Por Euler de França Belém

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Ernani de Paula pode ser o vereador mais votado em Anápolis. É a aposta de analistas

Aparadas as arestas com o governador Marconi Perillo, o ex-prefeito diz que o vereador é o político que mais mantém contato com a população

Raquel Teixeira tenta barrar curso de Mário Rodrigues sobre políticas culturais

O curso só pôde ser concluído por interferência de Nasr Chaul, novo superintendente de Cultura do governo de Goiás

Raquel Teixeira garante que a Secretaria da Cultura não será recriada

A educadora sublinha que a incorporação pela Secretaria da Educação ampliou a estrutura da cultura em todo o Estado

Aguinaldo Coelho deixou Superintendência de Cultura porque não articula lobby e não é alpinista social

A decência de Aguinaldo Coelho, assim como seu respeito às leis, incomoda muito

Listão dos possíveis candidatos a prefeito de Posse. A gestão de José Gouveia está desgastada

Como muitos prefeitos do país, José Gouveia enfrenta CEI, não consegue terminar obras, mas controla a máquina

O deputado José Nelto tem enviado emissários ao governador Marconi Perillo

O peemedebista-irista tem sugerindo que quer uma convivência harmoniosa

Justiça de Aparecida de Goiânia vai ouvir ex-vereadores sobre diárias de 200 mil reais

Entre os que vão prestar depoimento estão o ex-prefeito José Macedo e os ex-vereadores Veter Maritns e Marlúcio Pereira

Raquel Teixeira troca Aguinaldo Coelho por Nasr Chaul na cultura. Lisandro vai para o Oscar Niemeyer

[caption id="" align="alignnone" width="620"] Aguinaldo Coelho, Raquel Teixeira e Nasr Chaul: secretária conseguiu derrubar o primeiro | Foto: Alexandre Parrode / Jornal Opção[/caption] A secretária da Educação, Cultura e Esporte do governo, Raquel Teixeira, deve trocar, nesta semana, o superintendente de Cultura, Aguinaldo Coelho, possivelmente pelo diretor do Centro Cultural Oscar Niemeyer, Nasr Chaul. O professor da Universidade Federal de Goiás Lisandro Nogueira deve ir para o lugar de Chaul. Maria Abadia era o nome preferido de Raquel Teixeira para a superintendência de Cultura. Mas a secretária não teria conseguido bancá-la. Mário Rodrigues também vai deixar a direção do Fundo de Cultura. O arquiteto e compositor Otávio Daher deixa a direção do Núcleo de Obras da Superintendência de Cultura.

José Nelto aposta em Fernando Krebs para o Senado

O deputado do PMDB diz que o promotor de justiça é "preparado e inteligente"

PSDB de Goiás vai conseguir mais duas grandes filiações. Antes de outubro

Pelo menos duas filiações-bomba devem agitar o cenário político antes de outubro. As duas estão sendo articuladas pela cúpula do PSDB, com o aval do governador Marconi Perillo. São dois nomes de peso da oposição.

Pesquisa revela que Jardel Sebba está recuperando sua popularidade

O governador Marconi Perillo examinou pesquisa sobre Catalão e gostou do que viu

Escritor de 20 anos lança livro muito bem urdido sobre pastor homossexual

[caption id="attachment_43479" align="alignleft" width="250"]Romance de Gustavo Magnani surpreende pela qualidade e, dada a temática, tende a se tornar best seller | Divulgação Romance de Gustavo Magnani surpreende pela qualidade e, dada a temática, tende a se tornar best seller | Divulgação[/caption] O prosador cubano Reinaldo Arenas (1943-1990) escreveu um livro, “Antes Que Anoiteça”, que surpreende pela crueza da narrativa e da história. É um relato da vida homossexual em Cuba, durante parte da ditadura da dinastia de Fidel Castro. Leitores de estômago fraco certamente não terão ânimo para frequentar as páginas de uma obra verdadeira e sem concessões ao moralismo. As histórias, descritas com rara perspicácia, sugerem que a sexualidade é muito mais complexa do que explicitam as categorias rígidas criadas pela cultura. As fronteiras entre a homossexualidade e a heterossexualidade, que parecem tão distantes e conflitantes, às vezes são mais tênues do que imagina nossa vã filosofia. A curiosidade e o prazer sexuais são exibidos com tanta vivacidade por Reinaldo Arenas, autor admirado pelo crítico Harold Bloom, que, ao ler a história, é como estivéssemos presenciando um strip-tease das profundezas da alma, uma devassa não apenas dos corpos dos homens. O escritor brasileiro Gustavo Magnani publicou um romance que tende a se tornar best seller — tanto pela temática, a conexão entre homossexualidade e religião, especificamente a evangélica, quanto pela qualidade de sua escrita. “Ovelha — Memórias de um Pastor Gay” surpreende pela narrativa precisa de um mundo complexo, ao qual não se deve adentrar com as limitações dos preconceitos (que não servem nem para seus combatentes) de variados matizes, e pela apresentação de um comportamento de maneira (quase) antropológica. O pastor gay é apresentado, sua vida é dissecada, mas o autor evita a rigidez dos julgamentos morais. Os julgamentos ficam por conta dos leitores — se quiserem fazê-los. O autor fornece os elementos para a leitura, ou melhor, leituras. Surpreende, pelo texto seguro e pela arquitetura sem fissuras, que Gustavo Magnani [foto acima, do arquivo do autor] tenha apenas 20 anos. Sua prosa é de autor maduro. Seu talento lembra o do escritor francês Raymond Radiguet. Já a percepção acurada da vida de um homem complexo e complicado, um homossexual religioso (até fanático), lembra a narrativa de “Antes Que Anoiteça”. O romance é, ao mesmo tempo, um “retrato” da realidade e literatura. Realidade e imaginação imbricadas. O romance, que possivelmente vai ganhar as livrarias de outros países e as telas dos cinemas, é menos sensacionalista do que insinua. Diria que é uma odisseia profusa e profundamente humana — até nos delírios do personagem — e um registro de como nós, homens, somos sofridos, variados e, portanto, difíceis de apreender por interpretações estreitas. Trecho do livro de Gustavo Magnani Despedida Não é, senhor, o último capítulo. Falhei talvez em entregar uma história de blasfêmia e ofensa: eu aqui — completamente nu, entregue e verdadeiro. Já não sei quem é o senhor e isso pouco me importa, não sei também o que dirão dessa carta de suicídio prolongada; de um ser que aos poucos morreu, mas que viveu, não direito, mas intensamente. Ainda uso aquela túnica, mas ninguém montou em mim. Talvez seja este meu último desejo: apenas um buraco na terra, insetos em volta do caixão e um esqueleto que acompanha o movimento do mundo: em eterna decomposição. Senhor, até nunca.

Livro sugere que o homem, um super-predador, pode ser o responsável pela sexta extinção

[caption id="attachment_43474" align="alignleft" width="250"]Um livro devastador e imprescindível sobre o que nós, homens, estamos fazendo com as demais espécies | Divulgação Um livro devastador e imprescindível sobre o que nós, homens, estamos fazendo com as demais espécies | Divulgação[/caption] Em nome do progresso e, às vezes, por puro prazer, os homens arrancam árvores — sem se importar com as vidas de outras espécies — e matam variadas espécies. Recen­temente, o dentista americano Walter James Palmer exibiu-se na internet ao lado de um leão, Cecil, que havia matado, no Zimbábue. Porém o que parece um caso isolado, produto de exibicionismo proporcionado pela força do dólar, não o é. Elizabeth Kolbert, especialista em jornalismo científico, escreveu um livro imprescindível, “A Sexta Extinção — Uma História Não Natural” (Intrínseca, 336 páginas, tradução de Mauro Pinheiro). Ga­nhou o respeitado prêmio Pulitzer. Depois de cinco extinções, como a dos dinossauros, a mais divulgada pela mídia, enfrenta-se agora o que os cientistas chamam de “a sexta extinção”. Elizaberth Kolbert, que colheu depoimentos de cientistas e leu dezenas de livros e pesquisas, conclui que será (está sendo) a mais devastadora de todas. Se os dinossauros foram dizimados por um asteroide, nós, homens, seremos os responsáveis pelo próximo apocalipse. A população humana cresce, exige que árvores sejam cortadas — para melhorar a mobilidade urbana e quase todos aparecem alegremente aplaudindo, ignorando que a Terra não pertence apenas aos seres humanos — e que mais animais sejam extintos. Uma onça apareceu recentemene em chácaras localizadas entre Senador Canedo e Bela Vista de Goiás e teria atacado um potro e uma cachorra. Logo será morta por um chacareiro. O que está acontecendo? Os homens estão ocupando mais espaço e destruindo o habitat tanto da onça quanto dos animais que ela preda. Os campos cada vez mais estão se tornando cidades. Ao examinar 12 espécies, entre desaparecidas e em processo de extinção, Elizabeth Kolbert conclui que, apesar da insensibilidade geral — o progresso não pode ser contido e é preciso alimentar os homens —, centenas de animais foram extintos e estão em fase de extinção. Enquanto abrimos mais espaço para nós, para viver e comer, destruímos outros animais. A pesquisadora aposta que, se não houver uma ruptura — e dificilmente haverá —, a sexta extinção será “o legado final da humanidade”. Ser humano é pensar exclusivamente nos seres humanos? No livro “Cachorros de Palha”, o filósofo britânico John Gray discute a questão de maneira crítica, localizando a ideia que transformou o homem em Deus. A “Veja” divulgou no seu portal o resultado de um estudo divulgado pela revista “Science” na sexta-feira, 21. “Os humanos são uma espécie única de ‘super-predadores’, com uma eficiência que ultrapassa todas as regras do mundo animal. Matamos outros bichos em uma taxa até 14 vezes superior a outras espécies caçadoras.” Os pesquisadores estudaram 2.215 carnívoros marinhos e terrestres. “Descobriram que os homens caçam populações adultas que estão no topo da cadeia alimentar, como ursos ou leões, em uma taxa nove vezes maior do que fazem esse animais. Entre as espécies marinhas, a taxa é 14 vezes maior”, registra a “Veja”. A pesquisa sugere que “o mais impressionante no comportamento humano é que costumamos matar animais adultos, diferente do que acontece em todo o reino animal, que prefere presas jovens (e mais fáceis de abater). Os peixes consomem apenas 1% de bichos adultos. Os homens são capazes de fazer isso porque desenvolveram técnicas sofisticadas de caça, que promovem ganho máximo e custos mínimos”. Os ataques intensos, sem escapatória — as armas são cada vez mais precisas —, geram “taxas de extinção elevadas”, pois eliminam “bichos que estão no auge da época reprodutiva. Esse modo de caçar contribui para desequilíbrios ambientais e distúrbios na evolução de algumas espécies, como o incentivo a seu tamanho reduzido, o que é verificado em alguns peixes”. Os cientistas sugerem que o homem se tornou um “insustentável super-predador”. “Em vez de garantir a sobrevivência das espécies que caça, ele acaba com as presas e, em consequência, com a própria alimentação.” Há uma saída? “Entre as alternativas para que” a humanidade “seja um predador ecologicamente mais eficiente, os autores” da pesquisa “sugerem que os homens observem os caçadores naturais e imitem sua maneira de agir”. Porém, se somos os donos da Terra, deuses que substituíram Deus, mesmo quando religiosos, por que mudaremos? Talvez para sobreviver. Poderíamos começar arrancando menos árvores nas cidades.

Filósofo britânico Roger Scruton sugere que o conservador é o verdadeiro progressista

[caption id="attachment_43470" align="alignleft" width="250"]Os conservadores são em geral os principais apóstolos de uma sociedade moderna e aberta | Divulgação Os conservadores são em geral
os principais apóstolos de
uma sociedade moderna e aberta | Divulgação[/caption] Dada a ditadura de 1964, dirigida tanto por militares quanto por civis (criaram todo o escopo institucional, fazendário e de planejamento do regime), tende-se, ao menos no Bra­sil, a se confundir “monstros” re­pres­sores com liberais e conservadores. Todo aquele que não é de es­querda se tornou sinônimo de reaci­o­nário e, sobretudo, contrário à melhoria das condições sociais. Noutras palavras, estamos falando de verdadeiros “monstros”. Na verdade, ao contrário do que tradicionalmente se pensa, um conservador às vezes, ou quase sempre, é mais “progressista” (termo excessivamente contaminado pela ausência de debates mais abertos) do que esquerdistas. O filósofo britânico Roger Scruton, apreciador e comentarista dos bons vinhos, escreveu dois livros que são fundamentais para que os leitores tenham uma compreensão abrangente do que é ser conservador. Os que querem elementos — ideias — para se contrapor à esterilidade de alguns discursos da esquerda, sempre hegemônica mesmo quando está por baixo, como agora, devem consultar, apreciando a argumentação bem fundamentada e um texto delicioso e às vezes mordaz, duas obras de Roger Scruton: “Como Ser um Conserva­dor” (Record, 294 páginas, tradução de Bruno Garschagen) e “O Que É Conservadorismo” (É Realizações, 328 páginas, tradução de Guilherme Ferreira Araújo). Lidos os livros, o leitor, se conservador, vai perder o receio de se apresentar como “conservador”. Porque vai descobrir que os conservadores são responsáveis, em larga medida, pelo avanço da sociedade, do mundo.