Réquiem para Ademir Araújo, o mago que criou a Arprom e reinventou os eventos corporativos

Apesar de sua importância como pioneiro dos eventos corporativos, do apoio aos negócios da iniciativa privada, ele morre praticamente esquecidoMorte pintura

Iúri Rincon Godinho

Ademir Araújo morreu na quinta-feira, 16. Foi pioneiro dos eventos corporativos em Goiás com sua Arprom. Nos anos 1980 me ofereceu quatro vezes o que eu ganhava para ser seu assessor de imprensa quando ninguém contratava assessor de imprensa. Pensei: esse cara é doido e não vai me pagar. Ele era doido e me pagou. Aprendi muito com suas loucuras.

Sem educação técnica, mandava que eu — jornalista formado pela UFG — refizesse os releases, implicava com palavras difíceis. Sempre melhorava os textos. Pedia para ousar nos títulos e me obrigava a pensar jeitos diferentes de escrever a mesma coisa.

Ademir Araújo veio ao mundo despido de vergonha. Entrava em reunião fechada, ligava para qualquer pessoa, abordava autoridades na rua e à noite sempre de maneira educada e cativante. Sorrindo, sabia fazer negócios em qualquer lugar e situação. Na abertura de seus eventos fazia questão de estar à frente para literalmente cortar a fita. Tinha luz própria e coragem para fazer coisas que ninguém tinha feito.

Foi a primeira pessoa que vi trabalhar harmonicamente, todos os dias, ao lado da mulher, Odacy. Pode-se dizer que de sua empresa saíram a Contato Comunicação, a Tecniprom e a Portal de Eventos, três das maiores grandes promotoras de eventos no século XXI.

Ademir Araújo foi o nome por trás de grandes feiras comerciais que hoje ninguém lembra mas que abriram o mercado goiano, como a Femocest (de moda) e a Fenabela (de beleza). Como todo pioneiro, nasceu antes de seu tempo e vendia estandes (ele escrevia stands) quando por aqui não se sabia direito o significado da palavra.

Seu ápice profissional veio porque ele pensava diferente. Achava um absurdo que o parque agropecuário vivesse no ócio o ano todo, ocupado apenas algumas semanas no ano com a Pecuária. Em uma época sem centro de convenções, transformou as baias de gado do parque em estandes da FIC, a Feira da Indústria e Comércio. Dela participavam todos os players importantes do empresariado, como as federações da indústria e do comércio.

Ademir Araújo veio do nada e, negro e pobre, fez o que quis nessa cidade nos anos 80 e 90. Onde o povo via espaços vazios, enxergava oportunidade. Como tantos pioneiros e empreendedores, morreu sem o reconhecimento merecido. Não há foto sua no Google. A página da empresa que ele construiu (http://www.arprom.com.br/) não faz menção a seu nome. Nessas horas é que se justifica a crença de tantos na reencarnação: alguma coisa de muito ruim a gente deve ter feito na vida passada para ter nascido no Brasil e em Goiás.

Iúri Rincon Godinho é publisher da Contato Comunicação.

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Adalberto De Queiroz

Nossa Senhora da Boa Morte proteja a alma do Seo Ademir.

Nilzete Duarte

Agradeço por compartilhar tudo o que foi escrito. É realmente uma pena que uma pessoa tão importante ser esquecida dessa maneira.