Bastidores
Edward Madureira, que prefere disputar mandato de deputado federal, pode, no caso de chapa pura do PT, ser o vice de Antônio Gomide. Madureira, por ser de Goiânia e por ser bem avaliado, pode compensar o desgaste de Paulo Garcia.
Os adversários não devem se iludir: o prefeito de Anápolis, João Gomes (PT), e o ex-prefeitos Antônio Gomide estão afinadíssimos. Claro que, na gestão, João Gomes e Antônio Gomide têm estilos diferentes. Mas não significa que os dois vão romper. Se quiser disputar a reeleição, com chances reais de vitória, o prefeito precisa ficar próximo de Gomide.
Há um movimento na base de Vanderlan Cardoso para que dois presidentes de partido, Joaquim Liminha (PSC) e Jorcelino Braga (PRP), disputem mandato de deputado estadual ou deputado federal. “Liminha e Braga, dois articuladores do primeiro time, incentivam todo mundo a disputar, mas vão ficar de fora? Não pode”, diz um vanderlanista.
O PPS de Porangatu, dirigido por um militar do Exército, faz críticas contundentes ao prefeito Eronildo Valadares. O peemedebista não estaria “dando conta” de administrar o município e, depois de um ano e quatro meses de gestão, não criou uma marca. É o que diz o PPS. Já tem gente pensando no inominável — colocar adesivo no automóvel com os seguintes dizeres: “Volta, Zé Osvaldo!” Um absurdo, é claro. Mas uma coisa é certa: Eronildo não é incompetente (como gestor) e, por isso, pode dar a volta por cima.
Pré-candidata a deputada federal, a empresária Magda Mofatto (PR) aposta na candidatura do empresário Joaquim Guilherme (PR), de Morrinhos, a deputado estadual. Com ampla estrutura, Joaquim Guilherme é o mais forte candidato de Morrinhos a deputado estadual. Se divulgar que vai mesmo disputar, o vereador Aluzair Rosa (PP) pode retirar sua pré-candidatura e apoiá-lo. O PMDB de Thiago Mendonça pode apoiar Joaquim Guilherme, ex-presidente do Sindicato do Leite (Sindileite).
O prefeito de Morrinhos, Rogério Troncoso (PTB), confirmada a candidatura de Joaquim Guilherme, seu arqui-inimigo, vai bancar um candidato a deputado estadual consistente — que pode ser Chiquinho Oliveira (PHS) ou Afrêni Gonçalves (PSDB). Ou os dois. Conta-se que, quando ouve o nome de Joaquim Guilherme, Troncoso tem urticária. O objetivo número um de Troncoso não é eleger um deputado estadual, mas sim derrotar Joaquim Guilherme. A preocupação número dois de Troncoso é contribuir para a eleição do aliado Célio Silveira (PSDB) a deputado federal.
O psicólogo e jornalista Gilberto Alves Marinho criou o Cineclube da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra-Goiás (Adesg). As atividades do Cineclube Adesg-GO terão início na sexta-feira, 2, no Teatro Goiânia, com a projeção do documentário “Razões Para a Guerra”. O intelectual Gilberto Marinho é o delegado regional da Adesg.
Se a direção nacional do PC do B não decretar intervenção em Goiás, bancando políticos sérios e éticos como Aldo Arantes, Fábio Tokarski e Luiz Carlos Orro, o partido, ao menos no Estado, certamente mudará o nome para Partido Capitalista do Brasil.
Ernesto Roller, humilde e racionalista, não gosta de ser chamado assim, mas em Formosa até os aliados do prefeito Itamar Barreto o chamam de “rei do Entorno”. Roller (PMDB), que os eleitores de Formosa chamam de “prefeito”, já pensando em 2016, tende a ser o candidato a deputado estadual mais bem votado do Entorno de Brasília. Os eleitores de Formosa parecem ter uma dívida com Roller, porque não o elegeram prefeito em 2012.
Enquanto o prefeito de Formosa vai de “ih tá mar a pior”, desanimado e sempre reclamando de uma dívida faraônica deixada pelos antecessores (e é um fato), os prefeitos de Cristalina, Luiz Carlos Attié, e de Luziânia, Cristovão Tormin, estão dando a volta por cima. Eles são do PSD do deputado federal Vilmar Rocha.
Pré-candidato a deputado federal pelo PPS, Marcos Abrão colhe os frutos de sua eficiência no comando da Agência de Habitação. Na quinta-feira, 24, o jovem político recebe o título de Cidadão de Caldas Novas. A propositura é do vereador Claudinho Costa. Vale acrescentar que Costa é do PMDB — o que sugere o caráter suprapartidário do trabalho de Marcos Abrão na Agehab. Na sexta-feira, 25, Marcos Abrão recebe o título de Cidadão Anapolino. A propositura é do vereador Jean Carlos (PTB). O presidente do PPS foi o principal responsável pela recuperação da Goiasindustrial. A companhia estava em processo de liquidação.
A ex-deputada federal Marina Santa'Anna (PT) colocou-se à disposição do PT para ser candidata ao Senado na chapa do pré-candidato a governador do partido, Antônio Gomide. Marina representa o grupo de Pedro Wilson e Olavo Noleto. O vice de Gomide pode ser indicado pelo grupo do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia. Espécie de outside no PT, o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás Edward Madureira também é cotado para vice. Gomide respeita todos os nomes sugeridos e não veta nenhum deles, mas gostaria de ter na chapa majoritária pelo menos um integrante de outro partido. Não tanto pela questão do tempo de tevê, e sim sobretudo devido a passar a imagem de que o PT não está sozinho. Mas uma coisa é certa: Gomide não quer e não vai participar de leilão.
Por falta de estrutura, Abelardo Vaz (PP) pode não disputar mandato de deputado estadual em 5 de outubro deste ano. Como o ex-prefeito de Inhumas está indeciso, outro nome foi posto na roda. Trata-se de Celsinho Borges, que foi candidato a vice-prefeito na chapa de Rondinelly Carvalhais Barros, em 2012. A dupla perdeu para o advogado Dioji Ikeda, do PDT, mas se tornou conhecida no município e região. Integrante da nova geração de políticos do grupo comandado pelo deputado federal Roberto Balestra, Celsinho é o plano B que pode virar plano A. A diferença entre Abelardo e Celsinho é que ao primeiro sobra falta de vontade para disputar e, no segundo, sobra vontade de ser candidato.
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Iris Rezende e Júnior Friboi: um tem de mimar o outro. É inescapável[/caption]
Na semana passada, repórteres que sondaram os bastidores do PMDB perceberam que, apesar do feriado e da Semana Santa, iristas e friboizistas estavam em pé de guerra, mas disfarçando. No seu quartel-general, acolhendo orientação de Duda Mendonça, Júnior Friboi recomendou aos seus luas-bois que fizessem um voto de silêncio e, sobretudo, que parassem de chamar Iris Rezende de “político do século passado”. O empresário não quer ampliar as arestas com o decano peemedebista. No bunker de Iris, havia recomendação similar. Os iristas foram aconselhados a não “humilhar” nem a “bater” em Friboi. O que, de fato, está ocorrendo.
Os friboizistas desmentem de pés juntos e garantem que, na possível reunião de terça-feira, 22, o empresário, um dos pré-candidatos a governador do PMDB, não vai jogar a toalha para hipotecar apoio integral à candidatura de Iris Rezende a governador. Em Brasília, há dois tipos de comentários. Num deles, entre peemedebistas, afirma-se que Iris dobrou Friboi e que será “o” candidato e que Friboi será o seu vice. Se eleito, Iris deixaria o governo em abril de 2018, e Friboi, como seu vice, assumiria o governo. Noutro comentário, mais na seara petista, afirma-se ter certeza de que Friboi será candidato a governador. Argumenta-se que o empresário já montou uma estrutura, inclusive uma chapa de candidatos a deputado estadual e federal, para a disputa. Se não for candidato, a estrutura será facilmente desmontável, mas com a possível desistência de alguns candidatos.
Iris e Friboi jogam de maneiras idênticas, com objetivos diferentes. Iris sabe que, se for candidato, mas com Friboi amplamente descontente, o PMDB não será estrutura financeira adequada e, com isso, será presa relativamente fácil para o governador Marconi Perillo (PSDB). E Friboi sabe que, se for candidato, porém com Iris descontente e humilhado, seu nome terá de ser modificado para José Batista “Pirro” Júnior.
Friboi precisa dos votos de Iris. E este precisa do dinheiro daquele. É simples assim.
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Marconi Perillo: as oposições criaram uma caricatura do tucano e por isso não conseguem combatê-lo com precisão e proveito | Rodrigo Cabral[/caption]
O Jornal Opção perguntou a três pesquisadores e a um marqueteiro a razão da longevidade política do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Os quatro disseram que, por ser tão debatida e conhecida, a política não tem segredos. Mas admitem que aqueles políticos que são atentos aos detalhes e não se acomodam, mantendo um olho aberto mesmo quando aparentemente dormem, se tornam vencedores.
Marconi, de 1998 para cá, não perdeu nenhuma eleição majoritária — e não enfrentou nenhum Olaria ou Vila Nova. Pelo contrário, só enfrentou pesos pesados, como Santos, Flamengo, Cruzeiro e Corinthians, quer dizer, políticos barra-pesada como Iris Rezende e Maguito Vilela, ambos do PMDB. Não foram vitórias fáceis. Todas foram apertadas. Mas, como se sabe, o que importa é vencer — não é relevante se o placar foi de 1 a 0 ou de 5 a 0.
Mas por que Marconi derrota os pesos-pesados do PMDB há 16 anos — sem nenhuma derrota? Qual é sua mágica? Não há nenhuma “mesmerismo”, dizem os entrevistados. O segredo principal de Marconi é que não dorme no ponto. A política é sua principal atividade — não é lazer. Ele é um político vocacionado, profissional, na acepção do sociólogo alemão Max Weber.
Marconi trabalha com “inteligência” política — há muito desistiu daquilo que, na falta de melhores palavras, chamam de “intuição” e “feeling”. O tucano-chefe se tornou um “investigador” rigoroso da atividade política, até de suas filigranas. Pesquisa intensamente a política e a sociedade. Aprecia saber o que a sociedade pensa e como pensa. Por isso busca interferir na realidade tão-somente depois de ter informações mais precisas sobre o terreno em que está “pisando”, em que está se movendo.
Além disso, frisaram os pesquisadores, Marconi tem uma disposição para o trabalho que impressiona. Alguns políticos jogam cartas, pescam e vão ao estádio. Marconi faz política — é sua segunda pele. Quando vai ao estádio, diverte-se, é fato, mas lá, como em quaisquer outros lugares, faz política, observa detalhes do local e conversa com as pessoas. É tremendamente perceptivo.
Há outra questão que diferencia Marconi de alguns políticos. Ele é focado. Mira numa questão e procura resolvê-la — sem dispersão. Não foge dos problemas reais. Outra característica, uma virtude, é a capacidade reunir equipes competentes e, sobretudo, saber liderá-las. Os pesquisadores sugerem que tem “autoridade”. À sociedade cada vez mais está se apresentando, e sendo aceito, como gestor — e menos como político. Pode-se dizer que Marconi usou a gestão para despolitizá-lo e, com isso, acabou por politizá-lo ainda mais. Noutras palavras, conferindo o que pensa a sociedade, Marconi concentrou-se na gestão e, com isto, obteve (mais) sucesso político.
Do ponto de vista estritamente político, Marconi articula com habilidade, agregando grupos políticos e indivíduos isolados — tendo a percepção exata do valor dos partidos e dos líderes. Ele valoriza como pouco as alianças políticas. Os políticos que estão próximos dele até reclamam de auxiliares, mas, quando tem acesso direto ao governador, geralmente conseguem discutir e resolver seus problemas.
Quanto ao seu marketing, tanto de governo quanto do político, cerca-se do que há de mais moderno. Detesta amadorismo e nunca é enganado pelos palpiteiros de plantão.
Outra de suas virtudes é capacidade de decidir com rapidez e eficiência. Para fazer uma obra não prescinde de um planejamento de qualidade. As oposições não têm percebido com inteligência e clareza como Marconi é um político que tem usado, de maneira ampla e irrestrita, a razão para se manter no poder. As oposições contentam-se com explicações parciais e falhas — como sugerir que investe muito em publicidade (a presidente Dilma Rousseff investe muito também e está caindo nas pesquisas).
Atenção às coisas da modernidade — é dos poucos políticos que usam com desenvoltura, e sem precisar necessariamente de auxiliares, as redes sociais — é outra das virtudes do tucano-chefe.
Em suma, aqueles que quiserem combater Marconi com eficiência precisa entendê-lo sem parti pris ideológico. A crítica perceptiva, entendendo-o na sua integralidade, é a única que pode combatê-lo de verdade. Nos últimos anos, as oposições têm combatido mais uma espécie de caricatura, que elas próprias criaram, e muito pouco o político real de carne e ossos. Como têm sido lentas na formulação, quando tentam “capturar” Marconi, o governador, como as águas de Heráclito, o pai da dialética, está noutra fase. Portanto, a capacidade do tucano de reformular-se, de não ficar paralisado e de usar a ciência em defesa de seu projeto político têm sido bastante úteis. Pode-se dizer que, enquanto Marconi está na fase da informática de ponta, seus opositores estão na idade da pedra polida. Hoje, o político que mais se aproxima do tucano, em termos de modernidade, é o petista Antônio Gomide. Os demais estão muito atrás do tucano-chefe e, por isso, se tornaram fregueses contumazes. Ao contratar Duda Mendonça, Friboi quer capturar o Marconi Perillo real para criticá-lo de modo apropriado e eficaz. Porém, até agora, Friboi tem passado ao largo — assim como Vanderlan, Iris Rezende e, até, Gomide, este, ressalve-se, o mais atento.


