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Não é necessário apenas evitar que a história se repita, mas que a injustiça, sob qualquer forma, encontre espaço para se repetir
Um grupo de 13 pesquisadores brasileiros coordenados pelo professor doutor em farmacologia Francisney Pinto Nascimento, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), identificou melhora cognitiva em pacientes com Alzheimer tratados com extratos de cannabis em baixa dose. Os resultados aparecem em duas publicações científicas — um relato de 2022 e um ensaio clínico randomizado publicado em 2025 — que apontam efeitos positivos na memória, com perfil de segurança considerado favorável.
A linha de pesquisa investiga o uso de canabinoides como alternativa terapêutica para a melhora do Alzheimer, condição neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas no mundo e ainda não possui tratamento curativo. Para a biomédica e pesquisadora Isabela Carvalho Freitas, vinculada à Universidade Federal de Goiás (UFG), os efeitos observados podem ser explicados pela interação dos canabinoides com o sistema endocanabinoide, responsável por regular funções como humor, sono, apetite e resposta ao estresse.
Segundo a especialista, a modulação desse sistema pode contribuir para o manejo de sintomas e melhora da qualidade de vida em pacientes com Alzheimer, especialmente nos quadros comportamentais, que ainda representam desafios clínicos relevantes.
Ela também destaca o crescimento do interesse acadêmico sobre o tema e aponta que barreiras regulatórias históricas dificultaram a produção de evidências científicas robustas. “A ausência de pesquisa restringe o uso, e a restrição dificulta o avanço da pesquisa”, afirma em entrevista ao Jornal Opção.
No Brasil, iniciativas como a Associação Curando Ivo têm contribuído para ampliar o debate e a aplicação clínica da cannabis medicinal. Casos como o de pacientes com Alzheimer que apresentaram melhora funcional e de bem-estar ajudam a dar visibilidade ao potencial terapêutico dos canabinoides, especialmente em contextos em que tratamentos convencionais apresentam limitações .
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Mais sobre o estudo
O primeiro estudo, publicado em 2022, analisou um único paciente com Alzheimer em estágio inicial submetido a um tratamento experimental com microdoses de extrato de cannabis. A formulação utilizada apresentava predominância de tetraidrocanabinol (THC), com proporção aproximada de 8 para 1 em relação ao canabidiol (CBD), administrada por via oral em doses inferiores a 1 mg por dia.
Segundo o artigo, o paciente apresentou melhora significativa nas funções cognitivas, com aumento de pontuação em testes como o Mini Exame do Estado Mental (MMSE) e redução no índice de comprometimento cognitivo (ADAS-Cog). Também foram observados ganhos funcionais e comportamentais, como redução da desorientação espacial e temporal, melhora da memória, diminuição de esquecimentos e recuperação parcial da autonomia.
Relatos clínicos indicaram ainda melhora no humor, no sono e na disposição. O acompanhamento, que se estendeu por mais de um ano, não identificou efeitos adversos relevantes, e o quadro cognitivo permaneceu estável ao longo do tempo.
Avanço
A partir desses resultados iniciais, os pesquisadores avançaram para um ensaio clínico de fase 2, com desenho metodológico mais robusto. O estudo incluiu 29 pacientes com demência associada ao Alzheimer, dos quais 28 completaram o acompanhamento de 26 semanas. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu placebo e outro foi tratado com um extrato balanceado de THC e CBD, também em baixa dose.
Neste segundo estudo, a dose diária administrada foi de 0,350 mg de THC e 0,245 mg de CBD, diluídos em óleo e ingeridos por via oral. O protocolo foi conduzido em modelo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo — padrão considerado mais confiável na pesquisa clínica.
Os resultados indicaram diferença estatisticamente significativa no desempenho cognitivo entre os grupos. Enquanto pacientes que receberam placebo apresentaram declínio, aqueles tratados com cannabis mantiveram ou melhoraram os escores no MMSE ao longo do período analisado. A diferença média foi de cerca de 1,7 ponto na escala, considerada relevante diante da progressão natural da doença.
Apesar do avanço cognitivo, não houve diferenças estatísticas nos desfechos secundários, como sintomas neuropsiquiátricos, qualidade do sono ou depressão. Também não foram identificadas diferenças significativas na incidência de efeitos adversos entre os grupos, embora eventos leves tenham sido relatados em ambos.
O próprio artigo mais recente reconhece que o ensaio clínico foi motivado pelos achados do primeiro estudo, descrito como ponto de partida para a investigação. Os autores destacam, no entanto, que a amostra ainda é reduzida e que são necessários estudos maiores e de longo prazo para confirmar a eficácia e estabelecer protocolos clínicos.
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