Bastidores
Num ato preparatório para a formatação de um bloco de apoio à candidatura de Eduardo Campos (PSB) a presidente da República, realizado na quarta-feira, 21, na sede do PPS, em Goiânia, o presidente do PMDB metropolitano, vereador Mizair Lemes, disse que o partido poderá não apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff. O peemedebista alega que o PMDB apoiou Paulo Garcia (PT) para prefeito de Goiânia e Antônio Gomide (PT) para prefeito de Anápolis, mas, quando solicita, não recebe reciprocidade devida. Portanto, embora não esteja definido, é possível que o PMDB de Goiás troque Dilma Rousseff por Eduardo Campos. Mizair Lemes é um dos defensores da candidatura de Iris Rezende a governador.
O vice-governador José Eliton (PP) disse ao Jornal Opção que vai apoiar a reeleição do governador Marconi Perillo e que não há qualquer possibilidade de rompimento. O presidente do PP frisou que estará ao lado do tucano-chefe em quaisquer circunstâncias. Ex-aliado de Ronaldo Caiado, José Eliton diz que não é “traidor” (“não” fica pulando de galho em galho) e que, ao contrário de outros políticos, não fica aparecendo em fotografias de outros pré-candidatos. É uma referência ao presidente do DEM, que manteve encontros com Vanderlan Cardoso (PSB), Iris Rezende (PMDB) e Júnior Friboi (PMDB), Armando Vergílio (Solidariedade) e, mesmo assim, estaria tentando se aproximar do governador Marconi Perillo. Se Caiado compor com Marconi, como candidato a senador, há a possibilidade de Vilmar Rocha (PSD) ser deslocado para a vice e aí José Eliton sairia da chapa majoritária. No entanto, José Eliton aposta que será mantido na chapa, ao lado de Marconi e Vilmar. O tucano-chefe já frisou, mais de uma vez, que a chapa majoritária está praticamente montada e não descartou José Eliton nenhuma vez.
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Foto: Reprodução/Facebook[/caption]
Os baldyanos acreditam que o empresário Alexandre Baldy deve receber entre 40 e 50 mil votos em Anápolis, município onde está vai organizar uma estrutura ampla. Mas o jovem político, com pouco mais de 30 anos, precisava de algo mais: uma espécie de amuleto, pois vai de mais votos em outras cidades. Pensou, pensou, pensou e lembrou-se de Ruimar Ferreira.
Ruimar Ferreira, o príncipe dos cabeleireiros do Centro-Oeste, dirigente do Principado New Star, na Praça Tamandaré, em Goiânia, é tido como o “aristocrata da sorte”. Políticos que cortam cabelo com o profissional da tesoura — que prefere ser chamado de barbeiro a cabeleireiro — raramente perdem eleições. Isto é o que reza a lenda. Talvez até a realidade (ah, sim, uns dois ou três perderam, mas num universo de 200). Baldy, nesta semana, não pensou duas vezes e disse para os baldyanos: “Preciso cortar meu cabelo com o Ruimar”. E foi. Consta que seus índices, mesmo em Anápolis, onde já estava bem, melhoraram. Ele é pré-candidato a deputado federal — apontado como imbatível.
O engenheiro de produção Igor Sebba, filho do ex-jogador de basquete César Sebba, vai disputar mandato de deputado estadual pelo PSL. Pós-graduado em gestão e gestor de três empresas familiares, Igor enfrentava um problema em “casa”: seu tio Abdul Sebba, ex-deputado estadual e delegado de polícia aposentado, era um poderoso adversário interno. Entretanto, nesta semana, Abdul desistiu da candidatura e vai apoiar Igor. Aos 34 anos, Igor é uma das apostas do PSL, que, em Goiás, é dirigido por Dário Paiva.
A campanha eleitoral parece morna, mas nos bastidores o jogo está bruto. Até os políticos mais centrados começam a falar grosso, cumprindo o sentido bíblico de “quem não se exalta será humilhado”. Quem conversou com José Eliton nos últimos dias notou que ele, geralmente centrado, subiu o tom. O vice-governador conta, sem pedir off, que esteve com o senador Cyro Nogueira, presidente nacional de seu PP, e ouviu dele a garantia de que pode levar o partido para onde quiser. Por isso, aliados de Eliton sugerem que ele poderia até ser vice em outra chapa. Difícil é combinar com os russos: prefeitos e vereadores do PP são marconistas e os dois deputados federais, Roberto Balestra e Sandes Júnior, não deixam Marconi por nada. A opção do PP seria o PT de Antônio Gomide, ambos partidos que apoiam a presidente Dilma Rousseff. Em público, Eliton nega a possibilidade de levar o PP para outro rumo.
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Júnior Friboi, Iris Rezende e Armando Vergílio: dois políticos mais novos ladeiam um político mais experimentado e mais popular | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Determinado, o pré-candidato do PMDB a governador de Goiás, Júnior Friboi, aposta que, no frigir dos ovos, vai conseguir convencer Iris Rezende a disputar o Senado. Não será fácil, há quem ache impossível. O empresário comenta com os aliados que a chapa ideal teria ele para o governo, o petista Antônio Gomide na vice e Iris para o Senado. É o time dos sonhos.
Agora, se não for possível, Friboi vai articular uma chapa alternativa, ressaltando que vai batalhar por Iris até 30 de junho, último prazo para as convenções partidárias. Nos últimos dias, o empresário aproximou-se do deputado federal Armando Vergílio, presidente do Solidariedade em Goiás. Os dois têm conversado com frequência. “O Solidariedade é uma noiva querida e desejada”, admite um friboizista.
Se Iris não aceitar ser candidato ao Senado, Friboi tende a oferecer a vaga para Armando Vergílio, que diz que, de fato, o Solidariedade, se não lançar candidato próprio ao governo, vai participar de uma chapa majoritária. “Fazer parte da chapa majoritária é condição sine qua non para aceitarmos uma aliança”, sugere o deputado. Se Iris for para o Senado, possivelmente o líder do SDD irá para a vice de Friboi.
Com quase 1,5 minuto no programa de televisão, com um deputado federal, dois estaduais e 100 vereadores, além de instalado em 180 municípios, o SDD não é uma força política desprezível. Se fosse, seu apoio não estaria sendo disputado, quase a tapa, por quatro pré-candidatos a governador: Marconi Perillo, do PSDB; Antônio Gomide, do PT; Vanderlan Cardoso, do PSB, e Friboi.
Com quem mais o SDD pode compor? O mais difícil é compor com Marconi, pois o partido advoga alternância no poder, mudança. Hoje, Armando Vergílio está mais próximo de Friboi e, em segundo lugar, de Antônio Gomide. Ele também é cotado para ser vice de Gomide ou candidato a senador na chapa petista.
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Marconi Perillo: o pulo do gato talvez seja a precisa sintonia com a sociedade e com o seu tempo | Foto: Fábio Lima[/caption]
O Jornal Opção ouviu cinco integrantes da oposição e dois marqueteiros e fez a todos a pergunta: por que, depois de quase 12 anos de poder — ou 16, se for considerado o período de Alcides Rodrigues —, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), continua forte política e eleitoralmente? Todos admitiram — os oposicionistas aceitaram falar apenas em off — que Marconi “está sobrando”, quer dizer, está bem acima, em termos de popularidade e influência, dos demais pré-candidatos. A seguir, publicamos um resumo das opiniões dos sete entrevistados.
Está cristalizada a tese de que Marconi criou uma forte identidade com Goiás. Na visão dos entrevistados, o tucano se tornou um símbolo do Estado. Se o Estado está se modernizando, Marconi moderniza-se junto, acompanhando todo o processo e compreendendo-o. Há uma poderosa sincronia-sintonia entre as ações do tucano-chefe e a sociedade civil. Os setores produtivos percebem que o governador está ao lado do que chamam de “progresso”, “desenvolvimento” e “crescimento”. Prevalece a tese de que, ao contrário de outros políticos, Marconi não ficou “para trás”, permanecendo contemporâneo dos demais goianos. As pessoas ouvidas frisam que é impressionante que, da área econômica à área cultural, o jovem político mantém os contatos certos, apropriados.
Do ponto de vista estritamente político, há a interpretação de que o tucano articula com rara habilidade, mantendo os aliados antigos e buscando agregar novos aliados. Note-se a questão do deputado federal Ronaldo Caiado (DEM), que quer ser candidato a senador pela base aliada. Marconi não o veta, mas quer que seja assimilado por sua base, para não contrariar os aliados que estão próximos e nunca romperam com ele, como o deputado federal Vilmar Rocha (PSD) e o vice-governador José Eliton (PP).
Fala-se muito que Marconi é puro marketing. Os entrevistados dizem ninguém que sobrevive tanto tempo na política, numa sociedade democrática, ancorado tão-somente em marketing. O tucano é um fenômeno real, modernizador, que o marketing não fabricou, apenas ajuda a impulsionar. Parte dos entrevistados sugere que o governador articula bem seu marketing mas estribado em fatos reais, não em ficções. Por exemplo: ao restaurar as estradas e as escolas dos municípios goianos, em várias localidades, ele exibe aquilo que foi feito. O cidadão não tem como ser enganado.
Mas qual é o chamado “pulo do gato” de Marconi, que o faz estar sempre um passo adiante de seus oposicionistas? Os entrevistados discordam de que haja um “pulo do gato”, um segredo. Sugerem que talvez, se for possível usar a expressão, se possa falar em “pulos do gato”. O fundamental, analisam, é que Marconi, ao contrário de parte dos políticos goianos, não é nostálgico e não vive no passado. Ele é um político do presente, atual, que sabe o que o velho, o homem de meia idade e o jovem estão pensando e fazendo.
Outro “pulo do gato” é que, enquanto a oposição trabalha com um agenda negativa, o tucano sempre avança com um agenda positiva, criando novas esperanças e expectativas. Marconi não fica velho — está sempre se renovando.
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Iris Rezende sonha com a Casa Verde há 16 anos | Foto: Aoaassis[/caption]
O friboizismo está enviando alguns de seus líderes do interior para dialogar com Iris Rezende. Eles ouvem o líder histórico e, em seguida, repetem o discurso ensaiado: o partido quer o decano peemedebista como candidato a senador.
Iris, que planeja ser candidato a governador, ouve os friboizistas, sempre com atenção, mas não apresenta uma resposta precisa, por avaliar que é cedo para dá-la. Os friboizistas saem com a impressão de que se trata de um político de convicções arraigadas e que quer mesmo só uma coisa: disputar o governo de Goiás em 5 de outubro deste ano.
Um friboizista afirma que Iris sugeriu que pouco tem a ver com os “personagens” que estão no Senado e criticou a atuação dos senadores na CPI do Cachoeira. E teria sugerido que seria mais adequado disputar mandato de deputado federal. Mas não é, de fato, o que quer. O ex-prefeito tem duas obsessões: ser candidato a governador e tentar derrotar o governador Marconi Perillo (PSDB). O peemedebista avalia que a eleição desde ano é seu canto de cisne em termos de disputas estaduais. Depois, só lhe resta, se tanto, a disputa da Prefeitura de Goiânia, em 2016.
O ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Goiânia, além de ex-ministro da República, Iris Rezende tem dito aos que o procuram que deverá ser o candidato a governador do PMDB. Os iristas apostam que o PMDB vai recuar do apoio “impensado” a Friboi e vai apoiar seu líder máximo para governador. Há uma aposta que Friboi vai pressionar, mas não irá à convenção contra Iris. A tese é a seguinte: se for à convenção, Friboi derrota Iris. No entanto, se humilhado com uma derrota vexatória, Iris não subirá no palanque do empresário. E, sem Iris na campanha, Friboi pode comprar a passagem de volta para o Colorado, nos Estados Unidos, ou pode ir jogar com tranquilidade em Las Vegas.


