Por Euler de França Belém
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Carlão Alberto Andrade: pré-candidato do PSDB a prefeito de Goianira| Foto: divulgação[/caption]
Aliados de Carlão Alberto de Oliveira (PSDB) apostam que o tucano será eleito prefeito de Goianira com pelo menos 70% dos votos. Eles acreditam que o desgaste do prefeito Miller Assis (PSD) é incontornável.
Convém não subestimar o adversário Miller Assis. Não há dúvida de que faz uma gestão abaixo da crítica, denunciada várias vezes, mas o prefeito detém o controle da máquina pública. Quer dizer, ele tem e terá dinheiro para bancar sua campanha. Dinheiro não ganha eleição sempre, mas, muitas vezes, ajuda.
O tucano aposta na renovação e, ao mesmo tempo, está fugindo dos altos custos das campanhas eleitorais
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, articula com o PSD de Vilmar Rocha e Thiago Peixoto
O governador Marconi Perillo é sempre preocupado em deixar algumas marcas nos seus vários governos. A principal talvez tenha permeado do primeiro ao quarto governo: a ideia de necessidade da modernização da economia e das práticas políticas. A modernização como uma coisa incontornável. Não dá para recuar — é o seu recado.
Para o quarto governo, que acaba de completar um ano, Marconi Perillo quer firmar a marca de que é um político que dialoga e busca o consenso com praticamente todos os setores da sociedade. Com, claro, os que querem dialogar — porque há setores refratários ao debate aberto e livre, devido às amarras político-ideológicas (muito do que parece da defesa da sociedade resulta do jogo ideológico).
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Presidente Dilma Rousseff, do PT, com o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB/ Foto de Eduardo Ferreira[/caption]
Conversar e buscar o consenso, para fazer o Estado avançar, crescendo e se devolvendo, já eram marcas do governo anterior. No governo atual, mesmo quando há resistências, o tucano-chefe busca sempre o consenso. Ele apresenta suas ideias, incorpora novas ideias, mesmo contrárias às suas, admitindo que à sociedade democrática é vital o consenso, ainda que este, por vezes, tenha de ser obtido por meio do conflito. Buscar o consenso não significa, por outro lado, aderir às teses populistas e ficar paralisado. O tucano-chefe é obstinado e trabalha, de maneira incansável, para implantar suas ideias e colher resultados o mais rápido possível.
Quem acreditou que o vereador Anselmo Pereira, o Macunaíma do Cerrado, iria até o fim na intenção de disputar as prévias, com o objetivo de se tornar candidato a prefeito de Goiânia pelo PSDB, entende muito pouco de política.
Na redação do Jornal Opção, ninguém acreditou que o “projeto” de Anselmo Pereira deveria ser levado a sério. Sobretudo porque o próprio vereador nunca levou-se a sério.
O presidente estadual do PMDB, deputado federal Daniel Vilela, disse ao Jornal Opção na sexta-feira, 19, que o candidato do partido a prefeito de Goiânia está praticamente definido. “Será Iris Rezende. Só não será, se ele não quiser. Os líderes e militantes do partido o querem na disputa. Como seu recall na capital é altamente positivo, suas possibilidades de vitória são as mais altas possíveis. Ele tem capacidade administrativa, conhece a cidade como poucos, por isso o eleitorado sabe que se trata de um político e gestor qualificado.” Mas há quem defenda que o PMDB precisa renovar. “As pesquisas sugerem que o goianiense quer Iris na prefeitura. Isto é um fato.”
O deputado Luís Cesar Bueno embarcou na canoa furada de Iris Araújo e deram com os burros n’água. A oposição está repetindo o mesmo erro ao concentrar seu discurso nos buracos nas rodovias estaduais. Como o governador de Goiás, Marconi Perillo, viabilizou recursos, as estradas deverão ser recuperadas brevemente. Assim, mais uma vez, a oposição perderá seu discurso.
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Os jornais na internet estão se transformando em agências de notícias. Todos estão iguais ou quase. Publicam as mesmas notícias, com ligeiras variações. Por vezes, se copiam, inclusive nos erros mais crassos. A tese dominante dos geradores de notícias é: ganham em acesso não os que têm mais qualidade, e sim os que produzem mais notícias, sobretudo se foram “sensacionais” (e, em geral, mal apuradas e mal escritas). Jornais com equipes grandes acabam por sobrepujar, ao menos em acesso, os jornais com equipes menores.
Há uma saída? Há, mas a maioria dos editores, acossados pela ideia de acesso ampliado, não quer percebê-la. Vão ganhar, mesmo no curto prazo, os jornais que, sem deixar de produzir notícias, as básicas, abrirem mais espaço para a produção de conteúdo substantivo.
O que significa produção de conteúdo? Significa simplesmente produzir notícias específicas, mais densas, de maneira mais detalhada, com nuances. Este tipo de produção tende a influenciar os demais veículos — jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão. Ao mesmo tempo, contribui para a obtenção de acesso que se pode chamar de permanente. Reportagens mais bem elaboradas tendem a ter acesso prolongado, quer dizer, não morrem no dia seguinte. Elas continuam reverberando. Conteúdo, e não a mera notícia “solta”, tende à sobrevivência, a se tornar referência.
Insistamos num ponto: não dá para abandonar a produção de notícias — aquilo que os demais veículos estão transmitindo diariamente aos leitores. O que se está sugerindo é que os jornais, especialmente aqueles com menor estrutura, têm de se preocupar com a produção de conteúdo, de material único e capaz de influenciar o jornalismo dos demais veículos. Senão vão perder terreno, cada vez mais, para aqueles jornais que têm estruturas maiores e, às vezes, mais experimentadas. Acesso estagnado é resultado desta falta de visão.
O Jornal Opção busca combinar a produção de notícias com a produção de conteúdo — com sucesso — e, ao mesmo tempo, a divulgação maciça de seus textos. Tem funcionado.
(Pintura de Igor Morski)
A Alemanha não foi criada há menos de um século, ao contrário do que diz crítico de gastronomia
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Divulgação[/caption]
Teresa Martins Marques, uma das importantes intelectuais de Portugal, lança, pela editora Âncora, o livro “Clave de Sol, Chave de Sombra — Inquietude de David Mourão-Ferreira”. A obra sobre o prosador e poeta, de 800 páginas, contém, segundo o “Jornal de Letras, Artes e Ideias”, de Portugal, “elementos novos, incluindo numerosos inéditos”.
Além de crítica literária do primeiro time, Teresa Martins Marques, doutora em Literatura e Cultura Portuguesas, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é prosadora. Seu romance “A Mulher Que Venceu Don Juan” é muito bem escrito e dotado de uma arquitetura sólida.
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Foto: Divulgação[/caption]
Leitores pedem indicação de um livro sério sobre o PT. Há vários estudos, como o de André Singer. Mas o livro que o explica de maneira mais ampla possível é “Partido de Deus — Fé, Poder e Política” (Editora Alaúde, 679 páginas), do historiador Luís Mir. Não há mais detalhado no país do que a obra do pesquisador. Quem, como e por que fundou — está tudo na obra.
Claro que, como é um livro de 2007, não apresenta, por exemplo, as corrupções mais recentes de líderes do PT.
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Reprodução[/caption]
O mínimo que se espera de um resenhista é que tenha lido e entendido o livro que comenta — nem se discute a qualidade do texto. Um crítico do jornal “Valor Econômico” diz que o romance “O Regresso” (Intrínseca, 272 páginas, tradução de Maria Carmelita Dias), de Michael Punke, não é sobre vingança, ao contrário do que afirmam os demais críticos, e sim sobre a possibilidade de diálogo entre os homens. Enfim, sobre redenção.
Tudo indica que o resenhista leu o livro e viu o filme (Leonardo DiCaprio está muito bem e merece o Oscar), mas não conseguiu entender a história. Os dois, um baseado no outro, são, do começo ao fim, sobre o poder da vingança, de como o desejo de vingança dá força para Hugh Glass caçar aquele que — além de matar seu filho, um mestiço — o deixou, gravemente ferido, para morrer numa região inóspita e gelada. A vingança, no caso, é uma poderosa usina de energia, o que, apesar de óbvio, o resenhista não soube perceber.
Texto do Valor Econômico
Trecho da resenha “‘O Regresso’, saga sobre o perdão”, de Alexandre Staut, que saiu na edição de sexta-feira, 5, do “Valor”: “Ao contrário do que se tem falado, ‘O Regresso’ não é um livro sobre vingança. É uma obra que mostra a importância do diálogo (ou da comunicação), que pode, entre outros feitos, levar ao perdão”. Perdão, por sinal, é uma palavra inexistente em “O Regresso”.
Do Washington Post:
"Uma obra soberba sobre vingança."


