Por Herbert Moraes

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Um bom momento para ser um ditador

Presidente turco espera ter uma boa convivência com Donald Trump, que já o elogiou publicamente

Um amigo de Bibi na Casa Branca

A questão é saber se, para o presidente eleito Donald Trump, os negócios não vão falar mais alto que a amizade

O Muro da Lamentações agora é muçulmano. Pelo menos para a Unesco

Decisão nega os fatos para favorecer um grupo, mas o órgão da ONU ainda não tem o poder de modificar a História

Não há vitoriosos em Aleppo

Até 2011, antes da guerra civil, a população da principal cidade da Síria passava de 2 milhões e meio. Ho­je estima-se que pouco mais de 1 décimo desse número ainda está no local

Os russos estão chegando

Enquanto a Rússia se impõe no Oriente Médio ao apoiar Bashar al-Assad, a apatia americana na Síria levanta questionamentos mundo afora sobre o verdadeiro comprometimento de Washington com seus aliados

Colinas do Golã, o próximo front da sangrenta guerra na Síria

Mísseis sírios continuam a cair do lado israelense “acidentalmente”, e o exército de Israel tem de responder

Sauditas afirmam que xiitas não são muçulmanos

A batalha entre os sunitas da Arábia Saudita e os xiitas já dura 13 séculos e parece que não vai acabar nunca

As imagens da agonia

Diariamente, nos últimos cinco anos, milhares de crianças morreram ou ficaram seriamente feridas numa guerra insana

O Hamas mostra a sua cara

Depois uma década de investigação, Israel prova que entidades filantrópicas e até a ONU foram roubadas pelo grupo terrorista

Por que é tão difícil para Barack Obama dizer “Islã radical”?

Presidente norte-americano tenta, a cada atentado, tapar o sol com a peneira, o que fica cada vez mais difícil

Terror online

No século 21, para cometer um atentado terrorista, só é preciso apertar Enter

Em busca dos últimos manuscritos

Arqueólogos israelenses realizam a maior escavação arqueológica do país nos últimos 30 anos. O objetivo: encontrar nas montanhas do Deserto da Judeia os manuscritos perdidos do Mar Morto

Rede de intrigas

A morte de um terrorista expõe as ligações perigosas entre o Irã e a administração de Barack Obama

As poderosas conexões entre Albert Einstein, Sigmund Freud e Moisés

Correspondência entre os dois gênios judeus do século 20 revela que o físico e o psicanalista eram amigos e não entendiam suas respectivas profissões. Mas concordavam em um ponto: nas qualidades de Moisés

A carnificina na Síria vai continuar

O restabelecimento da normalidade no país só será possível com a interferência do russo Vladimir Putin [caption id="attachment_65285" align="alignright" width="620"]Família síria corre para se esconder no meio dos escombros de edifícios destruídos na sequência de um ataque aéreo relatado em Aleppo, em 29 de abril Família síria corre para se esconder no meio dos escombros de edifícios destruídos na sequência de um ataque aéreo relatado em Aleppo, em 29 de abril[/caption] O enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mis­tu­ra, nasceu na Itália mas foi criado na Suíça. A família dele tem tradição na área diplomática. Mistura seguiu os passos dos pais e construiu uma sólida carreira diplomática, que completa 40 anos em 2016. Staffan herdou a paciência dos suíços e a simpatia sincera dos italianos. E é justamente isso que talvez expliquea determinação do enviado da ONU a continuar, firme, numa missão impossível: manter o cessar-fogo na Síria. Nos últimos meses, os esforços diplomáticos que vêm ocorrendo em Genebra, onde discute-se a questão Síria, pouco avançou. O acordo foi assinado em fevereiro, e desde então continua sendo apenas um papel assinado. A morte de centenas de soldados e rebeldes em batalhas como a de Aleppo nas últimas semanas, o bombardeio aéreo da cidade já devastada, a destruição completa de três hospitais, além do cerco por tropas governamentais fizeram da segunda maior cidade da Síria um lugar fantasma, onde, segundo testemunhas, os últimos moradores se escondem no esgoto e comem ratos para sobreviver. Quando o Hospital Quds foi bombardeado por caças russos ou do próprio regime, 50 pessoas en­­tre pacientes, visitantes, médico e enfermeiros morreram na hora. Ou­tros 80 ficaram feridos. O último pediatra da cidade, Mohamad Moaz, estava entre as vítimas mortas. Naquele dia, ele havia decidido dormir no hospital por causa do grande número de crianças e bebês feridos em outros combates. Morreu com eles. Nos últimos cinco anos, segundo a Or­ga­ni­zação Médicos Sem Fronteira, 730 profissionais de saúde morreram na guerra civil. Ataques deliberados contra hospitais, clínicas, escolas e mesquitas viraram regra na batalha por Aleppo. Um dia antes do Hospital Quds ser atingido, o setor de emergência de um outro centro médico que trata mais de 2.000 pessoas por dia também foi destruído num ataque. Um dos poucos médicos que ainda restam na cidade disse recentemente numa rede social que o nível de destruição é tão devastador que não há mais nada em Alepo além de ruínas. “É dificil descrever como é viver por aqui. Esperamos pela morte”, disse o médico. Em outro momento ele conta que “os bombardeios são tão ferozes que até mesmo as pedras estão pegando fogo”. E desabafa: “Cada vez que um avião sobrevoa nossas cabeças sabemos que a morte é o nosso destino. Os alvos não são os rebeldes que estão lutando, mas os civis. Nos sentimos abandonados e sozinhos”. Depoimentos como esse deveriam acelerar qualquer tentativa de solução para a guerra na Síria. Mas, em Genebra, as negociações andam a passos lentos e ninguém consegue achar uma saída. Há tempos que a chave para resolver a crise está guardada numa gaveta na mesa de Vladimir Putin. Só ele tem poder suficiente para pressionar o ditador Bashar al-Assad a estabilizar o acordo de cessar-fogo. Staffan de Mistura soube que só haverá paz na Síria se o russo interferir. E ao que parece está disposto a continuar o jogo duplo e permitir que Assad toque a carnificina à vontade.