Por Euler de França Belém
Mesmo um treinador competente precisa de tempo para organizar um time que, além de competitivo, joga bonito
O poema foi escrito em 1918, durante uma travessia marítima do múltiplo bardo português, e colhido por um adolescente de 13 anos
Fernando Pessoa é uma mina de diamante inesgotável. Quando se acredita que não há mais nada a descobrir, aparece alguma coisa, e relevante. Agora, surge um novo e belo poema, pelas mãos do advogado brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho. O biógrafo do bardo português adquiriu um “livro de autógrafos”, no qual, durante uma travessia marítima, em 1918, o adolescente José Osório de Castro Oliveira (1900-1964) colhia recordações de seus companheiros de viagem.
No lugar de uma anotação trivial, Fernando Pessoa escreveu um poema: “Cada palavra dita é a voz de um morto./Aniquilou-se quem se não velou/Quem na voz, não em si, viveu absorto./Se ser Homem é pouco, e grande só/Em dar voz ao valor das nossas penas/E ao que de sonho e nosso fica em nós/Do universo que por nós roçou/Se é maior ser um Deus, que diz apenas/Com a vida o que o Homem com a voz:/Maior ainda é ser como o Destino/Que tem o silêncio por seu hino/E cuja face nunca se mostrou.”
O poema foi publicado pela “Folha de S. Paulo” no sábado, 11, e alcançou repercussão em Portugal. No domingo, 12, o jornal “Público”, do país de Fernando Pessoa, menciona que o poema havia sido recolhido “por João Dionísio na edição de 2005 da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, ‘Poemas de Fernando Pessoa: 1915-1920’. Só que a versão que agora veio a lume é anterior e substancialmente diferente da já publicada, e tudo leva a crer que é a versão definitiva do poeta. Foi escrita, aparentemente de uma só penada, em 1918 — tinha Pessoa 30 anos”.
Meu pai, Raul Belém, morreu há quase cinco anos (câncer de pâncreas). Pego-me, por vezes, pensando nele, na sua história, de como me incentivou a ler, sobretudo obras de qualidade e, também, jornais. Uma vez me orientou: “Comece a ler a edição do dia por economia e, depois, política”. Na época, eu estava mais interessado em ler notícias de futebol (comprava, lia e colecionava a revista “Placar”) — era torcedor do Pelé Futebol Clube, quer dizer, do Santos —, gibis e livros de bolso de faroeste (era leitor de Marcial Lafuente Estefânia). Porém, por curiosidade, comecei a ler reportagens de política e economia. E gostei. Por isso, antes de me formar em Jornalismo (na Universidade Federal de Goiás), estudei História (na Universidade Católica de Goiás) e Filosofia (na UFG).
O que mais penso é: o que de meu pai sobrevive em mim, além do corpo, da genética? O gosto pelos livros é inegável. Raul Belém era um leitor voraz, que sabia quase tudo sobre a história do Brasil, notadamente a do século 20, com prioridade para o período pós-1964 (mas seu ídolo político, Juscelino Kubitschek, era anterior, da década de 1950, em termos de Presidência da República). “Quem não conhece história, como o passado formatou o presente, dificilmente entenderá como funciona o presente e terá dificuldade para refletir e se posicionar. O passado sobrevive no presente com uma força extraordinária”, costumava dizer aos amigos.
Ele lia jornais todos os dias. Era parte de sua “alimentação” cotidiana. Recortava reportagens e artigos, por vezes até fotografias. Nos seus arquivos, encontrei textos do “Cinco de Março” e do Jornal Opção, vários da década de 1970. Não perdia uma edição da revista “Veja” (tinha a de número 1, de 1968). Guardou, por toda a vida, exemplares das revistas “O Cruzeiro” e “Realidade” — com trechos das reportagens grifados (herdei também a mania de sublinhar os trechos que considero mais importantes, até em bula de medicamento, como ele fazia). Quando eu era menino, lembro-me que, por meio de um rádio imenso, ele ouvia, todos os dias, a Voz do Brasil. Dizia-me: “Saiba que, apesar do oficialismo e do palavrório, fica-se sabendo o que os políticos estão articulando para o país”. Admirava Juscelino Kubitschek, Nelson Carneiro e Ulysses Guimarães. Achava Tancredo Neves “escorregadio” demais.
Apreciava as tiradas ferozes de Carlos Lacerda, a rapidez e agudeza de seu raciocínio, mas o percebia como um político antidemocrático.
Raul Belém adorava música. Sabia de cor e salteado as músicas de Chico Buarque. Elis Regina era sua cantora preferida. Tinha todos os discos de ambos. Aprecio tanto um quanto a outra. Por quê? Pelo talento inegável do primeiro, como compositor (e canta bem suas próprias músicas, como “Construção” e “Fado tropical”, esta, chamo de hino informal do Brasil), e da segunda, como cantora. Meu pai me ensinou a ouvi-los cuidadosa e apaixonadamente. Lembro-me que esperava, ansioso, o lançamento de um novo disco de Chico Buarque. Ao adquiri-lo, via Correios (reembolso postal), ouvia-o todos os dias, várias vezes, durante algum tempo, numa radiola ou vitrola. O que mais apreciava eram as críticas sutis à ditadura civil-militar, pois era um homem de esquerda. Ele sabia que a música de Geraldo Vandré não tinha o mesmo fôlego da música de Chico Buarque, mas admirava-o como menestrel e adversário do regime instaurado por generais e vivandeiras em 1964. Deliciava-se com “Caminhando” (“Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”) e “Disparada”.
Deixando de pensar nas coisas vistas como “mais importantes”, como a arte (livros) e a paixão pela política, pego-me refletindo sobre as pequenas coisas. É possível que, além da retidão moral — era intransigente quanto a este ponto —, eu, e possivelmente meu irmão, o advogado Raul de França Belém Filho, herdei outra coisa de meu pai: a “letra”. Ele tinha uma “letra” bonita e, num tempo em que muitas pessoas não sabiam escrever, ao menos não sabiam escrever com fluência, escreveu cartas para várias pessoas — tanto para parentes quanto procurando apoio em ministérios (em busca de medicamentos caros e bolsa de estudos para pessoas pobres). Era um homem impaciente e nervoso, um tanto hipocondríaco — havia sido “farmacêutico” —, mas ensinou a mim e ao Raul Filho, além das irmãs Eliane, Eliana e Érika, a escrever o nome com uma caligrafia elegante e precisa. Dizia: “Uma bela assinatura vale alguma coisa. Cuidem da caligrafia”. Assim, com algum treinamento, adquirimos uma “letra”, como se dizia, bonita e inteligível. Nossas assinaturas eram modeladas na dele. A “letra” — a sua bela escrita — de meu pai sobrevive em mim.
A pressa do jornalismo corrompeu minha “letra”, minha escrita, que, por vezes, é ininteligível até para mim mesmo, dias depois da anotação. Porém, quando vou assinar meu nome, como se lembrasse de meu pai, como se ele vivesse em mim, capricho e minha “letra” sai como nos tempos de antanho.
Quando estava muito mal, internado num hospital da Rua 9, no Setor Marista, meu pai me disse: “Acho que vou morrer, sinto isto. Mas gostaria de viver mais. Gostaria de ler bons livros, de ouvir boa música e de conviver mais com meus filhos”. Começou a contar a história de Benvindo Belém de Lima, nosso parente que participou da Segunda Guerra Mundial, na Itália, e acabou dormindo. Quando acordou, lembrou que a origem de sua família paterna (Belém, Bethlem) era sírio-libanesa... Mas não havia mais nenhuma alegria na sua voz, cada vez mais débil. Sabia que estava prestes a morrer.
O filme deixa o seguinte enigma: era uma alien que tinha um corpo, mas não tinha alma ou ela tinha alma, mas não tinha um corpo?
Depois de ser desentender com o chefe de telejornalismo, o jornalista foi dispensado. Amigos sugerem que está negociando com a TV Record
A polícia encontrou maconha e LSD na mochila da jovem de 20 anos. Não se sabe se a droga era dela ou se foi plantada pelo assassino
Com o PT fora do poder, e com o objetivo de reduzir sua pena, o publicitário abre o jogo e diz ter informações exclusivas para revelar ao Ministério Público de Minas e ao Ministério Público Federal
Apesar de sua importância como pioneiro dos eventos corporativos, do apoio aos negócios da iniciativa privada, ele morre praticamente esquecido
A emissora afirma que Luciano Rodrigues era um “repórter brilhante” e vai deixar uma "enorme lacuna"
A jovem estudava na Universidade Católica de Brasília. Suspeitou de latrocínio, mas delegado aponta para homicídio
[caption id="attachment_68670" align="alignleft" width="600"]
Reprodução[/caption]
Jéssica Leite César tinha apenas 20 anos e estudava Jornalismo na Universidade Católica de Brasília. Na terça-feira, 14, saiu de casa para ir para a faculdade e não voltou para casa. A garota foi assassinada com uma facada no peito.
Inicialmente, acreditou-se que Jéssica Leite havia sido vítima de latrocínio. Na primeira versão, um casal de criminosos teria roubado seu celular e, ante a resistência, teria esfaqueado a jovem. Mas o delegado Flávio Messina, de Taguatinga Norte, avalia que não está descartada a hipótese, não de latrocínio, e sim de homicídio.
O delegado Flávio Messina sublinha que Jéssica Leite foi assassinada com um único golpe, dado com extrema força, no seu peito. Há uma lesão na mão e o policial frisa que ela possivelmente tentou resistir.
[caption id="attachment_68671" align="alignleft" width="243"]
Reprodução[/caption]
Uma professora de Jéssica Leite escreveu numa rede social: “Sua voz ficará para sempre em nossa mente. Sua alegria e carisma no nosso coração. Sua juventude foi interrompida pela violência brutal que assusta e mata. Já sentimos sua falta”.
No Facebook de Jéssica Leite, um amigo escreveu: “Eu vou para sempre lembrar do seu sorriso. Não acredito que isso aconteceu, não me conformo. Segurança pública é um problema e você foi, como outros e outras, a comprovação de que precisamos de segurança”.
O “Correio Braziliense” publicou na quinta-feira, 16: “A linha de investigação de homicídio surgiu após a polícia constatar que a mochila da jovem — com carteira, casaco e chips de celulares — permaneceu no local. Em coletiva, o delegado Flávio Messina afirmou que não havia drogas na bolsa. Mais tarde, ao prender três suspeitos do crime, ele confirmou a presença de ‘pouca quantidade de LSD e maconha’, mas afirmou que ainda precisava analisar a presença do ‘material’. Segundo apuração do Correio, a ocorrência aponta que havia uma balança de precisão e um ‘micro-selo’ (sic), porém sem a informação se eram de Jéssica ou se tinham sido plantados”.
Deputados apostam que, neste momento, José Vitti tem condições de ser eleito presidente, atropelando Chiquinho Oliveira
Os repórteres mais conhecidos são Sandro Macedo, editor-adjunto da “Ilustrada”, e Ricardo Gallo, autor de um livro sobre o primeiro brasileiro condenado à pena de morte no exterior
Livros de oportunidade, por mais que se datem rapidamente, são úteis porque dão uma visão de conjunto dos problemas, como a corrupção do petrolão
Com a demissão iminente de Dunga, o técnico mais cotado para substitui-lo é o do Corinthians. É, no Brasil, o mais qualificado, ao lado de Muricy Ramalho
O parlamentar goiano é muito ligado ao ex-ministro Mário Negromonte, hoje integrante do Tribunal de Contas da Bahia
[caption id="attachment_28308" align="alignleft" width="620"]
Sandes Júnior, muito ligado a Mário Negromonte, está sendo investigado[/caption]
O PSDB de Giuseppe Vecci, pré-candidato a prefeito de Goiás, rejeita o deputado federal Sandes Júnior na vice.
O motivo é prosaico: Sandes Júnior, do PP, está envolvido na Lava Jato. Ele é um dos investigados. O parlamentar goiano é muito ligado ao ex-ministro Mário Negromonte (foto menor, abaixo). O hoje conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia é apontado como integrante de um esquema de recebimento de propina.
Se aceitasse Sandes Júnior na vice, Giuseppe Vecci teria de passar o tempo inteiro se explicando. Por isso, embora quisesse ser vice, Sandes Júnior foi rejeitado.
O senador Wilder Morais chegou a tentar impor Sandes como vice, mas, ante as informações de que está envolvido na Lava Jato, aceitou as ponderações da cúpula do PSDB.
Aos amigos e aliados, Sandes Júnior tem dito que não pode perder a imunidade parlamentar. Para não cair nas mãos de Sergio Moro.
Em contato telefônico, Sandes Júnior apresentou outra versão para o fato de não ter sido escolhido para vice. Mas o fato é que, dadas suas ligações com Carlos Cachoeira e envolvimento na Operação Lava Jato, o PSDB o vetou. Publicamente, a versão apresentada é outra. O que está dito abaixo contradita inclusive com o fato de que Sandes Júnior dizia, em entrevistas, que seria candidato a prefeito de Goiânia.
Versão de Sandes Júnior, deputado federal
“No dia 4 de julho começarei um programa na TV Serra Dourada, que se chama ‘Na hora do almoço’. Pela lei eleitoral, jornalista, radialista, tem que sair do ar no dia 30 de junho, como eu vou começar programa no dia 4 de julho se eu seria candidato?
Por isso que não sou vice do Vecci, não tem outro motivo. Ele me convidou para ser vice durante meu programa no rádio na semana passada. Eu que não aceitei, apenas por isso. Porque vou começar um programa na TV Serra Dourada e não vou deixar o meu do rádio.”
Nota de Giuseppe Vecci, deputado federal
“O PP foi o primeiro partido a ratificar apoio à minha pré-candidatura, ainda em maio, para iniciarmos a formação de uma grande aliança nas eleições municipais deste ano. É uma grandeza ter um partido como o PP, que possui em seus quadros políticos qualificados como o deputado federal Sandes Júnior, nos apoiando.
“Respeito muito o Sandes pela forma como ele representa importantes setores da sociedade, pela expressiva votação em Goiânia e como deputado federal, e pelo perfil municipalista e agregador. Por isso e pela amizade que nos une, jamais faria algum movimento para impedir a vinda de Sandes na vice. Entendo que o momento de definição de nomes para a vice não é agora, e sim até as convenções partidárias, mas tenho absoluta certeza que Sandes e o PP irão contribuir e somar muito na minha campanha.”

