Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livro sugere que o homem, um super-predador, pode ser o responsável pela sexta extinção

Um livro devastador e imprescindível sobre o que nós, homens, estamos fazendo com as demais espécies | Divulgação

Um livro devastador e imprescindível sobre o que nós, homens, estamos fazendo com as demais espécies | Divulgação

Em nome do progresso e, às vezes, por puro prazer, os homens arrancam árvores — sem se importar com as vidas de outras espécies — e matam variadas espécies. Recen­temente, o dentista americano Walter James Palmer exibiu-se na internet ao lado de um leão, Cecil, que havia matado, no Zimbábue. Porém o que parece um caso isolado, produto de exibicionismo proporcionado pela força do dólar, não o é. Elizabeth Kolbert, especialista em jornalismo científico, escreveu um livro imprescindível, “A Sexta Extinção — Uma História Não Natural” (Intrínseca, 336 páginas, tradução de Mauro Pinheiro). Ga­nhou o respeitado prêmio Pulitzer.

Depois de cinco extinções, como a dos dinossauros, a mais divulgada pela mídia, enfrenta-se agora o que os cientistas chamam de “a sexta extinção”.
Elizaberth Kolbert, que colheu depoimentos de cientistas e leu dezenas de livros e pesquisas, conclui que será (está sendo) a mais devastadora de todas. Se os dinossauros foram dizimados por um asteroide, nós, homens, seremos os responsáveis pelo próximo apocalipse. A população humana cresce, exige que árvores sejam cortadas — para melhorar a mobilidade urbana e quase todos aparecem alegremente aplaudindo, ignorando que a Terra não pertence apenas aos seres humanos — e que mais animais sejam extintos. Uma onça apareceu recentemene em chácaras localizadas entre Senador Canedo e Bela Vista de Goiás e teria atacado um potro e uma cachorra. Logo será morta por um chacareiro. O que está acontecendo? Os homens estão ocupando mais espaço e destruindo o habitat tanto da onça quanto dos animais que ela preda. Os campos cada vez mais estão se tornando cidades.

Ao examinar 12 espécies, entre desaparecidas e em processo de extinção, Elizabeth Kolbert conclui que, apesar da insensibilidade geral — o progresso não pode ser contido e é preciso alimentar os homens —, centenas de animais foram extintos e estão em fase de extinção. Enquanto abrimos mais espaço para nós, para viver e comer, destruímos outros animais. A pesquisadora aposta que, se não houver uma ruptura — e dificilmente haverá —, a sexta extinção será “o legado final da humanidade”. Ser humano é pensar exclusivamente nos seres humanos? No livro “Cachorros de Palha”, o filósofo britânico John Gray discute a questão de maneira crítica, localizando a ideia que transformou o homem em Deus.

A “Veja” divulgou no seu portal o resultado de um estudo divulgado pela revista “Science” na sexta-feira, 21. “Os humanos são uma espécie única de ‘super-predadores’, com uma eficiência que ultrapassa todas as regras do mundo animal. Matamos outros bichos em uma taxa até 14 vezes superior a outras espécies caçadoras.”

Os pesquisadores estudaram 2.215 carnívoros marinhos e terrestres. “Descobriram que os homens caçam populações adultas que estão no topo da cadeia alimentar, como ursos ou leões, em uma taxa nove vezes maior do que fazem esse animais. Entre as espécies marinhas, a taxa é 14 vezes maior”, registra a “Veja”. A pesquisa sugere que “o mais impressionante no comportamento humano é que costumamos matar animais adultos, diferente do que acontece em todo o reino animal, que prefere presas jovens (e mais fáceis de abater). Os peixes consomem apenas 1% de bichos adultos. Os homens são capazes de fazer isso porque desenvolveram técnicas sofisticadas de caça, que promovem ganho máximo e custos mínimos”.

Os ataques intensos, sem escapatória — as armas são cada vez mais precisas —, geram “taxas de extinção elevadas”, pois eliminam “bichos que estão no auge da época reprodutiva. Esse modo de caçar contribui para desequilíbrios ambientais e distúrbios na evolução de algumas espécies, como o incentivo a seu tamanho reduzido, o que é verificado em alguns peixes”.

Os cientistas sugerem que o homem se tornou um “insustentável super-predador”. “Em vez de garantir a sobrevivência das espécies que caça, ele acaba com as presas e, em consequência, com a própria alimentação.” Há uma saída? “Entre as alternativas para que” a humanidade “seja um predador ecologicamente mais eficiente, os autores” da pesquisa “sugerem que os homens observem os caçadores naturais e imitem sua maneira de agir”. Porém, se somos os donos da Terra, deuses que substituíram Deus, mesmo quando religiosos, por que mudaremos? Talvez para sobreviver. Poderíamos começar arrancando menos árvores nas cidades.

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