Rezende, mas libera seus aliados para apoiar Vanderlan Cardoso, Antônio Gomide e Marconi Perillo
Um aliado do pré-candidato a governador de Goiás pelo PSB, Vanderlan Cardoso, disse ao Jornal Opção que não há qualquer possibilidade de composição com o pré-candidato do PMDB a governador, Iris Rezende. “Vanderlan não vai compor com o ‘velho’ e, sobretudo, não vai se aliar com um candidato que apoia a reeleição da presidente Dilma Rousseff.”
Ele afirma que a prova de que Vanderlan Cardoso será candidato a governador é que sua chapa majoritária está praticamente montada. “Vanderlan disputa o governo. O deputado estadual Francisco Gedda, do PTN, deve ser o vice. O procurador da Advocacia Geral da União Aguimar Jesuíno será o candidato a senador”, frisa o vanderlanista.
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Celsinho Borges, Francisco Teixeira, Roberto Balestra, Vilmar Rocha e Marconi Perillo[/caption]
O deputado federal Roberto Balestra (PP) disse ao Jornal Opção que iria bancar o nome do advogado e ex-prefeito de Inhumas Abelardo Vaz para deputado estadual na eleição de 5 de outubro deste ano. No entanto, Abelardo Vaz disse ao jornal que sua candidatura não está definida. O jovem líder do PP afirma que, além de estrutura, precisa de apoio político fora de Inhumas. Noutras palavras, não estaria motivado. Ele prefere permanecer na advogacia.
Na dúvida, Celsinho Borges pôs seu nome na praça e deve ser candidato a deputado estadual pelo PP, e com o apoio de Roberto Balestra. Ele agora aguarda o apoio de Abelardo Vaz.
Celsinho Borges está se movimentando e recentemente se encontrou com Roberto Balestra, com o governador Marconi Perillo, com o pré-candidato a senador Vilmar Rocha e o com o ministro da Integração Nacional, Francisco José Coelho Teixeira.
Um dos segredos do jovem político do PP é sua motivação, o que, hoje, Abelardo Vaz não tem.
O deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) pode até ser candidato a senador na chapa majoritária do governador Marconi Perillo. Mas vale acrescentar que o tucano-chefe tem feito uma série de elogios, públicos e internos, ao vice-governador José Eliton (PP). Marconi quer ser pragmático? sim. Por isso, é possível que Caiado seja incorporado à sua frente política. Política se faz com paixão, mas sem esquecer que é uma atividade racional. Noutras palavras, no meio do percurso, às vezes é preciso fazer mudanças para que se mantenha o poder. Mas o tucano-chefe está sempre sugerindo, nas conversas com os aliados, que é preciso prezar pelos companheiros, por aqueles que, nos bons e maus momentos, ficam juntos e defendem o governo e seus aliados. Durante a CPI do Cachoeira, quando muitos atacavam o governador, José Eliton não arredou pé, dando apoio moral e, mesmo, orientação jurídica. Marconi, desde aquele momento, ficou muito próximo do vice-governador. Hoje, o aprecia não apenas como aliado político -- gosta dele como amigo. José Eliton pode até não ser mantido como vice -- diga-se que, no momento, é o nome mais citado pelo tucano-chefe --, mas Marconi o quer por perto, por considerá-lo um parceiro de verdade, leal, presente. Até um amigo.
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Iris Rezende e Marconi Perillo: a candidatura do primeiro é um instrumento que pode renovar, indiretamente, o segundo político | Foto: Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Mesmo desorientado, sem norte e desunido, o PMDB de Iris Rezende praticamente exige que líderes e pré-candidatos de outros partidos subordinem-se ao seu projeto — se projeto há.
O ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide (PT) garante que será candidato a governador de Goiás na eleição de 5 de outubro deste ano. Mais: faz uma pré-campanha intensiva em todo o Estado, expondo o que planeja fazer. Sobretudo, como é desconhecido, num Estado com dimensão de país — em que o Entorno do Distrito Federal não sabe o que se passa no Norte —, está se apresentando aos eleitores, à sociedade civil. No entanto, cada vez que se abre os jornais e se acessa as redes sociais, está lá a desconfiança: vai ou não vai apoiar Iris para governador, submetendo-se e aceitando ser vice ou candidato a senador? O jovem petista frisa: não vai compor com o PMDB no primeiro turno. É candidatíssimo, pois. Por que, inquire o ex-prefeito de Anápolis, Iris não investe na renovação e não o apoia para o governo, e ele próprio não disputa o Senado?
Vanderlan Cardoso, pré-candidato a governador pelo PSB, é outra “vítima” do peemedebismo. É raro o dia em que não se torna “vice” de Iris (ou do governador Marconi Perillo, do PSDB). Quando não é citado como vice, é apontado como candidato a senador numa composição com o peemedebista. Afirma-se: se Iris apoiar o candidato a presidente da República pelo PSB, Eduardo Campos, Vanderlan poderia ser o seu vice. É uma hipótese plausível, mas o PMDB nacional pressionaria Iris para “fechar” com a presidente Dilma Rousseff. Por que, porém, Iris não aceita ser candidato a senador na chapa de Vanderlan?
Gomide e Vanderlan percebem, com clareza, que uma candidatura de Iris Rezende, de 80 anos, torna a candidatura de Marconi mais “nova”. É como se, direta ou indiretamente, o peemedebista renovasse o tucano-chefe.
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Júnior Friboi: o general e político relutante dificilmente conseguirá ser candidato em 2018. Ele não “saca” a política | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Imagine se, no Dia D da Segunda Guerra Mundial, na Normandia, o comandante dos Aliados, por uma contrariedade qualquer, tivesse abandonado seus soldados e oficiais ao deus-dará. Primeiro, seria destituído. Segundo, jamais voltaria a comandar. Terceiro, perderia, para sempre, a confiança dos comandados.
O quase-peemedebista Júnior Friboi constituiu um exército poderoso, rico, grande e motivado nos quatro cantos do Estado. Antes, nos tempos em que o marechal Iris Rezende mandava sozinho, o exército peemedebista andava mambembe e reunia-se quase que exclusivamente nos períodos eleitorais. Com o general Friboi, o exército ganhou armas, vestes e calçados novos e passou a receber soldos decentes. Até o coronel Duda Mendonça foi contratado para rever as táticas e a estratégia das forças armadas renovadas.
Entretanto, antes de a guerra começar — o Dia D, a batalha contra o governador Marconi Perillo, outro marechal —, as tropas peemedebistas começaram a brigar entre si. Iris, atirador de elite, saiu de seu tanque e atirou em Friboi. O balaço foi certeiro.
Friboi cauteloso, com receio de ferir um marechal, não reagiu. Levado à enfermaria, foi “operado” e, em poucos dias, o médico de plantão, o general Maguito Vilela, o liberou para novo embate. Porém, ao observar que Iris agora armara-se com uma metralhadora, o general Friboi, temoroso de novo ferimento, decidiu fugir da batalha interna.
Sem pensar duas vezes, ou pensando basicamente nos seus próprios interesses, a sobrevivência pessoal, o general Friboi — ao contrário de um Winston Churchill, que, com a Inglaterra praticamente no chão, decidiu continuar lutando contra o nazista Adolf Hitler — abandonou seus soldados e oficiais. Os tenentes Sandro Mabel, Leandro Vilela, Marcelo Melo, Daniel Vilela e os sargentos Paulo Cezar Martins e Waguinho Siqueira, ao perceberem a fuga do comandante-em-chefe, ficaram desesperados. No início, ficaram receosos e não aceitaram o comando do marechal Iris. Porém, sem outro líder, submeteram-se. A contragosto.
Metáforas militares à parte, Friboi fez o que não se faz na guerra e na política: abandonou os aliados, deixando-os na chapada. Um líder, político ou militar, não pode ser relutante ou acovardar-se. De algum modo, Friboi “entregou” seus aliados ao leão ferido, Iris. Sem qualquer consideração. Aos aliados mais próximos, informou que não vai abandoná-los. Pode até ser que não o faça em termos financeiros, mas em termos de liderança já os abandonou.
Friboi frisou também que vai se preparar para a disputa do governo em 2018, pelo próprio PMDB. Mas com qual exército vai para a batalha daqui a quatro anos? Como o exército vai permanecer o mesmo, quem vai apoiá-lo? Quem vai acreditar no general que abandona a tropa no meio não da guerra, mas da quase-guerra?
A deputada federal Flávia Morais e seu marido, o médico e ex-prefeito de Trindade George Morais, já foram aliados do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Agora, por uma questão de sobrevivência política, voltarão a aliar-se ao tucano-chefe. A líder do PDT tem afinidade com o pré-candidato a governador pelo PSB, Vanderlan Cardoso, mas este não conseguiu organizar uma chapa consistente para deputado federal. Se acompanhá-lo, Flávia sabe que não voltará para Brasília. Daí a reaproximação com Marconi. O prefeito de Trindade, Jânio Darrot, não está colocando nenhum obstáculo à aliança de Flávia e Marconi. Só não vai apoiá-la para deputada. Inicialmente, Flávia planejava aliar-se a Júnior Friboi, mas, como este abandonou seu projeto de disputar o governo pelo PMDB, migrou para o projeto tucano.
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Foto: Jornal Opção Online/Fernando Leite[/caption]
Perguntado por um peemedebista se vai com chapa pura para a disputa do governo de Goiás, Iris Rezende disse que fará o impossível para conquistar pelo menos um aliado político de peso para a chapa majoritária. O líder do PMDB quer incorporar Antônio Gomide (PT), Vanderlan Cardoso (PSB) ou Ronaldo Caiado (DEM). Acredita que o menos difícil é Caiado. O DEM nacional quer o deputado na chapa do governador Marconi Perillo, mas há resistência ao seu nome.
Nas conversas com aliados, Iris tem confidenciado que Gomide está determinado a ser candidato a governador e admite que o PT nacional não deve pressioná-lo para retirar a candidatura. Vanderlan também quer disputar o governo e dificilmente abre mão da cabeça de chapa. Porém, numa única hipótese comporia com o peemedebista: se este apoiar Eduardo Campos (PSB) para presidente da República. Aí Vanderlan não teria como não aceitar ser o vice do peemedebista. A chapa ficaria forte Iris e Vanderlan são da Grande Goiânia, região que reúne o maior eleitorado do Estado.
O DEM (nacional e local) força a barra para que Caiado participe da chapa do governador Marconi, como candidato a senador. O presidenciável do PSDB, Aécio Neves, veio a Goiás única e exclusivamente para conversar com o tucano-chefe sobre o assunto. Mas nada ficou definido. Não que Marconi rejeite Caiado, apesar do contencioso histórico entre ambos, mas o governador gostaria de ouvir, publicamente, uma sinalização em defesa de sua candidatura por parte do deputado, que, até agora, não fez nenhuma manifestação. Por enquanto, a chapa governista é Marconi para o governo, José Eliton (inimigo figadal de Caiado), do PP, para vice e Vilmar Rocha, do PSD, para o Senado. A chapa alternativa, tida como mais forte eleitoralmente, inclui Marconi para o governo, Vilmar para vice e Caiado para o Senado. No entanto, como a articulação está demorando, é possível que Iris, e não Marconi, leve o passe de Caiado.
Se fechar com Caiado, o PMDB irá para a disputa possivelmente com a seguinte chapa: Iris para o governo, Samuel Belchior (PMDB) na vice e Senado para o Senado.
O prefeito de Jataí, Humberto Machado, é considerado como um dos mais eficientes gestores de Goiás. Filiado ao PMDB, era entusiasta da candidatura do empresário Júnior Friboi a governador de Goiás. Devido a um contencioso antigo, disse a um aliado que não sobe no palanque de Iris Rezende, que deve ser o candidato do partido a governador em outubro deste ano, nem que a vaca tussa em aramaico ou iídiche. A tendência de Humberto Machado é pela neutralidade — até para não ser acusado de “traidor” pelo irismo. Mas os tucanos de Jataí vão tentar atrai-lo para uma aliança com o governador Marconi Perillo. O tucano-chefe mantém, há anos, uma relação cordial e de admiração com o prefeito. Ele já tentou, sem sucesso, atrai-lo para o PSDB. Humberto Machado pode até não fechar com Marconi. Porém, entre o tucano e Iris, prefere muito mais o primeiro. Um irista, ouvido pelo Jornal Opção, é taxativo: “O prefeito de Jataí é um político rancoroso e, se não apoiar Iris, deixará evidenciado que não é partidário”.
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Luiz Moura: suspenso pelo
PT por ligação com o PCC | Foto: Divulgação[/caption]
Os políticos têm de ficar de olho numa informação que circula nas redes sociais, no momento ainda meio dispersa: muitos usuários — médicos, advogados, professores — dizem que vão anular o voto na eleição de 5 de outubro. Políticos afirmam que em praticamente todas as eleições é assim, mas, no final, o voto nulo é menos significativo do que se esperava. Mas na disputa deste ano pode ser diferente. Por três motivos.
Primeiro, o descontentamento com os políticos, de todos os partidos, é crescente e há uma falta de esperança generalizada. Detalhe: a revolta não é apenas dos muito jovens.
Segundo, o PT, que durante anos representou uma bandeira ética, se tornou um partido tão fisiológico quanto qualquer outro. Em São Paulo, o partido tem um deputado estadual, Luiz Moura, que mantém ou manteve ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma organização criminosa. Suspendê-lo não elide o fato de que foi eleito pelo PT.
Terceiro, milhares de jovens não acreditam na representação política. Por isso saem às ruas para protestos pacíficos ou violentos.

