Por Euler de França Belém
Para combater ideias, evitando que sejam colocadas em prática, é preciso conhecê-las bem. Se Churchill, Roosevelt e Stálin tivessem lido “Mein Kampf” cuidadosamente teriam percebido as reais pretensões de Hitler e poderiam, talvez, ter evitado a Segunda Guerra Mundial
Cerca de 20 minutos do filme “O Homem do Rio” passam-se em Brasília, em 1963, quando a capital do país estava em franca construção. O artista anda numa viga e o espectador fica apreensivo
Os jornalistas Luiz Carlos Merten e Luiz Danin Oricchio, do “Estadão”, são excelentes críticos de cinema. Eles amam o cinema, são dotados de paixão, mas escrevem racionalmente. No sábado, 30, escreveram sobre um filme e um livro a respeito do notável roteirista americano Dalton Trumbo (1905-1976). As críticas são, no geral, muito bem feitas e convidam a ver o filme e a ler o livro. Mas falta nuance e história. O macarthismo é apresentado como um dos maiores constrangimentos da história americana — ignorando-se, por certo, a Guerra Civil Americana, que matou mais de meio milhão de pessoas, a corrupção política dos Estados Unidos no século 19, o racismo exacerbado, o assassinato de Luther King e dos irmãos John e Bob Kennedy, a ação quase livre da Máfia em vários Estados do país e o Caso Watergate. O macarthismo tinha um quê de histeria, perseguiu diretores, atores e roteiristas de cinema, mas, comparado com o comunismo — que matou mais de 100 milhões de pessoas no século 20 —, é frango de granja. Ao defender os perseguidos de Hollywood, como o esquerdista Dalton Trumbo, não se leva em conta que o comunismo era pior do que o macarthismo. Não dá nem para comparar. Os textos sequer relatam que comunistas americanos (e soviéticos infiltrados) roubaram o segredo da bomba atômica do governo dos Estados Unidos e, a partir dos dados obtidos, puderam construir sua própria bomba atômica. O macarthismo era mais uma reação do que uma ação e provocou menos danos à liberdade de expressão — e não gerou mortes em série — do que se imagina.
Será que os críticos de cinema acreditam que, se vivesse na União Soviética de Stálin, Dalton Trumbo poderia ter escrito roteiros com pseudônimos ou assinados por outros colegas? Lá, não teria continuado a viver na mesma cidade, livre, leve e solto. Teria sido enviado para a Sibéria ou teria sido fuzilado.
Na democracia, embora tenha sido perseguido, pôde contestar o sistema e, em seguida, voltar a trabalhar livremente. Como comunista, e sabendo o que os comunistas estavam fazendo na União Soviética e na China — prendendo, matando, perseguindo, tomando empregos de maneira incontornável —, Dalton Trumbo não deve ser tratado como “vítima”. Ele sabia o que estava fazendo, ao ser um agente comunista — ainda que meio festivo —, e o senador Joseph McCarthy também sabia o que estava fazendo ao contribuir para reduzir sua força no establishment de Hollywood.
“Trumbo — A Vida do Roteirista Ganhador do Oscar Que Derrubou a Lista Negra de Hollywood” (Intrínseca, 384 páginas, tradução de Catharina Pinheiro), de Bruce Cook, parece ser um livro extraordinário. O título, se é que é de sua autoria, contém certo ufanismo. “Trumbo — Lista Negra”, filme de Jay Roach, tem sido incensado pela crítica patropi e internacional. Conta a história do roteirista.
Respeitado como roteirista, Dalton Trumbo dirigiu o filme antibelicista “Johnny Vai à Guerra”. Um filme de qualidade.
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Pesquisa alentada de cinco anos revela como e em que circunstâncias os cineastas Frank Capra, George Stevens, John Ford, John Huston e William Wyler retrataram a Segunda Guerra Mundial . Mera propaganda?[/caption]
Historiadores europeus, como Norman Davies, sugerem que os Estados Unidos criaram o mito de que “venceram” a Segunda Guerra Mundial e salvaram a Inglaterra de Winston Churchill, a França de Charles de Gaulle e a União Soviética de Stálin. De fato, os americanos foram fundamentais para a derrota da Alemanha nazista. Mas não se pode desconsiderar o empenho dos ingleses — se Churchill tivesse sucumbindo às pressões internas para negociar com Adolf Hitler, a Europa teria caído sob controle dos adeptos da “teoria” do espaço vital — e dos soviéticos. Ninguém sofreu tanto no conflito quanto o povo soviético (morreram cerca de 20 milhões de pessoas).
Quando as tropas do país do presidente dos Estados Unidos entraram na guerra, em 1941, depois do ataque do Japão a Pearl Arbor, a Inglaterra de Churchill lutava contra os nazistas há dois anos (a guerra começou em setembro de 1939). Conta-se que o ator Michael Caine teria retirado seus filhos de uma escola americana ao saber que os professores de História estavam ensinando que a batalha começou em 1941.
Se os americanos não pelejaram sozinhos, por que a história dominante enaltece os Estados Unidos e praticamente ignora a União Soviética e, por vezes, até os ingleses? Primeiro, a URSS de Stálin assinou um acordo de não-agressão com Hitler, em agosto de 1939, e por isso os nazistas, sentindo-se encorajados, invadiram a Polônia, em setembro de 1939, deflagrando a Segunda Guerra Mundial. Os políticos ingleses e franceses, que cultivavam uma política de apaziguamento com o nazismo, finalmente perceberam que Hitler não iria parar e, por isso, precisava ser contido o quanto antes. Os soviéticos ficaram, num primeiro momento, como vilões. Depois, lutaram bravamente e foram decisivos, mais do que os americanos, para derrotar o nazismo. Aos poucos, os historiadores, sobretudo os ingleses, reconhecem sua importância. O comunismo era e é uma desgraça, mas o soldado soviético era intrépido.
Segundo, o cinema de Hollywood contribuiu para criar a mitologia do heroísmo americano. Os filmes produzidos nos Estados Unidos no geral são imprecisos (de maneira intencional), praticamente ignoram outros participantes aliados, e criaram um glamour romântico sobre soldados e oficiais do país que pelearam na Europa. Os filmes soviéticos (e mesmo os ingleses) raramente são exibidos fora da Rússia e demais países que pertenceram à URSS. Insistamos num ponto: os Estados Unidos foram importantíssimos para derrotar Hitler, mas, sem a capacidade de resistência dos ingleses e soviéticos, a Alemanha teria se tornado a senhora da Europa.
“Cinco Voltaram — Uma História de Hollywood na Segunda Guerra Mundial” (Objetiva, 560 páginas), de Mark Harris, é, sem dúvida, um livro do balacobaco. Mas deve ser lido a partir do prisma exposto acima. O cinema, no caso da guerra, foi largamente utilizado para propalar propaganda política. Por isso o presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt — tão extraordinário quanto Churchill — enviou cineastas para a Europa. Eles foram destacados para relatar a guerra a partir do ponto de vista americano. Só que, como os diretores Frank Capra, George Stevens, John Ford (foto acima), John Huston (foto abaixo) e William Wyler eram extraordinários, os filmes quase sempre são de qualidade. O talento — a narrativa por vezes precisa, ainda que romantizada, em certos casos — sobrepõe-se à propaganda. Artistas criativos sempre vão além daquilo que lhe pedem e cobram.
Mark Harris percebe a propaganda, admite o vezo americano em detrimentos das visões europeias-soviéticas, mas destaca a importância do cinema do país de John Ford em exibir a crueza da guerra, suas vicissitudes e até, no meio do deserto de sentimentos, momentos belos, de rara humanidade.
A caixa “A Segunda Guerra no Cinema” reúne alguns filmes interessáveis: “Fomos os Sacrificados” (John Ford), “48 Horas!” (Alberto Cavalcanti), “Também Somos Seres Humanos” (William Wellman), “Proibido!” (Samuel Fuller), “Amargo Triunfo" (Nicholas Ray) e “Mercenários Sem Glória” (André De Toth).
Norman Davies e a Segunda Guerra Mundial
O historiador Norman Davies sugere que o cinema simplifica a Segunda Guerra Mundial e concentra-se, na maioria das vezes, nos Aliados, notadamente na participação dos americanos. Confira no link:
https://jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/norman-davies-cinema-americano-simplifica-segunda-guerra-mundial
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Vale Tudo da Notícia mostra, sem meias palavras, que parte da imprensa da desenvolvida Inglaterra é mais suja do que o lixo que recolhe[/caption]
“Vale Tudo da Notícia” (Intrínseca, 480 páginas, tradução de Marcelo Levy), de Nick Davies, conta, de maneira detalhada, o escândalo do extinto jornal britânico “News of the World”, de Rupert Murdoch. O jornal, por meio de editores e repórteres — a prática era aprovada pelo proprietário —, comprava informações obtidas ilegalmente de detetives particulares, que faziam grampos telefônicos e seguiam pessoas. Os repórteres invadiam caixas de mensagens de celulares de pessoas proeminentes da Inglaterra. Com as informações, publicavam reportagem e, por vezes, chantageavam empresários, políticos e artistas. Davies conta as histórias centrais, mostrando que o jornalismo baixo clero era deliberado, e histórias menores. James Murdoch pressionava políticos e buscava obter vantagens comerciais sem nenhum pudor.
Conhecido como “homem do lixo”, Benji percorre as ruas de Londres, na madrugada, vasculhando sacos de lixo em busca de informações para vendê-las aos tabloides (que, na Inglaterra, é sinônimo de sensacionalismo). O repórter Sean Hoare tomava drogas com celebridades.
O livro de Davies mostra como o jornalismo — aquilo, argh!, que é vendido como jornalismo — do chamado Primeiro Mundo pode ser sujo. Tidos como os leitores mais qualificados do mundo, ao lado dos franceses, os ingleses adoram qualidade (a leitura de um escritor excepcional como Ian McEwan, por exemplo), mas apreciam, por intermédio dos tabloides, chafurdar no lixo mais abjeto dos seres humanos. Aliás, muito não é lixo, se não for publicado. É apenas vida íntima, que é mais complexa, rica e diversificada do que imagina a nossa vã filosofia.
Quando o “The Guardian” publicou as denúncias, provocando um debate extraordinário na sociedade inglesa, o ‘News of the World”, desmoralizado, fechou as portas. Um trecho do livro pode ser lido no site da Editora Intrínseca.
O incensado consultor Eduardo Tessler, um dos principais responsáveis pelas reformas editoriais feitas no jornal “O Popular”, teria zarpado de Goiânia — e sem pretensão de voltar. Eduardo Tessler, que atraiu o editor-executivo Fabrício Cardoso, teria sido vencido pela igrejona de jornalistas que, apesar das tentativas de mudança, ainda controla a redação, ou parte dela. Cileide Alves continua forte na redação, apesar de, em teoria, não ter mais cargo de mando. Mas uma coisa é certa: quando estava no comando direto, o jornal era melhor ou menos pior. O nível do “Pop” caiu muito. Hoje, conhecido como “República dos Estagiários”, o jornal parece não se preocupar mais com a qualidade do texto, com a precisão da informação. Até repórteres experientes parecem meio perdidos, escrevendo textos bisonhos, mal escritos, com erros primários. O enxugamento brutal da redação piorou a qualidade do jornal. Isto é consenso na sociedade e na própria redação. Só não percebem ou não querem perceber os dirigentes. Recuperar um jornal que “cai” não é fácil. Deveriam pensar sobre isto o mais rápido possível.
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