Bastidores
Nos bastidores, o movimento organizado por artistas que apoiam a candidatura de Aécio Neves a presidente da República começa a ser chamado de Movimento Levanta Defunto. Zezé Di Camargo e a filha Wanessa Camargo, também cantora, decidiram declarar voto e pedir votos abertamente para o senador mineiro. O marido de Wanessa é tido como aecista “doente”.
O Movimento Levanta Defunto inclui Beto Guedes, Renato Teixeira, Henrique Portugal (da banda Skank), Chitãozinho e Xoxoró.
As oposições — da peemedebista à petista, passando pelo PSB — estão numa saia justa. Em seus programas, comícios e reuniões, passam o tempo inteiro dizendo que a educação em Goiás vai mal e que é preciso fazer uma revolução. Mas aí vem o Ministério da Educação (MEC) — de um governo petista, sim o da presidente Dilma Rousseff e do candidato do PT a governador de Goiás, Antônio Gomide — e informa, por intermédio de um relatório detalhado e isento, que o ensino médio de Goiás é o melhor do país. O ensino médio de Goiás — da rede pública estadual — passou de 5º para o primeiro lugar no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb). Esta é considerada uma das melhores notícias para o governador Marconi Perillo e para Goiás. E, acrescente-se, não são dados do governo de Goiás. São dados do governo federal.
Desafiado pelos seus adversários ao Senado a jogar um balde de gelo na cabeça — para aderir à campanha da ELA —, o deputado Vilmar Rocha disse que não entrará nesse “factoide” e fez uma outra provocação a eles: “Eu desafio meus adversários para um debate na TV. Eu estou aberto, eu quero uma discussão de ideias e não pirotecnias para ganhar voto”.
Segundo Vilmar, jogar balde de gelo na cabeça é uma “grande bobagem”. “Isso eu não faço. Tenho 30 anos de vida pública, vou ficar fazendo factoide para ganhar voto?”, desabafou.
Vilmar disse que seu perfil o diferencia dos adversários exatamente neste ponto. “Procuro sempre fazer uma discussão, um debate qualificado da política. Muita gente diz que isso não é bom, que não rende voto. Mas esse é o meu jeitão”, afirmou.
Na reta final da campanha, o deputado avalia que esses 30 dias serão “uma eternidade”. “Muita coisa pode acontecer, muita coisa pode mudar”, disse. Vilmar confirmou que vai manter a mesma tática propositiva que utilizou até agora. “A estratégia é continuar a fazer o que eu estou fazendo: apresentando as propostas, os projetos, as ideias”, disse o deputado, afirmando estar satisfeito com a aceitação de seu programa eleitoral de Rádio e TV. “Eu não sou político que fica pensando em factoide, para chamar a atenção das pessoas. Meu adversário faz isso demais e de forma irresponsável”. Para Vilmar, isso “é uma questão de formação. Eu tenho responsabilidade. Eu não jogo para a plateia em assuntos relevantes e sérios. Só político politiqueiro é quem faz isso”, frisa.
Padre Ferreira vai assumir a vaga de Valin. Júlio da Retífica e José Vitti devem disputar a vice-presidência
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Montagem[/caption]
Na sabatina do jornal “O Popular”, realizada na quarta-feira, 3, o candidato do PMDB a governador de Goiás, Iris Rezende, voltou a desafiar o empresário Carlos Cachoeira. “Eu não debato com bandido. Essas cartas saem do Palácio (das Esmeraldas). Por que ele [Carlos Cachoeira] não vem debater de frente comigo?” Na verdade, Carlos Cachoeira, que tem assessor de imprensa, publicou não uma carta, e sim um artigo no “Diário da Manhã”, no qual chamou o ex-prefeito de Goiânia de “pilantra ninja”.
A entrevista de Iris Rezende rompe um suposto pacto de silêncio dele com Carlos Cachoeira. O empresário agora tem de vir a público apresentar as provas das ligações do peemedebista com Fernando Cavendish e Cláudio Abreu e revelar detalhes de negócios aparentemente poucos católicos. O dono e o diretor da Delta estiveram com Iris Rezende, numa de suas fazendas, e teria sido filmado e fotografado por meio de um iPad. Eles estariam pescando.
Sobre sua ligação com a Delta Construções, de Fernando Cavendish, Iris Rezende atacou com virulência: “Ela (a Delta) não estava prostituída nesta época. Eles é que fizeram isso em seu governo” (referência a contratos da Delta com o governo de Goiás, curiosamente em valores bem menores do que os feitos por Iris Rezende e o PT de Anápolis). Não lhe foi perguntado e, por isso, Iris Rezende não pôde responder: como ele sabe o momento exato em que a Delta supostamente “prostituiu-se”?
Um desafio Iris Rezende não aceitou. O ex-deputado Frederico Jayme, do PMDB, cobra que apresente a relação de seus bens antes de 1983, quando assumiu o governo de Goiás, e depois deste ano.
Marconi Perillo, Valério Perillo e Vilmar Rocha participam da abertura da Casa Digital que vai ampliar comunicação dos jovens da base governista
A empresária Magda Mofatto, que faz uma campanha milionária, entrou de sola na região Nordeste de Goiás. Mas, segundo prefeitos, vereadores e líderes locais, os nomes política e eleitoralmente mais consistentes na região para deputado federal são, pela ordem, Pedro Chaves, do PMDB, Giuseppe Vecci, do PSDB, e Eurípedes Júnior, do Pros. De qualquer maneira, Magda aparece como quarta colocada na lista dos mandachuvas da região.
Quando se trata de eleição para deputado estadual, o PT aposta mais em Goiânia, Anápolis e Entorno do Distrito Federal. Entretanto, uma das surpresas eleitorais deste ano pode ser do Nordeste goiano. O petista Ivon Valente, de Posse, é um dos nomes fortes da região. Talvez o mais forte. O PT deveria apoiar Ivon Valente com mais empenho porque, das vidas secas do Nordeste, pode ser eleito um deputado que, além de tudo, é consistente politicamente.
(Antônio Faleiros, no centro, com diretores Rodrigo Teixeira, Ricardo Haddad, Rafael Haddad e Elézer Ataídes, do Hospital Renaissance: área da saúde quer ter representante na Câmara dos Deputados)
Em Goiânia e região metropolitana, o ex-secretário de Saúde Antônio Faleiros tem concentrado sua campanha em visitas a clínicas e hospitais, onde tem recebido apoio maciço de colegas médicos, empresários hospitalares e servidores. Nas conversas com os médicos e funcionários das unidades, ele sempre ressalta que quer ser o representante da saúde na Câmara dos Deputados.
E quem conhece uma pessoa pode dar o melhor testemunho sobre ela. E um testemunho mais que categorizado sobre Antônio Faleiros é do proprietário do Hospital Renaissance, médico Rafael Haddad. Segundo Haddad, ninguém melhor para representar a saúde do que uma pessoa responsável e experiente como Faleiros. “Ele está preparado para mudar a saúde do nosso país. Exemplo disso foi a sua luta como secretário de Saúde.”
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, aproximou-se ainda mais do candidato do PMDB a governador de Goiás, Iris Rezende, nos últimos dias. Há certa lógica na sua ação. Primeiro, se Marina Silva, do PSB, for eleita presidente da República, o prefeito goianiense perde o apoio do governo federal. Marina é a favorita e certamente não o boicotará, mas não lhe dará, como tem ocorrido com Dilma Rousseff, tratamento privilegiado, diferenciado. Segundo, se o governador Marconi Perillo for reeleito, o petista continuará sem o seu apoio. O tucano-chefe tentou uma aproximação, mas, dada sua ligação com Iris Rezende — que se tornou seu herói e padrinho político (muito acima de Lula da Silva) —, Paulo Garcia mantém-se afastado. Marconi é favoritíssimo. Com a popularidade em baixa, segundo pesquisa do Instituto Serpes, Paulo Garcia, sem o apoio dos governos federal e estadual, terá dificuldade para concluir seu mandato (com o apoio de Dilma Rousseff, ele não vai muito bem).Os goianienses torcem para que se dê o contrário, mas não é remota a possibilidade de que saia com a imagem pior do que a de Pedro Wilson. Concluindo: é a expectativa de ficar isolado que está levando Paulo Garcia, inclusive com seu marqueteiro, Renato Monteiro, para a campanha de Iris Rezende — e cristianizando o candidato do PT a governador, Antônio Gomide.
(Acima, Iris Rezende e o marqueteiro Dimas Tomas: contenção de gastos)
O candidato ao governo de Goiás pelo PMDB, Iris Rezende, mandou demitir mais de 20 profissionais de sua equipe de comunicação. O marqueteiro da campanha peemedebista, Dimas Thomas, da agência Fórum TV Mais, responsável pelas contratações, alegou, ao promover as demissões, que não havia recursos disponíveis para pagar a equipe e que o PMDB havia decidido priorizar outras áreas (publicidade-programa de televisão e carreatas). Os produtores, repórteres, fotógrafos, maquiadora e locutora demitidos haviam acertado com o marqueteiro que receberiam salários até setembro. No entanto, receberam cheques — como estavam cruzados não puderam ser descontados no caixa; foram depositados — referentes apenas ao salário de agosto. O mês de setembro, como não houve trabalho prestado, não será pago. Porém, como havia sido pactuado, os profissionais querem recebê-lo integralmente e, se necessário, recorrerão à Justiça. Eles prometem denunciar o possível “calote” em praça pública. “Se o PMDB trata mal os funcionários que articularam sua campanha na televisão e no rádio, deixando de pagá-los, imagine o que, no poder, não fará como os servidores públicos”, afirma um dos demitidos, que prefere o anonimato por recear retaliações. “Estou numa terra estranha e sei que alguns peemedebistas têm fama de perseguidores”, acrescenta.
Na terça-feira, 2, ao procurarem a produtora da campanha, em busca de seus direitos, os demitidos foram informados que já receberam agosto e, portanto, não têm mais o que receber. Foram surpreendidos com a presença de seguranças, que os impediram de entrar na produtora. Os profissionais também estão sendo “expulsos” do hotel, pois o PMDB informou que não vai mais pagar a hospedagem.
Acatando solicitação do candidato do PMDB a governador de Goiás, Iris Rezende (foto), o marqueteiro da campanha, Dimas Thomas, da Fórum TV Mais, demitiu vários profissionais da área de comunicação. Alega-se que um deputado federal deixou de repassar recursos e por isso a empresa de Dimas Thomas não tem como honrar os compromissos. Iris e sua equipe decidiram que vão concentrar recursos no programa de televisão, nas carretas e adesivaços.
1 — Adriana Moraes — Repórter. De Goiás
2 — Ana Paula Simiema
3 — Antônio H. — Assistente de Câmara
4 — Bárbara Souza — Maquiadora. Do Distrito Federal
5 — Benigno André — Diretor de fotografia
6 — Bianca Benetti — Repórter. De Goiás
7 — Elias — Cinegrafista. De São Paulo
8 — Fernando Augusto — Primeiro assistente de Câmera
9 — Gisele Faria — Locutora de rádio. De São Paulo
10 — Januário Leal — Assistente de produção e motorista.
11 — Kellen Casara — Primeira assistente de produção
12 — Marilane Correntino — Repórter. De Goiás
13 — Omar — Produtor de elenco.
14 — Patrícia Augusta Barbosa — Planejamento de mídia.
15 — Paulo Rogério — Produtor de arte. De Goiás
16 — Sandro Pereira — Editor de imagem. De Goiás
17 — Thiago Bittencourt — Técnico de som. De São Paulo
18 — Valéria Almeida — Repórter. De Goiás
(Há mais demitidos e pelo menos mais uma profissional deve pedir demissão.)
Na disputa para presidente da República, desde 2002, o PSDB perdeu três eleições consecutivas para o PT do ex-presidente Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. Caminha para perder a quarta, e para uma ex-petista, Marina Silva, do PSB.
Acreditava-se que o problema era o fato de o PSDB ser paulista demais. O paulistocentrismo do tucanato seria o principal responsável pelas derrotas eleitorais. Agora, com Aécio Neves — de Minas Gerais —, uma candidatura que nasceu em confronto com o paulistucanismo, percebe-se que o problema não é a terra de Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. O problema é mais grave: é o próprio PSDB.
O PSDB é um partido que não conseguiu enraizar-se socialmente e parece distante das batalhas e interesses da sociedade brasileira. Parece elitista, mas não é só isso. Nem a elite tolera mais o partido, que está deixando de ser, no plano nacional, uma alternativa eleitoral. Tanto que, de repente, Marina Silva está desbancando a candidata governista, Dilma Rousseff, e, como prova da solidez da democracia e do mercado privado, não se pode falar em crise alguma. Sua ascensão nas pesquisas de intenção de voto não provocou abalo nas bolsas. Ao contrário, a bolsa de valores aprovou a líder do PSB-Rede Sustentabilidade.
O prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira (PDT), diz que faz duas apostas. Primeira: vai ter segundo turno na disputa pelo governo de Goiás. Segunda: o segundo turno terá o governador Marconi Perillo, do PSDB, e o ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso, do PSB.
“Iris Rezende está caindo em todo o Estado, pois os eleitores perceberam que não tem condições de derrotar Marconi. Vanderlan vai colar em Iris e, em seguida, vai passá-lo”, afirma Misael Oliveira. Ele aposta no efeito Marina Silva. “No meio do caminho não tem uma pedra — tem o povo”, acrescenta, enigmático.
Misael Oliveira é o único líder importante do PDT de Goiás que apoia Vanderlan Cardoso. Os demais, como a deputada Flávia Morais e o prefeito de Inhumas, Dioji Ikeda, estão na campanha de Marconi Perillo.
O fracasso nacional devolve o tucano Aécio Neves à política de Minas Gerais. Ciente de que sua situação é complicada, com aliados embarcando na candidatura de Marina Silva (PSB), discreta ou acintosamente, o tucano deve concentrar seus esforços, nos próximos dias, na política de Minas Gerais. Aécio Neves não quer perder o controle do governo em Minas Gerais. No momento, o petista Fernando Pimentel — aliado da presidente Dilma Rousseff — é o primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, superando Pimenta da Veiga, tucano bancado e imposto por Aécio Neves. Aliados de Pimenta da Veiga avaliam que sua situação só não é melhor porque, concentrado na política nacional, Aécio Neves aparece pouco nos seus palanques, no interior de Minas. Aparece, é fato, nos programas de televisão. Mas, como está visitando o país, negligenciou a política local. Entretanto, com o esvaziamento nacional, Aécio Neves deve voltar-se com unhas, dentes, pés e mãos para a política de Minas. Agora, é hora de pôr o retrato na parede e tentar colocar Pimenta da Veiga no governo. Porque, se não fizer o governador de Minas, Aécio Neves, embora senador, se tornará mais fragilizado na política nacional, sobretudo agora quanto o tucanato de São Paulo começa a embarcar na campanha de Marina Silva. Neto de Tancredo Neves, Aécio Neves sabe que só é forte na corte quem é forte na província.

