Por Ketllyn Fernandes

Senador por Goiás teve requerimento que convocava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitado. Tucano classifica sua presença na comissão de mera “provocação”
Iris Rezende está municiando o tucanato com críticas cortantes a Júnior Friboi. Este não pode contra-atacar, pois é refém da popularidade do líder histórico. Como convencer
Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide a compor se o PMDB não tem um candidato?
[caption id="attachment_2101" align="alignleft" width="620"] Iris Rezende e Júnior do Friboi: os dois peemedebistas não estão guerreando apenas nos bastidores. O primeiro critica a “dinheirama” do segundo. E o grupo deste aponta que o líder histórico está superado e é freguês de Marconi Perillo[/caption]
“Nunca tive um amigo que não pudesse tornar-se um inimigo ou um inimigo que não pudesse tornar-se amigo.” Getúlio VargasA pressa do jornalismo diário não permite que se apreenda de maneira precisa ou ampla o que os entrevistados dizem. Na quinta-feira, 15, “O Popular” entrevistou o ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende, que pretende ser candidato a governador pelo PMDB. Mas o editor e o repórter, se disseram que o peemedebista quer postular a eleição em 5 de outubro deste ano — óbvio tão ululante que até o “espírito” do dramaturgo Nelson Rodrigues sabe do que se trata —, não perceberam a fala mais decisiva do decano da política goiana: “Acho que, se um dia eu fosse disputar uma eleição marcando passo com alguém com dinheiro, estaria negando tudo que já preguei ao longo da minha vida”. O que Iris disse nas linhas e nas entrelinhas? Não há dúvida de que, embora seja um mestre na manipulação das palavras, para que seja mantida a ambiguidade típica do político, Iris, no caso, é quase explícito. Ele está dizendo, mais do que sugerindo, que, se apoiar o dolarizado Júnior Friboi — o político que supostamente tem entre 250 milhões e 500 milhões para torrar na campanha — para governador, na eleição de 5 de outubro deste ano, estará “negando tudo que” pregou “ao longo da” sua “vida”. É um recado com endereço duplo. Primeiro, para o ambiente interno, que estaria grudado firmemente no “bolso” do empresário. O líder histórico recebeu informações, por certo, de que há pré-candidatos a deputado federal e a deputado estadual que dizem, às claras, que, se Friboi não for candidato a governador, também vão retirar suas postulações. Alega-se que não se trata de nada contra Iris. O que eles querem é a estrutura que Friboi promete proporcionar. Segundo, para o público externo. Iris está dizendo à sociedade que seu partido, o PMDB, não quer deixá-lo disputar, mas que ele quer, sim, ser candidato a governador de Goiás. É um recado direto, sem firulas, para as pesquisas espontâneas de intenção de voto. Os luas-bois recomendaram que Friboi e aliados não se manifestem, pelo menos não de maneira agressiva e desrespeitosa, como se fosse um contra-ataque. Friboi não pode atacar Iris, porque, ao fazê-lo, estaria cometendo suicídio político. É muito melhor ter um Iris desmotivado do que ter um Iris como adversário, talvez até inimigo, na campanha. “Iris nunca esquece”, frisa um deputado. Mas pelo menos um deputado e um ex-deputado disseram ao Jornal Opção que estão coçando a língua para responder o que chama de “diatribes” de um político amadurecido que estaria se “comportando como prima donna” e “é o freguês eleitoral preferencial de Marconi”. Friboi e o deputado federal Pedro Chaves (PMDB) sempre pedem calma. Eles acreditam que Iris vai espernear, porém, como não tem mais o controle do partido — que, de fato, foi subjugado (e supostamente é subvencionado) por Friboi —, acabará por ceder, aceitando disputar o Senado. A aliados, aqueles que frequentam seu escritório político, Iris tem dito que não quer e não vai disputar o Senado. Ele não teria mais paciência para ficar o dia inteiro no Congresso Nacional — às vezes debatendo o “sexo dos anjos”. O peemedebista é objetivo e pragmático. É político vocacionado para o Executivo. [caption id="attachment_4536" align="alignleft" width="300"]


Eu te veto e tu me veta
O que se depreende é que no PMDB há uma luta surda pelo poder, mas não é uma batalha de ideias e não tem como objetivo a melhoria do Estado. É o poder pelo poder. Não se está falando mal, e não haveria por quê, de Iris e Friboi. O que se está dizendo é que a sociedade está observando cuidadosamente o que estão falando um do outro. Aqui e ali, nos bastidores, escapa uma fala de um friboizista que considera Iris como “superado”, “velho”, “alquebrado” e “advogado de apenas dois projetos: o governo para si e um mandato de deputado federal para sua mulher, Iris Araújo”. “No PMDB é assim: é Iris [Rezende] e Iris [Araújo]. O resto é... o resto”, afirma um deputado que não se apresenta como anti-irista. Se Iris veta Friboi para o governo e se Friboi veta Iris para o governo, o que pensar dos dois políticos? O óbvio: os dois peemedebistas não se aprovam. Um, Iris, avalia que o outro, Friboi, não está qualificado para gerir o poder público e que dinheiro não pode tudo. O outro, Friboi, embora não explicite isto em palavras públicas, avalia Iris como “superado”, como “um homem do passado”, uma espécie, como afirma um prefeito, de “bananeira que já deu cacho”. Paradoxalmente, embora desconfiem das qualificações um do outro, Iris aceita Friboi como vice e Friboi aceita (e precisa de) Iris como candidato a senador. O recado subliminar, diria um publicitário ou um psicólogo é: para o governo, nenhum serve. Agora, ante as críticas, e se o eleitor acabar pensando o mesmo? A quatro meses das eleições — apenas 120 dias, com o agravante da Copa do Mundo de Futebol, que vai tornar a disputa ainda mais curta —, embora não esteja morto (o partido é respeitado e forte no Estado), o PMDB está cristalizando a imagem, verdadeira, de que não tem candidato e, sobretudo, de que não consegue lançar e bancar um candidato a governador. Na semana passada, numa nota, um repórter do Jornal Opção criou a seguinte imagem: “Pegue um pires de louça quebrado. Mande um especialista [um restaurador] colá-lo. O pires poderá ser usado, mas as marcas do quebrado — as rachaduras — permanecerão. Indeléveis ou não”. O PMDB não é nada diferente do pires. “Qualquer que seja seu candidato a governador — Iris, o nome da tradição, ou Friboi, o nome da renovação interna [vale ressalvar que o novo nem sempre é renovador] —, o partido irá dividido para o pleito de 5 de outubro deste ano. Unido, o PMDB não vence o grupo de Marconi há quatro eleições, desde 1998 — há praticamente 16 anos. Dividido, o PMDB terá imensa dificuldade de disputar de igual para igual com uma político habilidoso, metódico e que pesquisa exaustivamente os humores da sociedade. O presidente dos Estados Unidos que aboliu a escravatura e uniu à força o Sul ao Norte, Abraham Lincoln, disse, num discurso célebre: “Uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir” (leia em http://bit.ly/1mAM0II). Fica-se com a impressão que, numa espécie de masoquismo involuntário ou inconsciente, o PMDB aprendeu a gostar de apanhar do PSDB do governador Marconi. Digamos que Friboi seja o candidato a governador do PMDB. Na sua campanha, ao ser criticado pelo empresário, o tucano-chefe não precisará fazer muito esforço para se defender. Basta colher os depoimentos que Iris vem dando à imprensa. Algumas críticas podem ser veladas, mas outras nem tanto. O líder histórico está dizendo, às vezes apenas sugerindo, que Friboi, se for o candidato do PMDB, não o será por mérito, e sim pelo poder de convencimento do dinheiro. “Follow the money” (“siga o dinheiro”) — Iris poderá dizer, se lembrar do caso Watergate, que derrubou o presidente americano Richard Nixon. O Ministério Público, a partir de certo momento, certamente seguirá o “rastro do dinheiro”. Um grupo do PMDB, irista, sugere que a chapa ideal para enfrentar e tentar derrotar Marconi inclui Iris para o governo, Friboi (ou Vanderlan) para vice e Gomide para senador (o PT está investindo na “política de senadores”). Jorcelino Braga tem sido convocado ao escritório de Iris Rezende e, como emissário, tem levado a proposta para Vanderlan: o peemedebista quer compor. O pré-candidato do PT, Antônio Gomide, também tem recebido recados, por meio de aliados do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), de que Iris quer compor. Mas como compor com um partido que, a 120 dias das eleições, nem mesmo consegue definir o seu candidato e, numa briga interna feroz, “suja” seus dois principais nomes? Vanderlan e Gomide ouvem os convites para uma aliança, mas, quando abrem os jornais, descobrem a realidade: o PMDB, se briga bem internamente, não tem candidato a governador. Tem-se a impressão de que, na falta de dinheiro, Iris está tentando usar Vanderlan e Gomide como trunfos para forçar Friboi a desistir de ser candidato, mas desconsiderando que os dois políticos têm projetos diferentes. Por que deveriam abrir espaço para Iris? Gomide, mesmo se perder, está jogando para o futuro, para o pós-Marconi — em 2018. Vanderlan, como candidato a governador, possibilita um palanque eleitoral para o candidato a presidente do PSB, Eduardo Campos, em Goiás. Sem contar que, ante a disputa de duas forças tradicionais, PMDB e PSDB, pode ser que, conforme os humores das ruas, um candidato “novo”, mesmo subestimado, inclusive pela imprensa, possa surpreender e ser eleito. Marconi “olha” para a política de Goiás e comemora: o céu de brigadeiro sorri para o jovem líder. As oposições, caóticas e com interesses divergentes, podem contribuir para que o tucano-chefe seja eleito pela quarta vez. Mas é preciso dizer que Marconi, se reeleito, não o será apenas devido aos equívocos dos adversários. Ele, como gestor e político, tem méritos. Enquanto na maioria dos Estados, como no Rio Grande do Sul do petista Tarso Genro, impera o caos, em Goiás, mesmo com dificuldades, o governo está com suas contas relativamente organizadas. Não só. O governo inaugurou e vai inaugurar obras relevantes. Se a oposição continuar insistindo na tese do caos absoluto, e como o caos não é visível para as pessoas, a maioria do eleitorado vai apostar mais no que está vendo, de concreto, no que em discursos.
[caption id="attachment_4503" align="alignleft" width="620"] Júnior Friboi, Iris Rezende e Armando Vergílio: dois políticos mais novos ladeiam um político mais experimentado e mais popular | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Determinado, o pré-candidato do PMDB a governador de Goiás, Júnior Friboi, aposta que, no frigir dos ovos, vai conseguir convencer Iris Rezende a disputar o Senado. Não será fácil, há quem ache impossível. O empresário comenta com os aliados que a chapa ideal teria ele para o governo, o petista Antônio Gomide na vice e Iris para o Senado. É o time dos sonhos.
Agora, se não for possível, Friboi vai articular uma chapa alternativa, ressaltando que vai batalhar por Iris até 30 de junho, último prazo para as convenções partidárias. Nos últimos dias, o empresário aproximou-se do deputado federal Armando Vergílio, presidente do Solidariedade em Goiás. Os dois têm conversado com frequência. “O Solidariedade é uma noiva querida e desejada”, admite um friboizista.
Se Iris não aceitar ser candidato ao Senado, Friboi tende a oferecer a vaga para Armando Vergílio, que diz que, de fato, o Solidariedade, se não lançar candidato próprio ao governo, vai participar de uma chapa majoritária. “Fazer parte da chapa majoritária é condição sine qua non para aceitarmos uma aliança”, sugere o deputado. Se Iris for para o Senado, possivelmente o líder do SDD irá para a vice de Friboi.
Com quase 1,5 minuto no programa de televisão, com um deputado federal, dois estaduais e 100 vereadores, além de instalado em 180 municípios, o SDD não é uma força política desprezível. Se fosse, seu apoio não estaria sendo disputado, quase a tapa, por quatro pré-candidatos a governador: Marconi Perillo, do PSDB; Antônio Gomide, do PT; Vanderlan Cardoso, do PSB, e Friboi.
Com quem mais o SDD pode compor? O mais difícil é compor com Marconi, pois o partido advoga alternância no poder, mudança. Hoje, Armando Vergílio está mais próximo de Friboi e, em segundo lugar, de Antônio Gomide. Ele também é cotado para ser vice de Gomide ou candidato a senador na chapa petista.

[caption id="attachment_4495" align="alignleft" width="620"] Marconi Perillo: o pulo do gato talvez seja a precisa sintonia com a sociedade e com o seu tempo | Foto: Fábio Lima[/caption]
O Jornal Opção ouviu cinco integrantes da oposição e dois marqueteiros e fez a todos a pergunta: por que, depois de quase 12 anos de poder — ou 16, se for considerado o período de Alcides Rodrigues —, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), continua forte política e eleitoralmente? Todos admitiram — os oposicionistas aceitaram falar apenas em off — que Marconi “está sobrando”, quer dizer, está bem acima, em termos de popularidade e influência, dos demais pré-candidatos. A seguir, publicamos um resumo das opiniões dos sete entrevistados.
Está cristalizada a tese de que Marconi criou uma forte identidade com Goiás. Na visão dos entrevistados, o tucano se tornou um símbolo do Estado. Se o Estado está se modernizando, Marconi moderniza-se junto, acompanhando todo o processo e compreendendo-o. Há uma poderosa sincronia-sintonia entre as ações do tucano-chefe e a sociedade civil. Os setores produtivos percebem que o governador está ao lado do que chamam de “progresso”, “desenvolvimento” e “crescimento”. Prevalece a tese de que, ao contrário de outros políticos, Marconi não ficou “para trás”, permanecendo contemporâneo dos demais goianos. As pessoas ouvidas frisam que é impressionante que, da área econômica à área cultural, o jovem político mantém os contatos certos, apropriados.
Do ponto de vista estritamente político, há a interpretação de que o tucano articula com rara habilidade, mantendo os aliados antigos e buscando agregar novos aliados. Note-se a questão do deputado federal Ronaldo Caiado (DEM), que quer ser candidato a senador pela base aliada. Marconi não o veta, mas quer que seja assimilado por sua base, para não contrariar os aliados que estão próximos e nunca romperam com ele, como o deputado federal Vilmar Rocha (PSD) e o vice-governador José Eliton (PP).
Fala-se muito que Marconi é puro marketing. Os entrevistados dizem ninguém que sobrevive tanto tempo na política, numa sociedade democrática, ancorado tão-somente em marketing. O tucano é um fenômeno real, modernizador, que o marketing não fabricou, apenas ajuda a impulsionar. Parte dos entrevistados sugere que o governador articula bem seu marketing mas estribado em fatos reais, não em ficções. Por exemplo: ao restaurar as estradas e as escolas dos municípios goianos, em várias localidades, ele exibe aquilo que foi feito. O cidadão não tem como ser enganado.
Mas qual é o chamado “pulo do gato” de Marconi, que o faz estar sempre um passo adiante de seus oposicionistas? Os entrevistados discordam de que haja um “pulo do gato”, um segredo. Sugerem que talvez, se for possível usar a expressão, se possa falar em “pulos do gato”. O fundamental, analisam, é que Marconi, ao contrário de parte dos políticos goianos, não é nostálgico e não vive no passado. Ele é um político do presente, atual, que sabe o que o velho, o homem de meia idade e o jovem estão pensando e fazendo.
Outro “pulo do gato” é que, enquanto a oposição trabalha com um agenda negativa, o tucano sempre avança com um agenda positiva, criando novas esperanças e expectativas. Marconi não fica velho — está sempre se renovando.

[caption id="attachment_4490" align="alignleft" width="620"] Iris Rezende sonha com a Casa Verde há 16 anos | Foto: Aoaassis[/caption]
O friboizismo está enviando alguns de seus líderes do interior para dialogar com Iris Rezende. Eles ouvem o líder histórico e, em seguida, repetem o discurso ensaiado: o partido quer o decano peemedebista como candidato a senador.
Iris, que planeja ser candidato a governador, ouve os friboizistas, sempre com atenção, mas não apresenta uma resposta precisa, por avaliar que é cedo para dá-la. Os friboizistas saem com a impressão de que se trata de um político de convicções arraigadas e que quer mesmo só uma coisa: disputar o governo de Goiás em 5 de outubro deste ano.
Um friboizista afirma que Iris sugeriu que pouco tem a ver com os “personagens” que estão no Senado e criticou a atuação dos senadores na CPI do Cachoeira. E teria sugerido que seria mais adequado disputar mandato de deputado federal. Mas não é, de fato, o que quer. O ex-prefeito tem duas obsessões: ser candidato a governador e tentar derrotar o governador Marconi Perillo (PSDB). O peemedebista avalia que a eleição desde ano é seu canto de cisne em termos de disputas estaduais. Depois, só lhe resta, se tanto, a disputa da Prefeitura de Goiânia, em 2016.
O ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Goiânia, além de ex-ministro da República, Iris Rezende tem dito aos que o procuram que deverá ser o candidato a governador do PMDB. Os iristas apostam que o PMDB vai recuar do apoio “impensado” a Friboi e vai apoiar seu líder máximo para governador. Há uma aposta que Friboi vai pressionar, mas não irá à convenção contra Iris. A tese é a seguinte: se for à convenção, Friboi derrota Iris. No entanto, se humilhado com uma derrota vexatória, Iris não subirá no palanque do empresário. E, sem Iris na campanha, Friboi pode comprar a passagem de volta para o Colorado, nos Estados Unidos, ou pode ir jogar com tranquilidade em Las Vegas.
Um advogado garante que Iris Rezende pagou todas as suas multas na Justiça Eleitoral. Valor: 86 mil reais. O que isto quer dizer? Que o peemedebista é candidatíssimo... a governador. Ao ouvir a história, um friboizista disse ao Jornal Opção: “Bobagem. Iris vai ser candidato a senador. E está ‘pegando o boi’”. Boi, no caso, não é uma alusão a Friboi.
O geólogo Carlos Maranhão e o publicitário Paulo de Tarso, ambos marqueteiros da mais alta qualidade, vão operar o marketing da campanha do governador Marconi Perillo (PSDB). Maranhão, que acompanha Marconi desde 1998, entende até o mínimo gestual do tucano-chefe. Daí a sintonia fina nas campanhas eleitorais. Numa conversa com um repórter do Jornal Opção, Maranhão disse que “não há favas contadas em política. Portanto, a eleição deste ano, como as demais, não será nada fácil. Mas, sim, procede que começa a se desenhar um quadro de favoritismo pró-Marconi. Entretanto, como afirma o próprio governador, precisamos trabalhar muito e ter humildade. Marconi é adepto de que trabalho, e não discurso bonito mas vazio, é que ganha eleição. Por isso, é colocar o pé no chão e trabalhar em tempo integral”. O marqueteiro frisa que o tucano não leva a sério comentários que sugerem que pode encomendar o “terno da nova posse”. “Nós não trabalhamos seguindo este caminho. Levamos política e campanha eleitoral muito a sério. Por experiência própria, sabemos que as campanhas eleitorais são muito duras e desgastantes.” Conquistar aquele eleitor que não quer votar em ninguém, assinala Maranhão, é a missão do tucano e de seus marqueteiros. “Ele pode ser conquistado, mas é muito difícil. Há uma suspeita cristalizada. Na eleição deste ano, nós vamos ter de sensibilizar o eleitor para que vote Trabalhar o político Marconi é menos difícil do que um empresário que acaba de virar político, como Júnior Friboi, avalia Maranhão. “Marconi contribui para modernizar Goiás e não é um político ‘esgotado’. Pode-se dizer que se trata de um fenômeno político que merece estudo mais detido. Depois de 16 anos, a rigor 12 anos ou 11 anos, de poder, Marconi permanece ativo, moderno e contemporâneo. Como não se acomodou, soube se renovar.” O fator positivo, para o marketing trabalhar, é a própria capacidade de Marconi “reinventar-se”, afirma Maranhão. “Mas o importante mesmo é que os governos de Marconi produziram resultados que beneficiaram a sociedade, e não grupos de interesses. Quando o Tesouro Nacional, que responde à presidente Dilma Rousseff, que é do PT, revela que Goiás, no governo Marconi, teve o menor crescimento da dívida, isto significa que o governador está no rumo certo. As críticas das oposições sobre a questão dívida caem por terra, pois é o próprio governo do PT quem está afirmando que Marconi acertou.”
Na semana passada, aliados do governador Marconi Perillo (PSDB), com pesquisas nas mãos e um trabalho de investigação pessoal, cruzaram dados e discutiram apoios políticos. Chegaram a várias conclusões. Reproduzimos, a seguir, duas. O cruzamento de dados significa que, se aderir à chapa majoritária de Marconi como possível candidato a senador, o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) soma e atrai mesmo votos novos. Porém, se fizer uma campanha distanciada, asséptica, pode até puxar votos do grupo de Marconi, mas não “entregará” votos ao tucano-chefe. Caiado acrescenta tão-somente se o eleitor perceber que está engajado na campanha de Marconi. O eleitor de Caiado precisa entender e admitir que há uma identidade não forçada entre o democrata e o tucano. Um Caiado cuja presença é uma ausência pouco acrescenta. Aliás, pode retirar até votos de Marconi. O eleitor vai questionar: por que o líder do DEM não apoia Marconi de maneira convicta? Há alguma coisa errada? A união é forçada e exclusiva por interesse? Cruzando dados e informações que envolvem o PP do vice-governador José Eliton e o PSD do deputado federal Vilmar Rocha, dois políticos respeitáveis, mas surpreendentemente pouco conhecidos da população, percebe-se que praticamente não atraem votos novos para o tucano-chefe. Os votos exclusivos deles são muito poucos. Na verdade, pelo menos nesta altura da pré-campanha, é o governador quem “transfere” votos para os dois. A rigor, pode-se dizer que os votos de José Eliton e Vilmar Rocha já “são” de Marconi. Pode ser que o quadro mude durante a campanha? Pode, especialmente se os candidatos empolgarem o eleitorado. (O tempo de televisão do PP e do PSD são, no momento, o que mais interessa ao pré-candidato Marconi.) Um dos problemas de José Eliton e Vilmar Rocha é que são por demais palavrosos e professorais. Vilmar precisa atualizar seu discurso para o eleitorado jovem, que se interessa mais por discussões sobre o presente e, portanto, necessidades prementes.

O governador Marconi Perillo (PSDB) é pragmático. Em 2002, o presidente FHC deu a palavra a Henrique Meirelles de que seria o candidato tucano a senador. Marconi, que conhece a realidade local, convenceu FHC de que para a chapa era melhor contar com Lúcia Vânia. O goiano elegeu a chapa completa.
Em 2010, integrantes do PSDB e alguns de seu círculo mais próximo repugnavam a aliança com o DEM, que criticava Marconi. O senador foi prático: como precisava dos democratas, deu a eles a vice e a vaga de senador. Elegeu todos.
Neste ano, alguns aliados do governador não querem Ronaldo Caiado na chapa como candidato a senador. A Verus mostra Caiado com 38,8%. Antônio Gomide tem 19,6%. No Serpes, Caiado perde apenas para Iris. Muitos opinam. Mas é Marconi quem decide a chapa. Não adianta pressionar.

Líderes de três partidos fizeram um pacto contra uma possível aliança entre o governador Marconi Perillo (PSDB) e o deputado federal Ronaldo Caiado. Eles querem evitar que o presidente do DEM seja candidato a senador na chapa do tucano. O front dos neo-cruzados é comandado por Jalles Fontoura (PSDB), Vilmar Rocha (PSD) e José Eliton (PP).
Fontoura é prefeito de Goianésia e é empresário conceituado. Rocha é deputado federal e é apontado como um político ético, altamente eficiente e intelectualmente dotado. Pertence à intelligentsia da Câmara dos Deputados. O menos inexperiente, o que não quer dizer inexpressivo, é o vice-governador Eliton. Isolados, têm pouca força. Juntos, lideram praticamente um “batalhão”, sobretudo representam partidos políticos expressivos.
A artilharia do trio já disparou alguns tiros de canhão contra o líder do DEM e tem mais munição. Eliton teria sido responsável pela elaboração do dossiê em que aparecem falas de Caiado criticando Marconi com aspereza. A guerra está declarada. Eliton, que não gostava de Rocha e chegou a atacá-lo com virulência, quando aliado de Caiado, agora se comporta como se fosse seu amigo de jardim de infância.
Os deputados Helder Valin (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, e Helio de Sousa (DEM) teriam, por intermédio de um pacto secreto, decidido “segurar” e não rejeitar as contas do ex-governador Alcides Rodrigues. Helio de Sousa foi secretário da Saúde do governo Alcides Rodrigues e era muito ligado ao seu secretário de Finanças, Jorcelino Braga. Valin foi líder do governo do ex-pepista. Tutti buona gente! Quando procurado, Helder Valin tenta passar a batata quente para o deputado tucano Fábio Sousa, líder do governo Marconi Perillo. Helder Valin quer ser conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Teria independência para julgar contas?
O pré-candidato a governador de Goiás pelo PSB, Vanderlan Cardoso, vai concentrar seus esforços nas grandes cidades de Goiás, notadamente na Grande Goiânia. Ele tem alegado aos correligionários que não tem estrutura financeira para bancar uma campanha em todo o Estado. Estaria até agastado com a “pedição” do povo e, sobretudo, dos políticos. A concentração na Grande Goiânia não tem a ver, porém, tão-somente com a eleição de 5 de outubro deste ano. Vanderlan está convencido que, para ter chance de ser eleito governador de Goiás, precisará se tornar mais conhecido e, por isso, estaria disposto a disputar mandato de prefeito de Goiânia, em 2016.

O ex-senador Demóstenes Torres não pode disputar mandato, mas não está morto politicamente. Ele tem articulado candidaturas de aliados e tem marcado presença em reuniões de pelo menos dois partidos, o PMN de Walter Paulo Santiago e o PSL de Dário Paiva. O ex-líder do DEM tem atuado como uma espécie de conselheiro. Detalhe: é ouvido, respeitado e acatado.
Apontado como milionário, Walter Paulo será candidato a deputado federal. Dário Paiva, que se apresenta como fã de Demóstenes, não vai disputar mandato, apesar da pressão de seus correligionários.
Os aliados do ex-senador afirmam que, se ele pudesse disputar mandato em 2014, provavelmente seria eleito. “Tanto para senador quanto para deputado federal. O espaço de Demóstenes, que tinha um discurso liberal forte, em defesa da família, contra os ‘aborteiros’, e propunha uma segurança pública mais rigorosa, está vazio. Os evangélicos tentaram ocupá-lo, mas não conseguiram”, afirma um aliado do empresário Walter Paulo.

[caption id="attachment_4452" align="alignleft" width="300"] Antônio Gomide: programa de televisão será essencial para se expor e divulgar seu projeto de governo | Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Um aliado do pré-candidato do PT ao governo de Goiás, Antônio Gomide, disse que comentam que o petista não tem estrutura e que, por isso, dificilmente será eleito. “Ora, se Antônio Roberto não tem chance, por que tanta menção ao seu nome? O fato é que as eleições deste ano vão ser decididas pelas ‘ruas’, por um eleitorado insatisfeito com os serviços básicos nas áreas de transporte, saúde, educação e segurança pública. Não é a estrutura que vai levar um candidato ao poder. A estrutura, sobretudo se excessiva, pode derrotar certos candidatos.”
Nas conversas com o Jornal Opção, Gomide não demonstra desânimo algum e frisa que deixou a Prefeitura de Anápolis para ser candidato a governador. O petista avalia que está crescendo na medida em que seu nome vai sendo exposto. Oficializada a candidatura, em convenção, o eleitor terá, finalmente, certeza de que será candidato e, com isso, aposta que crescerá nas pesquisas. O petista tem avaliado que o programa de televisão também vai ser decisivo para que o eleitor de todo o Estado possa avaliá-lo como político e gestor.